14.6.16

O AMOR E O SEXO INDISCRIMINADO – Elisabeth Haich




Se desejamos analisar o que é o amor, poderíamos falar toscamente dele nestes termos: temos uma sensação agradável e morna no coração. Não pode ser medida com um termômetro, no entanto sentimos como “calor”. 

Nós a irradiamos de modo completamente involuntário. Seus raios são invisíveis e sua existência não admite provas, embora sintamos esta irradiação de amor proveniente de nós mesmos, bem como de outrem, de modo tão distinto que não se pode negá-lo.

Irradia-se espontaneamente e, sob seu efeito, desejamos unir nosso ser com todo o universo, ou com o que amamos. O amor é um anseio por unidade sem reação física. Este sentimento nada tem a ver com o desejo sexual, nada a ver com o corpo, é um sentimento puramente espiritual.

Apenas o homem superior que ativou seus chakras superiores e, portanto, pode suportar as altas freqüências puramente espirituais, é  capaz deste amor puramente espiritual. O homem inferior, com sua consciência subdesenvolvida, projeta o amor divino no corpo e o transforma em atração sexual. Ainda não está apto a suportar as freqüências espirituais, nem as compreende tampouco com seu intelecto.

O nível espiritual não mostra o que alguém sabe – porque se pode ter um intelecto brilhante sem alto nível espiritual; nem depende este nível de alguém ser caridoso, porque se pode sê-lo com o intelecto, imitando-se exteriormente alguém que é pleno de amor.

O nível espiritual se manifesta na riqueza de amor que alguém encerra em si!

Nas pessoas de nível inferior, o anseio por unidade espiritual se manifesta como o desejo  de unir-se com todo mundo no corpo. Querem oferecer o corpo a quem quer que tenha possibilidade de copular, e o fazem indiscriminadamente. 

A conseqüência muito triste disto é que estas pessoas – que basicamente estão procurando também amar, se bem que de modo totalmente errado – degradam-se, renunciam à dignidade humana, perdem-se e se prostituem.

É compreensível por que as prostitutas são desprezadas em todo o mundo pelas pessoas cuja consciência é ligeiramente mais desenvolvida. Quem já teve oportunidade de conversar com pessoas prostituídas – masculinas ou femininas – deve ter testemunhado seu triste sentimento de negligência, indignidade e incorrigível ruína, seu total desespero e autodesprezo.

Toda pessoa que tem relações sexuais indiscriminadamente, quando inquirida por que o faz, responde: “Procuro um pouco de amor”. Estas pobres almas não compreendem que é precisamente o que elas estão fazendo que as faz trair o verdadeiro amor que procuram. Traindo seu próprio Cristo interior com um “beijo” gastam o amor, erguem o calcanhar contra ele e o matam, porque seus atos não nascem da harmonia interna que enlaça dois seres.

É particularmente triste no caso das mulheres, que devem guiar seus maridos ao longo da senda para Deus, para a consciência divina.

A pessoa de baixo nível, que experencia o coito como mera descarga sexual, despida de qualquer afeição íntima, seleção ou sentimento de amor espiritual para o parceiro ou parceira, mais cedo ou mais tarde cai presa de terrível medo e vacuidade.

As pessoas ignoram que profundo vínculo a união sexual cria entre o homem e a mulher. Ambos absorvem reciprocamente a parte do ser invisível do outro. Quão frequentemente notamos o modo pelo qual as pessoas, persistindo em relacionamento sexual com um parceiro que lhes é desajustado, gradativamente mudam, transformam sua natureza, seu caráter, muitas vezes para pior, algumas vezes para melhor, e adquirem certas qualidades do outro.

Se duas pessoas compartilham sua vida amorosa, ou mesmo se tiveram apenas um simples encontro sexual, estão mutuamente afetadas por vastas forças invisíveis, porque a energia sexual é criadora, é o próprio homem! E apesar de que a pessoa esteja convicta de que o poder e a irradiação de um ser “desinteressante” ou “insignificante” não a afeta, este deixa uma impressão de cuja profundidade nem suspeita.

A mácula da parte invisível do homem não resulta apenas da experiência de cópulas com seres inferiores. Ocorre, igualmente, quando pessoas que não são necessariamente más, sem caráter ou impuras, mas simplesmente ignorantes, copulam com um grande número de parceiros, indiscriminadamente, hoje com um, amanhã com outro. Podemos colocar as cores mais lindas na paleta e, entretanto, obter uma confusão desesperada se as misturamos todas simultaneamente. As cores antes lindas perdem completamente seu caráter e se tornam irreconhecíveis.

Por essa razão, podemos compreender por que as prostitutas têm seu desespero típico, irradiação impura, por que perderam o caráter individual humano, de tal modo que são reconhecidas a distância como prostitutas.

Quanta paciência e amor, e quanto tempo se requer antes que sejam removidas as más impressões, todas as impurezas e o terrível complexo de inferioridade de almas jovens que têm sexo indiscriminadamente com qualquer um.

As pessoas sentem, ainda que inconscientemente, o efeito venenoso da cópula com um parceiro indigno e tentam proteger-se entregando todo o assunto ao corpo e retraindo a mente consciente “tanto quanto possível” durante o coito de natureza degradante. A conseqüência é o distúrbio mental e físico conducentes à impotência aparente.

Tudo que acontece ao corpo reage sobre a mente, a mente compartilha da experiência vez que é a mente que constrói o corpo, vitaliza-o e experencia tudo no corpo e através dele. Sem a mente, o corpo é um cadáver inerte.

O ser humano só pode referir-se à verdadeira alegria física e à felicidade sexual de amantes, se a unidade física eclode por amor verdadeiro, harmonia espiritual verdadeira, e o ser humano pode abandonar todo seu ser à sensação de felicidade sexual sem ter de envergonhar-se depois.

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