10.6.16

O MAGO DIVINO E O MAGO INFERNAL – Elisabeth Haich




Pode alguém ser chamado “mago divino” se, por um desenvolvimento regular ao longo da senda do yoga, se tornou consciente do mais elevado nível divino, e tendo alcançado o degrau mais alto da evolução, é mestre do poder criador revelado, porém apenas de modo legal e moralmente divino, portanto como instrumento de Deus.

Sua consciência é una com Deus e jamais se identifica com o corpo. Conscientemente, permanece o que realmente é, em seu verdadeiro ser, vida, Logos, o próprio Deus.

O mago infernal, de outra parte, estando num nível de consciência artificialmente elevado pelo uso da magia, porém ainda completamente egocêntrico e moralmente subdesenvolvido, atua exatamente de modo antagônico ao mago divino: usa os poderes divinos para a auto-satisfação e para sua concupiscência. Identifica sua consciência com o corpo e não com Deus, e dirige os poderes divinos para baixo, dos centros espirituais para os órgãos físicos do sexo.

Quando a força espiritual criadora, que devia igualmente ser posta em uso criador espiritual pelos chakras cerebrais ativados, é rebaixada e mal aplicada para uso pessoal, para fins egoístas, esta pessoa age como um mago infernal (o chamado mago negro).

O mago negro, com seu modo de vida pessoal, egoísta, se devota às paixões e prazeres físicos. Assim procedendo, desperdiça, trai e mata o poder divino, o Logos, seu Ser divino. Atraiçoando seus poderes e a seu Ser interior (Deus), finalmente se destrói e se mata. Os magos negros sempre sofrem uma morte horrível!

O homem que pratica a magia negra, que já possui o poder criador e, entretanto, identifica-se com o corpo, isto é, dirige a força espiritual para baixo, esbanja a força espiritual convertida em energia sexual no prazer físico, como uma finalidade em si, desperdiça seu Cristo interior, atraiçoa-o, entrega-o ao nível da matéria.


Se um homem atraiçoa a força criadora por viver dissolutamente, por excesso sexual e abuso como meio de prazer, também lhe morre a sexualidade. Perde a potência, perde a força sugestiva central, torna-se um caráter fraco e incapaz de resistência; é despedaçado, destruído por diversas influências do mundo externo e se torna presa para seu maior inimigo – o medo.

Cada pessoa que abusa das mais elevadas qualidades e usa a razão para dirigir os pensamentos continuamente para os órgãos sexuais, está matando seu princípio criador – seu Cristo interior. Assim acontece com toda pessoa que estimula os sentidos e glândulas sexuais com alimentos e bebidas excitantes e com ajuda mental, literatura, filmes e peças teatrais pornográficas e que desperdiça sua energia sexual em excessos e abusos. E certamente o alcoolismo e outros vícios vão de mãos dadas com tais hábitos.

A experiência demonstra que as pessoas que vivem assim, e também os que dissipam o poder criador com masturbações excessivas, mais cedo ou mais tarde decaem em irresolução, aniquilamento espiritual, trevas e medo (a masturbação ocasional do adolescente não tem necessariamente esta conseqüência perniciosa. Referimo-nos aqui apenas à masturbação perversamente excessiva).

A pessoa simples, com um nível médio de conscientização, não pode trair seu Cristo interior. A possibilidade de uma transmutação de energia nem mesmo lhe ocorre. Não pode dirigir sua energia para cima nem para baixo, nem pode transmutá-la. Se tal pessoa obedece a seus desejos sexuais e leva uma vida sexual normal e sadia, não peca contra o princípio criador que habita em sua consciência, pela simples razão de que a vida sexual sadia não é pecado! Ela simplesmente gasta a força física sexual de modo normal, e não a força criadora, espiritual.


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