10.6.16

A SENDA DO YOGA – Elisabeth Haich



Os que partem na senda do yoga com a intenção de renunciar à energia sexual e subitamente querem levar uma vida abstêmia, evidenciam que não apenas ignoram a origem divina desta energia, mas a própria energia em si! Como pode um homem adquirir controle sobre algo, renunciar a este algo, sem sacrifício ou contradição, se com ele não se familiarizou inteiramente e não chegou a um acordo?

Enquanto um indivíduo suspeita dos prazeres potenciais ainda não experimentados dentro da sexualidade, não pode nem deve renunciar à vida sexual. Viveria, então, na crença de ter omitido  ou perdido algo; e este equívoco cada vez mais o atrairá para experiências sexuais.

Somente quem se familiarizou integralmente com a sexualidade e provou-a totalmente em suas potencialidades, quer nesta existência quer em outra anterior, pode alcançar o Supremo. De outro lado, se ele ignora a sexualidade, a Consciência universal também está muito além de seu alcance.

Se eu quiser extirpar minha energia sexual sem tê-la conhecido previamente, ela se voltará contra mim com toda minha própria potência, porque eu sou esta minha própria energia, mesmo se apenas inconscientemente!



Por esta razão, sua força é igual a minha própria! Em hipótese alguma posso destruí-la, porque isto seria destruir a mim mesmo. Não podemos destruir a energia sexual, apenas podemos transformá-la.

Devo atravessar experiências, devo tornar-me tão integralmente familiarizado com a energia sexual, com todos seus vexames, dificuldades e armadilhas, que nenhum aspecto desta forma de energia criadora me fique oculto. Suponhamos que alguém já tenha adquirido esta experiência e nasceu com ela nesta vida. Não carecerá readquiri-la. Porém, deverá sentir esta certeza em si mesmo.

Se alguém passou por suas experiências de energia sexual, na vida passada ou na presente, libertar-se-á de sua dependência, exercerá controle sobre ela e a usará como poder criador. Se, de outro lado, um homem que ignora a energia sexual e é inapto para transmutá-la, se ele a preserva mediante uma vida abstêmia, esta energia primária será recalcada para o inconsciente e suprimida, tanto que se manifesta de forma pervertida.

Com incrível astúcia, frequentemente causa às pessoas as mais sérias desordens, doenças e perturbações físicas e mentais. Não é incomum descobrir-se que tais sofrimentos sejam causados pela energia sexual reprimida e restringida.

Evidentemente, tal pessoa deveria, com seu cônjuge,  tentar experimentar uma devoção sublime baseada em amor e levar uma vida sexual sadia, satisfeita e higiênica. Em assim procedendo, não deve pensar que uma vida sexual sadia seja algo degradante ou corrupto. Se alguém tem uma atitude sadia para com a vida sexual, esta nunca é degradante ou corrupta.

Não é a sexualidade que degrada ou corrompe o homem, mas este é quem se faz um animal e, em vez de levar uma vida sexual sadia, baseada no amor verdadeiro e na união, deliberadamente distorce-a para um fim brutal, depravado e em si mesmo perverso. Ele corrompe e degrada tanto a si mesmo quanto a sexualidade.



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