17.6.16

PALAVRAS E MANTRAS – Ramatis



Quanto mais pronunciamos determinada palavra e pensamos nela, ou na sua expressão fundamental, tanto mais energética, mais coesa e nítida é a sua representação idiomática e vibração psicofísica.

Palavras como amor, paz, perdão, mansuetude, ternura, esperança, bondade, embora sejam vocábulos comuns e de uso no mundo profano, já possuem sentido para servirem como verdadeiros "mantras" em cursos esotéricos, lojas maçônicas, igrejas e templos religiosos, desde que sejam pronunciadas dentro do ritmo sonoro e da disciplina que lhes é própria. São de vibração sublime e acumulam forças criadoras, pela expressão moral da idéia superior que as mesmas traduzem. na alma humana.

Em verdade, são as próprias palavras, que se consagram em "mantras" pelo seu uso elevado, transformando-se em verdadeiras "chaves verbais" de ação espiritual incomum sobre os diversos veículos ocultos e físicos de que se compõe o homem. Elas congregam as energias e as próprias idéias ocultas dos seus cultores, associando as forças psíquicas benfeitoras, que depois se convertem em vigorosos despertadores espirituais.

A Igreja Católica possui os seus "mantras", os quais, quando recitados religiosamente e dinamizados pela música sacra, acomodam a alma, reajustam energias espirituais, dispersam emoções desagradáveis e associam sentimentos sublimes nos crentes, incorporando-se aos pensamentos semelhantes e ensejando purificações emotivas e mentais.

Ante a palavra "guerra", por exemplo, que poderíamos considerar um "mantra" negativo e fatídico, o homem desata na mente uma série de imagens e lembranças mórbidas, como soldados esfrangalhados, desgraça, sangue, morte, hospitais e bombas, O tema "guerra" ainda associa outras evocações amargas ou quadros temerosos de carestia da vida, convocação de filhos ou netos, falta de gêneros alimentícios, epidemias, desempregos, cidades em ruínas!

Obviamente, uma simples palavra pode desencadear no psiquismo humano quadros mórbidos de toda espécie. Aliás, conforme assegura a medicina moderna, essa disposição mental também produz na criatura as mais variadas modificações na corrente sangüínea , endocrínica, linfática e nervosa. Movem-se os músculos, refletindo no rosto a tristeza, a angústia e o medo; mobilizam-se os hormônios, líquidos, sucos e ingredientes químicos para atender às zonas corporais, cujo metabolismo orgânico perturba-se pelo desagradável estado de espírito.

Ainda há pouco tempo a humanidade terrena comprovou o efeito terrificante dos "mantras" negativos e malévolos, quando o Nazismo divulgou pela Alemanha fórmulas, distintivos, insígnias e símbolos, que, tanto pela imagem como verbalmente, visavam despertar as emoções belicosas dos alemães.

A cruz suástica funcionou como um poderoso dinamizador sob a tonalidade primária, excitante e física da cor vermelha; os uniformes negros dos "SS" evocavam no subconsciente das criaturas as próprias forças trevosas, que alimentam e compõem a "egrégora" infernal do mundo diabólico! Tudo isso acicatou o temperamento belicoso e destrutivo do povo alemão, despertando mágoas, ressentimentos, prejuízos e humilhações sofridas na vida humana e ansiosos de desforra contra as demais nações.

Os povos vencidos pagaram duramente o transbordamento mórbido dos nazistas, onde os crimes bárbaros e bestiais figuraram à conta de saneamento louvável, como no caso dos judeus! Adolf Hitler, mediunizado pelos mentores das Sombras, usou e abusou da força da palavra no evento nazista, praticando o "feitiço verbal" mais chocante e pernicioso na história do mundo.

Mas, em sentido oposto e positivo, a palavra "paz" é maravilhoso "mantra" que produz um estado de espírito eufórico, agradável, sedativo e jubiloso, principalmente entre as mães, porque alimenta idéias e imagens confortantes, esperançosas e otimistas, associando a segurança, tranqüilidade e alegria de viver! É palavra amiga e inofensiva, que recebe o alento e a energia criadora dos pacifistas, instrutores espirituais, discípulos do bem e amigos do Cristo!

Há "mantras" universais, cujos sons e vibrações identificam a mesma idéia-mater em toda a face do orbe. É o caso do vocábulo "AUM", que se pronuncia mais propriamente "OM", pois é um "mantra" poderoso em qualquer latitude geográfica. No seu ritmo iniciático, é a representação universal da própria idéia de Deus, a Unidade, o Absoluto!


Os monges do Himalaia, criaturas condicionadas a uma vivência sublime, frugais e vegetarianos, cuja glândula pineal funciona ativamente na comunicação sadia com o mundo espiritual, quando recitam o "mantra" "AUM" alcançam tal "clímax" vibratório, que se sentem imersos no plano edênico!

Enquanto, na Ásia, a palavra Buda é um poderoso "mantra" de evocação esotérica e o nome de Krishna significa o mesmo na Índia, o vocábulo Cristo representa a mais alta expressão mantrânica para o homem ocidental despertar no seu espírito as virtudes do amor, da renúncia, bondade e pureza.

Os iniciados que sabem dar curso à vibração sonora sideral do vocábulo "Cristo" também mergulham num estado de expectativa cósmica, tomados de júbilo, esperança e imunes às vicissitudes e crueldades do mundo. Os cristãos deixavam trucidar-se nos circos romanos, entoando o cântico "Ave Cristo"; muitos deles desencarnavam completamente anestesiados e em êxtase, apenas sob o efeito sonoro vibratório ou mantrânico dessa palavra sublime!

A palavra "Agnus Dei" nada tem de excepcional quando pronunciada comumente entre os homens profanos; mas é um "mantra" de imponente beleza e misteriosa magia sobre os fiéis, quando o sacerdote a recita sob o coro de vozes acompanhantes e a consagra na elevação do cálice sagrado.

A Igreja seria um dos maiores viveiros de milagres, caso os seus crentes soubessem aproveitar as energias criadoras que despertam pela sonoridade dinamizadora de certos "mantras", evocados durante as cerimônias religiosas católicas. A convergência de sentimentos e pensamentos elevados de todos os presentes compõe a "egrégora" sublime alimentada pelos "mantras" de energias poderosas.

Sem dúvida, ao término de cada missa os estropiados abandonariam suas muletas e os enfermos dariam gritos de júbilo ante as curas miraculosas no seio da própria nave!

O "mantra" pode ser uma palavra, um verso, um aforismo ou uma fórmula, variando o seu culto conforme as diversas fraternidades iniciáticas, doutrinas espiritualistas e credos religiosos. Ele deve resultar de uma consagração idiomática vivida num campo benfeitor ou imantado de sentimentos amorosos, que irradiam ou convocam energias sublimes quando enunciado sob determinado ritmo e evocação sonora!

Há criaturas que mobilizam as palavras mais comuns, dando-lhes um efeito mantrânico, porque são rogativas que beneficiam os demais companheiros, enquanto outras, vingativas e inconformadas, operam num sentido oposto produzindo o enfeitiçamento verbal na convocação de forças mesquinhas, enfermiças e destrutivas!


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