O cérebro deixou de ser primitivo, mas ainda que refinado,
inteligente ou técnico, permanecerá sempre dentro dos limites do tempo e do
espaço.
Ser anônimo é ser humilde; não consiste isso na mudança de
nome ou de vestuário, nem na identificação com o que pode ser anônimo, com um
ideal, um ato heróico, a pátria etc. – esse anonimato foi criado pelo cérebro,
é um anonimato consciente. Existe, porém, o anonimato que surge com a percepção
do absoluto. O absoluto nunca se encontra na área do cérebro ou da idéia.
Reformas sociais ou econômicas acarretam mudanças
superficiais de maior ou menor alcance, mas sempre dentro do limitado campo do
pensamento. Para que ocorra a revolução total, o cérebro tem de renunciar à sua
íntima e secreta estrutura de autoridade, de inveja, do medo e assim por
diante.
O controle, sob qualquer forma, prejudica a compreensão
global. O conformismo é a conseqüência de uma existência disciplinada; e ele
jamais nos liberta do medo. O hábito destrói a liberdade; o hábito de pensar,
de beber e outros mais, conduzem a uma vida superficial e enfadonha. A religião
organizada, com suas crenças, dogmas e rituais, impede o livre ingresso na
vastidão da mente. É esta penetração que purifica o cérebro e dele elimina a
noção do tempo e do espaço.

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