8.7.16

A VIRTUDE – Krishnamurti




Somente na humildade floresce a virtude. Tampouco é virtude a moralidade social, sendo mero ajustamento a um variável padrão de ambiente ou conduta. A moral vigente, aceita pela sociedade e pela igreja, que tornam respeitável esse modelo, também nega a virtude.

Enraizada no conformismo e no desejo de recompensa ou medo à punição, esta moralidade pode ser ensinada e praticada, modelando a sociedade, através da influência e da propaganda, responsável por inúmeros padrões de conduta.

Mas a virtude não é produto do tempo ou de circunstâncias. Ela não pode ser cultivada, e não admite controle ou disciplina. Espontânea e gratuita, é impossível conceder-lhe a marca da respeitabilidade, ou dividi-la em bondade, caridade, amor fraternal e assim por diante. 

A virtude não é produto do ambiente, da riqueza, ou da pobreza, da abstinência ou de algum dogma. Ela não nasce da astúcia nem do pensamento ou da emoção. Tampouco resulta da revolta contra a moral social; sendo uma reação do pensamento, a revolta é mera continuidade modificada do que foi.

Se cultivada, torna-se a humildade orgulho disfarçado, na ânsia de tornar-se respeitável. Assim como é impossível o amor transformar-se em ódio, a vaidade jamais se tornará humildade. 

Pelo ideal da não-violência não se elimina a violência; esta simplesmente tem de findar. A humildade não é um ideal por alcançar, pois todos os ideais são falsos, sendo o fato a única verdade.

A humildade não é o oposto do orgulho; ela simplesmente não tem oposto. Todos os opostos se inter-relacionam, mas nada há de comum entre humildade e orgulho. O orgulho cessa não por ato voluntário, mediante a disciplina ou o desejo de lucro, mas na chama da atenção.

Termina o orgulho ao compreendermos toda sua atividade. Essa compreensão vem com a passiva observação dos mínimos movimentos do orgulho. Tal observação é do presente e não pode ser exercitada ou praticada, pois nesse caso seria uma astúcia do pensamento, incapaz de suscitar a humildade.

A atenção origina-se do silêncio e da extrema sensibilidade e imobilidade do cérebro. Desse estado brotam a humildade e a virtude que dão nascimento à bondade e à caridade. Não há virtude sem humildade.

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