Pode alguém ser chamado “mago divino” se, por um
desenvolvimento regular ao longo da senda do yoga, se tornou consciente do mais
elevado nível divino, e tendo alcançado o degrau mais alto da evolução, é
mestre do poder criador revelado, porém apenas de modo legal e moralmente
divino, portanto como instrumento de Deus.
Sua consciência é una com Deus e jamais se identifica com o
corpo. Conscientemente, permanece o que realmente é, em seu verdadeiro ser,
vida, Logos, o próprio Deus.
O mago infernal, de outra parte, estando num nível de
consciência artificialmente elevado pelo uso da magia, porém ainda
completamente egocêntrico e moralmente subdesenvolvido, atua exatamente de modo
antagônico ao mago divino: usa os poderes divinos para a auto-satisfação e para
sua concupiscência. Identifica sua consciência com o corpo e não com Deus, e
dirige os poderes divinos para baixo, dos centros espirituais para os órgãos
físicos do sexo.
Quando a força espiritual criadora, que devia igualmente ser
posta em uso criador espiritual pelos chakras cerebrais ativados, é rebaixada e
mal aplicada para uso pessoal, para fins egoístas, esta pessoa age como um mago
infernal (o chamado mago negro).
O mago negro, com seu modo de vida pessoal, egoísta, se devota
às paixões e prazeres físicos. Assim procedendo, desperdiça, trai e mata o
poder divino, o Logos, seu Ser divino. Atraiçoando seus poderes e a seu Ser
interior (Deus), finalmente se destrói e se mata. Os magos negros sempre sofrem
uma morte horrível!
O homem que pratica a magia negra, que já possui o poder
criador e, entretanto, identifica-se com o corpo, isto é, dirige a força
espiritual para baixo, esbanja a força espiritual convertida em energia sexual
no prazer físico, como uma finalidade em si, desperdiça seu Cristo interior,
atraiçoa-o, entrega-o ao nível da matéria.
Se um homem atraiçoa a força criadora por viver
dissolutamente, por excesso sexual e abuso como meio de prazer, também lhe
morre a sexualidade. Perde a potência, perde a força sugestiva central,
torna-se um caráter fraco e incapaz de resistência; é despedaçado, destruído
por diversas influências do mundo externo e se torna presa para seu maior
inimigo – o medo.
Cada pessoa que abusa das mais elevadas qualidades e usa a
razão para dirigir os pensamentos continuamente para os órgãos sexuais, está
matando seu princípio criador – seu Cristo interior. Assim acontece com toda
pessoa que estimula os sentidos e glândulas sexuais com alimentos e bebidas
excitantes e com ajuda mental, literatura, filmes e peças teatrais
pornográficas e que desperdiça sua energia sexual em excessos e abusos. E
certamente o alcoolismo e outros vícios vão de mãos dadas com tais hábitos.
A experiência demonstra que as pessoas que vivem assim, e
também os que dissipam o poder criador com masturbações excessivas, mais cedo
ou mais tarde decaem em irresolução, aniquilamento espiritual, trevas e medo (a
masturbação ocasional do adolescente não tem necessariamente esta conseqüência
perniciosa. Referimo-nos aqui apenas à masturbação perversamente excessiva).
A pessoa simples, com um nível médio de conscientização, não
pode trair seu Cristo interior. A possibilidade de uma transmutação de energia
nem mesmo lhe ocorre. Não pode dirigir sua energia para cima nem para baixo,
nem pode transmutá-la. Se tal pessoa obedece a seus desejos sexuais e leva uma
vida sexual normal e sadia, não peca contra o princípio criador que habita em
sua consciência, pela simples razão de que a vida sexual sadia não é pecado!
Ela simplesmente gasta a força física sexual de modo normal, e não a força
criadora, espiritual.

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