Quem se decide pela senda do yoga, não buscará na união
física a gratificação de desejos bestiais, mas de preferência a manifestação da
união espiritual mais elevada. Dar-se fisicamente não o degrada nem corrompe,
porque seu ato é motivado por um desejo espiritual profundo, por unificação,
por amor.
Se a pessoa ainda não tem a habilidade para transformar a
energia sexual, um sistema de vida de abstinência forçada pode redundar em
nervosismo extremo, desarmonia, beligerância, porque a energia sexual ainda não
está apta para encontrar o caminho para os centros nervosos mais elevados.
Pessoas casadas devem ter em mente que não foi o acaso que as
conduziu ao casamento. Foram conduzidas a esta união pelo karma e, portanto, é
este verdadeiro matrimônio que acelera seu progresso. Seu karma indicará quando
estarão suficientemente maduros e que chegou a hora para levarem uma vida
abstêmia e para prosseguirem, de mãos dadas, em amor supremo e mútua
compreensão.
Assim, o casamento não será um fardo insuportável, porém
significará assistência mútua e felicidade. O matrimônio se tornaria um fardo
pesado e um obstáculo para o progresso, quando o tempo kármico tiver expirado e
o débito kármico estiver pago, pois então ele cairá do homem, como um traje
usado.
Fugir de uma situação opressiva nunca é uma solução. Os
problemas têm de ser resolvidos ou, senão, eles se mantêm a nosso lado! Uma vez
que tenhamos obtido uma liberação interna de tais uniões dolorosas, há também
uma transformação no mundo externo e inesperadamente a porta da liberdade se
abre.
Um casamento por si só não é um obstáculo na senda do yoga.
Muitos dos grandes santos, no Ocidente bem como na Índia, que foram casados,
atingiram a meta mais elevada.
O homem abandona o desejo físico quando alcança a maturidade.
Logrou conhecer a fascinação da sexualidade e agora vê através dela. Quando
está apto a transmutar a energia sexual em sua forma mais elevada, ele a
preserva. Ele nada perde, mas ganha tudo. Porque a felicidade que o homem
experimenta em sexualidade, fica com ele uma vez e sempre em um nível muito
mais elevado.
Não a perdemos, não mais a desejamos desfrutar como um muito
transitório prazer sexual efêmero, fugazmente vivido, porém agora
exclusivamente na forma mais elevada de uma beatitude mental e espiritual, que
é nossa para sempre e não pode ser perdida porque: EU SOU ELE (Soham).
Cessamos de experimentar o poder criador no corpo como
energia sexual, como desejo e impulso sexual, que tão logo atendido se
desvanece. Agora, nós o experimentamos diretamente como o próprio poder
criador, como alegria criadora em um nível de consciência sempre mais elevado,
como um estado de ser crescente, resistente, sempre e eterno.
Inicialmente, experimento o ser como energia sexual, como
pressão sexual que age em meu corpo e é o doador de vida para uma terceira
pessoa. Se estou num nível mais elevado de consciência, experimento o poder
criador dentro de mim como amor, manifestado em minha alma como a mais elevada
emoção. Se desenvolvi consciência no Logos, na própria vida, eu o sinto no
espírito, no Eu, como um estado de autoconsciência, como eu mesmo: EU SOU ELE!
Uma pessoa que não possa experimentar a Vida, o Logos, com
sua mente consciente, porque estas freqüências máximas seriam muito fortes para
seus nervos, isto é, alguém que esteja no período transitório de evolução
gradual, deveria levar uma vida sexual sadia, baseada na união espiritual.
Pela união sexual, duas pessoas podem proporcionar-se
mutuamente muito amor e felicidade, mesmo que seja uma felicidade transitória.
De modo algum isto as degrada, e em verdade ajuda-as a construir um
relacionamento íntimo e a partilhar de uma experiência verdadeira e sublime.

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