No Apocalipse de João, previa-se
que após uma prisão de mil anos, Satanás seria solto, por um pouco de tempo,
mas era conveniente que ele fosse solto. E nesses fins de tempos, o Satanás
bíblico não é uma besta com chifres, rabo e corpo caprino: é o sexo desenfreado,
o uso de drogas e alucinógenos, os alcoólicos, a violência, a ganância, o
individualismo, o egoísmo desmedido. E a isto tudo soma-se o ataque planejado
das sombras, seduzindo os incautos, arrastando os débeis, acorrentando os
invigilantes.
A Humanidade caminha a passos
largos para seu destino. E como a semeadura é livre e a colheita é obrigatória,
estaremos, em breve, conhecendo os frutos do que semeamos, nos Tribunais de
Justiça da Natureza, segundo o qual a cada um será dado conforme as suas obras.
Foi aberto o sétimo selo. As furnas e cavernas, os lugares tenebrosos, já estão
recebendo o bafejo salutar das Luzes da Nova Era.
E os Espíritos recalcitrantes
que por ali demoram, estão sendo trazidos ao convívio da humanidade para uma
última tentativa de regeneração, antes de serem lançados, caso não aceitem essa
renovação, para a Grande Noite que representará o expurgo dos rebeldes e
recalcitrantes.”E o Senhor virá do céus, julgar os vivos e os mortos".
Com esta afirmação estais diante
da realidade do momento: o julgamento. Durante séculos tivestes, como tribunal
de justiça, apenas vossa própria consciência. Nada além dela vos julgou: as
Leis espirituais apenas se cumpriram, a Lei do Retorno se cumpriu dentro dos
princípios da Reencarnação; vossa consciência, auxiliada pelo Evangelho do
Mestre, iluminada pela Codificação de Kardec, açulada pela Lei da Ação e
Reação, tem vos impulsionado para uma ascensão espiritual. Contudo, embora
todos esses recursos utilizados pela evolução, vosso progresso moral tem sido
relativamente pequeno e muito aquém das expectativas se considerardes o número
de vidas que já tivestes. Automatismos, meros choques de retorno e muito
raramente ações conscientes.
Durante
o desenrolar dos séculos,
fostes infratores da Lei, jamais cooperadores. E, se tivésseis
espontaneamente
aprendido a cooperar com a Lei, vossa evolução dar-se-ia de maneira mais
rápida
e principalmente de maneira mais indolor. Contudo, preferis, graças à
proverbial teimosia humana, seguir a via demorada e dolorosa. E como
sempre
existiu a Lei, e é de Lei que haja o Livre Arbítrio, vossa escolha é
respeitada. Cada qual tem liberdade para optar pelo caminho que melhor
lhe
aprouver.
Raros escolhem, contudo, o caminho da resignação à Lei, a atitude de
cooperadores com o grande Plano Evolutivo, oculto atrás das grandes dores e
tragédias que assolam a humanidade, na forma de retificação. Forjando vosso
próprio destino, vossas vidas sucessivas têm sido um desencadear de fracassos,
uma sequência trágica de loucuras, nas quais, querendo talvez imitar o Criador,
vos julgais acima das contingências e cometestes descalabros que terminaram por
comprometer seriamente vosso equilíbrio espiritual. E a Lei, sempre magnânima e
justa, tem permitido ao homem criar para si mesmo o leito de dor no qual ele
deverá deitar-se mais tarde, quando do retorno às paragens terrestres.
Contudo, está chegando o momento
em que a Lei deverá intervir, como medida de profilaxia espiritual. Para o
benefício da própria humanidade terrestre, a Lei Espiritual deverá intervir e
proceder a uma triagem espiritual, via expurgo.
Importante anotar que, falando de
expurgo, tem-se a errônea noção de que a Lei vingar-se-á dos delinquentes e
infratores, num processo sádico de vingança contra aqueles que se negaram à
obedecer às Leis e princípios evangélicos. Nada mais falso que essa ideia. O
expurgo que se processará, o julgamento dos vivos e dos mortos, nada mais é que
uma seleção natural das espécies, pelo critério de sobrevivência, neste Orbe,
dos mais aptos a aqui permanecerem.
Quando se lança sementes ao solo,
dá-se a todas elas iguais condições de luz, umidade, adubo, etc. Quando estas
germinam, são transplantadas para os canteiros as que têm mais condições de se
desenvolver, e as mais fracas são postas de lado. O mesmo critério está sendo
adotado na atualidade. A todos foram dadas iguais
oportunidades de se desenvolverem espiritual e moralmente. A todos têm sido
prodigalizados ensinamentos "às mãos cheias". Contudo, poucos têm
realmente aproveitado esse maravilhoso manancial de ensinamentos, confirmando
as proféticas palavras do Mestre na parábola do banquete, onde muitos são os
chamados, mas poucos são os escolhidos. Poucos os que poderão envergar as
vestes brancas exigíveis para o banquete celestial.
Assim também, com a
germinação das sementes. Embora dando iguais condições a todas, nem todas têm
germinado como era de se esperar, em face das condições que o Divino Jardineiro
lhes oferece. E assim como as sementes não germinadas e os brotos raquíticos
são lançados fora, também é chegado o momento de averiguação dos ensinamentos
que germinaram no coração dos homens e estão frutificando. Mais de uma vez o
Mestre vos advertiu da necessidade de frutificar. Falando da figueira que não
frutificava e que foi cortada e lançada fora, queria Ele simbolizar vossa
conduta frente aos Evangelhos e às Leis.
Na natureza tudo é parcimonioso e
tudo tem uma utilidade e uma razão para existir. Vós na ignorância da
grandiosidade do esquema evolutivo, é que não conseguis captar a sequência
lógica dos fatos. Daí considerardes supérfluos aspectos que estão
inextricavelmente ligados ao todo. O mesmo sucede ao homem. E, se após tanto
conhecimento e oportunidades, ele continua refratário à evolução, impermeável
às exortações superiores, fechado a qualquer renovação interior, resta à Lei
apenas um recurso extremo, o recurso do choque.
Por
esse recurso queremos dizer
que, com o choque resultante da primitividade das futuras novas moradas,
o
homem provavelmente poderá despertar para a sua dolorosa realidade de
pária, não porque o Pai o deserdou, mas antes pela sua própria incúria e
teimosia.
Esse julgamento já está sendo
feito paulatinamente. Muitos seres têm sido trazidos de furnas e cavernas,
lançados em redes magnéticas, trazidos quase que sob coação, para receberem o
bafejo salutar da renovação. Os duros, os empedernidos, os recalcitrantes
enfim, aqueles que perseveram em suas posições retrógradas, estão sendo
preparados para essa Longa Noite. Reencarnarão em orbes de aspecto primitivo e,
à maneira dos capelinos, os terráqueos terão que se defrontar com um planeta
primitivo, rude, em fase de evolução ainda muito primária.
A adaptação às condições da nova
morada, exigirá um esforço muito doloroso. O processo será realmente doloroso,
se considerardes o nível de avanço moral do vosso orbe, as facilidades da
moderna tecnologia e da vida que o homem vem desfrutando em face da conquista
da natureza, em seu aspecto forma. E, privado de tudo isso, terá o expatriado
que recomeçar. Recomeçar por dominar a natureza que será bastante inóspita
nesses orbes ainda selvagens. Recomeçar por estabelecer a ordem e os princípios
da civilização onde predomina o instinto animal de sobrevivência do mais forte.
E o "olho por olho" será então o princípio vigente nas novas
condições de vida.
No entanto tudo isso poderá ser
evitado se o homem entender, embora às últimas horas, que deverá processar a
sua reforma íntima, deverá buscar os valores do espírito e aceitar que é
necessário controlar o animal, para que nasça o anjo.
Névoas densas, brumas, tempestades
climáticas, solo inóspito, violência, ausência de recursos de toda sorte, serão
os acicates que esse planeta inóspito utilizará para despertar os recalcitrantes,
os calcetas da Lei. E no entanto essa é a Lei do Amor, por paradoxal que possa
vos parecer. A Lei quer o crescimento do espírito, a evolução que é a
transformação em realidade ativa, daquilo que sois potencialmente: seres
perfeitos.
Esse alerta é justamente para que
possais compreender a gravidade da hora que passa. Momento decisivo na história
de vossa evolução. Uma oportunidade de ouro em que os minutos se contam como se
fossem séculos. É preciso não deixar passar essa preciosa oportunidade.
E é momento de renovação interior,
de mudança de rota, de modificações drásticas no roteiro para que possais estar
entre aqueles que ficarão à direita do Cristo.
Importante também é não esquecer
que, se nessas horas decisivas, as forças da Sombra atuam no sentido de vos
alcançardes com suas malhas, também a Espiritualidade Superior está trabalhando
para redimir aqueles que estão dispostos a aceitar o Cristo em seus corações,
inaugurando uma nova fase em suas vidas, onde haja mais amor e compreensão. É
preciso apenas que estejais predispostos a aceitar essa renovação. Que estejais
prontos a aceitar o Cristo, a aceitar a renovação dos costumes, dentro de uma
linha de maior simplicidade, de maior desprendimento, de uma vida sem os
desregramentos do sexo, sem obsessão pelo consumo, sem a corrida egocêntrica
pelo acumular, ter, possuir, em detrimento do irmão que morre à míngua de
recursos.
O excesso
que sobra em vossas mesas é o essencial que falta na mesa do próximo. As roupas
que acumulais no guarda-roupas, resulta no corpo nu de vosso irmão. As
propriedades que tendes e não podereis quase desfrutar, resulta na falta de
moradia do próximo. Nunca a ganância atingiu um nível tão sórdido como neste
século de grandezas e misérias. Pedimos ao Pai que abençoe a todos vós, nessa
hora apocalíptica que estais passando. Que cada um possa aproveitar a
oportunidade que o momento apresenta. Cada passo dado em direção à renovação
interior, significa uma enorme economia de tempo no plano evolutivo. A Lei não
quer punir, mas educar. E cada um aprende da maneira que melhor lhe aprouver.
Ou pelo amor, ou pela dor.
Que as Luzes do Terceiro Milênio
se derramem sobre todos vós...