Se desejamos
analisar o que é o amor, poderíamos falar toscamente dele nestes termos: temos
uma sensação agradável e morna no coração. Não pode ser medida com um
termômetro, no entanto sentimos como “calor”.
Nós a irradiamos de
modo completamente involuntário. Seus raios são invisíveis e sua existência não
admite provas, embora sintamos esta irradiação de amor proveniente de nós
mesmos, bem como de outrem, de modo tão distinto que não se pode negá-lo.
Irradia-se
espontaneamente e, sob seu efeito, desejamos unir nosso ser com todo o
universo, ou com o que amamos. O amor é um anseio por unidade sem reação
física. Este sentimento nada tem a ver com o desejo sexual, nada a ver com o
corpo, é um sentimento puramente espiritual.
Apenas o homem
superior que ativou seus chakras superiores e, portanto, pode suportar as altas
freqüências puramente espirituais, é
capaz deste amor puramente espiritual. O homem inferior, com sua
consciência subdesenvolvida, projeta o amor divino no corpo e o transforma em
atração sexual. Ainda não está apto a suportar as freqüências espirituais, nem
as compreende tampouco com seu intelecto.
O nível espiritual
não mostra o que alguém sabe – porque se pode ter um intelecto brilhante sem
alto nível espiritual; nem depende este nível de alguém ser caridoso, porque se
pode sê-lo com o intelecto, imitando-se exteriormente alguém que é pleno de
amor.
O nível espiritual
se manifesta na riqueza de amor que alguém encerra em si!
Nas pessoas de
nível inferior, o anseio por unidade espiritual se manifesta como o desejo de unir-se com todo mundo no corpo. Querem
oferecer o corpo a quem quer que tenha possibilidade de copular, e o fazem
indiscriminadamente.
A conseqüência
muito triste disto é que estas pessoas – que basicamente estão procurando também
amar, se bem que de modo totalmente errado – degradam-se, renunciam à dignidade
humana, perdem-se e se prostituem.
É compreensível por
que as prostitutas são desprezadas em todo o mundo pelas pessoas cuja
consciência é ligeiramente mais desenvolvida. Quem já teve oportunidade de
conversar com pessoas prostituídas – masculinas ou femininas – deve ter
testemunhado seu triste sentimento de negligência, indignidade e incorrigível
ruína, seu total desespero e autodesprezo.
Toda pessoa que tem
relações sexuais indiscriminadamente, quando inquirida por que o faz, responde:
“Procuro um pouco de amor”. Estas pobres almas não compreendem que é
precisamente o que elas estão fazendo que as faz trair o verdadeiro amor que
procuram. Traindo seu próprio Cristo interior com um “beijo” gastam o amor,
erguem o calcanhar contra ele e o matam, porque seus atos não nascem da
harmonia interna que enlaça dois seres.
É particularmente
triste no caso das mulheres, que devem guiar seus maridos ao longo da senda
para Deus, para a consciência divina.
A pessoa de baixo
nível, que experencia o coito como mera descarga sexual, despida de qualquer
afeição íntima, seleção ou sentimento de amor espiritual para o parceiro ou
parceira, mais cedo ou mais tarde cai presa de terrível medo e vacuidade.
As pessoas ignoram
que profundo vínculo a união sexual cria entre o homem e a mulher. Ambos
absorvem reciprocamente a parte do ser invisível do outro. Quão frequentemente
notamos o modo pelo qual as pessoas, persistindo em relacionamento sexual com
um parceiro que lhes é desajustado, gradativamente mudam, transformam sua
natureza, seu caráter, muitas vezes para pior, algumas vezes para melhor, e
adquirem certas qualidades do outro.
Se duas pessoas
compartilham sua vida amorosa, ou mesmo se tiveram apenas um simples encontro
sexual, estão mutuamente afetadas por vastas forças invisíveis, porque a
energia sexual é criadora, é o próprio homem! E apesar de que a pessoa esteja
convicta de que o poder e a irradiação de um ser “desinteressante” ou “insignificante”
não a afeta, este deixa uma impressão de cuja profundidade nem suspeita.
A mácula da parte
invisível do homem não resulta apenas da experiência de cópulas com seres
inferiores. Ocorre, igualmente, quando pessoas que não são necessariamente más,
sem caráter ou impuras, mas simplesmente ignorantes, copulam com um grande
número de parceiros, indiscriminadamente, hoje com um, amanhã com outro.
Podemos colocar as cores mais lindas na paleta e, entretanto, obter uma
confusão desesperada se as misturamos todas simultaneamente. As cores antes
lindas perdem completamente seu caráter e se tornam irreconhecíveis.
Por essa razão,
podemos compreender por que as prostitutas têm seu desespero típico, irradiação
impura, por que perderam o caráter individual humano, de tal modo que são
reconhecidas a distância como prostitutas.
Quanta paciência e
amor, e quanto tempo se requer antes que sejam removidas as más impressões,
todas as impurezas e o terrível complexo de inferioridade de almas jovens que
têm sexo indiscriminadamente com qualquer um.
As pessoas sentem,
ainda que inconscientemente, o efeito venenoso da cópula com um parceiro
indigno e tentam proteger-se entregando todo o assunto ao corpo e retraindo a
mente consciente “tanto quanto possível” durante o coito de natureza
degradante. A conseqüência é o distúrbio mental e físico conducentes à
impotência aparente.
Tudo que acontece
ao corpo reage sobre a mente, a mente compartilha da experiência vez que é a
mente que constrói o corpo, vitaliza-o e experencia tudo no corpo e através
dele. Sem a mente, o corpo é um cadáver inerte.
O ser humano só
pode referir-se à verdadeira alegria física e à felicidade sexual de amantes,
se a unidade física eclode por amor verdadeiro, harmonia espiritual verdadeira,
e o ser humano pode abandonar todo seu ser à sensação de felicidade sexual sem
ter de envergonhar-se depois.
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