Na época
de Buddha, viver uma vida espiritual era uma alegria, uma beatitude, o
estado mais feliz, que te libertava de todos os problemas do mundo,
de todas as preocupações, e te fazia feliz, satisfeito, contente.
Foi o
materialismo dos tempos modernos que transformou o esforço espiritual
em dura luta e sacrifício, uma dolorosa renúncia às chamadas
alegrias da vida. Essa insistência na exclusiva realidade do mundo
físico, dos prazeres físicos, alegrias físicas, possessões
físicas, é o resultado de toda a tendência materialista da
civilização humana.
Nos
tempos antigos, isso era impensável. Recolher-se, concentrar-se,
libertar-se de toda preocupação material, consagrar-se à alegria
espiritual, isso sim era felicidade. Desse ponto de vista, é
evidente que a humanidade está longe de ter progredido; e aqueles
nascidos neste mundo no centro da civilização material têm em seu
subconsciente essa horrível noção de que apenas as realidades
materiais são verdadeiras, e que preocupar-se com coisas que não
são materiais representa um espírito de sacrifício, um esforço
quase sublime.
Não
estar preocupado, da aurora ao ocaso e do ocaso à aurora, com todas
as pequenas satisfações físicas, prazeres físicos, sensações
físicas, preocupações físicas, é a marca de um grande espírito.
Toda a
civilização moderna foi construída sobre esse conceito: “O que
você pode tocar é verdadeiro; o que pode ver é verdadeiro; mas o
resto... não sabemos se são sonhos vãos, ou se estamos deixando
o real pelo irreal, a substância pela sombra. Além do mais, o que
iremos ganhar? Uns poucos sonhos! Mas se você tem algumas moedas em
seu bolso, pode ter a certeza que elas estão ali!”
Tornar-se
um pouco mais consciente de si mesmo, entrar em relação com a vida
por trás das aparências, não mais parecem ser o maior bem. Mas se
você se senta numa poltrona confortável defronte a uma bela
refeição, quando enche seu estômago com belos pratos, isso lhe
parece muito mais concreto e interessante.
E se
você olha para o dia que passou e vê que teve alguma vantagem
material, algum prazer ou satisfação física, você o considera um
bom dia; mas se recebeu uma boa lição da vida, se a vida lhe deu um
soco no nariz para lhe mostrar que é uma pessoa estúpida, você não
agradece à Graça Divina; você diz: “Oh, a vida não é sempre
diversão”.
Como
estamos longe dos tempos em que um pastor, que não ia à escola e
ficava vigiando seu rebanho à noite sob as estrelas, podia ler nas
estrelas o que iria acontecer e entrava em comunhão com algo que se
expressava através da Natureza, e tinha o sentimento da beleza
profunda e da paz que uma vida simples traz!
Quando
falo da vida interior, não me oponho às invenções modernas, mas
como essas invenções nos têm tornado artificiais e estúpidos!
Como perdemos o sentido da verdadeira beleza, como nos
sobrecarregamos com necessidades inúteis!
Talvez
tenha chegado o tempo de continuar a subida da curva da espiral
evolucionária, e agora com tudo que este conhecimento da matéria
nos tem trazido, seremos capazes de dar ao nosso progresso espiritual
uma base mais sólida. Fortes com o que aprendemos dos segredos da
Natureza material, seremos capazes de juntar os dois extremos e
redescobrir a Suprema Realidade no coração do átomo.
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