21.7.17

O CAMINHO DA COMPAIXÃO – Dzongsar J. Khyentse


O amor e a compaixão são louvados como o caminho mais seguro para a ausência total de ignorância. O primeiro ato de compaixão de Sidarta Gautama, o Buddha, ocorreu durante uma de suas primeiras encarnações, em um lugar improvável - não como um bodisatva, mas como habitante do reino dos infernos, onde foi parar em conseqüência do carma negativo que ele próprio havia acumulado.

Ele e um companheiro de infortúnio estavam sendo forçados a puxar uma carroça pelas chamas do inferno, enquanto do alto da carroça um capataz os chicoteava sem piedade. Sidarta ainda guardava forças, mas o companheiro estava muito debilitado e por isso era alvo de crueldade ainda maior.

A visão do companheiro sendo açoitado provocou em Sidarta uma pontada de compaixão. Ele implorou ao demônio que os castigava: “Solte-o, por favor; deixe que eu carregue este fardo por nós dois.” Enfurecido, o demônio deu um violento golpe na cabeça de Sidarta e ele morreu, renascendo em um reino superior.

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Aquela centelha de compaixão na hora da morte continuou a crescer e a brilhar com mais intensidade em suas reencarnações subseqüentes.

Além do amor e da compaixão, existe um sem-número de caminhos disponíveis que nos levam mais perto da compreensão da natureza búdica. Mesmo se entendermos apenas intelectualmente a bondade fundamental do ser humano e de todos os demais seres, esse entendimento já nos aproxima da natureza búdica.

A iluminação faz parte da nossa verdadeira natureza. A nossa verdadeira natureza é como uma estátua de ouro que ainda está dentro do molde, e o molde é como os obscurecimentos e a ignorância. Assim como o molde não faz parte da estátua, a ignorância e as emoções não constituem uma parte intrínseca da nossa natureza, e por isso podemos falar em pureza original.

Quando o molde é quebrado, surge a estátua. Quando os obscurecimentos são removidos, a nossa verdadeira natureza búdica é revelada.

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