O espírito é mil
vezes mais forte que o corpo. Assim também a felicidade e a alegria alcançadas
na consciência desperta são centenas de vezes maiores. O espírito é a causa; o
corpo, o efeito. O corpo não passa de reflexo do espírito, e o jogo sexual,
mesmo o maior prazer sexual, é apenas um pálido reflexo do prazer, satisfação e
êxtase experimentados através da energia sexual convertida em força criadora.
Não gastamos esta
felicidade até o corpo estar esgotado, exausto e impotente, mas sim conservamos
a divina alegria interior, mantemo-la em nós durante todo o tempo, nós mesmos
somos esta alegria. E o que é mais: ela se mantém sempre crescente, justamente
como no conto de fadas a maçã de ouro do amor torna-se tanto maior quanto mais
a comem.
O poder criador,
aumentado pela concentração mental, continua crescendo até que nós,
conscientemente, atingimos a imensidão do Ser divino.
Agora compreendemos
por que os que alcançam o nível mais alto, profetas, sibilas, os homens-Deus,
se abstêm de esbanjar o poder criador como energia sexual. Eles não eram
pessoas tolas que se desfaziam de uma fonte de prazer e alegria. Experimentaram
o outro pólo dentro de si e, portanto, não precisaram de procurar um
complemento externo. Eles se autocompletaram: o que fora uma metade se fez um
TODO.
As Cruzadas foram
uma ocasião para aquisição do conhecimento dos iniciados orientais acerca da
pedra filosofal. Falaram acerca de um athanor (forno de combustão lenta dos
alquimistas), em que o fogo tinha de arder ininterrupta e intensamente para
produzir a pedra filosofal, que transformaria qualquer metal em ouro.
Dos escritos dos alquimistas
medievais e rosacruzes, é perfeitamente evidente que eles produziam esta pedra
do próprio homem. O athanor é o corpo humano; o dragão é o poder criador que
trabalha no corpo; e o fogo do dragão é a energia sexual dirigida para cima
através da vida abstêmia e usada como combustível.
A pedra filosofal é
a consciência divina universal e sua força espiritual mágica sobre toda a
natureza. E o elixir da vida é o “fogo que flui como água”, a “água
incandescente”, isto é, as altas freqüências da autoconsciência divina que
podemos produzir no corpo e irradiar conscientemente.
Os cristãos
denominam esta corrente de “sangue de Cristo”, os rosacruzes a chamam de
“elixir da vida”.
Os grandes
iniciados, os profetas, as bruxas, altos sacerdotes e sacerdotisas dos grandes
povos do passado, e os homens-Deus que de tempos em tempos têm aparecido na
terra não foram nem são tolos. Não teriam desprezado os prazeres sexuais, que
inúmeras pessoas olham como a razão de ser, se não tivessem recebido em
recompensa algo milhares de vezes mais valioso.
Como iniciados,
calmamente trocaram efêmeros prazeres pelo manancial de toda alegria e
felicidade. Qual é a nossa preferência: o geiser, que jorra intermitentemente,
ou o vulcão borbulhando nas entranhas da terra, que é a fonte e a causa de
todas as erupções dos geisers e dos vulcões?
Athanor
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