5.6.16

ENERGIA SEXUAL: O FOGO LÍQUIDO – Elisabeth Haich


Na Bíblia, dia ou luz significa consciência. Noite ou trevas significa inconsciência. Moisés, o grande iniciado, diz na Bíblia que Deus cria cada “dia” em todos os níveis de consciência com as vibrações pertinentes aos níveis, mas, ao sétimo nível de consciência, no sétimo “dia”, ele não cria, mas descansa em si mesmo.

Neste estado não há tensão, da qual uma criação possa evolver, porque ambos os polos, positivo e negativo, estão descansando reconciliados entre si, em perfeita harmonia e absoluta unidade. Somente o homem, em um estado de êxtase como pura consciência, pode experimentar isto; em contrário, significaria morte física.

Nos trabalhos de alguns estudiosos ocidentais, lemos que o yogue hindu, no êxtase do samadhi, está inconsciente. É um grande erro! A verdade é o oposto: ele está em estado de completa consciência, portanto, de consciência universal. Aparenta estar inconsciente, somente porque não tem consciência física. Quem quer que tenha experimentado o samadhi sabe que, durante ele, o yogue está plenamente consciente e totalmente acordado.

Daí, podemos observar que há uma única verdade e que o cerne de toda religião é esta verdade única. São Francisco de Assis, Santa Teresa e outros grandes santos experimentaram a presença divina em estado de êxtase, exatamente como os yogues hindus na Ásia experimentaram o samadhi e ainda o fazem.

Nós, seres humanos, experimentamos estes vários níveis do Logos– manifestação e várias frequências como vários estados de consciência.

A forma energética do poder divino, que une a mente e a matéria, no primeiro nível, no centro mais baixo, experimentamos em nossa mente consciente como instinto para conservação das espécies, como impulso e desejo físico, sexual, e ao satisfazê-lo, como gratificação puramente física. A isto chamamos “energia sexual”.

No segundo nível, experimentamo-lo como a manifestação do instinto de autopreservação, como metabolismo; em nossa mente consciente, como fome e sede, e ao satisfazê-lo, como saciedade.

No terceiro nível, o poder divino emana como força de vontade e o experimentamos na mente consciente como impulso para a volição.

No quarto nível, o poder divino predomina através do centro cardíaco, como sentimentos e emoções; experimentamos nele toda a escala entre ódio e amor pessoal.

No quinto nível, o poder divino se manifesta como nosso conceito de tempo e espaço. Seu instrumento é a tireóide que nos conecta com o mundo finito; articula-nos com o tempo e provê nosso ritmo cronológico. Este centro determina a rapidez ou lentidão de nossos pensamentos e movimentos, se achamos um período de tempo longo ou curto, se estamos apressados ou se encaramos as coisas despreocupadamente. Consequentemente, este centro exerce uma influência decisiva no tempo de nosso ritmo de vida e, assim, na duração temporal de nossa vida.

No sexto nível, o Logos – energia – se manifesta como intuição. Cintila em nossa mente consciente o relâmpago, como se o fosse de luz espiritual, que nos provê com novas ideias e insights. Como estado de consciência, experimentamos esta intuição como luz espiritual que a tudo invade, meditação espiritual e como amor universal que tudo abraça. Sentimos uma sensação de identidade com todo o universo; entendemos a linguagem da Natureza e o conteúdo simbólico de cada linha e cada forma.


No sétimo e mais elevado nível, através do centro na parte mais elevada do crânio, experimentamos o poder criador divino como um estado de ser puramente espiritual; isto surge em nossa mente consciente como o mais profundo autoconhecimento, como consciência individual suprema que experimentamos em nós mesmos como EU SOU O QUE SOU. Aqui não há mais sensações ou pensamentos inconscientes, nem percepções extrínsecas. Não mais estou feliz e contente, porque Eu Sou estas coisas, todos os sentimentos, todos os pensamentos, a luz radiante de consciência – Eu mesmo sou a felicidade, Eu mesmo sou a bem-aventurança e a paz! Eu sou a autoconsciência, radiante, onienvolvente, onipenetrante.

Durante uma escavação no México, acharam-se representações simbólicas de Deus. Elas dão ilustração autorizada e clara desta verdade e destas variadas formas de manifestação divina em diferentes níveis da criação. Na base há uma serpente ou, às vezes, um dragão, que é a energia sexual: Kundaliní. Sobre ela, de pé, encontra-se um homem, símbolo do corpo sustentando as manifestações emocional, mental e intuitiva, e justamente no topo, acima do homem, há uma face radiante, a face de Deus, o símbolo da autoconsciência puramente espiritual e divina, Deus! Com alguém poderia ter retratado melhor a verdade das várias formas de manifestações de uma mesma deidade?

No homem que está no nível inferior da humanidade, a maioria de tais centros nervosos e cerebrais está ainda em letargia. Seu grau de consciência é, consequentemente, baixo e primitivo. A senda de sua evolução consiste em comandar e ativar sucessivamente os mesmos centros, até que todos tenham sido ativados, e o homem tenha percorrido toda a escala da criação, incluindo o Criador, consciente em si mesmo.

O combustível com que o homem pode aquecer e ativar seus centros nervosos e cerebrais em latência, semelhante a uma válvula de rádio, é a energia sexual que encerra em seu corpo. Enquanto permanece no baixo nível de consciência, o homem não é o senhor da energia sexual, mas talvez um servo. É ainda totalmente seu escravo e vive à sua mercê.

Portanto, jamais suspeita que esta energia encerra um segredo; que sua própria energia sexual pode abrir-lhe a porta do poder espiritual; que com auxílio desta energia, pode alcançar a consciência no Ser, em Deus, e daí obter a imortalidade e a ascendência sobre a matéria e sobre toda a Natureza.

Se tal conseguir, pode-se dizer que encontrou a chave secreta da pedra filosofal, tornou-se um mago divino.

Os alquimistas medievais, os Rosa-Cruzes, que eram grandes iniciados, reiteradamente citam em seus escritos, nos quais a verdade pura é evitada, que a substância da qual a pedra filosofal é obtida facilmente e encontrável, e todo ser humano a possui. Eles queriam proteger seus conhecimentos do vulgo que, mesmo então, teria transformado tudo em maldade e, por absoluta ignorância, abusado do segredo da energia sexual em perversões depravadas.

Além disso, queriam também outorgar a chave deste segredo apenas a pessoas suficientemente maduras que não abusassem dele. Queriam orientar homens inteligentes para a senda correta, onde procurariam o segredo na esperança de que alguém o achasse.

De seus escritos se depreende claramente que a substância da pedra filosofal se encontra no próprio homem! Apenas este indício inocente produziu terríveis crueldades. Senhores medievais que desejavam obter a pedra filosofal, encaravam o sangue humano como a substância secreta, porque mal interpretavam os escritos rosacruzes que sugeriam ser a pedra passível de ser modelada a partir do ser humano.

Por isso, com incrível crueldade, assassinavam servos em grande escala para obter a substância de seus corpos. Em sua ignorância, tais senhores jamais compreenderam que o assunto era muito mais simples do que eles pensavam. Eles deviam ter-se lembrado, somente, de que o manancial pelo qual toda vida terrena se transmite é a energia sexual.

O manancial da vida, o famoso elixir dos Rosa-Cruzes, é portanto algo que conduzimos conosco. Deste manancial flui uma corrente, a própria vida, “que é fogo, mas flui como água”. Que definição melhor poderiam achar da espécie de energia que flui como eletricidade ou água em nosso sistema nervoso, ainda que não seja água, mas fogo; portanto como está literalmente assentado nos escritos rosacruzes “uma água incandescente, o fogo líquido” é “uma corrente de fogo que jorra como água.”

O homem ignorante usa esta “fonte individual”, geralmente sua energia sexual, vital, na persecução dos prazeres eróticos, sem desejo de procriar. Não concebe que se não esbanjasse a corrente vital que jorra em seu “manancial individual”, mas se a preservasse para seu próprio corpo e para usar tal manancial, vital para si mesmo, poderia estimular e ativar seus centros energéticos mais elevados, os chakras, e portanto obter domínio sobre eles.

Se usasse a corrente vital em prol de seu próprio corpo, como a vontade exige, poderia então dotá-lo de nova vida, regenerá-lo e alcançar a imortalidade das células, conhecida pelos Rosa-Cruzes como transmutação.

Através dos mais elevados centros espirituais, poderia usar a energia sexual, produtivamente, convertida em poder criativo espiritual, para servir a si mesmo, e simultaneamente compartilhar do trabalho de espiritualização do mundo. Objetivamente para apoderar-se deste segredo é absolutamente essencial que o homem tenha uma atitude e uma moralidade superiores para a vida! E desde que estas são excessivamente raras, os alquimistas, os Rosa-Cruzes e outros iniciados se expressaram através de símbolos ou absolutamente silenciaram.

Deve-se dizer com absoluta franqueza que a energia sexual pode ser usada em finalidades mais elevadas do que no simples alívio, com experiência erótica, do tédio que nasce da própria infinita vacuidade. A energia sexual é o próprio poder criador divino. Pode ser usada para o bem ou para o mal. Se for usada negativamente, ricocheteia e arrasta a pessoa, inexoravelmente, ao inferno.

Assim como a energia nuclear pode ser usada em melhores finalidades do que na fabricação de armas que levam à autoaniquilação, é possível usar-se a energia sexual para o céu ou para o inferno, vez que ela é o poder criador divino, a essência do próprio ser humano.

Quando o homem tiver tomado posse da potência espiritual e, assim, tiver alcançado supremacia, ficará a seu critério se será um mago divino ou infernal.



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