Somente
na humildade floresce a virtude. Tampouco é virtude a moralidade social, sendo
mero ajustamento a um variável padrão de ambiente ou conduta. A moral vigente,
aceita pela sociedade e pela igreja, que tornam respeitável esse modelo, também
nega a virtude.
Enraizada
no conformismo e no desejo de recompensa ou medo à punição, esta moralidade
pode ser ensinada e praticada, modelando a sociedade, através da influência e
da propaganda, responsável por inúmeros padrões de conduta.
Mas a
virtude não é produto do tempo ou de circunstâncias. Ela não pode ser
cultivada, e não admite controle ou disciplina. Espontânea e gratuita, é
impossível conceder-lhe a marca da respeitabilidade, ou dividi-la em bondade,
caridade, amor fraternal e assim por diante.
A
virtude não é produto do ambiente, da riqueza, ou da pobreza, da abstinência ou
de algum dogma. Ela não nasce da astúcia nem do pensamento ou da emoção.
Tampouco resulta da revolta contra a moral social; sendo uma reação do
pensamento, a revolta é mera continuidade modificada do que foi.
Se
cultivada, torna-se a humildade orgulho disfarçado, na ânsia de tornar-se
respeitável. Assim como é impossível o amor transformar-se em ódio, a vaidade
jamais se tornará humildade.
Pelo
ideal da não-violência não se elimina a violência; esta simplesmente tem de
findar. A humildade não é um ideal por alcançar, pois todos os ideais são
falsos, sendo o fato a única verdade.
A
humildade não é o oposto do orgulho; ela simplesmente não tem oposto. Todos os
opostos se inter-relacionam, mas nada há de comum entre humildade e orgulho. O
orgulho cessa não por ato voluntário, mediante a disciplina ou o desejo de
lucro, mas na chama da atenção.
Termina
o orgulho ao compreendermos toda sua atividade. Essa compreensão vem com a
passiva observação dos mínimos movimentos do orgulho. Tal observação é do
presente e não pode ser exercitada ou praticada, pois nesse caso seria uma
astúcia do pensamento, incapaz de suscitar a humildade.
A
atenção origina-se do silêncio e da extrema sensibilidade e imobilidade do
cérebro. Desse estado brotam a humildade e a virtude que dão nascimento à
bondade e à caridade. Não há virtude sem humildade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário