5.7.16

A POSSE – Krishnamurti



 
Amor não é apego. O amor não gera sofrimento. Ele desconhece o desespero ou a esperança. É impossível tornar o amor respeitável ou ajustá-lo ao esquema social. Em sua ausência, toda forma de agonia se instala.

Possuir e ser possuído são consideradas formas de amor. A ânsia de possuir uma pessoa ou um objeto não é apenas uma das exigências sociais e das circunstâncias, mas brota de uma fonte bem mais profunda. Surge das profundezas da solidão. Cada um procura preencher esta solidão de diferentes modos: bebendo, seguindo uma religião, adotando uma crença ou exercendo uma atividade qualquer. Apesar dessas fugas, a solidão permanece.

Entretanto, nada possuir, nem mesmo uma idéia e muito menos uma pessoa ou uma coisa, é um estado extraordinário. Sempre que a idéia ou o pensamento criam raízes, existe a posse; e daí nasce a luta pela libertação. Mas essa liberdade não é liberdade nenhuma, mas sim mera reação.




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