O amor e a compaixão são
louvados como o caminho mais seguro para a ausência total de
ignorância. O primeiro ato de compaixão de Sidarta Gautama, o
Buddha, ocorreu durante uma de suas primeiras encarnações, em um
lugar improvável - não como um bodisatva, mas como habitante do
reino dos infernos, onde foi parar em conseqüência
do carma negativo que ele próprio havia acumulado.
Ele e um companheiro de
infortúnio estavam sendo forçados a puxar uma carroça pelas chamas
do inferno, enquanto do alto da carroça um capataz os chicoteava sem
piedade. Sidarta ainda guardava forças, mas o companheiro estava
muito debilitado e por isso era alvo de crueldade ainda maior.
A visão do companheiro sendo
açoitado provocou em Sidarta uma pontada de compaixão. Ele implorou
ao demônio que os castigava: “Solte-o, por favor; deixe que eu
carregue este fardo por nós dois.” Enfurecido, o demônio deu um
violento golpe na cabeça de Sidarta e ele morreu, renascendo em um
reino superior.


Aquela centelha de compaixão
na hora da morte continuou a crescer e a brilhar com mais intensidade
em suas reencarnações subseqüentes.
Além do amor e da compaixão,
existe um sem-número de caminhos disponíveis que nos levam mais
perto da compreensão da natureza búdica. Mesmo se entendermos
apenas intelectualmente a bondade fundamental do ser humano e de
todos os demais seres, esse entendimento já nos aproxima da natureza
búdica.
A iluminação faz parte da
nossa verdadeira natureza. A nossa verdadeira natureza é como uma
estátua de ouro que ainda está dentro do molde, e o molde é como
os obscurecimentos e a ignorância. Assim como o molde não faz parte
da estátua, a ignorância e as emoções não constituem uma parte
intrínseca da nossa natureza, e por isso podemos falar em pureza
original.
Quando o molde é quebrado,
surge a estátua. Quando os obscurecimentos são removidos, a nossa
verdadeira natureza búdica é revelada.
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