Os alquimistas medievais, os Rosa-Cruzes, descrevem o
processo evolutivo proporcionado pela energia sexual muito inteligentemente: o
sábio obtém a pedra filosofal, colocando sua árvore da vida em uma tina cheia
de elixir da vida. Esta é constantemente aquecida pelo fogo do dragão, a
energia sexual, para fazer a árvore florescer.
Não desdenhemos a sexualidade, nem a encaremos como força
maligna que animaliza o homem, nem dela façamos tal força. Consideremos a
energia sexual como a chave que nos abre a porta entre o espírito e o mundo
material, do mais alto ao mais baixo, porém também do mais baixo ao mais alto.
Encaremo-la como o ímpeto divino que nos habilita a criar
outras gerações, a propagar a vida no corpo, de cima para baixo, inclusive a
metamorfosear o homem, a tirá-lo de sua selvageria para o espiritual, e
auxiliar a vencer a morte. Devemos ser gratos à energia sexual que, usada
adequadamente, nos dá muita felicidade em ambas as sendas. Na senda
descendente, é breve e transitória. Na ascendente, a felicidade eterna.
Usemos seu fogo para fazer nossa árvore da vida florescer.
Lembremo-nos: o homem primitivo ainda está no mais baixo nível de sua
consciência. Em seu egoísmo animal, vive em autismo, completamente isolado e
emparedado. Seu coração ainda está morto, e ele ainda nem pressente o
significado do amor. Só a energia sexual, este fogo elemental, é capaz de
amornar pela primeira vez seu coração morto.
E mesmo se durante a breve fascinação da excitação sexual
pode experimentar e expressar apenas um indício de amor, é este entretanto o
primeiro vislumbre do amor divino. Através da sexualidade, inicialmente, se lhe
torna conhecida a felicidade decorrente do dar.
Embora seu amor nascente ainda não seja mais do que um desejo
animal, uma paixão, sua excitação já é, mesmo se absolutamente inconsciente e
breve, uma incitação para a identidade, para o amor! E mesmo se, inicialmente,
experimenta esta incitação ao amor no corpo exclusivamente, e daí somente possa
procurar gratificação física, é no entanto o primeiro reflexo da identidade
espiritual com o grande Ser, que o homem inconscientemente está procurando e
que, após longa evolução, talvez por eons, encontre, porque está fadado a isso.
A energia sexual causa-nos inquietação interna que nunca nos
permite estar tranqüilos. Continuamente nos instiga e impele a encontrar a
senda interna, após muito vagar. De súbito, entre impulsos bestiais, nas trevas
da inconsciência, nossa autoconscientização eclode. Então o homem se põe na
grande senda, decide viajar do primeiro despertar da consciência do Ser para a
paradisíaca consciência universal.
Enquanto evolui, pouco a pouco, autoconsciente, pela longa
estrada, desenvolve-se em seu imo a habilidade de controlar a energia criadora
em todas as suas manifestações, e a usá-la consoante sua vontade. Se, uma vez,
atinge o nível supremo, o manancial do divino poder, estará apto a transmutar
as formas inferiores de energia do divino poder criador em suas formas
superiores.
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