17.6.16

PALAVRAS E MANTRAS – Ramatis



Quanto mais pronunciamos determinada palavra e pensamos nela, ou na sua expressão fundamental, tanto mais energética, mais coesa e nítida é a sua representação idiomática e vibração psicofísica.

Palavras como amor, paz, perdão, mansuetude, ternura, esperança, bondade, embora sejam vocábulos comuns e de uso no mundo profano, já possuem sentido para servirem como verdadeiros "mantras" em cursos esotéricos, lojas maçônicas, igrejas e templos religiosos, desde que sejam pronunciadas dentro do ritmo sonoro e da disciplina que lhes é própria. São de vibração sublime e acumulam forças criadoras, pela expressão moral da idéia superior que as mesmas traduzem. na alma humana.

Em verdade, são as próprias palavras, que se consagram em "mantras" pelo seu uso elevado, transformando-se em verdadeiras "chaves verbais" de ação espiritual incomum sobre os diversos veículos ocultos e físicos de que se compõe o homem. Elas congregam as energias e as próprias idéias ocultas dos seus cultores, associando as forças psíquicas benfeitoras, que depois se convertem em vigorosos despertadores espirituais.

A Igreja Católica possui os seus "mantras", os quais, quando recitados religiosamente e dinamizados pela música sacra, acomodam a alma, reajustam energias espirituais, dispersam emoções desagradáveis e associam sentimentos sublimes nos crentes, incorporando-se aos pensamentos semelhantes e ensejando purificações emotivas e mentais.

Ante a palavra "guerra", por exemplo, que poderíamos considerar um "mantra" negativo e fatídico, o homem desata na mente uma série de imagens e lembranças mórbidas, como soldados esfrangalhados, desgraça, sangue, morte, hospitais e bombas, O tema "guerra" ainda associa outras evocações amargas ou quadros temerosos de carestia da vida, convocação de filhos ou netos, falta de gêneros alimentícios, epidemias, desempregos, cidades em ruínas!

Obviamente, uma simples palavra pode desencadear no psiquismo humano quadros mórbidos de toda espécie. Aliás, conforme assegura a medicina moderna, essa disposição mental também produz na criatura as mais variadas modificações na corrente sangüínea , endocrínica, linfática e nervosa. Movem-se os músculos, refletindo no rosto a tristeza, a angústia e o medo; mobilizam-se os hormônios, líquidos, sucos e ingredientes químicos para atender às zonas corporais, cujo metabolismo orgânico perturba-se pelo desagradável estado de espírito.

Ainda há pouco tempo a humanidade terrena comprovou o efeito terrificante dos "mantras" negativos e malévolos, quando o Nazismo divulgou pela Alemanha fórmulas, distintivos, insígnias e símbolos, que, tanto pela imagem como verbalmente, visavam despertar as emoções belicosas dos alemães.

A cruz suástica funcionou como um poderoso dinamizador sob a tonalidade primária, excitante e física da cor vermelha; os uniformes negros dos "SS" evocavam no subconsciente das criaturas as próprias forças trevosas, que alimentam e compõem a "egrégora" infernal do mundo diabólico! Tudo isso acicatou o temperamento belicoso e destrutivo do povo alemão, despertando mágoas, ressentimentos, prejuízos e humilhações sofridas na vida humana e ansiosos de desforra contra as demais nações.

Os povos vencidos pagaram duramente o transbordamento mórbido dos nazistas, onde os crimes bárbaros e bestiais figuraram à conta de saneamento louvável, como no caso dos judeus! Adolf Hitler, mediunizado pelos mentores das Sombras, usou e abusou da força da palavra no evento nazista, praticando o "feitiço verbal" mais chocante e pernicioso na história do mundo.

Mas, em sentido oposto e positivo, a palavra "paz" é maravilhoso "mantra" que produz um estado de espírito eufórico, agradável, sedativo e jubiloso, principalmente entre as mães, porque alimenta idéias e imagens confortantes, esperançosas e otimistas, associando a segurança, tranqüilidade e alegria de viver! É palavra amiga e inofensiva, que recebe o alento e a energia criadora dos pacifistas, instrutores espirituais, discípulos do bem e amigos do Cristo!

Há "mantras" universais, cujos sons e vibrações identificam a mesma idéia-mater em toda a face do orbe. É o caso do vocábulo "AUM", que se pronuncia mais propriamente "OM", pois é um "mantra" poderoso em qualquer latitude geográfica. No seu ritmo iniciático, é a representação universal da própria idéia de Deus, a Unidade, o Absoluto!


Os monges do Himalaia, criaturas condicionadas a uma vivência sublime, frugais e vegetarianos, cuja glândula pineal funciona ativamente na comunicação sadia com o mundo espiritual, quando recitam o "mantra" "AUM" alcançam tal "clímax" vibratório, que se sentem imersos no plano edênico!

Enquanto, na Ásia, a palavra Buda é um poderoso "mantra" de evocação esotérica e o nome de Krishna significa o mesmo na Índia, o vocábulo Cristo representa a mais alta expressão mantrânica para o homem ocidental despertar no seu espírito as virtudes do amor, da renúncia, bondade e pureza.

Os iniciados que sabem dar curso à vibração sonora sideral do vocábulo "Cristo" também mergulham num estado de expectativa cósmica, tomados de júbilo, esperança e imunes às vicissitudes e crueldades do mundo. Os cristãos deixavam trucidar-se nos circos romanos, entoando o cântico "Ave Cristo"; muitos deles desencarnavam completamente anestesiados e em êxtase, apenas sob o efeito sonoro vibratório ou mantrânico dessa palavra sublime!

A palavra "Agnus Dei" nada tem de excepcional quando pronunciada comumente entre os homens profanos; mas é um "mantra" de imponente beleza e misteriosa magia sobre os fiéis, quando o sacerdote a recita sob o coro de vozes acompanhantes e a consagra na elevação do cálice sagrado.

A Igreja seria um dos maiores viveiros de milagres, caso os seus crentes soubessem aproveitar as energias criadoras que despertam pela sonoridade dinamizadora de certos "mantras", evocados durante as cerimônias religiosas católicas. A convergência de sentimentos e pensamentos elevados de todos os presentes compõe a "egrégora" sublime alimentada pelos "mantras" de energias poderosas.

Sem dúvida, ao término de cada missa os estropiados abandonariam suas muletas e os enfermos dariam gritos de júbilo ante as curas miraculosas no seio da própria nave!

O "mantra" pode ser uma palavra, um verso, um aforismo ou uma fórmula, variando o seu culto conforme as diversas fraternidades iniciáticas, doutrinas espiritualistas e credos religiosos. Ele deve resultar de uma consagração idiomática vivida num campo benfeitor ou imantado de sentimentos amorosos, que irradiam ou convocam energias sublimes quando enunciado sob determinado ritmo e evocação sonora!

Há criaturas que mobilizam as palavras mais comuns, dando-lhes um efeito mantrânico, porque são rogativas que beneficiam os demais companheiros, enquanto outras, vingativas e inconformadas, operam num sentido oposto produzindo o enfeitiçamento verbal na convocação de forças mesquinhas, enfermiças e destrutivas!


14.6.16

O ESPÍRITO E O CORPO – Elisabeth Haich




O espírito é mil vezes mais forte que o corpo. Assim também a felicidade e a alegria alcançadas na consciência desperta são centenas de vezes maiores. O espírito é a causa; o corpo, o efeito. O corpo não passa de reflexo do espírito, e o jogo sexual, mesmo o maior prazer sexual, é apenas um pálido reflexo do prazer, satisfação e êxtase experimentados através da energia sexual convertida em força criadora.

Não gastamos esta felicidade até o corpo estar esgotado, exausto e impotente, mas sim conservamos a divina alegria interior, mantemo-la em nós durante todo o tempo, nós mesmos somos esta alegria. E o que é mais: ela se mantém sempre crescente, justamente como no conto de fadas a maçã de ouro do amor torna-se tanto maior quanto mais a comem.

O poder criador, aumentado pela concentração mental, continua crescendo até que nós, conscientemente, atingimos a imensidão do Ser divino.

Agora compreendemos por que os que alcançam o nível mais alto, profetas, sibilas, os homens-Deus, se abstêm de esbanjar o poder criador como energia sexual. Eles não eram pessoas tolas que se desfaziam de uma fonte de prazer e alegria. Experimentaram o outro pólo dentro de si e, portanto, não precisaram de procurar um complemento externo. Eles se autocompletaram: o que fora uma metade se fez um TODO.

As Cruzadas foram uma ocasião para aquisição do conhecimento dos iniciados orientais acerca da pedra filosofal. Falaram acerca de um athanor (forno de combustão lenta dos alquimistas), em que o fogo tinha de arder ininterrupta e intensamente para produzir a pedra filosofal, que transformaria qualquer metal em ouro.

Dos escritos dos alquimistas medievais e rosacruzes, é perfeitamente evidente que eles produziam esta pedra do próprio homem. O athanor é o corpo humano; o dragão é o poder criador que trabalha no corpo; e o fogo do dragão é a energia sexual dirigida para cima através da vida abstêmia e usada como combustível.

A pedra filosofal é a consciência divina universal e sua força espiritual mágica sobre toda a natureza. E o elixir da vida é o “fogo que flui como água”, a “água incandescente”, isto é, as altas freqüências da autoconsciência divina que podemos produzir no corpo e irradiar conscientemente.

Os cristãos denominam esta corrente de “sangue de Cristo”, os rosacruzes a chamam de “elixir da vida”.

Os grandes iniciados, os profetas, as bruxas, altos sacerdotes e sacerdotisas dos grandes povos do passado, e os homens-Deus que de tempos em tempos têm aparecido na terra não foram nem são tolos. Não teriam desprezado os prazeres sexuais, que inúmeras pessoas olham como a razão de ser, se não tivessem recebido em recompensa algo milhares de vezes mais valioso.

Como iniciados, calmamente trocaram efêmeros prazeres pelo manancial de toda alegria e felicidade. Qual é a nossa preferência: o geiser, que jorra intermitentemente, ou o vulcão borbulhando nas entranhas da terra, que é a fonte e a causa de todas as erupções dos geisers e dos vulcões?
Athanor
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               




APÓS A ABERTURA DOS CHAKRAS SUPERIORES – Elisabeth Haich




Se um homem abriu seus chakras superiores (do coração e cérebro), deve aprender a “ser” através da própria experiência. Como iniciar? Com o trabalho criador e intelectual. Com que trabalho? Não perguntemos isso. Em qualquer caso, só seremos aptos a fazer o que nós somos.

Faremos, então, alguma coisa para a qual tenhamos talento e inclinação, e o tentaremos conforme nosso tempo disponível. Porque tantos são os homens quanto os caminhos. Qualquer trabalho o ajudará, pois o que importa não é em que trabalhamos, mas como trabalhamos. Devemos selecionar o que nos apraz, o que realmente nos interessa no fundo do coração. Poderemos praticar um esporte, esboçar, pintar, modelar, tecer tapetes, tocar um instrumento musical, fazer trabalhos manuais, cuidar do jardim, escrever poesia ou prosa.


Uma coisa é necessária: sempre devemos almejar a perfeição no que fazemos. Não há coisa alguma como a criatividade para facilitar o progresso e ajudar a transformar a energia sexual em força criadora e a irradiá-la como energia espiritual.

A partir desse momento, o homem começa a VIVER, a tornar-se consciente, a libertar-se do tempo e do espaço. Sente o fogo da vida dentro dele; começa a tornar-se ele mesmo. Subitamente compreende o que Cristo dizia quando chamava alguns de “mortos” e outros de “vivos”. Vive num estado sublime e intenso. É um estado de consciência espiritual, claro, intenso, lúcido e muito mais calmo que outrora.
 

O PERÍODO INICIAL DA ABSTINÊNCIA – Elisabeth Haich




Mesmo se temos visto completamente através da ilusão da Natureza, e achamos todo o assunto sexual, com sua eterna repetição, muito aborrecido, a mais segura fórmula para desejos sexuais insuportáveis, que subitamente eclodem e incitam as reações físicas correspondentes, é preocupar o intelecto com a sexualidade, a qual realmente desejamos controlar.

Assim, aprendemos como o pólo negativo se manifesta e atua sobre nós, a partir do inconsciente como o espírito de resistência. Não surpreende que em religião seja denominada demônio. E não é tão fácil lidar com este demônio, vez que Eu sou Ele (Ham Sa); Tu és Ele (Tat Twam Asi).

Além do demônio do inconsciente, o próprio corpo não nos concede paz. Até então, o corpo se tem ajustado a uma vida sexual, as glândulas continuam a solicitar alívio, e enquanto a energia sexual não acha o caminho para os centros nervosos superiores de manifestação, acumula-se nas glândulas sexuais.

Posteriormente, quando a energia sexual achou o caminho para os centros nervosos superiores, através de exercícios yóguicos adequados, e já pode manifestar-se ali como uma forma superior de força criadora, a transformação é muito mais fácil. A pessoa tem também muito mais paz.

O período inicial é o mais difícil, precisamente porque a energia sexual, inapta para achar uma saída, irrita a genitália muito mais. Assim, de início a pessoa tem uma dupla dificuldade a vencer: de um lado, sua imaginação e seu intelecto não a deixam em paz; por outro lado, a energia sexual reprimida estimula-a ainda mais do que antes.

Mas isto é exatamente o de que se precisa! Porque esta excitação excessiva se reflete gradualmente nos centros nervosos superiores, irrita-os, e esta irritação desperta-os de sua latência e letargia, como o príncipe desperta a Bela Adormecida com seu “beijo”.

Se, portanto, a pessoa tiver lutado e vencido contra as primeiras dificuldades, se tem resistido e sobrepujado a irritação mental e física, a transformação é então muito mais fácil – como recompensa. Todavia, é também muito importante que permitamos à energia sexual ascendente e excitante manifestar-se através dos centros nervosos superiores, para escoar-se através deles.

Qual a melhor ajuda aqui? Os exercícios de Hatha Yoga, pranayama, concentração, meditação e trabalho! Trabalho físico e intelectual! O pranayama e os exercícios de Hatha Yoga servem para revigorar e espiritualizar o corpo em geral, principalmente Sarvangâsana, Viparita-Karani e Shirshâsana.

O efeito benéfico de Hatha Yoga pode ser reforçado pela atividade física. O trabalho físico nos ajuda a guiar nossos pensamentos, drenar dos órgãos genitais os excessos do fluxo sanguíneo. O trabalho não somente ocupa o corpo e distribui o sangue pelos músculos, mas também engaja o intelecto impedindo que os pensamentos vagueiem na direção errada.

Outra maneira de obter controle é ocupar o intelecto com algo, substituindo os pensamentos sexuais por outros de espécie diferente. Também a atividade criativa é um grande auxiliar nesse processo: podemos simplesmente andar e observar os pássaros e a natureza, ler um livro interessante, tocar um instrumento musical, praticar jardinagem, amestrar nosso cão, ou atender nosso trabalho diário. Depende de cada indivíduo. Duas pessoas não têm os mesmos interesses, nem o mesmo destino. Cada um deve sentir em si seu talento, inclinação e oportunidade para achar aquilo que o interesse tão intensamente, que o faça desviar a atenção do desejo sexual.

Quando estamos completamente absortos na atividade criativa, o corpo não reage em absoluto.

Se alguém pode usar sua energia em trabalho criativo e ainda tem dificuldades insuperáveis com o corpo, aconselhamos-lhe pacificá-lo com uma vida sexual normal. Em verdade, o corpo deseja gratificação sexual menos frequentemente do que imaginam as pessoas que não deixam as glândulas em paz, mas as excitam com alimentos intensamente condimentados, bebidas estimulantes, leituras excitantes e filmes obscenos. Isto apenas sobrecarrega as glândulas, enfraquece-as prematuramente e as condena ao envelhecimento.

Então, continuemos a praticar. Um dia conseguiremos acalmar as glândulas pelo constante desvio do pensamento, e elas não nos perturbarão mais. Podemos continuar a jornada pela senda da evolução espiritual.
  viparita-karani

CONSEQUÊNCIAS DA CONTINÊNCIA SEXUAL – Elisabeth Haich




Se alcançamos o estágio em que nos sentimos bastante amadurecidos para levar uma vida abstêmia, e em seguida começamos nossa prática de yoga, podemos ficar satisfeitos se, inicialmente, surgir um admirável amor pela vida, bom humor, um brilho sugestivo nos olhos e crescente energia produtiva.

Aos que estão suficientemente maduros, a vida abstêmia pode gerar e acumular tanta energia vital que, se é bem aplicada e dirigida conscientemente, doenças crônicas de longa duração subitamente se curam e sintomas neurastênicos sérios desaparecem.

A postura se torna juvenil e elástica, a mente se torna brilhante e clara, até mesmo as depressões mais severas desaparecem. O poder de concentração da mente aumenta em medida inesperada, começa-se a adquirir o poder de sugestão e o corpo se enche de vitalidade renovada.

Com o decorrer do tempo, subitamente descobrem-se talentos jamais intimamente suspeitados. Já estavam presentes, porém em latência.

Se erigimos uma barreira ante a energia sexual, ela se acumula então, causando inicialmente tensões e inquietações. Se, apesar disso, se mantiver firmeza, a energia sexual procurará novos canais e a pessoa se torna apta a convertê-la gradualmente em poderes elevados. A energia sexual dirigida para cima estimula as glândulas de secreção primeiramente; depois, os centros nervosos superiores.

O homem comum pode tornar-se detentor de poderes mágico-sugestivos, apenas se progrediu tanto em experiência, desenvolvimento e maturidade, que se tornou apto a manter e suportar a irritação da energia sexual represada nos centros nervosos e cerebrais superiores, com os nervos calmos e sem irritabilidade patológica. O melhor apoio para alcançar isto pode ser obtido de exercícios de yoga adequados.

Se uma pessoa ainda está imatura para a transmutação da energia sexual, isto é, se suas válvulas superiores ainda não se abriram, virá a adoecer. Comumente, o esforço excessivo afeta primeiramente a tireóide, o que pode causar desordens cardíacas, estados ansiosos e distúrbios ainda mais sérios.

Em tais casos, a energia sexual despertada não encontra uma válvula para si. Nem acha o caminho para os centros nervosos superiores pelos quais poderia manifestar-se como energia espiritual superior, e causa excessiva irritação patológica, que implica grandes danos aos nervos, e ainda a esquizofrenia. Existe uma ligação profunda entre a esquizofrenia e a energia sexual involuntariamente represada.

Como abrir os chakras superiores? Pelo controle corporal com os exercícios de Hatha Yoga, pranayama (*), concentração mental e meditação, abstinência e trabalho! Se desejamos subir a escada da evolução, devemos ter uma coisa sem a qual não há progresso, e isto é a paciência! O espírito, o Ser, está acima do tempo. O espírito é eterno. Paciência é o estado da eternidade. Daí, se nossa meta é despertar espiritualmente e realizar a consciência espiritual, devemos ajustar nossa mente à eternidade. E se o diabo da impaciência tenta pegar-nos, devemos consolar-nos com o pensamento: na eternidade há tempo suficiente!

O fato de que não se nota o progresso é o maior teste para o yogue. Exatamente como uma criança não nota quando vai ficando adulta, assim o homem não nota quando a consciência se expande.

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(*) Dentre os pranayamas conhecidos, o mais notável para abrir a válvula dos chakras superiores e para conservação da energia sexual é Kriya Yoga, ensinada pela Self-Realization Fellowship, instituição fundada por Paramahansa Yogananda. Quando algum discípulo reclamava sobre a dificuldade de abrir os chakras superiores e viver em castidade sem repressão, o mestre citava o adágio: “O santo é simplesmente um pecador que nunca desistiu”, indicando que não se deve interromper as práticas espirituais devido às dificuldades. 
  Paramahansa Yogananda

O AMOR E O SEXO INDISCRIMINADO – Elisabeth Haich




Se desejamos analisar o que é o amor, poderíamos falar toscamente dele nestes termos: temos uma sensação agradável e morna no coração. Não pode ser medida com um termômetro, no entanto sentimos como “calor”. 

Nós a irradiamos de modo completamente involuntário. Seus raios são invisíveis e sua existência não admite provas, embora sintamos esta irradiação de amor proveniente de nós mesmos, bem como de outrem, de modo tão distinto que não se pode negá-lo.

Irradia-se espontaneamente e, sob seu efeito, desejamos unir nosso ser com todo o universo, ou com o que amamos. O amor é um anseio por unidade sem reação física. Este sentimento nada tem a ver com o desejo sexual, nada a ver com o corpo, é um sentimento puramente espiritual.

Apenas o homem superior que ativou seus chakras superiores e, portanto, pode suportar as altas freqüências puramente espirituais, é  capaz deste amor puramente espiritual. O homem inferior, com sua consciência subdesenvolvida, projeta o amor divino no corpo e o transforma em atração sexual. Ainda não está apto a suportar as freqüências espirituais, nem as compreende tampouco com seu intelecto.

O nível espiritual não mostra o que alguém sabe – porque se pode ter um intelecto brilhante sem alto nível espiritual; nem depende este nível de alguém ser caridoso, porque se pode sê-lo com o intelecto, imitando-se exteriormente alguém que é pleno de amor.

O nível espiritual se manifesta na riqueza de amor que alguém encerra em si!

Nas pessoas de nível inferior, o anseio por unidade espiritual se manifesta como o desejo  de unir-se com todo mundo no corpo. Querem oferecer o corpo a quem quer que tenha possibilidade de copular, e o fazem indiscriminadamente. 

A conseqüência muito triste disto é que estas pessoas – que basicamente estão procurando também amar, se bem que de modo totalmente errado – degradam-se, renunciam à dignidade humana, perdem-se e se prostituem.

É compreensível por que as prostitutas são desprezadas em todo o mundo pelas pessoas cuja consciência é ligeiramente mais desenvolvida. Quem já teve oportunidade de conversar com pessoas prostituídas – masculinas ou femininas – deve ter testemunhado seu triste sentimento de negligência, indignidade e incorrigível ruína, seu total desespero e autodesprezo.

Toda pessoa que tem relações sexuais indiscriminadamente, quando inquirida por que o faz, responde: “Procuro um pouco de amor”. Estas pobres almas não compreendem que é precisamente o que elas estão fazendo que as faz trair o verdadeiro amor que procuram. Traindo seu próprio Cristo interior com um “beijo” gastam o amor, erguem o calcanhar contra ele e o matam, porque seus atos não nascem da harmonia interna que enlaça dois seres.

É particularmente triste no caso das mulheres, que devem guiar seus maridos ao longo da senda para Deus, para a consciência divina.

A pessoa de baixo nível, que experencia o coito como mera descarga sexual, despida de qualquer afeição íntima, seleção ou sentimento de amor espiritual para o parceiro ou parceira, mais cedo ou mais tarde cai presa de terrível medo e vacuidade.

As pessoas ignoram que profundo vínculo a união sexual cria entre o homem e a mulher. Ambos absorvem reciprocamente a parte do ser invisível do outro. Quão frequentemente notamos o modo pelo qual as pessoas, persistindo em relacionamento sexual com um parceiro que lhes é desajustado, gradativamente mudam, transformam sua natureza, seu caráter, muitas vezes para pior, algumas vezes para melhor, e adquirem certas qualidades do outro.

Se duas pessoas compartilham sua vida amorosa, ou mesmo se tiveram apenas um simples encontro sexual, estão mutuamente afetadas por vastas forças invisíveis, porque a energia sexual é criadora, é o próprio homem! E apesar de que a pessoa esteja convicta de que o poder e a irradiação de um ser “desinteressante” ou “insignificante” não a afeta, este deixa uma impressão de cuja profundidade nem suspeita.

A mácula da parte invisível do homem não resulta apenas da experiência de cópulas com seres inferiores. Ocorre, igualmente, quando pessoas que não são necessariamente más, sem caráter ou impuras, mas simplesmente ignorantes, copulam com um grande número de parceiros, indiscriminadamente, hoje com um, amanhã com outro. Podemos colocar as cores mais lindas na paleta e, entretanto, obter uma confusão desesperada se as misturamos todas simultaneamente. As cores antes lindas perdem completamente seu caráter e se tornam irreconhecíveis.

Por essa razão, podemos compreender por que as prostitutas têm seu desespero típico, irradiação impura, por que perderam o caráter individual humano, de tal modo que são reconhecidas a distância como prostitutas.

Quanta paciência e amor, e quanto tempo se requer antes que sejam removidas as más impressões, todas as impurezas e o terrível complexo de inferioridade de almas jovens que têm sexo indiscriminadamente com qualquer um.

As pessoas sentem, ainda que inconscientemente, o efeito venenoso da cópula com um parceiro indigno e tentam proteger-se entregando todo o assunto ao corpo e retraindo a mente consciente “tanto quanto possível” durante o coito de natureza degradante. A conseqüência é o distúrbio mental e físico conducentes à impotência aparente.

Tudo que acontece ao corpo reage sobre a mente, a mente compartilha da experiência vez que é a mente que constrói o corpo, vitaliza-o e experencia tudo no corpo e através dele. Sem a mente, o corpo é um cadáver inerte.

O ser humano só pode referir-se à verdadeira alegria física e à felicidade sexual de amantes, se a unidade física eclode por amor verdadeiro, harmonia espiritual verdadeira, e o ser humano pode abandonar todo seu ser à sensação de felicidade sexual sem ter de envergonhar-se depois.

O SIGNIFICADO DO MITO DE SÃO JORGE – Elisabeth Haich




Quem quer que pratique yoga para acelerar o progresso no desenvolvimento da consciência, deve tornar-se perfeito conhecedor da energia sexual que é a única maneira de auxiliá-lo do degrau inferior ao superior. Deve conscientizá-la em si e submetê-la a seu espírito, isto é, deve converter a energia sexual em energia criadora.

A energia sexual, esta força universal, é o princípio criador – o Logos, e estejamos ou não conscientes disso, ela é o verdadeiro ser do homem, o próprio Ser, seu próprio e verdadeiro Criador, na primeira pessoa: Eu Sou!

Por isso, a energia sexual não pode ser destruída, já que isto implicaria a autodestruição. Podemos apenas transformá-la, ser ela! E se alguém alcançou a completa autoconsciência com o auxílio desta energia, tornou-se seu próprio mestre.

O homem plenamente consciente chama a energia sexual de EU. Um tal homem pode operar milagres e criar novos mundos em torno de si com a energia sexual convertida em força criadora divina. Obteve domínio sobre todo o reino da Natureza com todas suas forças e todas as criaturas: tornou-se um mago branco, um homem-Deus.

A bem conhecida imagem de São Jorge representa muito bem esta verdade. O grande santo, o homem todo-consciente, vence o dragão – a energia sexual – mas não o mata, apenas imobiliza-o com a espada. Porque seu fogo e sua força lhe são absolutamente indispensáveis.

Se destruísse o dragão, automaticamente se destruiria, e não poderia jamais aquecer seus centros nervosos e cerebrais sem o fogo do dragão e nem irradiar a energia sexual como força criadora divina. 

Os que se puseram a caminho na senda do yoga têm, normalmente, algumas poucas etapas em existências anteriores atrás de si e levam a experiência, inconscientemente que seja, de que não se deve abusar da energia sexual. Não querem mais ser colhidos nas ciladas da Natureza, mas evitá-las.

Se gastamos esta energia sadiamente, consoante as leis da Natureza, não é pecado. Só o é, quando se abusa da sexualidade para fins de degradar a excelsa energia espiritual, esbanjando-a sem qualquer harmonia interna, como um fim em si mesmo, de modo exagerado e não natural, mediante estimular as glândulas por perversões e recursos artificiais.

O que é executado por órgãos anormalmente superexcitados, como anseio ardente de prazer como um fim em si mesmo, geralmente debilita a energia vital humana, a força mental e o caráter.

Um santo, um homem-Deus que colheu toda esta experiência em existências anteriores, a Natureza não pode mais atraí-lo para sua armadilha. Parou de gastar o poder criador através da genitália, porém preserva-o para o próprio corpo. Orienta a energia sublime de alta freqüência para seu corpo, que o transmuta tão completamente que a substância física de um santo difere fundamentalmente da de um homem comum. Os poderes espirituais destroem bactérias e vírus e assim os iniciados são imunes contra todas as doenças.

Tais poderes preservam-lhe a juventude corporal, porque as altas freqüências e a alta tensão espiritual regeneram continuamente as células corporais.

Os que ainda não desejam renunciar à vida sexual e também os sexualmente impotentes devem tomar em consideração que, embora possam alcançar elevados níveis mentais, a transmutação da energia sexual em poder criador deve ser reservada para uma vida futura.
 

10.6.16

O SIGNIFICADO DO MITO DE SANSÃO E DALILA – Elisabeth Haich




Sansão possuía um poder mágico incomparável e invencível, que se irradiava de seus centros cerebrais superiores, isto é, de sua cabeça, semelhante a uma espessa cabeleira. Este poder também o dotava da força física legendária que desapareceu com o cabelo raspado, quando ele dirigiu sua força criadora mágica para os centros inferiores e usou-a em intercurso sexual com Dalila.

Simultaneamente “ficou cego” e perdeu a visão e liberdade espirituais: foi posto na “prisão”, agrilhoado em si mesmo e isolado. Porque “encontrou o caminho do auto-retorno” na “prisão”, e reteve sua energia em si mesmo, pôde transformá-la, uma vez mais, em força criadora mágica que os centros superiores reativados reemitiram.

Seu cabelo (a luz que se irradiava de sua cabeça), propiciador de potência, recomeçou a crescer, alongou-se, e ele uma vez mais se tornou apto a executar atos sobrenaturais e pôde destruir o palácio real – a identificação da consciência com o reino da matéria. Assim foi libertado do sofrimento.



O MAGO DIVINO E O MAGO INFERNAL – Elisabeth Haich




Pode alguém ser chamado “mago divino” se, por um desenvolvimento regular ao longo da senda do yoga, se tornou consciente do mais elevado nível divino, e tendo alcançado o degrau mais alto da evolução, é mestre do poder criador revelado, porém apenas de modo legal e moralmente divino, portanto como instrumento de Deus.

Sua consciência é una com Deus e jamais se identifica com o corpo. Conscientemente, permanece o que realmente é, em seu verdadeiro ser, vida, Logos, o próprio Deus.

O mago infernal, de outra parte, estando num nível de consciência artificialmente elevado pelo uso da magia, porém ainda completamente egocêntrico e moralmente subdesenvolvido, atua exatamente de modo antagônico ao mago divino: usa os poderes divinos para a auto-satisfação e para sua concupiscência. Identifica sua consciência com o corpo e não com Deus, e dirige os poderes divinos para baixo, dos centros espirituais para os órgãos físicos do sexo.

Quando a força espiritual criadora, que devia igualmente ser posta em uso criador espiritual pelos chakras cerebrais ativados, é rebaixada e mal aplicada para uso pessoal, para fins egoístas, esta pessoa age como um mago infernal (o chamado mago negro).

O mago negro, com seu modo de vida pessoal, egoísta, se devota às paixões e prazeres físicos. Assim procedendo, desperdiça, trai e mata o poder divino, o Logos, seu Ser divino. Atraiçoando seus poderes e a seu Ser interior (Deus), finalmente se destrói e se mata. Os magos negros sempre sofrem uma morte horrível!

O homem que pratica a magia negra, que já possui o poder criador e, entretanto, identifica-se com o corpo, isto é, dirige a força espiritual para baixo, esbanja a força espiritual convertida em energia sexual no prazer físico, como uma finalidade em si, desperdiça seu Cristo interior, atraiçoa-o, entrega-o ao nível da matéria.


Se um homem atraiçoa a força criadora por viver dissolutamente, por excesso sexual e abuso como meio de prazer, também lhe morre a sexualidade. Perde a potência, perde a força sugestiva central, torna-se um caráter fraco e incapaz de resistência; é despedaçado, destruído por diversas influências do mundo externo e se torna presa para seu maior inimigo – o medo.

Cada pessoa que abusa das mais elevadas qualidades e usa a razão para dirigir os pensamentos continuamente para os órgãos sexuais, está matando seu princípio criador – seu Cristo interior. Assim acontece com toda pessoa que estimula os sentidos e glândulas sexuais com alimentos e bebidas excitantes e com ajuda mental, literatura, filmes e peças teatrais pornográficas e que desperdiça sua energia sexual em excessos e abusos. E certamente o alcoolismo e outros vícios vão de mãos dadas com tais hábitos.

A experiência demonstra que as pessoas que vivem assim, e também os que dissipam o poder criador com masturbações excessivas, mais cedo ou mais tarde decaem em irresolução, aniquilamento espiritual, trevas e medo (a masturbação ocasional do adolescente não tem necessariamente esta conseqüência perniciosa. Referimo-nos aqui apenas à masturbação perversamente excessiva).

A pessoa simples, com um nível médio de conscientização, não pode trair seu Cristo interior. A possibilidade de uma transmutação de energia nem mesmo lhe ocorre. Não pode dirigir sua energia para cima nem para baixo, nem pode transmutá-la. Se tal pessoa obedece a seus desejos sexuais e leva uma vida sexual normal e sadia, não peca contra o princípio criador que habita em sua consciência, pela simples razão de que a vida sexual sadia não é pecado! Ela simplesmente gasta a força física sexual de modo normal, e não a força criadora, espiritual.


OS ATALHOS NA VIDA ESPIRITUAL – Elisabeth Haich




Somente quem tem a válvula dos centros nervosos superiores aberta, permitindo assim a ascensão da energia sexual a eles, está apto para uma vida abstêmia feliz e sem as conseqüências patológicas da repressão, e pode usufruir as recompensas excepcionais e os valores inestimáveis desta maneira de vida.

A repressão é exatamente o que ele evita; e usa preferentemente seu poder de uma forma espiritual mais elevada que rende uma felicidade incomparavelmente maior do que a que teria se gastasse tal poder fisicamente como energia sexual.

Porém, somente as pessoas altamente evoluídas correm o risco de cair em vida dissoluta. O perigo inerente ao conhecimento e capacidade adquiridos é que as habilidades conscientes podem ser usadas de duas maneiras – certa e errada. Em vez de transmutar a energia sexual em sua forma superior, em poder criador espiritual, pode usá-la como magia negra, isto é, transformando os poderes espirituais em energia sexual, dirigindo-os para baixo e identificando-os com o corpo.

Por isso é importante que os chakras superiores sejam estimulados e ativados por etapas, porque somente assim há um desenvolvimento da força moral da pessoa, protegendo-a desse modo de todas as aberrações.

Determinados caminhos do yoga envolvem esse risco. Dentre eles, as chamadas Kundaliní Yoga e Tantra Yoga. Nestes caminhos, os chakras cerebrais superiores são despertados por métodos drásticos, ignorando-se a possibilidade de gradativo desenvolvimento orgânico, espiritual, mental e físico, que é relativamente mais lento, porém, absolutamente seguro para o yogue.

Eis porque o guru autêntico tem sempre cautela com os discípulos. Somente os charlatões se imiscuem inescrupulosamente com estas formas mago-criadoras elevadas, irresistíveis e onipenetrantes.

YOGA E CASAMENTO – Elisabeth Haich




Quem se decide pela senda do yoga, não buscará na união física a gratificação de desejos bestiais, mas de preferência a manifestação da união espiritual mais elevada. Dar-se fisicamente não o degrada nem corrompe, porque seu ato é motivado por um desejo espiritual profundo, por unificação, por amor.

Se a pessoa ainda não tem a habilidade para transformar a energia sexual, um sistema de vida de abstinência forçada pode redundar em nervosismo extremo, desarmonia, beligerância, porque a energia sexual ainda não está apta para encontrar o caminho para os centros nervosos mais elevados.

Pessoas casadas devem ter em mente que não foi o acaso que as conduziu ao casamento. Foram conduzidas a esta união pelo karma e, portanto, é este verdadeiro matrimônio que acelera seu progresso. Seu karma indicará quando estarão suficientemente maduros e que chegou a hora para levarem uma vida abstêmia e para prosseguirem, de mãos dadas, em amor supremo e mútua compreensão.

Assim, o casamento não será um fardo insuportável, porém significará assistência mútua e felicidade. O matrimônio se tornaria um fardo pesado e um obstáculo para o progresso, quando o tempo kármico tiver expirado e o débito kármico estiver pago, pois então ele cairá do homem, como um traje usado.

Fugir de uma situação opressiva nunca é uma solução. Os problemas têm de ser resolvidos ou, senão, eles se mantêm a nosso lado! Uma vez que tenhamos obtido uma liberação interna de tais uniões dolorosas, há também uma transformação no mundo externo e inesperadamente a porta da liberdade se abre.


Um casamento por si só não é um obstáculo na senda do yoga. Muitos dos grandes santos, no Ocidente bem como na Índia, que foram casados, atingiram a meta mais elevada.

O homem abandona o desejo físico quando alcança a maturidade. Logrou conhecer a fascinação da sexualidade e agora vê através dela. Quando está apto a transmutar a energia sexual em sua forma mais elevada, ele a preserva. Ele nada perde, mas ganha tudo. Porque a felicidade que o homem experimenta em sexualidade, fica com ele uma vez e sempre em um nível muito mais elevado.

Não a perdemos, não mais a desejamos desfrutar como um muito transitório prazer sexual efêmero, fugazmente vivido, porém agora exclusivamente na forma mais elevada de uma beatitude mental e espiritual, que é nossa para sempre e não pode ser perdida porque: EU SOU ELE (Soham).

Cessamos de experimentar o poder criador no corpo como energia sexual, como desejo e impulso sexual, que tão logo atendido se desvanece. Agora, nós o experimentamos diretamente como o próprio poder criador, como alegria criadora em um nível de consciência sempre mais elevado, como um estado de ser crescente, resistente, sempre e eterno.

Inicialmente, experimento o ser como energia sexual, como pressão sexual que age em meu corpo e é o doador de vida para uma terceira pessoa. Se estou num nível mais elevado de consciência, experimento o poder criador dentro de mim como amor, manifestado em minha alma como a mais elevada emoção. Se desenvolvi consciência no Logos, na própria vida, eu o sinto no espírito, no Eu, como um estado de autoconsciência, como eu mesmo: EU SOU ELE! 

Uma pessoa que não possa experimentar a Vida, o Logos, com sua mente consciente, porque estas freqüências máximas seriam muito fortes para seus nervos, isto é, alguém que esteja no período transitório de evolução gradual, deveria levar uma vida sexual sadia, baseada na união espiritual.

Pela união sexual, duas pessoas podem proporcionar-se mutuamente muito amor e felicidade, mesmo que seja uma felicidade transitória. De modo algum isto as degrada, e em verdade ajuda-as a construir um relacionamento íntimo e a partilhar de uma experiência verdadeira e sublime.



A SENDA DO YOGA – Elisabeth Haich



Os que partem na senda do yoga com a intenção de renunciar à energia sexual e subitamente querem levar uma vida abstêmia, evidenciam que não apenas ignoram a origem divina desta energia, mas a própria energia em si! Como pode um homem adquirir controle sobre algo, renunciar a este algo, sem sacrifício ou contradição, se com ele não se familiarizou inteiramente e não chegou a um acordo?

Enquanto um indivíduo suspeita dos prazeres potenciais ainda não experimentados dentro da sexualidade, não pode nem deve renunciar à vida sexual. Viveria, então, na crença de ter omitido  ou perdido algo; e este equívoco cada vez mais o atrairá para experiências sexuais.

Somente quem se familiarizou integralmente com a sexualidade e provou-a totalmente em suas potencialidades, quer nesta existência quer em outra anterior, pode alcançar o Supremo. De outro lado, se ele ignora a sexualidade, a Consciência universal também está muito além de seu alcance.

Se eu quiser extirpar minha energia sexual sem tê-la conhecido previamente, ela se voltará contra mim com toda minha própria potência, porque eu sou esta minha própria energia, mesmo se apenas inconscientemente!



Por esta razão, sua força é igual a minha própria! Em hipótese alguma posso destruí-la, porque isto seria destruir a mim mesmo. Não podemos destruir a energia sexual, apenas podemos transformá-la.

Devo atravessar experiências, devo tornar-me tão integralmente familiarizado com a energia sexual, com todos seus vexames, dificuldades e armadilhas, que nenhum aspecto desta forma de energia criadora me fique oculto. Suponhamos que alguém já tenha adquirido esta experiência e nasceu com ela nesta vida. Não carecerá readquiri-la. Porém, deverá sentir esta certeza em si mesmo.

Se alguém passou por suas experiências de energia sexual, na vida passada ou na presente, libertar-se-á de sua dependência, exercerá controle sobre ela e a usará como poder criador. Se, de outro lado, um homem que ignora a energia sexual e é inapto para transmutá-la, se ele a preserva mediante uma vida abstêmia, esta energia primária será recalcada para o inconsciente e suprimida, tanto que se manifesta de forma pervertida.

Com incrível astúcia, frequentemente causa às pessoas as mais sérias desordens, doenças e perturbações físicas e mentais. Não é incomum descobrir-se que tais sofrimentos sejam causados pela energia sexual reprimida e restringida.

Evidentemente, tal pessoa deveria, com seu cônjuge,  tentar experimentar uma devoção sublime baseada em amor e levar uma vida sexual sadia, satisfeita e higiênica. Em assim procedendo, não deve pensar que uma vida sexual sadia seja algo degradante ou corrupto. Se alguém tem uma atitude sadia para com a vida sexual, esta nunca é degradante ou corrupta.

Não é a sexualidade que degrada ou corrompe o homem, mas este é quem se faz um animal e, em vez de levar uma vida sexual sadia, baseada no amor verdadeiro e na união, deliberadamente distorce-a para um fim brutal, depravado e em si mesmo perverso. Ele corrompe e degrada tanto a si mesmo quanto a sexualidade.