8.7.16

OS LIMITES DO CÉREBRO – Krishnamurti



 
Como é limitado o cérebro, por mais cultivado ou requintado que seja! Nada dissipa sua mediocridade. Ainda que o cérebro vá à lua, explore o universo ou as profundezas da terra, projete e monte o mais complexo maquinismo, inclusive computadores capazes de inventar novos computadores, e mesmo que ele venha a causar sua própria destruição e ressurreição, nada disso o livrará da mediocridade.

O cérebro só é capaz de funcionar no tempo e no espaço, toda filosofia é limitada por seu próprio condicionamento e as teorias e especulações são urdidas por sua astúcia.

É inútil qualquer tentativa de fuga de si mesmo. Seus deuses e redentores, seus mestres e líderes têm a medida de sua própria mediocridade. Em seu esforço para superar a estupidez, a eficácia é determinada pelo grau de sua astúcia. Ora buscando, ora pressionado, o cérebro vive na sombra de seu próprio sofrimento, incapaz de transcender sua futilidade.

A incessante atividade do cérebro, na busca de suas projeções, é inação. As reformas postas em prática estão sempre precisando de novas reformas. Acorrentado ao círculo vicioso da ação e da inação, o pensamento é o desdobramento de seus sonhos.



Ativo ou inerte, nobre ou ignóbil, é infinita sua superficialidade. Incapaz de escapar de si mesmo, vive na sordidez de sua virtude e moralidade. Só lhe resta permanecer completamente imóvel, o que não deve ser confundido com inércia ou indolência. Esta imobilidade é a única maneira de se preservar a sensibilidade do cérebro.

Na renúncia de si mesmo e na rejeição de suas atividades, cessam suas habituais e defensivas reações, bem como o vício de julgar, condenar ou justificar. E é nessa renúncia que a mediocridade desaparece e cessa o movimento do vir-a-ser, do desejo do preenchimento.

Revela-se então o que é: trata-se de um instrumento mecânico, inventivo, calculista, funcional, cuja perfeição é assombrosa. Como toda máquina, o cérebro é passível de desgaste e morte; torna-se medíocre ao tentar penetrar no insondável mistério do desconhecido, do imensurável. O conhecido é seu elemento, e lhe é vedado atuar no incognoscível.

Suas criações pertencem ao campo do conhecido, mas nem a palavra nem as imagens podem captar o mistério da criação. Jamais ele conhecerá esta beleza, pois a imensidão do indescritível somente aflora na completa imobilidade do cérebro.


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