28.7.16

A VIDA ESPIRITUAL NA ÉPOCA DE BUDDHA - A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram

Na época de Buddha, viver uma vida espiritual era uma alegria, uma beatitude, o estado mais feliz, que te libertava de todos os problemas do mundo, de todas as preocupações, e te fazia feliz, satisfeito, contente.

Foi o materialismo dos tempos modernos que transformou o esforço espiritual em dura luta e sacrifício, uma dolorosa renúncia às chamadas alegrias da vida. Essa insistência na exclusiva realidade do mundo físico, dos prazeres físicos, alegrias físicas, possessões físicas, é o resultado de toda a tendência materialista da civilização humana.

Nos tempos antigos, isso era impensável. Recolher-se, concentrar-se, libertar-se de toda preocupação material, consagrar-se à alegria espiritual, isso sim era felicidade. Desse ponto de vista, é evidente que a humanidade está longe de ter progredido; e aqueles nascidos neste mundo no centro da civilização material têm em seu subconsciente essa horrível noção de que apenas as realidades materiais são verdadeiras, e que preocupar-se com coisas que não são materiais representa um espírito de sacrifício, um esforço quase sublime.

Não estar preocupado, da aurora ao ocaso e do ocaso à aurora, com todas as pequenas satisfações físicas, prazeres físicos, sensações físicas, preocupações físicas, é a marca de um grande espírito.

Toda a civilização moderna foi construída sobre esse conceito: “O que você pode tocar é verdadeiro; o que pode ver é verdadeiro; mas o resto... não sabemos se são sonhos vãos, ou se estamos deixando o real pelo irreal, a substância pela sombra. Além do mais, o que iremos ganhar? Uns poucos sonhos! Mas se você tem algumas moedas em seu bolso, pode ter a certeza que elas estão ali!”

Tornar-se um pouco mais consciente de si mesmo, entrar em relação com a vida por trás das aparências, não mais parecem ser o maior bem. Mas se você se senta numa poltrona confortável defronte a uma bela refeição, quando enche seu estômago com belos pratos, isso lhe parece muito mais concreto e interessante.

E se você olha para o dia que passou e vê que teve alguma vantagem material, algum prazer ou satisfação física, você o considera um bom dia; mas se recebeu uma boa lição da vida, se a vida lhe deu um soco no nariz para lhe mostrar que é uma pessoa estúpida, você não agradece à Graça Divina; você diz: “Oh, a vida não é sempre diversão”.

Como estamos longe dos tempos em que um pastor, que não ia à escola e ficava vigiando seu rebanho à noite sob as estrelas, podia ler nas estrelas o que iria acontecer e entrava em comunhão com algo que se expressava através da Natureza, e tinha o sentimento da beleza profunda e da paz que uma vida simples traz!

Quando falo da vida interior, não me oponho às invenções modernas, mas como essas invenções nos têm tornado artificiais e estúpidos! Como perdemos o sentido da verdadeira beleza, como nos sobrecarregamos com necessidades inúteis!

Talvez tenha chegado o tempo de continuar a subida da curva da espiral evolucionária, e agora com tudo que este conhecimento da matéria nos tem trazido, seremos capazes de dar ao nosso progresso espiritual uma base mais sólida. Fortes com o que aprendemos dos segredos da Natureza material, seremos capazes de juntar os dois extremos e redescobrir a Suprema Realidade no coração do átomo.

26.7.16

ORAÇÕES PODEROSAS PARA PROTEÇÃO E CONCENTRAÇÃO - Mouni Sadhu

Entre as orações especiais e exorcismos que os santos cristãos primitivos, que viviam no deserto do Egito, se utilizaram para combater e atacar as forças do mal, havia uma que atrai por sua profundeza e força excepcional, e que é uma poderosa ajuda para a concentração, mais do que qualquer outra.

Esse exorcismo é impessoal, o que aumenta enormemente seu poder ético, já que deixa ao Todo-Poderoso que atue por si mesmo contra ofensores e agressores.

Quando essa oração é pronunciada em voz baixa, lentamente, possui a propriedade de dissipar a totalidade das aparições maléficas, bem como os pensamentos pecaminosos, a tristeza e outras alterações internas.


O termo “ressurreição” contido na oração possui um sentido muito profundo, como que um “despertar”. Essa é a oração, que ainda se utiliza na igreja ortodoxa grega:

“Que Deus ressuscite e Seus inimigos se desvaneçam. Da mesma forma que a cera derrete ao fogo e a fumaça se dispersa ao vento, assim também que todo aquele que odeia o Senhor se esfume ante Sua luz, e possa regozijar-se o justo”.

Se essa oração é utilizada com fé e energia, pode ser de grande valor para o estudante que experimenta dificuldades em sua proteção. Existe ainda outro mantra que é utilizado tanto na igreja cristã ocidental como nas orientais:

“Deus o santo, santo e poderoso, santo e imortal, derrama Tua graça sobre mim!”

Esta oração foi e segue sendo utilizada em alguns monastérios, repetida milhares de vezes diariamente. São Serafim de Sarov recomendava a repetição dessa oração a princípio mil vezes diariamente, aumentando devagar até dois mil, e até mais, de acordo com a capacidade de cada um.

Prescrevia, também, realizar duas vezes ao dia, de manhã e ao anoitecer, a repetição dessa oração enquanto se retém a respiração, sem exageros na retenção. O santo dizia: “Sentireis uma maravilhosa devoção em vosso coração, e a repetição logo se fará de forma fácil e automática.”

15.7.16

O DINHEIRO – Krishnamurti




É estranha a importância que se atribui ao dinheiro. Todos o valorizam, tanto quem o dá como quem o recebe, seja rico e poderoso, seja pobre e miserável. Ou falamos sem cessar do dinheiro, ou por educação evitamos mencioná-lo, sem no entanto perdê-lo de vista.

Dinheiro para as obras sociais, dinheiro para uma festa, dinheiro para a igreja, ou dinheiro simplesmente para comprar arroz. Mas tenha você dinheiro ou não, o sofrimento e a aflição existem.

O valor de uma pessoa é proporcional ao cargo que exerce, aos certificados que acumula, à sua capacidade profissional, à sua eficiência e ao salário que percebe.

E há a inveja do rico e a inveja do pobre, e o espírito de competição motivado pelo desejo de aparecer, de exibir roupas, sabedoria e brilho intelectual. Todo mundo deseja impressionar alguém e, quanto maior a plateia, tanto melhor.

Porém, mais importante que o dinheiro, só o poder. Os dois juntos formam uma dupla perfeita. Ainda que não tenha dinheiro, o sacerdote influi tanto sobre os ricos quanto sobre os pobres. 

Os políticos se aproveitam do povo de um país, do sacerdote, dos deuses, de tudo quanto necessário, para vencer e para transmitir aos demais o absurdo da ambição e a brutalidade do poder.

Não há limite para o dinheiro nem para o poder. Quanto mais possuímos, mais queremos possuir e isto não tem fim. Todavia, nem mesmo todo o dinheiro e poder do mundo eliminam o sofrimento. Por mais que você tente escapar dele ou esquecê-lo, ele estará sempre lá, como uma ferida profunda e incurável.

A fuga torna-se então de extrema importância. Mas ela é a essência da superficialidade, mesmo se tiver um aspecto de seriedade. Cabe-nos penetrar até o fundo de nós mesmos, desvendando os mais íntimos recessos de nossa consciência. É necessário perceber, sem criticar ou julgar, o mais leve vestígio ou inclinação do astuto pensamento, todo e qualquer sentimento ou determinada reação.

É o mesmo que seguir a trilha de um rio até sua origem. O próprio rio se encarrega de fazê-lo. Cumpre-nos acompanhar todas as pistas conducentes ao âmago do sofrimento. Para isto, basta observar, ver e ouvir. Precisamos empreender uma longa viagem para dentro de nós mesmos.

Enquanto existir a fuga, seremos incapazes de sentir paixão (*), e sem ela é impossível acabar com o sofrimento.

(*) Krishnamurti se refere à paixão pelo autoconhecimento.


O SABER – Krishnamurti



 
É estranho como ninguém jamais diz: “não sei”. Para que possamos realmente dizer e sentir isto é preciso haver humildade; mas ninguém admite o fato de nada saber. É a vaidade que busca o conhecimento.

Porém, ao reconhecermos nossa ignorância a respeito de alguma coisa, interrompemos o processo mecânico do saber.

Toda crença é mero verbalismo, uma conclusão do pensamento, um conjunto de palavras que corrompe e avilta a beleza espiritual. Destruir a palavra é o mesmo que demolir a estrutura interna da busca de segurança, que é sempre vã. Viver na insegurança é ter a força da humildade e da inocência, inacessível aos arrogantes.
 

SENSIBILIDADE E AFETO – Krishnamurti




Não havendo sensibilidade, não pode haver afeto. O amor-próprio não indica sensibilidade. Podemos ter sensibilidade em relação às nossas famílias, nossas realizações, nosso nível social e nosso talento, mas isto não quer dizer que sejamos sensíveis. Trata-se de estreita e limitada reação, que conduz à deterioração.

Ser sensível não é ter bom gosto, pois este é uma qualidade pessoal, e a percepção da beleza está justamente no libertar-nos de toda reação. Se não soubermos apreciar e sentir a beleza, não poderemos amar. Sentir a natureza, o rio, o céu, as pessoas, a estrada imunda, faz parte da afeição, cuja essência é a própria sensibilidade.



Mas a maioria das pessoas teme a sensibilidade, e isso porque não querem sofrer. Para evitar o sofrimento, preferem embrutecer-se, mas nem assim ela desaparece. Inconformados, buscam o divertimento, a igreja, as crenças, as intrigas, o cinema e as reformas sociais como forma de evasão.

Amar é romper com essa cadeia interminável de reações individuais. Não há barreiras para o amor; ele não se limita a um ou a vários objetos do amor. Para que exista sensibilidade é preciso que todos os sentidos estejam plenamente despertos e atuantes.

Sem afeto, toda ação é mecânica, a qual oprime e conduz inevitavelmente à decadência.
Para os pretensamente religiosos, a sensibilidade é sinônimo de pecado, mal próprio de pessoas mundanas. Para elas, ser religioso é resistir à tentação do belo, esse mal que desencaminha seus seguidores. Amemos, porque no amor não há pecado; amemos e estaremos livres do sofrimento.

SER ALGUÉM – Krishnamurti




Como é estranho o desejo de se exibir ou de ser alguém! Invejar é odiar, e a vaidade corrompe. Como é difícil a simplicidade e a autenticidade! A autenticidade é, em si, uma tarefa das mais árduas, ao passo que o desejo de se tornar alguém oferece pouca dificuldade.

É muito fácil fingir ou representar, mas é extremamente complexo sermos aquilo que somos; e isto, porque estamos sempre mudando; nunca somos os mesmo e cada instante revela nova faceta, uma nova dimensão e profundidade.

Não podemos ser todas estas coisas ao mesmo tempo, pois cada instante traz consigo algo novo. Portanto, se formos inteligentes, abriremos mão da pretensão de sermos alguém ou alguma coisa.


Podemos estar certos de que somos muito sensíveis e eis que um incidente ou um pensamento fugaz nos mostra o contrário; ou então podemos nos considerar talentosos, cultos, de agudo senso estético e dignos, mas de repente ao dobrarmos uma esquina, percebemos o quanto somos ambiciosos, invejosos, carentes, brutais e ansiosos.

Somos tudo isto, de momento a momento, e no entanto desejamos a continuidade e a permanência daquilo que nos traga lucro e prazer. E enquanto buscamos o lucro e o prazer, todas as demais formas de nosso ego não cessam de exigir preenchimento. Tornamo-nos assim um campo de batalha onde a ambição, trazendo prazer e dor, sai vitoriosa, com sua inveja e medo. 

A palavra amor serve para manter as aparências, para garantir a respeitabilidade e a instituição familiar; porém nós nos vemos enredados em nossos próprios compromissos e atividades, isolados, ansiando por reconhecimento e fama, nós e a pátria, nós e nosso partido, nós e nossos misericordiosos deuses.

Não ser alguém não significa um estado interior negativo; o próprio ato de negarmos aquilo que somos é uma atitude realmente positiva, e não uma reação, que em verdade é inação; é desta inação que se origina o sofrimento. Em tal negação reside a própria liberdade. 

Desta ação positiva nasce incrível energia; idéias e pensamentos dissipam energia. Idéia é tempo, e viver no tempo é viver na desintegração e no sofrimento.

O ATO DE NEGAR – Krishnamurti




Fundamental é o ato de negar. Negar o home sem saber o que nos traz o amanhã é estar desperto. Negar o padrão sócio-econômico e religioso é estar só, o que significa ser sensível.

A incapacidade de negar de maneira total é a marca da mediocridade. Aceitar a ambição com tudo que ela representa é o mesmo que aceitar o padrão de vida que gera o conflito, a confusão e a dor. 



Libertamo-nos do medo ao virarmos as costas ao político, ao negarmos o político existente em nós mesmos, ao abandonarmos o imediatismo e a estreita visão da vida. 

Ao negarmos o todo, negamos também o pensar positivo , o desejo de imitar e de conformar-se, o que em si é uma ação positiva por não se tratar de uma reação.

Ao negarmos o padrão aceito da beleza, do passado bem como do presente, descobrimos a beleza que transcende o pensamento e o sentimento; e para descobri-lo, necessitamos de abundante energia nascida da ausência de conflito, de contradição e de fragmentação. 


SOBRE AS DROGAS – um espírito




As drogas, infelizmente, não vêm merecendo das autoridades constituídas o devido empenho no seu combate. Ao continuarem se alastrando, comprometendo gerações, não sabemos como há de ser o futuro da Humanidade.

Os traficantes profissionais são espíritos obsessores reencarnados; foram do Mundo Espiritual para a Terra com o propósito de disseminar o vício, impedindo que os espíritos deem sequência ao seu esforço de evolução – no fundo, trata-se de oposição declarada ao Evangelho... Nunca, na História da Humanidade, houve uma guerra que vitimasse tanta gente! Milhares e milhares tombam todos os dias, rendendo-se ao uso da maconha, da cocaína, da heroína e de outras drogas que vêm sendo desenvolvidas nos laboratórios das Trevas...

As drogas afetam a máquina cerebral e, em consequência, anulam a capacidade de discernir – o espírito, então, passa a ser duplo prisioneiro da matéria: além das limitações naturais que o corpo lhe impõe, sente-se constrangido a viver para atender aos reclamos do vício! A droga, por assim dizer, provoca uma subjugação da natureza física e moral – é o que, verdadeiramente, chamaríamos de possessão!

A situação dos que chegam deste Outro Lado vítimas de overdose é lastimável! Temos socorrido jovens em tal situação, que requisitam ser isolados em celas especiais, por tempo indeterminado; o uso contínuo de drogas cria uma dependência que não cessa com a morte...



Nossos médicos vêm se dedicando ao tratamento dos que desencarnam na condição de espíritos suicidas, porque se entregam completamente ao vício. Um viciado de muitos anos não se descondiciona com facilidade;  a química da droga altera a química do cérebro, ocasionando certas mutações que a ciência do mundo ainda não detectou... A droga é um vírus mutante! É impressionante o seu poder de modificar a personalidade...

Os jovens desencarnados com os quais tenho conversado parecem não me escutar: alienam-se quase por completo e estou convencido de que somente a terapêutica da reencarnação poderá auxiliá-los de modo mais efetivo; todavia, inevitavelmente – refiro-me à maioria -, renascerão com tendências que, se não combatidas desde a infância, os induzirão a repetir a desastrosa experiência...

Tenho catalogados diversos espíritos que por seguidas encarnações foram drogados! Começaram bebendo e, simplesmente, fumando, aprofundando-se, após, no uso de outros produtos tóxicos, inclusive de medicamentos que circulam no mercado: antidepressivos, antialucinógenos, analgésicos derivados da morfina...

Existem organizações de espíritos desencarnados que se dedicam com exclusividade à disseminação das drogas entre a juventude. Essas organizações situam-se nas mais baixas regiões do Mundo Espiritual e não são de fácil acesso. O Mal sabe se defender e se preservar... A insanidade está em toda parte: existem químicos desencarnados que, a serviço de inteligências perversas, desenvolvem pesquisas laboratoriais, na tentativa de potencializar a ação de drogas já conhecidas e descobrir novos agentes tóxicos, para inspirá-los à indústria do crime...

O tráfico de drogas é alimentado dos dois Lados da Vida e, de certa forma, funciona em sintonia... Os que deixam o corpo não se regeneram de imediato e nem sofrem as conseqüências de seus desmandos, com a rapidez que imaginamos... Os traficantes que morrem vão para as trevas para continuarem traficando... até que comecem a sofrer; que se arrependam; que se cansem de fazer o mal; que reencarnem em circunstâncias adversas, de verdugos passando a vítimas.

Os policiais sérios, mormente os que pereceram em serviço, continuam deste Lado da Vida se dedicando ao cumprimento da lei... Juízes assassinados, delegados, promotores, advogados, enfim todos os que se sacrificaram pela justiça, graduados ou não, não esmorecem no combate à criminalidade e seguem caçando os infratores.

Há um terrível e tenebroso plano das Trevas, que, pela disseminação das drogas, pretendem levar a Humanidade á mais completa degradação. O vício destroi a personalidade, conduz à apatia, à prostração física e mental, induzindo as suas vítimas ao desregramento e à perversão sexual, à mais completa inanição em termos de esforço próprio.



14.7.16

A ALMA NACIONAL – A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram




Assim como cada indivíduo tem um ser psíquico (alma) que é seu ser verdadeiro e que governa seu destino de maneira mais ou menos evidente, assim também cada nação tem um ser psíquico que é seu ser verdadeiro e molda seu destino agindo por trás do véu: é a alma do país, o gênio nacional, o espírito do povo, o centro da aspiração nacional, a fonte de tudo que é belo, nobre, grande e generoso na vida do país.

Os verdadeiros patriotas sentem sua presença como uma realidade tangível. Na Índia, esse ser tem sido considerado uma entidade quase divina, e todos que verdadeiramente amam seu país a chamam “Mãe Índia” (Bharat Mata) e lhe oferecem uma oração diária pelo bem-estar de seu país. É ela que simboliza e incorpora o verdadeiro ideal do país, sua verdadeira missão no mundo.

Eu gostaria de ver em todos os países a mesma veneração pela alma nacional, a mesma aspiração para se tornar instrumentos aptos para manifestar seu mais alto ideal, o mesmo ardor pelo progresso e autoperfeição capacitando cada povo a identificar-se com sua alma nacional e assim encontrar sua verdadeira natureza e missão, que torna cada país uma entidade vivente e imortal, apesar de todos os acidentes da história.

COMPAIXÃO – A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram




Compaixão e gratidão são essencialmente virtudes da alma. Elas aparecem na consciência apenas quando a alma toma parte na vida ativa. O vital e o físico a experimentam como fraquezas, pois essas virtudes inibem a livre expressão de seus impulsos, que são baseados na força.

Como sempre, a mente, quando insuficientemente educada, é cúmplice do ser vital e escrava da natureza física, cujas leis ela não entende completamente. Quando a mente desperta para a consciência dos primeiros movimentos da alma, ela os distorce em sua ignorância e transforma compaixão em piedade ou no máximo caridade, e gratidão no desejo de retribuir, seguido aos poucos pela capacidade de reconhecer e admirar.

Apenas quando a alma é todo-poderosa no ser é que a compaixão por todos que precisam de ajuda, em qualquer campo, em qualquer forma, se expressa em sua pureza luminosa e original, sem misturar a compaixão com qualquer traço de condescendência ou gratidão com algum sentido de inferioridade.

PRECONCEITO DE COR – A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram




Do ponto de vista estético, posso dizer que a cor marrom é melhor que a branca, mas é completamente absurdo e tolo pensar que alguém seja melhor ou pior simplesmente por causa de sua cor.

O negro africano pensa que sua cor é a mais bela de todas. O japonês pensa que sua cor é superior a qualquer outra, e assim também pensa o branco. O preconceito de cor é uma coisa muito baixa. Ele indica um estado de consciência muito inferior – uma consciência recém-emersa do inconsciente.

Quando você pensa em termos de preconceito de cor, sua própria alma ri de sua tolice; ela sabe que já viveu em todo tipo de corpo: branco, marrom, amarelo, vermelho, negro...

Quando tiver esse tipo de preconceito, traga-o perante sua consciência e ele desaparecerá.

A MISTURA DE INFLUÊNCIAS – A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram




Pergunta: Mãe, na noite passada, às três da manhã, sonolento, irritado, chamei por você. Alguns segundos mais tarde, três vezes, senti uma grande força paralisando-me e tentando jogar-me na inconsciência. Lutei duramente contra ela porque a senti como uma força adversa que queria levar embora meu corpo sutil. Na terceira vez, com um olho aberto, vi parte do escuro manto azul de uma pessoa alta que estava esperando para me levar embora; parecia como se uma emanação de ... (Fulano) estivesse a seu lado.

MÃE: Essa é a desvantagem de colocar-se sob a influência de diversas forças ocultas. No passado, recomendava-se à pessoa, não sem razão, para escolher um mestre espiritual e tomar grande cuidado para não ver nenhum outro, para evitar a mistura de influências, que tem sérias desvantagens.

A chamada sabedoria moderna, que surge da ignorância, é aberta a todo tipo de influências que são às vezes contraditórias, e o resultado é uma grande confusão. Existe apenas uma solução, ir além de todas as representações e aproximar-se do Supremo diretamente com a maior sinceridade de que você é capaz, e... esperar o resultado.

FORÇAS ADVERSAS - A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram




Cada vez que damos um passo decisivo em nosso progresso espiritual, os inimigos invisíveis do Divino sempre tentam vingar-se, e quando não podem atingir a alma, atingem o corpo. Mas todos os seus esforços são em vão e serão finalmente derrotados, pois a Graça Divina está conosco.

É o ciúme, a insatisfação nascida do egoísmo e a vaidade ferida que abrem as portas da consciência ao ataque das forças hostis, tirando a pessoa para fora da proteção divina. É apenas recusando-se a permitir esses pensamentos errados em si mesmo que a pessoa pode esperar libertar-se da influência adversa e seus efeitos desastrosos.

As sugestões erradas que às vezes nos invadem vêm do exterior, de alguma entidade vital que se diverte mandando-as a você para ver como vai recebê-las.

Pensar constantemente nas forças hostis e temê-las é uma fraqueza muito perigosa. As forças hostis são toleradas no mundo apenas porque elas testam a sinceridade do ser humano. No dia em que o ser humano se tornar integralmente sincero, elas irão embora, pois não mais haverá razão para sua existência.

Certas forças hostis estão conectadas com o desejo sexual. Elas vivem da energia desperdiçada quando o ato se realiza. E até mesmo um pensamento, um desejo mental ou vital é suficiente para que elas entrem e se estabeleçam na atmosfera da pessoa. Assim, é na própria mente que a purificação deve acontecer.

O PODER DE KALI – A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram




Por trás de todas as destruições, sejam as destruições da Natureza, terremotos, erupções vulcânicas, ciclones, enchentes etc. ou as violentas destruições humanas, guerras, revoluções, revoltas, descubro o poder de Káli, que está trabalhando na atmosfera da Terra para apressar o progresso da transformação da humanidade.

Tudo que é divino em essência está, por sua própria natureza, acima dessas destruições e não pode ser tocado por elas. Desse modo, a extensão do desastre indica a medida da imperfeição (das pessoas atingidas). A melhor maneira de evitar a repetição dessas destruições é aprender sua lição e fazer o progresso espiritual necessário.
  A Mãe Káli, ativa, sobre Shiva, passivo: significando que a Energia Divina Universal cria, preserva e destroi, enquanto o Absoluto é imóvel 

A ALMA INTERIOR - A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram




A alma é aquilo que vem do Divino sem jamais deixá-Lo e volta a Ele sem jamais deixar de existir. A alma é o Divino que se faz individual sem cessar de ser divino. Na alma o individual e o Divino são eternamente um.

Portanto, encontrar a própria alma é estar unido ao Divino. Pode-se dizer que o papel da alma é fazer do homem um ser verdadeiro.

Para agir em sua alma, a pessoa deve primeiro estar consciente dela. E quando você for consciente dela, provavelmente descobrirá que, em vez de fazer sua alma progredir, é sua alma que o ajuda a progredir.

A primeira forma da alma é como uma fagulha da luz do Divino. Pela evolução, ela se torna um ser individualizado e então pode tomar a forma que quer.

Quando a pessoa tem uma alma desperta, não é fácil livrar-se dela; é melhor obedecer suas ordens. Obedeça sua alma, apenas ela tem o direito de governar sua vida. A alma é luminosa e calma, ela foi feita para governar o ser humano.

A alma está sempre presente, e é forte. A receptividade da pessoa é que é fraca. É indispensável que cada pessoa encontre sua alma e una-se a ela definitivamente. É através da alma (o ser psíquico) que o Supremo se manifestará. O Divino está sempre sentado em seu coração, vivendo conscientemente em você.

A NATUREZA INFERIOR - A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram




Tanto no mundo exterior como aqui no ashram, se você quer ter uma vida feliz, deve ser o mestre de sua natureza inferior e controlar seus desejos e impulsos; de outro modo não há fim para as misérias e os problemas. Conquistar um desejo traz mais alegria que satisfazê-lo.

O ego pensa naquilo que quer e não tem. Essa é sua constante preocupação. A alma é consciente do que recebe e vive em infinita gratidão.

O egoísmo e a auto-piedade não levam a lugar algum. Seria melhor você livrar-se deles, pois são esses dois pequenos movimentos que impedem que você sinta o amor e a ajuda do Divino.

Não deixe que nada externo se aproxime e o perturbe. O que as pessoas pensam, fazem ou dizem é de pouca importância. A única coisa que conta é sua relação com o Divino (a Divina Presença interior).



AS DIFICULDADES NA VIDA - A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram




A vida é sempre cheia de dificuldades e sofrimentos; isso é um fato comum e cada um tem de encarar sua parte disso. A única maneira de encará-los apropriadamente é suportá-los e colocar os interesses, esperança e fé na vida interior e voltar a consciência em direção ao Divino, aspirando pelo Divino e sendo capaz de receber Sua força e ajuda.

Mas frequentemente o ser vital (os desejos) tem um perverso prazer em dar uma dramática importância a cada dificuldade e assim corta o contato com o ser interior e a Força Divina.

Esse mau hábito que é comum a muitas pessoas deve ser evitado para que se possa receber a ajuda necessária nas dificuldades da vida. Essas dificuldades nunca excedem nossa capacidade de resistência. As dificuldades são para os fortes, e os ajuda a ficar mais fortes. Persevere e terá a vitória.

A única saída para sua dificuldade é encontrar o ser psíquico (a alma) e viver inteiramente em sua consciência. A vida na terra como é atualmente está cheia de sofrimentos, e qualquer coração sensível sofre com isso. Entrar em contato com a Divina Consciência e viver em Sua graça, Sua força e Sua luz é o único modo verdadeiramente efetivo de sair das dificuldades e sofrimentos; unindo-nos à alma podemos obter essa condição.

Todas as dificuldades se resolvem quando descansamos nos braços do Divino, pois esses braços estão sempre abertos com amor para nos abrigar. Quando tudo está errado, a pessoa deve saber como lembrar-se de Deus que é todo-poderoso.

O Divino está presente entre nós. Quando nos lembramos sempre d’Ele, Ele nos dá a força para enfrentar as circunstâncias com perfeita paz e equilíbrio. Torne-se consciente da Presença Divina e suas dificuldades desaparecerão.

Viver interiormente, em constante aspiração pelo Divino, isso nos capacita a encarar a vida com um sorriso e permanecer em paz quaisquer que sejam as circunstâncias externas.

Viva interiormente, não seja perturbado pelas circunstâncias externas. Aquele que vive para servir a Verdade não é afetado pelas circunstâncias externas.

ALGUNS ENSINAMENTOS DA MÃE - A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram




- A nobreza de uma pessoa é medida por sua capacidade de gratidão.

- Sorrir para um inimigo é desarmá-lo.

- Seja sempre bom e você sempre será feliz. Lembre-se sempre de que da felicidade que você dá depende a felicidade que você tem. A felicidade que você dá o faz mais feliz que a felicidade que você recebe.



- Nenhuma alegria é comparável ao sentimento da eterna Presença no coração da pessoa.

- Devemos substituir competição e luta por colaboração e fraternidade.

- A liberdade não vem das circunstâncias exteriores, mas da libertação interior. Encontre sua alma, una-se a ela, deixe-a governar sua vida e você será livre.

- Liberdade significa fazer apenas o que a Suprema Consciência nos manda fazer. Em qualquer outra situação, a pessoa é uma escrava, quer seja da vontade dos outros, ou das convenções, ou das leis morais, ou dos impulsos vitais, ou de fantasias mentais, ou acima de tudo dos desejos do ego.

- Um coração em paz é a melhor recompensa da honestidade.