Na Bíblia, dia ou luz significa
consciência. Noite ou trevas significa inconsciência. Moisés, o
grande iniciado, diz na Bíblia que Deus cria cada “dia” em todos
os níveis de consciência com as vibrações pertinentes aos níveis,
mas, ao sétimo nível de consciência, no sétimo “dia”, ele não
cria, mas descansa em si mesmo.
Neste estado não há tensão, da
qual uma criação possa evolver, porque ambos os polos, positivo e
negativo, estão descansando reconciliados entre si, em perfeita
harmonia e absoluta unidade. Somente o homem, em um estado de êxtase
como pura consciência, pode experimentar isto; em contrário,
significaria morte física.
Nos trabalhos de alguns estudiosos
ocidentais, lemos que o yogue hindu, no êxtase do samadhi, está
inconsciente. É um grande erro! A verdade é o oposto: ele está em
estado de completa consciência, portanto, de consciência universal.
Aparenta estar inconsciente, somente porque não tem consciência
física. Quem quer que tenha experimentado o samadhi sabe que,
durante ele, o yogue está plenamente consciente e totalmente
acordado.
Daí, podemos observar que há uma
única verdade e que o cerne de toda religião é esta verdade única.
São Francisco de Assis, Santa Teresa e outros grandes santos
experimentaram a presença divina em estado de êxtase, exatamente
como os yogues hindus na Ásia experimentaram o samadhi e ainda o
fazem.
Nós, seres humanos, experimentamos
estes vários níveis do Logos– manifestação e várias
frequências como vários estados de consciência.
A forma energética do poder divino,
que une a mente e a matéria, no primeiro nível, no centro mais
baixo, experimentamos em nossa mente consciente como instinto para
conservação das espécies, como impulso e desejo físico, sexual, e
ao satisfazê-lo, como gratificação puramente física. A isto
chamamos “energia sexual”.
No segundo nível, experimentamo-lo
como a manifestação do instinto de autopreservação, como
metabolismo; em nossa mente consciente, como fome e sede, e ao
satisfazê-lo, como saciedade.
No terceiro nível, o poder divino
emana como força de vontade e o experimentamos na mente consciente
como impulso para a volição.
No quarto nível, o poder divino
predomina através do centro cardíaco, como sentimentos e emoções;
experimentamos nele toda a escala entre ódio e amor pessoal.
No quinto nível, o poder divino se
manifesta como nosso conceito de tempo e espaço. Seu instrumento é
a tireóide que nos conecta com o mundo finito; articula-nos com o
tempo e provê nosso ritmo cronológico. Este centro determina a
rapidez ou lentidão de nossos pensamentos e movimentos, se achamos
um período de tempo longo ou curto, se estamos apressados ou se
encaramos as coisas despreocupadamente. Consequentemente, este centro
exerce uma influência decisiva no tempo de nosso ritmo de vida e,
assim, na duração temporal de nossa vida.
No sexto nível, o Logos – energia
– se manifesta como intuição. Cintila em nossa mente consciente o
relâmpago, como se o fosse de luz espiritual, que nos provê com
novas ideias e insights. Como estado de consciência, experimentamos
esta intuição como luz espiritual que a tudo invade, meditação
espiritual e como amor universal que tudo abraça. Sentimos uma
sensação de identidade com todo o universo; entendemos a linguagem
da Natureza e o conteúdo simbólico de cada linha e cada forma.
No sétimo e mais elevado nível,
através do centro na parte mais elevada do crânio, experimentamos
o poder criador divino como um estado de ser puramente espiritual;
isto surge em nossa mente consciente como o mais profundo
autoconhecimento, como consciência individual suprema que
experimentamos em nós mesmos como EU SOU O QUE SOU. Aqui não há
mais sensações ou pensamentos inconscientes, nem percepções
extrínsecas. Não mais estou feliz e contente, porque Eu Sou estas
coisas, todos os sentimentos, todos os pensamentos, a luz radiante de
consciência – Eu mesmo sou a felicidade, Eu mesmo sou a
bem-aventurança e a paz! Eu sou a autoconsciência, radiante,
onienvolvente, onipenetrante.
Durante uma escavação no México,
acharam-se representações simbólicas de Deus. Elas dão ilustração
autorizada e clara desta verdade e destas variadas formas de
manifestação divina em diferentes níveis da criação. Na base há
uma serpente ou, às vezes, um dragão, que é a energia sexual:
Kundaliní. Sobre ela, de pé, encontra-se um homem, símbolo do
corpo sustentando as manifestações emocional, mental e intuitiva, e
justamente no topo, acima do homem, há uma face radiante, a face de
Deus, o símbolo da autoconsciência puramente espiritual e divina,
Deus! Com alguém poderia ter retratado melhor a verdade das várias
formas de manifestações de uma mesma deidade?
No homem que está no nível
inferior da humanidade, a maioria de tais centros nervosos e
cerebrais está ainda em letargia. Seu grau de consciência é,
consequentemente, baixo e primitivo. A senda de sua evolução
consiste em comandar e ativar sucessivamente os mesmos centros, até
que todos tenham sido ativados, e o homem tenha percorrido toda a
escala da criação, incluindo o Criador, consciente em si mesmo.
O combustível com que o homem pode
aquecer e ativar seus centros nervosos e cerebrais em latência,
semelhante a uma válvula de rádio, é a energia sexual que encerra
em seu corpo. Enquanto permanece no baixo nível de consciência, o
homem não é o senhor da energia sexual, mas talvez um servo. É
ainda totalmente seu escravo e vive à sua mercê.
Portanto, jamais suspeita que esta
energia encerra um segredo; que sua própria energia sexual pode
abrir-lhe a porta do poder espiritual; que com auxílio desta
energia, pode alcançar a consciência no Ser, em Deus, e daí obter
a imortalidade e a ascendência sobre a matéria e sobre toda a
Natureza.
Se tal conseguir, pode-se dizer que
encontrou a chave secreta da pedra filosofal, tornou-se um mago
divino.
Os alquimistas medievais, os
Rosa-Cruzes, que eram grandes iniciados, reiteradamente citam em seus
escritos, nos quais a verdade pura é evitada, que a substância da
qual a pedra filosofal é obtida facilmente e encontrável, e todo
ser humano a possui. Eles queriam proteger seus conhecimentos do
vulgo que, mesmo então, teria transformado tudo em maldade e, por
absoluta ignorância, abusado do segredo da energia sexual em
perversões depravadas.
Além disso, queriam também
outorgar a chave deste segredo apenas a pessoas suficientemente
maduras que não abusassem dele. Queriam orientar homens inteligentes
para a senda correta, onde procurariam o segredo na esperança de que
alguém o achasse.
De seus escritos se depreende
claramente que a substância da pedra filosofal se encontra no
próprio homem! Apenas este indício inocente produziu terríveis
crueldades. Senhores medievais que desejavam obter a pedra filosofal,
encaravam o sangue humano como a substância secreta, porque mal
interpretavam os escritos rosacruzes que sugeriam ser a pedra
passível de ser modelada a partir do ser humano.
Por isso, com incrível crueldade,
assassinavam servos em grande escala para obter a substância de seus
corpos. Em sua ignorância, tais senhores jamais compreenderam que o
assunto era muito mais simples do que eles pensavam. Eles deviam
ter-se lembrado, somente, de que o manancial pelo qual toda vida
terrena se transmite é a energia sexual.
O manancial da vida, o famoso elixir
dos Rosa-Cruzes, é portanto algo que conduzimos conosco. Deste
manancial flui uma corrente, a própria vida, “que é fogo, mas
flui como água”. Que definição melhor poderiam achar da espécie
de energia que flui como eletricidade ou água em nosso sistema
nervoso, ainda que não seja água, mas fogo; portanto como está
literalmente assentado nos escritos rosacruzes “uma água
incandescente, o fogo líquido” é “uma corrente de fogo que
jorra como água.”
O homem ignorante usa esta “fonte
individual”, geralmente sua energia sexual, vital, na persecução
dos prazeres eróticos, sem desejo de procriar. Não concebe que se
não esbanjasse a corrente vital que jorra em seu “manancial
individual”, mas se a preservasse para seu próprio corpo e para
usar tal manancial, vital para si mesmo, poderia estimular e ativar
seus centros energéticos mais elevados, os chakras, e portanto obter
domínio sobre eles.
Se usasse a corrente vital em prol
de seu próprio corpo, como a vontade exige, poderia então dotá-lo
de nova vida, regenerá-lo e alcançar a imortalidade das células,
conhecida pelos Rosa-Cruzes como transmutação.
Através dos mais elevados centros
espirituais, poderia usar a energia sexual, produtivamente,
convertida em poder criativo espiritual, para servir a si mesmo, e
simultaneamente compartilhar do trabalho de espiritualização do
mundo. Objetivamente para apoderar-se deste segredo é absolutamente
essencial que o homem tenha uma atitude e uma moralidade superiores
para a vida! E desde que estas são excessivamente raras, os
alquimistas, os Rosa-Cruzes e outros iniciados se expressaram através
de símbolos ou absolutamente silenciaram.
Deve-se dizer com absoluta franqueza
que a energia sexual pode ser usada em finalidades mais elevadas do
que no simples alívio, com experiência erótica, do tédio que
nasce da própria infinita vacuidade. A energia sexual é o próprio
poder criador divino. Pode ser usada para o bem ou para o mal. Se for
usada negativamente, ricocheteia e arrasta a pessoa, inexoravelmente,
ao inferno.
Assim como a energia nuclear pode
ser usada em melhores finalidades do que na fabricação de armas que
levam à autoaniquilação, é possível usar-se a energia sexual
para o céu ou para o inferno, vez que ela é o poder criador divino,
a essência do próprio ser humano.
Quando o homem tiver tomado posse da
potência espiritual e, assim, tiver alcançado supremacia, ficará a seu
critério se será um mago divino ou infernal.

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