Os que partem na senda do yoga com a intenção de renunciar à
energia sexual e subitamente querem levar uma vida abstêmia, evidenciam que não
apenas ignoram a origem divina desta energia, mas a própria energia em si! Como
pode um homem adquirir controle sobre algo, renunciar a este algo, sem
sacrifício ou contradição, se com ele não se familiarizou inteiramente e não
chegou a um acordo?
Enquanto um indivíduo suspeita dos prazeres potenciais ainda
não experimentados dentro da sexualidade, não pode nem deve renunciar à vida
sexual. Viveria, então, na crença de ter omitido ou perdido algo; e este equívoco cada vez
mais o atrairá para experiências sexuais.
Somente quem se familiarizou integralmente com a sexualidade
e provou-a totalmente em suas potencialidades, quer nesta existência quer em
outra anterior, pode alcançar o Supremo. De outro lado, se ele ignora a
sexualidade, a Consciência universal também está muito além de seu alcance.
Se eu quiser extirpar minha energia sexual sem tê-la
conhecido previamente, ela se voltará contra mim com toda minha própria
potência, porque eu sou esta minha própria energia, mesmo se apenas
inconscientemente!
Por esta razão, sua força é igual a minha própria! Em
hipótese alguma posso destruí-la, porque isto seria destruir a mim mesmo. Não
podemos destruir a energia sexual, apenas podemos transformá-la.
Devo atravessar experiências, devo tornar-me tão
integralmente familiarizado com a energia sexual, com todos seus vexames,
dificuldades e armadilhas, que nenhum aspecto desta forma de energia criadora
me fique oculto. Suponhamos que alguém já tenha adquirido esta experiência e
nasceu com ela nesta vida. Não carecerá readquiri-la. Porém, deverá sentir esta
certeza em si mesmo.
Se alguém passou por suas experiências de energia sexual, na
vida passada ou na presente, libertar-se-á de sua dependência, exercerá
controle sobre ela e a usará como poder criador. Se, de outro lado, um homem que
ignora a energia sexual e é inapto para transmutá-la, se ele a preserva mediante uma
vida abstêmia, esta energia primária será recalcada para o inconsciente e
suprimida, tanto que se manifesta de forma pervertida.
Com incrível astúcia, frequentemente causa às pessoas as mais
sérias desordens, doenças e perturbações físicas e mentais. Não é incomum
descobrir-se que tais sofrimentos sejam causados pela energia sexual reprimida
e restringida.
Evidentemente, tal pessoa deveria, com seu cônjuge, tentar experimentar uma devoção sublime
baseada em amor e levar uma vida sexual sadia, satisfeita e higiênica. Em assim
procedendo, não deve pensar que uma vida sexual sadia seja algo degradante ou
corrupto. Se alguém tem uma atitude sadia para com a vida sexual, esta nunca é
degradante ou corrupta.
Não é a sexualidade que degrada ou corrompe o homem, mas este
é quem se faz um animal e, em vez de levar uma vida sexual sadia, baseada no
amor verdadeiro e na união, deliberadamente distorce-a para um fim brutal,
depravado e em si mesmo perverso. Ele corrompe e degrada tanto a si mesmo
quanto a sexualidade.

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