Amor não é apego. O amor não gera sofrimento. Ele desconhece
o desespero ou a esperança. É impossível tornar o amor respeitável ou ajustá-lo
ao esquema social. Em sua ausência, toda forma de agonia se instala.
Possuir e ser possuído são consideradas formas de amor. A
ânsia de possuir uma pessoa ou um objeto não é apenas uma das exigências
sociais e das circunstâncias, mas brota de uma fonte bem mais profunda. Surge
das profundezas da solidão. Cada um procura preencher esta solidão de diferentes
modos: bebendo, seguindo uma religião, adotando uma crença ou exercendo uma
atividade qualquer. Apesar dessas fugas, a solidão permanece.
Entretanto, nada possuir, nem mesmo uma idéia e muito menos
uma pessoa ou uma coisa, é um estado extraordinário. Sempre que a idéia ou o
pensamento criam raízes, existe a posse; e daí nasce a luta pela libertação.
Mas essa liberdade não é liberdade nenhuma, mas sim mera reação.

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