28.1.17

O POMBO FERIDO - Chalam

Certa vez alguém trouxe a Bhagavan Sri Rámana Maharshi um pombo ferido. Bhagavan o segurou em suas mãos por algum tempo e então perguntou aos devotos reunidos no salão, “Quem cuidará deste pássaro até que ele esteja bem”? Ninguém se ofereceu.

Algum tempo atrás a Maharani (esposa do Marajá) de Baroda tinha presenteado o ashram com um pavão branco e todos ficaram ansiosos em tomar conta dele.

Bhagavan olhou ao redor e começou a conversar com o pombo, “Que pena que você não é um pavão. É um mero pombo, uma coisa inútil, não um caro pássaro presenteado por uma Maharani. Quem quer você? Quem tomará conta de você”?

O pombo foi mantido no ashram numa gaiola improvisada, sarou do ferimento e voou embora. Mas a lição de compaixão universal ficou.

SOBRE O AMOR – J. Krishnamurti


O que é o amor, para a maioria de nós? Quando dizemos que amamos uma pessoa, o que queremos dizer? Queremos dizer que possuímos a pessoa. Da posse nasce o ciúme, porque se eu o perder ou a perder, o que acontecerá? Eu me sentirei vazio, perdido. Ora, posse não é amor, é?

O amor, por certo, não é um sentimento. Ser sentimental, ser emotivo, não é indício de amor, porque a sentimentalidade e a emoção não passam de meras sensações. A pessoa religiosa que chora por Jesus, por Krishna, por seu guru ou por outro qualquer, é apenas sentimental, emotiva. Está-se deixando dominar pela sensação, que é um processo de pensamento, e o pensamento não é amor.

Estar cheio de emoção não é amor, porque uma pessoa sentimental pode ser cruel, quando seus sentimentos não são correspondidos, quando não pode dar expansão aos sentimentos. Uma pessoa emotiva pode ser incitada ao ódio, à guerra, ao morticínio. O homem sentimental, lacrimosamente religioso, esse homem por certo não tem amor.

Por certo não há amor, quando não há verdadeiro respeito, quando não respeitamos nossos semelhantes, seja nosso criado ou nosso amigo. Já notastes que não sabeis respeitar, que não sabeis ser benevolentes e generosos para com vossos criados, para com as pessoas ditas subalternas?

Tendes respeito pelos que estão acima, pelo patrão, pelo milionário, pelo homem que tem uma suntuosa residência e um título, pelo homem que pode dar-vos uma posição melhor, um emprego melhor, de quem podeis ganhar alguma coisa. Mas tratais a pontapés os que estão abaixo de vós; para estes tendes uma linguagem especial.

Por conseguinte, onde não há respeito, não existe amor. Onde não há compaixão, caridade, benevolência, não há amor. Só conhecereis o amor quando não possuirdes, quando não fordes emocionalmente devotado a um objeto. Tal devoção é súplica, é busca de alguma coisa, de maneira diferente.

O homem que reza não conhece o amor. Visto que tendes inclinação para a posse, visto que buscais um fim, um resultado, pela devoção, pela oração, que vos faz sentimental, emotivo, não existe naturalmente amor.

Podeis dizer que tendes respeito, mas vosso respeito é pelo superior, simples respeito inspirado pelo desejo de alguma coisa, ou o respeito do temor. Se sentísseis respeito, realmente, seríeis tão respeitoso para com os mais humildes como para os chamados superiores. Como não temos esse respeito, não temos amor.

Quão poucos de nós são generosos, indulgentes, caridosos! Sois generoso, quando isso vos compensa; sois caridoso quando esperais alguma retribuição. Quando essas coisas desaparecerem e deixarem de ocupar vossas mentes, então haverá amor. E só o amor pode transformar a loucura, a insânia que vai pelo mundo hoje em dia – e não os sistemas, nem as teorias, quer da esquerda, quer da direita.

Só amais realmente quando não possuís, quando não sois invejoso, ávido, quando sois respeitoso, quando tendes compaixão e caridade, quando tendes consideração para com vossa esposa, vossos filhos, vosso vizinho, vossos pobres criados.

O amor não pode ser pensado, o amor não pode ser cultivado, o amor não pode ser exercitado. A prática do amor, o exercitar da fraternidade está ainda dentro da esfera da mente e por conseguinte não é amor. Quando tudo isso tiver cessado, então nascerá o amor, sabereis então o que é amar. O amor não é então quantitativo, mas qualitativo.

Só quando houver amor, poderão todos os problemas ser resolvidos, e conheceremos então sua bem-aventurança, sua felicidade.


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SOBRE A GUERRA – J. Krishnamurti


A guerra é a projeção espetacular e cruenta de nossa vida de cada dia. É a guerra a mera manifestação exterior de nosso estado interior, uma ampliação das nossas ações de cada dia. Ela é mais espetacular, mais sanguinolenta, mais devastadora; é porém o resultado coletivo de nossas atividades individuais.

Vós e eu, portanto, somos responsáveis pela guerra. O que podemos fazer para que despareça? É óbvio que a guerra que continuamente nos ameaça não pode ser detida por vós nem por mim, porque ela já está em movimento, já está acontecendo. Há interesses consideráveis e muito numerosos, e todos já estão empenhados em defendê-los.

Mas vós e eu, vendo a casa arder, podemos compreender as causas do incêndio e afastar-nos, e construir outra casa noutro lugar, com materiais diferentes, não inflamáveis, que não possam produzir novas guerras. Vós e eu podemos ver o que determina a guerra e depois, se estivermos interessados em sustá-la, começar a transformação de nós mesmos, que somos os causadores da guerra.

Há alguns anos, durante a guerra, fui procurado por uma senhora americana, que me disse ter perdido um filho na Itália e que desejava salvar seu outro filho, de dezesseis anos de idade. Conversando sobre o assunto, sugeri-lhe que, para salvar o filho, ela deixasse de ser americana, deixasse de ser ambiciosa, de acumular riquezas, de aspirar ao poder e ao domínio, que se tornasse moralmente simples, não apenas simples em relação ao vestuário, às coisas exteriores, mas simples nos pensamentos e sentimentos, simples nas relações.

Respondeu-me ela: “Isto é demais. O senhor pede o impossível. Isto eu não posso fazer, porque as circunstâncias são demasiado poderosas e não posso alterá-las.” Por conseguinte, ela era responsável pela destruição do filho.

Evidentemente a causa da guerra é o desejo de poder, posição, prestígio, dinheiro; também a doença chamada nacionalismo, o culto de uma bandeira e a doença da religião organizada, o culto de um dogma. Tais são as causas da guerra. Se vós como indivíduo pertenceis a qualquer das religiões organizadas, se sois ávido de poder, se sois invejoso, produzireis forçosamente uma sociedade fadada à destruição.

Tudo portanto depende de vós, e não dos líderes, dos chamados estadistas etc.


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A HISTÓRIA DO YOGACHARYA OLIVER BLACK - Lorne Dekun

JOHN OLIVER BLACK nasceu no dia 01 de setembro de 1893, numa pequena cidade do estado de Ohio, Estados Unidos. Quando o encontrei, ele dirigia um centro de yoga e meditação em Detroit. Após praticar yoga e meditação por quase 60 anos, morreu com a idade de 96 anos.
Esteve completamente lúcido e bem disposto até o fim da vida. No momento de sua morte, estava em posição de lotus meditando, e seu corpo gentilmente tombou para trás, com as pernas ainda cruzadas na posição de meditação. Mais tarde um médico declarou que ele morreu de um ataque do coração.
O sr. Black era considerado um dos mais avançados discípulos diretos de Yogananda, o qual confidenciou certa vez a um amigo que, de todos os milhares de estudantes seus ao redor do mundo, considerava Oliver Black como seu segundo mais avançado discípulo. O sr. James J. Lynn, de Kansas City, foi mencionado como o primeiro em adiantamento espiritual.
Em maio de 1951 seu guru lhe escreveu: "Eu gostaria que você estabelecesse em Detroit uma filial da Self-Realization Fellowship (organização criada por Paramahansa Yogananda). Os verdadeiros buscadores virão, e nós ajudaremos a construir um novo mundo, embora seu crescimento seja lento”.




Certa vez, o sr. Black, que era dono de considerável fortuna, disse: "Yogananda continuava me dizendo para deixar os negócios, mas eu não o ouvia, até que tive um grande prejuízo e resolvi deixar tudo.” E ao dizer isso riu sentindo-se grato por seu guru ter-lhe mostrado o caminho verdadeiro.
Black fez sua fortuna na indústria automobilística na década de 1920. "É lógico," ele admitia, " que foi meu guru Paramahansa Yogananda que me ajudou a deixar tudo, que me endireitou. Quando o encontrei em minha juventude, tinha receio de ficar distante de uma farmácia. Eu era um hipocondríaco regular. Tomava pílulas como laxativos, aspirinas para dor de cabeça e provavelmente teria tomado tranquilizantes se existissem. Naquele tempo o negócio automobilístico era muito rentável, e sem perceber eu estava cavando minha própria sepultura. Eu tinha mais ou menos 40 anos quando encontrei Yogananda numa reunião privada. Instantaneamente o reconheci como o gigante espiritual que era."
"Ele mudou a direção de toda minha vida. Eu já tinha estudado Hatha Yoga com um mestre indiano que veio para os Estados Unidos. Tinha ouvido todos os sábios do Oriente que passaram por Detroit, e eles diziam a mesma coisa: 'Busque no interior; aprenda a meditar.' Mas nunca me disseram como. Yogananda me ensinou que coisas importantes não são conseguidas da noite para o dia. Disse-me que cada um tem de fazer seu trabalho, nenhum pregador ou sacerdote ou erudito pode fazê-lo por você. Yoga não é religião. É uma ciência, e esta é a idade da ciência.”
O sr. Black descreve um de seus encontros com Yogananda: “Fiquei magnetizado com sua face luminosa, sua risada contagiante, seu amor e amizade divinos. Quando ouvi sua palestra e ele desceu do palco, vi-o de repente transformar-se em deslumbrante luz; ao mesmo tempo uma estranha força me pressionava para cair a seus pés. Antes que eu o fizesse, vi que ele voltava a sua aparência normal. Mas quando despertei de meu choque, percebi que tinha recebido uma mensagem: de que ele era uma alma pura aos olhos de Deus e que faltou-me humildade e respeito. 
Mais tarde, ele me fez entender que me conhecia melhor que eu mesmo: minhas fraquezas e minhas forças. Tudo a meu respeito lhe era conhecido; não havia segredos. Não havia onde me esconder, e logo descobri que não havia como enganá-lo, ele conhecia até meus pensamentos.
Um dia, enquanto estávamos sentados ao seu redor, comecei a pensar: quem era ele? Senti que ele parecia ser onisciente, onipotente, onipresente. Vi que respondia as perguntas das pessoas com grande sabedoria. Coisas milagrosas aconteciam a seu redor. Então eu pensava comigo que ele devia ser Deus, pois parecia ter o poder de Deus. Nesse momento, notei seus olhos penetrantes fixos em mim. Então ele parou a conversa que estava tendo com as outras pessoas e disse: " Bem, vou-lhes dizer uma coisa. Deus não é um homem."
Estar perto dele era experimentar iluminação e inspiração spiritual. Ele irradiava paz, amor divino e força espiritual.
Certo dia eu trouxe minha mãe para conhecê-lo. No caminho ela me perguntou, "O que há de errado com Cristo?" Ela achava errado idolatrar Yogananda como eu fazia. No final da palestra, quando nos juntamos a seu redor, minha mãe quis ficar atrás, pois ela sentia que o Mestre conhecia seus pensamentos. Mas ele não a deixou escapar. Ele disse, "Vem, Mãe, sente-se aqui." E puxou uma cadeira para ela a seu lado. Em pouco tempo ela também estava magnetizada por seu amor, como o resto de nós.
Num outro dia, eu trouxe uma amiga que era católica convicta. Ela tinha decidido em sua mente que, se aquele era um homem de Deus, ela sentiria grande bênção apenas por estar em sua presença. Após a palestra terminar, juntamo-nos em volta de Yogananda, e lá estava ela. Ela não tinha sentido a bênção e não sabia o que pensar. De repente, enquanto estávamos ali, ela a sentiu. Mais tarde ela descreveu a bênção como "um grande e abrangente sentimento de bênção desceu sobre mim." O Mestre encostou a mão em seu braço e perguntou "Como foi?". Ela nunca esqueceu esse grande momento espiritual e até hoje acredita e sabe que ele era, de fato, um homem de Deus.”
A primeira vez que encontrei o Sr. Black foi em setembro de 1967. No mesmo instante senti uma aura de paz, alegria e claridade nele. E aquela alegria parecia alcançar e elevar todos à sua volta, especialmente eu. A partir daquele momento, passei todos os momentos que pude perto dele.
A meditação era o centro dos ensinamentos do sr. Black – ensinamentos que ele sublinhava com seu exemplo. Eu sempre chegava cedo nos encontros de domingo para poder sentar à frente dele e modelar minha postura de meditação de acordo com a dele: espinha ereta, pés cruzados no chão, o queixo paralelo ao chão, palmas para cima descansando sobre as pernas, olhos fechados com o olhar interior levemente levantado, fixo no olho espiritual.
Quando estava com ele, e com outros praticantes de meditação, eu me sentia mais feliz e confiante do que jamais me sentira antes. Após um ano de prática regular, estudo e participação, pude finalmente participar de uma cerimônia de iniciação em Kriya Yoga. A iniciação em Kriya aconteceu em junho de 1968, e considero esta data uma das mais importantes em minha vida.
Certo dia, recebi uma carta do exército convocando-me para servir na guerra do Vietnã. Tinha ouvido falar das milhares de mortes que aconteciam naquela guerra, e além disso não pretendia me separar de minha família espiritual e do sr. Black. Então, num dia em que estava sentado na varanda da casa de meus pais, quem vejo chegando senão o próprio Yogacharya Oliver Black!
Foi uma grande surpresa. Entretanto ali estava ele. Ele fez um gesto para que eu me aproximasse, e eu o fiz. O sr. Black abaixou a janela do carro e falou umas poucas palavras. Tudo que disse foi, “É seu dever, você precisa ir.” Deu-me um olhar penetrante para certificar-se de que eu tinha entendido a mensagem, e então fechou a janela e foi embora. Meu mestre espiritual estava me dizendo que minha convocação não era um erro, era a vontade de Deus, quer eu gostasse ou não.
Anos mais tarde descobri que o único filho do sr. Black tinha morrido como piloto na Segunda Guerra Mundial. De modo que ele estava bem consciente da seriedade do conselho que me deu.
Pela graça de Deus sobrevivi ao Vietnã e voltei aos Estados Unidos. Em 1989 recebi um telefonema que dizia: “Yogacharya Oliver Black deixou o corpo a noite passada.” Naquela noite tive um sonho vívido, no qual o sr. Black me olhava com um sorriso divino nos lábios e dizia, “Venha para cá e ajude a construir a obra do Mestre Yogananda!”
Com a idade de 50 anos e com o final do século XX  se aproximando, deixei meu emprego, empacotei minhas coisas e parti para Michigan em maio de 1999. Vim com um único objetivo: partilhar os ensinamentos dinâmicos de yoga e meditação  que me foram dados pelo grande Yogacharya Sr. Black. E assim a obra continua. 


 

27.1.17

COMO TRATAR CRIANÇAS E ADOLESCENTES – Robert Adams


Pergunta: Robert, como devemos tratar as crianças?

Robert: Trate as crianças como se fossem deuses. Ame-as com todo seu coração. Se você realmente amar as crianças, o amor que sente por elas as envolverá também. E elas se tornarão crianças amáveis.

Não me refiro a amá-las com uma ideia humana de amor. Refiro-me a realmente amá-las, com todo seu coração. Veja-as como seres sagrados. Veja-as como um deus. E perceba que a ação correta divina as está guiando também. Veja nelas apenas o bem.

Torne-se um exemplo para elas. Não lhes diga para fazer algo que você não faria. As crianças se tornam o que veem, e não o que ouvem. Portanto, se há paz em seu lar, se existe amor em seu lar, se existe alegria em sua casa, elas absorverão. E reagirão com amor, com paz e com alegria.

E crescerão para se tornarem pessoas gentis, compassivas, belos seres humanos, e haverá um novo mundo. Por isso torne-se um exemplo de amor e compaixão e paz. Sempre que olhar para elas ou pensar nelas, olhe com amor e compaixão e alegria e paz, e ficará surpreso com o que acontecerá.

Pergunta: E os adolescentes?

Robert: Se você nada fez por eles quando eram crianças, ao se tornarem adolescentes serão um problema para você. Mas mesmo para um adolescente, você tem de ser um exemplo. Eles já tiveram uma lavagem cerebral quando crianças. Se cresceram numa casa cheia de erros e brigas, agirão da mesma forma.

Portanto a única coisa que você tem a fazer com os adolescentes é abençoá-los e deixá-los em paz. Perceba que a “corrente que conhece o caminho”, que cuida do universo todo, está cuidando deles também. Eles estão no lugar certo, no tempo certo, passando pelas experiências que precisam passar nesse momento. Torne-se para eles uma personalidade muito positiva e deixe-os em paz.

Veja-os como seu próprio Ser. Você deve primeiro amar ao Ser Divino que está em si mesmo. Se você for uma pessoa irada, louca, de gênio ruim, não as veja assim. De preferência trabalhe em si mesmo para libertar-se dessas qualidades negativas. O Ser Interior é amor, é compaixão, é consciência.

SBP destaca papel do pediatra nos cuidados com os adolescentes - SBP

Conheça seu Ser Interior desse modo, e então inclua seus filhos nessa visão. Mas não é possível ser uma pessoa problemática e enviar amor a seus filhos. Não vai funcionar. Pois os filhos são uma parte de você e se tornam aquilo que você é no fundo de si mesmo.

Por isso, se você quer uma casa cheia de paz, com filhos pacíficos, você tem que tornar-se pacífico em primeiro lugar. E as vibrações preencherão seu lar, e seus filhos receberão essas vibrações e se tornarão crianças pacíficas.






O CAMINHO MAIS RÁPIDO PARA O DESPERTAR – Robert Adams


Amor é uma outra palavra para o Eu. O Eu é onipresente. O Eu é consciência. O Eu é absoluta realidade. Portanto quando digo que amo vocês, o que estou realmente dizendo é, "Amo o Eu. Sou Aquilo!" Não se trata do Robert. Robert parece ser um saco de pele com ossos e órgãos e sangue circulando, que hoje está aqui e amanhã se foi. Mas o Eu é onipresença, onisciência, onipotência. E Eu-Sou é Aquilo!

A maioria dos seres humanos está envolvida no mundo humano, no mundo relativo, o mundo material. Esquecemos quem realmente somos: eterna bem-aventurança, realidade absoluta, consciência pura. À medida que você começa a entender que não é o corpo nem a mente, começa a se identificar menos com pessoas, lugares e coisas.

E quanto mais profundo você penetra em seu interior, torna-se mais e mais feliz, mais cheio de paz. Há muitas pessoas que dizem, "Advaita Vedanta é inútil e não dá frutos. Pois te faz querer deixar tudo e ir para um monastério ou para uma caverna, porque se começa a entender que o mundo não é real."

Há certos seres, certas pessoas que, quando atingem a iluminação, o despertar, querem estar sozinhas, pois realizaram que são o Ser do Universo. Realizaram que são Brahman. Portanto, na verdade não existe solidão para elas. Elas realizaram que são a consciência do Universo inteiro. Assim, a qualquer lugar que forem, e qualquer coisa que fizerem, elas são a realidade infinita.

Mas existem outras que continuam seu trabalho, com suas famílias, com tudo que faziam antes. A única diferença é que obtiveram a felicidade total, a iluminação. E o mundo não mais as amedronta, nem lhes causa dor. Elas comem, dormem, fazem tudo que você faz. A única diferença é que realizaram que não são o agente, estão totalmente felizes e alegres.

Quando a pessoa começa a penetrar no interior cada vez mais, ela por fim vai encontrar o despertar, ela se torna todo o universo. Isso é o despertar. O despertar não é egoísta. Há pessoas que pensam que a pessoa desperta se torna uma personalidade maior, um ego gigantesco, que é capaz de fazer todo tipo de milagres e realizar todo tipo de coisas.

Mas já não existe um ego para fazer estas coisas. Quando você desperta, o eu pessoal foi destruído. Não há mais um eu que tem poderes paranormais, um eu que realiza milagres, um eu clarividente ou que vê o futuro. Tudo isso foi aniquilado.

Você apenas pode ver a verdade relativa ao nível onde se encontra. Você é o que você vê. Enquanto você é afetado pelas condições externas, tem seus sentimentos feridos, julga as pessoas, sente a pressão do mundo, vê os outros como uma realidade, então ainda não chegou à meta, ainda não foi devidamente cozido.

As pessoas perguntam, "Por que devo praticar auto-investigação? Por que devo praticar os princípios da Advaita Vedanta?" Simplesmente porque você se tornará feliz do jeito que é: com coisas ou sem coisas, com pessoas ou sem pessoas, com trabalho ou sem trabalho. Não lhe fará diferença em que estágio de evolução estará o mundo, se ele está numa idade de escuridão ou numa idade dourada. Você será sempre o mesmo, com paz mental, alegria total. Esta é a razão de tentarmos ser iluminados.

Como pode o mundo ser real? Ela muda a cada dia, a crueldade esteve sempre presente em todas as eras, sempre houve cataclismos. Todo tipo de coisas acontecem sobre essa terra. Pessoas morrem aos milhões, pessoas nascem aos milhões, pessoas vêm e vão. Animais vêm e vão. Cidades vêm e vão. Países vêm e vão. Como considerar isso tudo como real?

Quando somos adolescentes queremos apenas nos divertir. É assim que maya nos confunde, nos mantém na escuridão. Maya o faz acreditar que o corpo e os afazeres são reais. Há muito poucos jovens que se envolvem com jnana. Há muito poucos idosos que se envolvem com jnana. Há muito poucas pessoas que se envolvem com jnana. Mas abençoada é a pessoa que se envolve com este tipo de ensinamento, porque ela vai perceber que o mundo não leva a lugar algum.

Alguns se envolvem com jnana porque querem ficar saudáveis, ou querem ficar ricos, ou querem encontrar uma companhia. Querem algo. Querem melhorar suas vidas. Mas se continuam, dia virá quando não mais estarão interessados em coisa nenhuma. Mas mesmo assim tudo em suas vidas estará indo bem. Eles não mais estarão interessados em melhorar como pessoas. Chegarão à conclusão de que têm de transcender seu lado humano para se tornarem livres.

Se você se envolve com movimentos metafísicos, tentará melhorar-se como pessoa. Para que? Isso não o levará a lugar algum. A pessoa sábia começa a perceber que nada é permanente neste mundo, a não ser a mudança. Começa a buscar, passa por muitos caminhos. Usualmente começa com sua própria religião. Depois talvez se envolva com ioga, espiritualidade, e se torne um devoto.

Ele entrega então sua vida a Deus, e a autoentrega leva a jnana (sabedoria), leva à unidade. E começa seu treino em jnana tentando encontrar a fonte do eu, concentrando-se na fonte do eu (o coração espiritual à direita do peito). E é ali onde a fonte, ou Deus, ou a realização mora.

Quando você desperta de manhã, o pensamento-eu que estava no coração, que é sua fonte, flui para o cérebro. Você se torna consciente do corpo e do mundo. Nesse momento você começa sua autoinvestigação. Quando você entende que não é o corpo e diz as palavras, "Quem sou eu?" tem início uma reversão, isto é, o eu pessoal começa a voltar do cérebro ao Ser central do coração, do lado direito do peito.

Portanto a prática da vichara é levar o pensamento de volta ao peito, à fonte, ao Ser. Quando se conseguir isso, apenas o Ser vai existir, tudo o mais vai desaparecer. Esse é o trabalho que você tem a fazer.

Mesmo assim, não importa quantas vezes digo isto a vocês, a maioria não praticará. Vão pensar que estão muito ocupados, que não têm tempo suficiente, ou que acreditam que não conseguem fazer a autoinvestigação. Mas isso não é verdade. A autoinvestigação pode ser feita por qualquer um. Apenas é necessário tempo e esforço, todos os dias.

Esse é na verdade o caminho mais rápido e mais fácil para despertar. O segredo é perseverar. Não é para fazer apenas um dia, ou dois, ou uma semana, ou um mês. Quem sabe quanto tempo levará para o despertar? Mas não fique se perguntando quando vai acontecer seu despertar. Simplesmente pratique. Faça da autoinvestigação parte de sua rotina diária.

É como quando você era um garotinho e tinha de aprender a tabuada. Então quando despertava repetia a tabuada até um dia aprender. Isso é a mesma coisa. Continue investigando. E dia virá quando você estará liberado. Pois a liberação é sua natureza.


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25.1.17

CASAMENTO E ESPIRITUALIDADE - P. Yogananda

Você não crê no casamento, Mestre?” perguntou um discípulo. 
 
Paramahansa Yogananda respondeu: “O casamento é desnecessário e restritivo para aqueles que, sendo renunciantes de coração, estão buscando intensamente a Deus. Mas, nos casos comuns, não sou contrário ao verdadeiro casamento. Duas pessoas que unem suas vidas com o objetivo de ajudar-se mutuamente a alcançar a realização divina, estão estabelecendo sua relação conjugal sobre a base correta: a amizade incondicional.

A mulher baseia sua conduta principalmente no sentimento, e o homem na razão; o casamento está destinado a equilibrar estas qualidades.

Hoje em dia não existem muitas uniões verdadeiramente espirituais, devido a que os jovens possuem pouco treinamento no campo do espírito. Emocionalmente imaturos e instáveis, deixam-se influenciar comumente por atrações sexuais ou por considerações mundanas, ignorando o nobre propósito do casamento.

Sempre costumo aconselhar: Estabelecei-vos primeiro no caminho espiritual e depois, se vos casais, não cometereis nenhum erro!”



OS TESTES NOS ASPIRANTES - Swami Sivananda

Muitos aspirantes falham nos testes. Deus coloca os aspirantes em meios muito desfavoráveis para testá-los. Eles serão testados por garotas jovens. Nome e fama trazem as pessoas em contato íntimo com os aspirantes. As mulheres começam a adorá-los. Elas se tornam suas discípulas. Gradualmente os aspirantes conhecem uma queda. Os aspirantes devem se esconder e passar por pessoas comuns.


Não há mal em olhar a beleza de uma mulher. Você pode admirar a beleza de uma garota assim como admira a beleza da rosa, do mar, das estrelas ou outra paisagem natural. Pense que a beleza de sua mulher pertence à Natureza. Pergunte a si mesmo: Quem criou esta bela forma? Imediatamente um sentido de maravilha, admiração e devoção despertará em sua mente. 

A mulher é um símbolo da beleza. Ela é um símbolo do poder. Ela conversa com você na linguagem do silêncio: “Sou uma representação de Adi Shakti. Veja a Divindade em mim. Veja a Mãe Kali em mim. Realize Deus em e através de mim.” Um sentimento divino despertará em você quando olhar uma mulher. 

UM MILAGRE NA COZINHA DO ASHRAM - T. R. Kanakammal

Durante os primeiros tempos do ashram de Bhagavan Sri Rámana Maharshi, as condições eram muito simples e havia poucas facilidades. Praticamente não havia alimentos estocados para a próxima refeição. O preparo da comida era feito em turnos pelas senhoras que cozinhavam.

Um dia, quando Shantammal tinha terminado de preparar a comida que havia e que era suficiente apenas para os moradores do ashram, um grupo de doze ou mais pessoas chegou para ver Bhagavan. Naqueles dias o ashram ficava algo distante da cidade e de um lugar público para se comer, como um restaurante.

A hora do almoço estava se aproximando e logo seria necessário tocar o sino anunciando-o. Shantammal estava numa situação difícil, o que ela tinha cozinhado não era suficiente para ambos, moradores e visitantes. Mesmo que ninguém dos visitantes solicitasse permissão para almoçar no ashram, Shantammal estava certa de que Bhagavan, com seu jeito característico, os enviaria para o refeitório fazendo sinais com sua bengala, quando o sino fosse tocado.



Reunindo coragem, ela aproximou-se de Bhagavan dizendo, “Bhagavan, a comida foi preparada apenas para os moradores.” Mas Bhagavan nem mesmo pareceu tê-la ouvido. Shantammal voltou à cozinha e torceu suas mãos em desespero, contando sua situação difícil para Madhava Swami.

Este respondeu instantaneamente, “Não se preocupe; colocaremos pratos para todos, mas sirva apenas um pouco de comida para cada um.”

O sino tocou e todos se sentaram ante os pratos (na verdade, a comida no ashram era servida em folhas de bananeira). Toda vez que Shantammal ia à panela de arroz para pegar mais, a ansiedade apoderava-se dela. Mas para sua surpresa, a comida não terminava!

Todos comeram até ficarem satisfeitos e todo mundo foi servido com generosidade. E ainda sobrou comida na panela para alimentar mais doze pessoas, além das que estavam ali, caso chegassem!

À tarde, Bhagavan foi sentar-se numa cadeira que havia na varanda do salão. Shantammal aproximou-se dele reverentemente e disse, “Que grande milagre, Bhagavan! Hoje havia comida suficiente apenas para os moradores do ashram, mesmo assim foi suficiente para alimentar os doze visitantes que chegaram, e ainda sobrou comida para alimentar mais doze. Que grande poder Bhagavan mostrou hoje!”

Bhagavan respondeu, “Oh, me lembro que você disse algo sobre comida antes do almoço.” Então aparentemente de modo casual, ele perguntou, “Quem cozinhou hoje?”

Crendo que era uma pergunta de rotina, ela sem suspeitar disse, “Fui eu, Bhagavan.” Imediatamente, ele replicou, “Então o poder é seu!”


21.1.17

A RENOVAÇÃO PLANETÁRIA - Ensinamentos do Espiritismo

No Apocalipse de João, previa-se que após uma prisão de mil anos, Satanás seria solto, por um pouco de tempo, mas era conveniente que ele fosse solto. E nesses fins de tempos, o Satanás bíblico não é uma besta com chifres, rabo e corpo caprino: é o sexo desenfreado, o uso de drogas e alucinógenos, os alcoólicos, a violência, a ganância, o individualismo, o egoísmo desmedido. E a isto tudo soma-se o ataque planejado das sombras, seduzindo os incautos, arrastando os débeis, acorrentando os invigilantes.

A Humanidade caminha a passos largos para seu destino. E como a semeadura é livre e a colheita é obrigatória, estaremos, em breve, conhecendo os frutos do que semeamos, nos Tribunais de Justiça da Natureza, segundo o qual a cada um será dado conforme as suas obras. Foi aberto o sétimo selo. As furnas e cavernas, os lugares tenebrosos, já estão recebendo o bafejo salutar das Luzes da Nova Era. 

E os Espíritos recalcitrantes que por ali demoram, estão sendo trazidos ao convívio da humanidade para uma última tentativa de regeneração, antes de serem lançados, caso não aceitem essa renovação, para a Grande Noite que representará o expurgo dos rebeldes e recalcitrantes.”E o Senhor virá do céus, julgar os vivos e os mortos".

Com esta afirmação estais diante da realidade do momento: o julgamento. Durante séculos tivestes, como tribunal de justiça, apenas vossa própria consciência. Nada além dela vos julgou: as Leis espirituais apenas se cumpriram, a Lei do Retorno se cumpriu dentro dos princípios da Reencarnação; vossa consciência, auxiliada pelo Evangelho do Mestre, iluminada pela Codificação de Kardec, açulada pela Lei da Ação e Reação, tem vos impulsionado para uma ascensão espiritual. Contudo, embora todos esses recursos utilizados pela evolução, vosso progresso moral tem sido relativamente pequeno e muito aquém das expectativas se considerardes o número de vidas que já tivestes. Automatismos, meros choques de retorno e muito raramente ações conscientes.

Durante o desenrolar dos séculos, fostes infratores da Lei, jamais cooperadores. E, se tivésseis espontaneamente aprendido a cooperar com a Lei, vossa evolução dar-se-ia de maneira mais rápida e principalmente de maneira mais indolor. Contudo, preferis, graças à proverbial teimosia humana, seguir a via demorada e dolorosa. E como sempre existiu a Lei, e é de Lei que haja o Livre Arbítrio, vossa escolha é respeitada. Cada qual tem liberdade para optar pelo caminho que melhor lhe aprouver. 

Raros escolhem, contudo, o caminho da resignação à Lei, a atitude de cooperadores com o grande Plano Evolutivo, oculto atrás das grandes dores e tragédias que assolam a humanidade, na forma de retificação. Forjando vosso próprio destino, vossas vidas sucessivas têm sido um desencadear de fracassos, uma sequência trágica de loucuras, nas quais, querendo talvez imitar o Criador, vos julgais acima das contingências e cometestes descalabros que terminaram por comprometer seriamente vosso equilíbrio espiritual. E a Lei, sempre magnânima e justa, tem permitido ao homem criar para si mesmo o leito de dor no qual ele deverá deitar-se mais tarde, quando do retorno às paragens terrestres.

Contudo, está chegando o momento em que a Lei deverá intervir, como medida de profilaxia espiritual. Para o benefício da própria humanidade terrestre, a Lei Espiritual deverá intervir e proceder a uma triagem espiritual, via expurgo.

Importante anotar que, falando de expurgo, tem-se a errônea noção de que a Lei vingar-se-á dos delinquentes e infratores, num processo sádico de vingança contra aqueles que se negaram à obedecer às Leis e princípios evangélicos. Nada mais falso que essa ideia. O expurgo que se processará, o julgamento dos vivos e dos mortos, nada mais é que uma seleção natural das espécies, pelo critério de sobrevivência, neste Orbe, dos mais aptos a aqui permanecerem.

Quando se lança sementes ao solo, dá-se a todas elas iguais condições de luz, umidade, adubo, etc. Quando estas germinam, são transplantadas para os canteiros as que têm mais condições de se desenvolver, e as mais fracas são postas de lado. O mesmo critério está sendo adotado na atualidade. A todos foram dadas iguais oportunidades de se desenvolverem espiritual e moralmente. A todos têm sido prodigalizados ensinamentos "às mãos cheias". Contudo, poucos têm realmente aproveitado esse maravilhoso manancial de ensinamentos, confirmando as proféticas palavras do Mestre na parábola do banquete, onde muitos são os chamados, mas poucos são os escolhidos. Poucos os que poderão envergar as vestes brancas exigíveis para o banquete celestial. 

Assim também, com a germinação das sementes. Embora dando iguais condições a todas, nem todas têm germinado como era de se esperar, em face das condições que o Divino Jardineiro lhes oferece. E assim como as sementes não germinadas e os brotos raquíticos são lançados fora, também é chegado o momento de averiguação dos ensinamentos que germinaram no coração dos homens e estão frutificando. Mais de uma vez o Mestre vos advertiu da necessidade de frutificar. Falando da figueira que não frutificava e que foi cortada e lançada fora, queria Ele simbolizar vossa conduta frente aos Evangelhos e às Leis.

Na natureza tudo é parcimonioso e tudo tem uma utilidade e uma razão para existir. Vós na ignorância da grandiosidade do esquema evolutivo, é que não conseguis captar a sequência lógica dos fatos. Daí considerardes supérfluos aspectos que estão inextricavelmente ligados ao todo. O mesmo sucede ao homem. E, se após tanto conhecimento e oportunidades, ele continua refratário à evolução, impermeável às exortações superiores, fechado a qualquer renovação interior, resta à Lei apenas um recurso extremo, o recurso do choque.

Por esse recurso queremos dizer que, com o choque resultante da primitividade das futuras novas moradas, o homem provavelmente poderá despertar para a sua dolorosa realidade de pária, não porque o Pai o deserdou, mas antes pela sua própria incúria e teimosia.

Esse julgamento já está sendo feito paulatinamente. Muitos seres têm sido trazidos de furnas e cavernas, lançados em redes magnéticas, trazidos quase que sob coação, para receberem o bafejo salutar da renovação. Os duros, os empedernidos, os recalcitrantes enfim, aqueles que perseveram em suas posições retrógradas, estão sendo preparados para essa Longa Noite. Reencarnarão em orbes de aspecto primitivo e, à maneira dos capelinos, os terráqueos terão que se defrontar com um planeta primitivo, rude, em fase de evolução ainda muito primária.

A adaptação às condições da nova morada, exigirá um esforço muito doloroso. O processo será realmente doloroso, se considerardes o nível de avanço moral do vosso orbe, as facilidades da moderna tecnologia e da vida que o homem vem desfrutando em face da conquista da natureza, em seu aspecto forma. E, privado de tudo isso, terá o expatriado que recomeçar. Recomeçar por dominar a natureza que será bastante inóspita nesses orbes ainda selvagens. Recomeçar por estabelecer a ordem e os princípios da civilização onde predomina o instinto animal de sobrevivência do mais forte. E o "olho por olho" será então o princípio vigente nas novas condições de vida.

No entanto tudo isso poderá ser evitado se o homem entender, embora às últimas horas, que deverá processar a sua reforma íntima, deverá buscar os valores do espírito e aceitar que é necessário controlar o animal, para que nasça o anjo.

Névoas densas, brumas, tempestades climáticas, solo inóspito, violência, ausência de recursos de toda sorte, serão os acicates que esse planeta inóspito utilizará para despertar os recalcitrantes, os calcetas da Lei. E no entanto essa é a Lei do Amor, por paradoxal que possa vos parecer. A Lei quer o crescimento do espírito, a evolução que é a transformação em realidade ativa, daquilo que sois potencialmente: seres perfeitos.

Esse alerta é justamente para que possais compreender a gravidade da hora que passa. Momento decisivo na história de vossa evolução. Uma oportunidade de ouro em que os minutos se contam como se fossem séculos. É preciso não deixar passar essa preciosa oportunidade.

E é momento de renovação interior, de mudança de rota, de modificações drásticas no roteiro para que possais estar entre aqueles que ficarão à direita do Cristo.

Importante também é não esquecer que, se nessas horas decisivas, as forças da Sombra atuam no sentido de vos alcançardes com suas malhas, também a Espiritualidade Superior está trabalhando para redimir aqueles que estão dispostos a aceitar o Cristo em seus corações, inaugurando uma nova fase em suas vidas, onde haja mais amor e compreensão. É preciso apenas que estejais predispostos a aceitar essa renovação. Que estejais prontos a aceitar o Cristo, a aceitar a renovação dos costumes, dentro de uma linha de maior simplicidade, de maior desprendimento, de uma vida sem os desregramentos do sexo, sem obsessão pelo consumo, sem a corrida egocêntrica pelo acumular, ter, possuir, em detrimento do irmão que morre à míngua de recursos.
       
          O excesso que sobra em vossas mesas é o essencial que falta na mesa do próximo. As roupas que acumulais no guarda-roupas, resulta no corpo nu de vosso irmão. As propriedades que tendes e não podereis quase desfrutar, resulta na falta de moradia do próximo. Nunca a ganância atingiu um nível tão sórdido como neste século de grandezas e misérias. Pedimos ao Pai que abençoe a todos vós, nessa hora apocalíptica que estais passando. Que cada um possa aproveitar a oportunidade que o momento apresenta. Cada passo dado em direção à renovação interior, significa uma enorme economia de tempo no plano evolutivo. A Lei não quer punir, mas educar. E cada um aprende da maneira que melhor lhe aprouver. Ou pelo amor, ou pela dor.

Que as Luzes do Terceiro Milênio se derramem sobre todos vós...



A SOPA DE AVEIA - Chalam

Isto aconteceu dois anos antes da morte de Bhagavan Sri Rámana Maharshi. Certa manhã Bhagavan estava no salão rodeado de devotos de muitos lugares distantes. Era hora do almoço e todos estavam famintos. Alguns já estavam no refeitório, esperando que Bhagavan chegasse.

Naquela época Bhagavan sofria de severo reumatismo nos joelhos, que inchavam e lhe causavam grande dor; para levantar-se ele tinha de friccioná-los para diminuir a rigidez, e aquilo tomava certo tempo. Finalmente ele se levantou devagar do sofá, e apoiando-se em sua bengala, dirigia-se à porta do salão, quando notou um pastor pobremente vestido, com um pote feito de barro em suas mãos.



Bhagavan parou, olhou para ele e exclamou, “Veja, este não é Chinnappaya”? “Sim, sou eu, Swami,” o pastor respondeu com devoção e respeito. Bhagavan lhe perguntou, “Como você está? Está bem? Veio para me ver? Muito bem. Mas o que tem no seu pote? Trouxe um pouco de kulu (sopa rala de aveia)”?

Sim Swami, trouxe um pouco de kulu”, respondeu o pastor timidamente. “Então chegue aqui, deixe-me experimentar”.

Bhagavan pôs de lado sua bengala e colocou suas duas mãos juntas. O pastor despejou devagar a papa de aveia de seu pote nas mãos de Bhagavan, e ele a sorveu com a boca entre as mãos. O rosto do pobre homem irradiava felicidade.

O refeitório estava cheio de pessoas famintas e já um pouco iradas. Um cavalheiro se aproximou para ver o que poderia ser a causa da demora de Bhagavan, e quando viu o tipo de papa que Bhagavan estava sorvendo, ele exclamou, “Que injusto, Bhagavan. Estamos todos esperando por você e você se atrasa por causa desse camponês”!

Bhagavan ficou indignado. “O que! Você acha que estou aqui apenas por vocês? Que pertenço a vocês? Vocês se importavam comigo quando estava morando na colina? Naquela época ninguém me queria, apenas os pastores, que dividiam comigo seu kulu.” E entrou no refeitório seguido pelo pastor e seu pote.


NISARGADATTA MAHARAJ, UM MESTRE DA ADVAITA - David Godman

Maharaj raramente falava sobre sua vida, e não encorajava perguntas a respeito. Acho que ele se via como um doutor que diagnosticava e tratava as doenças espirituais das pessoas que vinham em busca de seu conselho. Seu remédio era sua presença e suas poderosas palavras.

Ele falou certa vez sobre seu guru, Siddharameshwar, e o efeito que este teve sobre sua vida.
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Siddharameshwar

Certa vez, Ranjit Maharaj veio visitá-lo durante a manhã. Eles conversaram em Marathi por alguns minutos e depois Ranjit partiu. Maharaj simplesmente disse, 'Este homem é um jnani. Ele é um discípulo de meu guru, mas não está ensinando.' Aquela visita poderia ter gerado várias histórias sobre seu guru ou sobre Ranjit, mas ele não estava interessado em falar sobre eles. Ele apenas continuou respondendo as perguntas dos visitantes. 

Maharaj era parte de uma linhagem espiritual conhecida como Navnath Sampradaya. Ele fazia um Guru puja (ritual em homenagem ao guru) toda manhã. Lembro-me de uma história interessante que Maharaj contou sobre o sampradaya
 
Eu me sento aqui todo dia respondendo a suas perguntas, mas não era assim que os mestres de minha linhagem costumavam fazer seu trabalho. Algumas centenas de anos atrás, não havia perguntas e respostas. A nossa é uma linhagem de chefes de família, o que significa que cada um tem de ganhar seu sustento. Viajar era difícil. Não havia ônibus, trens e aviões. Nos dias antigos, o guru viajava a pé, enquanto os discípulos ficavam em casa e cuidavam de suas famílias.

O guru caminhava de aldeia em aldeia para encontrar os discípulos. Se ele encontrava alguém que achava que estava pronto para ser incluído no sampradaya, ele o iniciava com o mantra da linhagem. Esse era o único ensinamento dado. O discípulo deveria repetir o mantra e periodicamente o guru ia à aldeia para ver o progresso que feito. Quando o guru sabia que ia abandonar o corpo, apontava um dos devotos chefes de família para ser o guru, e aquele novo guru então tomava para si o dever de ensinar: indo de aldeia em aldeia, iniciando novos devotos e supervisionando o progresso dos antigos.”

Uma vez o ouvi dizer, 'Meu Guru me autorizou a dar este mantra a qualquer um que pedi-lo, mas não acho que seja importante. É mais importante achar a fonte de seu ser.' Mesmo assim, algumas pessoas pediam. Ele então as levava em particular e sussurrava o mantra no ouvido do devoto ou devota. O mantra era em sânscrito e bem logo, mas você teria apenas uma chance de lembrá-lo. Ele não o escrevia. Se você não lembrasse depois daquele sussurro, nunca teria outra chance.

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20.1.17

COM PARAMAHANSA YOGANANDA - Robert Adams

Lembro-me do tempo em que fui iniciado por Paramahansa Yogananda na Self Realization Fellowship, quando eu tinha 17 anos, antes de ir para a Índia ver Ramana Maharshi.

Durante a iniciação, fiquei de joelhos. Ele colocou sua mão sobre minha cabeça e disse, "Robert, você promete amar-me não importa o que eu faça, ou não importa o que você pensa que me vê fazer?"

Hesitei e disse a mim mesmo, "O que ele irá fazer? Vai matar alguém e querer que o ame não importa o que faça?" Mas então também percebi que não tinha todas as respostas. Então eu disse, "Sim."

Foi apenas depois de dois ou três meses que entendi o que ele quis dizer. Ele reagia diferentemente a pessoas diferentes, a diferentes personalidades. Era Natal e ele estava vivendo com os monges em Encinitas naquela época. Então me lembro de um monge que veio até ele e disse, "Mestre," eles o chamavam de Mestre, "posso ir visitar minha família neste Natal? Estarei fora por duas semanas."

Ele se tornou muito doce e disse, "É claro que pode. Você deve ver sua família. Eles sentem sua falta. Vá e volte em duas semanas." Depois outra pessoa veio, ajoelhou-se ante ele e disse, "Mestre, posso ir ver minha família durante o Natal?" Ele ficou ofendido e começou a gritar com o monge e disse, "Como ousa me pedir isso! Por que quer ver sua família? Eles não querem ver você. É claro que não pode ir. Não peça coisas estúpidas. Volte para suas funções."

Este era o dilema: perguntas iguais e respostas diferentes. Então percebi que ele era capaz de ler dentro da pessoa. Ele sabia exatamente o que se passava dentro de cada pessoa. Não poderia dar a mesma resposta a duas pessoas diferentes.

Ele percebeu que a primeira pessoa tinha uma família amorosa, e tinha também grande respeito próprio, por isso não importava onde fosse. Seu coração estaria sempre com a Verdade, com Deus. Mas a segunda pessoa tinha pouco respeito próprio, e se partisse seria arrastado pelos poderes de maya de volta ao mundo material, e provavelmente nunca mais voltaria ao ashram. É por isso que deu aquela resposta.

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COMO CONHECI PARAMAHANSA YOGANANDA - Bernard Cole

Eu tinha 17 anos quando conheci Yogananda. Morava em Los Angeles e uma amiga começou a me encorajar para ir conhecer Yogananda que, naquela época, dava entrevistas pessoais no centro de Hollywood, aos sábados.
Ela me dizia: "Oh, você tem de conhecer o Mestre!" Mas eu continuava me recusando. Finalmente concordei apenas para calar sua boca. Quando fui para o centro de Hollywood, vi-me numa longa fila de pessoas que queriam também uma entrevista com Yogananda.
Esperei ali o dia todo, e quando chegou minha vez, o tempo das entrevistas terminou e o Mestre decidiu que não veria mais ninguém! Quando voltei a ver minha amiga, disse-lhe que não tinha intenção de desperdiçar meu tempo novamente.
Mas ela continuou me dizendo: “Você tem de conhecer o Mestre!” E novamente concordei. E a mesma coisa aconteceu. Novamente fiquei no final de uma longa fila por muitas horas, e perto da minha vez da entrevista, a porta foi fechada.




Fiquei profundamente infeliz com tudo aquilo, e novamente decidi a não colocar mais os pés no centro de Hollywood. Mesmo assim, minha amiga não desistia, insistindo que eu fizesse mais uma tentativa.
Sentindo-me um idiota, encontrei-me mais uma vez numa longa fila olhando para uma porta que sabia que nunca abriria para mim. E então, talvez por ter chegado mais cedo daquela vez, ou porque meu karma clareou o suficiente para que acontecesse, a secretária aproximou-se de mim e disse, "O Mestre vai vê-lo agora."
Tremendo, passei pela porta e entrei na sala onde estava o Mestre, com seu manto laranja, cabelos longos e escuros, olhos brilhantes e sorriso gentil, esperando-me. O Mestre estava sentado e indicou que me sentasse numa cadeira em sua frente.
Sentindo que eu estava nervoso, fez-me perguntas muito básicas sobre escola, emprego, família etc. Depois de ganhar mais intimidade, o Mestre parou de falar e ficou olhando para mim.
Então, para minha surpresa, Yogananda levou sua cadeira para perto de mim, e inclinou-se em minha direção. Então estendeu suas mãos e puxou minha cabeça, de modo que nossas testas se tocaram. Todos meus pensamentos sumiram. Minha cabeça encheu-se de uma luz brilhante, como um caleidoscópio. Naquela luz vi imagens de mim mesmo com Yogananda em vidas passadas, uma após a outra.
Através dos séculos, nós dois viajamos, e sempre o Mestre tinha sido o guru, e eu seu discípulo. Num corpo ou noutro, num país ou noutro, usando diferentes vestimentas e nomes, tivemos os mesmos papéis na procissão do tempo.
Finalmente o Mestre afastou sua testa e sentou-se de volta em sua cadeira. Sorriu para mim e disse, "Então?" Levantei-me e respondi, "Bem, foi impressionante! Tenho de ir!" E rapidamente saí da sala!
Eu era jovem e inexperiente, e a visão que o Mestre me deu, embora poderosa e muito significativa, deixou-me em estado de choque. Levei um tempo para me recuperar, mas quando o fiz, percebi que não tinha outro desejo que não fosse ver o Mestre, estar com ele. Assim, pouco tempo depois arrumei minhas coisas e mudei-me para Monte Washington (onde morava o Mestre).