14.6.16

O ESPÍRITO E O CORPO – Elisabeth Haich




O espírito é mil vezes mais forte que o corpo. Assim também a felicidade e a alegria alcançadas na consciência desperta são centenas de vezes maiores. O espírito é a causa; o corpo, o efeito. O corpo não passa de reflexo do espírito, e o jogo sexual, mesmo o maior prazer sexual, é apenas um pálido reflexo do prazer, satisfação e êxtase experimentados através da energia sexual convertida em força criadora.

Não gastamos esta felicidade até o corpo estar esgotado, exausto e impotente, mas sim conservamos a divina alegria interior, mantemo-la em nós durante todo o tempo, nós mesmos somos esta alegria. E o que é mais: ela se mantém sempre crescente, justamente como no conto de fadas a maçã de ouro do amor torna-se tanto maior quanto mais a comem.

O poder criador, aumentado pela concentração mental, continua crescendo até que nós, conscientemente, atingimos a imensidão do Ser divino.

Agora compreendemos por que os que alcançam o nível mais alto, profetas, sibilas, os homens-Deus, se abstêm de esbanjar o poder criador como energia sexual. Eles não eram pessoas tolas que se desfaziam de uma fonte de prazer e alegria. Experimentaram o outro pólo dentro de si e, portanto, não precisaram de procurar um complemento externo. Eles se autocompletaram: o que fora uma metade se fez um TODO.

As Cruzadas foram uma ocasião para aquisição do conhecimento dos iniciados orientais acerca da pedra filosofal. Falaram acerca de um athanor (forno de combustão lenta dos alquimistas), em que o fogo tinha de arder ininterrupta e intensamente para produzir a pedra filosofal, que transformaria qualquer metal em ouro.

Dos escritos dos alquimistas medievais e rosacruzes, é perfeitamente evidente que eles produziam esta pedra do próprio homem. O athanor é o corpo humano; o dragão é o poder criador que trabalha no corpo; e o fogo do dragão é a energia sexual dirigida para cima através da vida abstêmia e usada como combustível.

A pedra filosofal é a consciência divina universal e sua força espiritual mágica sobre toda a natureza. E o elixir da vida é o “fogo que flui como água”, a “água incandescente”, isto é, as altas freqüências da autoconsciência divina que podemos produzir no corpo e irradiar conscientemente.

Os cristãos denominam esta corrente de “sangue de Cristo”, os rosacruzes a chamam de “elixir da vida”.

Os grandes iniciados, os profetas, as bruxas, altos sacerdotes e sacerdotisas dos grandes povos do passado, e os homens-Deus que de tempos em tempos têm aparecido na terra não foram nem são tolos. Não teriam desprezado os prazeres sexuais, que inúmeras pessoas olham como a razão de ser, se não tivessem recebido em recompensa algo milhares de vezes mais valioso.

Como iniciados, calmamente trocaram efêmeros prazeres pelo manancial de toda alegria e felicidade. Qual é a nossa preferência: o geiser, que jorra intermitentemente, ou o vulcão borbulhando nas entranhas da terra, que é a fonte e a causa de todas as erupções dos geisers e dos vulcões?
Athanor
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               




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