15.7.16

SENSIBILIDADE E AFETO – Krishnamurti




Não havendo sensibilidade, não pode haver afeto. O amor-próprio não indica sensibilidade. Podemos ter sensibilidade em relação às nossas famílias, nossas realizações, nosso nível social e nosso talento, mas isto não quer dizer que sejamos sensíveis. Trata-se de estreita e limitada reação, que conduz à deterioração.

Ser sensível não é ter bom gosto, pois este é uma qualidade pessoal, e a percepção da beleza está justamente no libertar-nos de toda reação. Se não soubermos apreciar e sentir a beleza, não poderemos amar. Sentir a natureza, o rio, o céu, as pessoas, a estrada imunda, faz parte da afeição, cuja essência é a própria sensibilidade.



Mas a maioria das pessoas teme a sensibilidade, e isso porque não querem sofrer. Para evitar o sofrimento, preferem embrutecer-se, mas nem assim ela desaparece. Inconformados, buscam o divertimento, a igreja, as crenças, as intrigas, o cinema e as reformas sociais como forma de evasão.

Amar é romper com essa cadeia interminável de reações individuais. Não há barreiras para o amor; ele não se limita a um ou a vários objetos do amor. Para que exista sensibilidade é preciso que todos os sentidos estejam plenamente despertos e atuantes.

Sem afeto, toda ação é mecânica, a qual oprime e conduz inevitavelmente à decadência.
Para os pretensamente religiosos, a sensibilidade é sinônimo de pecado, mal próprio de pessoas mundanas. Para elas, ser religioso é resistir à tentação do belo, esse mal que desencaminha seus seguidores. Amemos, porque no amor não há pecado; amemos e estaremos livres do sofrimento.

Nenhum comentário:

Postar um comentário