22.8.16

O SERVIÇO À HUMANIDADE – Paul Brunton

Na busca da Verdade, devemos atingir uma dedicação interna, um desejo de ser construtivos na vida e de fazer algo útil para o gênero humano, sem importar-nos quão pequeno seja o serviço, quão limitado seja o objetivo. Cabe a cada indivíduo, segundo as circunstâncias em que o destino o tenha colocado, descobrir como ou quando prestará esse serviço à humanidade. Mas a atitude interna será a mesma para todos, e consiste em dedicar-se aos Poderes Superiores para servir a humanidade.

Não importa que forma tome o serviço exterior. Talvez sejais um operário e muito limitado o vosso campo de utilidade. Se tiverdes o reto espírito, notareis que não importa o que façais, mas como o fazeis, porque é a atitude que mantendes para com vosso trabalho e a eficiência com que procurais fazê-lo que serão a expressão de vosso espírito. Quer sejais uma doméstica ou um presidente da república, vossa atitude interna seria a mesma.

Por ser este um período crítico, uma transição de uma idade para outra, as forças psíquicas para o bem e para o mal estão mais ativas e mais expostas que nunca. Por isso podeis ver muitas coisas que desaprovais, e os indivíduos podem dizer ou fazer coisas que intensamente detestais.

A pressão sobre a mente da humanidade de hoje faz vir à tona ativas simpatias e ativas antipatias, o amor ou o ódio, e quase divide a humanidade em dois campos antagônicos. Algo dentro de nós está insatisfeito e reclama uma existência superior. Devemos orar, não por mais verdade, mas por mais vontade para viver a verdade que já possuímos; não para Deus nos ame, mas para que amemos mais a Deus e O ajudemos, permitindo-Lhe atuar através de nós, de nossos corpos.

Dentro do coração reside a divindade suprema; frequentemente nos dizem que ela reina suprema, mas a não ser que manifestemos a vontade dessa divindade em nossas vidas diárias, não somos seus verdadeiros discípulos.


O QUE É MAYA, A ILUSÃO DO MUNDO MATERIAL – Paul Brunton

Por atrativo que seja o mundo, por atrativas que sejam suas posses, por atrativos que sejam seus amigos e parentes, tudo isso não passa de um espetáculo passageiro, são meras figuras cinematográficas que como chegam, saem. São figuras temporárias e fugazes. Não têm nenhum poder real, permanente.

A vida, o universo, a existência humana nada mais são do que um sonho, um fantasma, uma ilusão. Assemelham-se a cenas de um filme: não têm realidade própria. São precisamente quadros mentais atravessando vossa consciência. Todo este mundo que nos rodeia tem o mesmo valor que o que sonhastes na última noite, e nada mais. Quando acordastes soubestes que foi um sonho, mas até antes de acordardes, para vós era uma realidade.

Parece espantoso dizer que este mundo, que parece tão sólido, tão substancial e tão real, seja realmente feito de sonho, mas tomai o conjunto de vossa vida até esta manhã. Onde está ele? Para onde foi? Penetrou na memória. Tornou-se uma memória.

Os anos em que vivestes tão intensamente em meio das maiores exaltações, das mais dolorosas emoções, das mais fortes paixões e dos mais terríveis sofrimentos: onde estão eles agora? São apenas uma memória. Uma memória é um simples pensamento, uma ideia em vossa mente, nada mais que isso; quando muito um quadro mental.

Se todos os anos passados foram uma exibição de fugitivos e transitórios pensamentos, o que será de vossos futuros anos e do presente em que agora viveis? O presente se tornará passado, e o futuro igualmente se tornará passado. Desde que o presente, passado e futuro constituem o conjunto de vossa existência humana, o que sobra de vossa vida? Nada a não ser uma série de pensamentos que vêm e vão; portanto, do mais elevado ponto de vista, são ilusórios.

O homem deixa de ser enganado por Maya, a ilusão, apenas quando compreende a Realidade Eterna, que o aguarda em seu próprio Coração.

20.8.16

A VIRTUDE DA ESPERANÇA – Paul Brunton


Esperança significa que tendes fé em que por trás das piores condições e circunstâncias há um plano divino trabalhando. Em meio aos maiores desesperos vossos e da humanidade, sabeis que está sendo cumprida a Vontade Divina.

Disse Browning: “Deus está no céu; tudo está certo no mundo”. Tudo vai bem para o mundo, à luz da mais elevada interpretação, porque a Divindade está em toda parte; Ela não nos exilou, e o que quer que aconteça é para a evolução final da humanidade.


Se tendes fé num plano divino atrás de todas as coisas – que inclui também vossa própria vida – mantereis uma inquebrantável esperança. Não importa quão desesperadoras possam ser as coisas para vós ou para o mundo; ainda deveis ter esperança e constância sabendo que a roda girará. Ela deve girar.

As piores experiências são às vezes meios para completar um bem invisível, e os mais agudos sofrimentos trazem em si um elemento positivo e construtivo. Nossa vida não passa de uma educação espiritual, da qual faz parte o sofrimento.

Mantenhamos alto a esperança, quer soframos nós ou o mundo, e compreendamos que nada pode perdurar permanentemente. Todo sofrimento tem de ter um fim, como a noite finda ao despontar a aurora.

Esperança também significa crer na presença do divino poder que aqui está para ajudar-vos, se o quiserdes. Se quereis o poder divino, procurai-o. Pode ser que nem sempre vos ajude à vossa maneira, mas podeis estar seguro disto: se dele vos aproximardes corretamente, sem imposições, obtereis ajuda.

A VIRTUDE DA PACIÊNCIA – Paul Brunton


Paciência significa conhecer o plano por trás do Universo. E esse plano abrange a evolução de todas as criaturas. Tal como a matéria se desenvolveu da Luz Original, assim os seres humanos hão de crescer e se desenvolver em meio a obstáculos e quedas.

Todos eles se acham escalonados em diferentes degraus de uma escada, e se hoje se encontram no degrau inicial, mais tarde se encontrarão no último. Por isso temos de ser pacientes. A Natureza exibe uma tremenda paciência. Ela precisou de milhões de anos para fazer-vos um ser humano, e precisará aguardar milhões de anos para tornar-vos perfeito.



Assim, se a Natureza possui tão tremenda paciência, podeis começar por copiá-la em vossas relações com os seres humanos, vossos próximos, e sem vos importar o modo como eles agem para convosco, procurai ter um pouco daquela paciência, que é tolerância.

Mas se o destino vos colocou numa posição em que tendes um serviço público a executar, ou a governar, cabe-vos cumprir e zelar para que a ordem e a justiça sejam acessíveis . Boa vontade e tolerância devem combinar-se com o senso comum.



DEUS COMO LUZ – Paul Brunton


Nunca vereis a Deus senão como Luz. Deus é infinito e é Espírito. Essa Infinita Luz Universal só pode aparecer-vos de uma maneira infinita, sem quaisquer limites finitos. A coisa mais próxima do Infinito que podemos conhecer é o espaço. Não podeis ver a extensão do espaço, pois quando vos aproximais do horizonte, notareis que ele sempre recua no espaço. Espaço e Luz são os únicos emblemas pelos quais Deus pode se manifestar a vós.


Luz é a forma de Deus, espaço é Sua casa. Se tivésseis de ver Deus como a grande Luz Universal, vós O veríeis como algo fora de vós, embora dentro de vossa mente. Poderíeis sentir-vos como parte dessa Luz, mas ela estaria fora de vós. O simples ato de ver implica duas coisas: um que vê e o que é visto – o que significa dualidade.

Se continuais com vossos esforços para adorar esse Espírito, Ele desejará conduzir-vos um passo mais, a descobrir que vós próprio sois espírito. Quando vedes a Luz,estais no mais elevado plano mental, mas tendes de ascender mais alto.


13.8.16

A ATMOSFERA PESSOAL – A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram

Você carrega consigo, ao redor de si, em si, a atmosfera criada por suas ações, e se o que você faz é belo, bom e harmônico, sua atmosfera é bela, boa e harmônica; por outro lado, se vive num egoísmo sórdido, num interesse inescrupuloso e má vontade, é isso que você respira a cada momento de sua vida e isso significa sofrimento, constante desconforto.

E não acredite que deixando o corpo você se livra dessa atmosfera; pelo contrário, o corpo é um tipo de véu de inconsciência que diminui a intensidade do sofrimento. Se você está sem a proteção do corpo no mundo vital (pós-morte), o sofrimento se torna mais agudo e você não tem mais a oportunidade para mudar o que deve ser mudado, para corrigir o que deve ser corrigido, e de se abrir a uma vida e consciência mais luminosas e felizes.

Apresse-se em fazer seu trabalho aqui, pois é aqui que pode realmente fazê-lo. Nada espere da morte. A vida é a sua salvação. É na vida que você deve se transformar. É sobre a terra que você progride e é sobre a terra que você realiza.

Mas quando você é bom, quando é generoso, nobre, desinteressado, gentil, você cria em si, ao redor de si, uma atmosfera particular e essa atmosfera é um tipo de libertação luminosa. Você respira e se abre como uma flor ao sol; não há reações negativas no interior, nenhuma amargura, nenhuma revolta, nenhum sofrimento.

Espontaneamente, naturalmente a atmosfera se torna luminosa e o ar que você respira está cheio de felicidade. E esse é o ar que você respira, no corpo ou fora do corpo, desperto ou dormindo, na vida e após a morte.

Cada ação errada produz na consciência o efeito de um vento que seca, de um frio que congela ou de chamas que consomem. Cada ação boa e gentil traz luz, descanso, alegria – a luz solar na qual as flores desabrocham.

A VICHARA - A. Daley

A Vichara (a pergunta "Quem sou eu?") é o caminho mais simples, mais direto e mais rápido que vai da consciência do ego ao Despertar da alma. O simples ato de perguntar "Quem sou eu?" com o tempo trará a quem pergunta um vislumbre do verdadeiro Ser eterno que é o estado natural da Consciência, e  cada pergunta vai se tornar um ato automático de lembrança do Eu. Portanto é bom perguntar "Quem sou eu?" frequentemente e com seriedade, até isso se tornar uma prática contínua.


A vichara é especialmente necessária após a pessoa ter sido engolida pelas atrações ou envolvimentos do mundo. No começo, a lembrança do Eu será apenas ocasional e breve, mas a cada vez que acontecer, a equanimidade da Consciência transmitirá certa calma ao corpo e mente. Este é o começo do desapego do ego e do mundo; é o começo de um processo que continuará até acontecer a verdadeira Iluminação.



O Caminho Direto é um caminho completo, desde o início do processo de separar a consciência de seus veículos. E logo se verá que o corpo e a mente são impermanentes, e que a consciência é o verdadeiro espírito, a vida imortal imutável.  Jesus disse que um homem deve perder a si mesmo para encontrar seu verdadeiro Ser, e dessa maneira, através da prática da vichara, estas palavras se tornam verdadeiras.


Naturalmente o ego, durante muito tempo, vai querer retornar a seus velhos caminhos, e certamente o fará muitas vezes. Os hábitos, desejos e apegos que foram construídos no ego durante muitas vidas são fortes e parecem ter uma vida própria. Apesar disso, a consciência da alma é tão doce que o ego e todas essas coisas começam a perder seu sabor, e a mente se volta mais e mais constantemente e por períodos mais longos ao estado eterno da Consciência do espírito, onde a mente permanece livre dos problemas de um mundo ilusório.


Se você ainda não pratica a Vichara, comece a praticar e continue na prática até o primeiro vislumbre da Realização; então você continuará com mais ardor a fim de que este primeiro vislumbre se torne um estado permanente.




A ALMA DO SILÊNCIO – Swami Thapovan Maharaj

O Silêncio é a Verdade. O Silêncio é Bem-Aventurança. O Silêncio é Paz. Daí que o Silêncio é o Atman (a Alma Universal). Viver nesse Silêncio é a meta. É o fim desse ciclo interminável de nascimentos e mortes.  Sri Rámana era a incorporação desse Silêncio. Ele era o próprio Silêncio. Portanto ele não pregou o Silêncio.

Há trinta e cinco anos atrás, tive a boa sorte de encontrar o Maharshi em Tiruvannamalai, quando ele vivia numa caverna com sua mãe e irmão. Num certo dia, um jovem brahmachári (que fez voto de castidade) naquela época subiu até a caverna, viu o Maharshi ali, colocou uma penca de bananas a seus pés, curvou-se e sentou-se perante ele.

No mesmo momento alguns macacos pularam na cena, disputaram as bananas e fugiram com elas. O Maharshi olhou amavelmente para mim. Isso foi tudo, nem uma palavra se passou entre nós. Um Silêncio supremo, dinâmico e divino prevaleceu. Uma hora se passou, todos em Silêncio. Ele se levantou para comer algo. Eu também me levantei, prostrei-me novamente e desci a colina.

O divino Silêncio se aprofundou mais e mais dentro de mim a cada passo! Alguém veio correndo atrás de mim e me instou a pegar um pouco de prasad (alimento consagrado). Agradecendo, recusei.  Eu estava “pleno” de Silêncio. O Maharshi chamou-o de volta e o aconselhou a não insistir. Então deixei a caverna e fui embora.


O CAMINHO ESPIRITUAL - Swami Ramanagiri

Quando uma pessoa volta sua mente em direção ao Divino, duas coisas acontecem – primeiro, ela passa por uma experiência feliz, que mostra que está no caminho certo e que está progredindo. Segundo, quando as forças diabólicas veem que a pessoa está progredindo, elas colocam todo tipo de obstáculo para o praticante sob a forma de problemas mundanos, aborrecimentos mentais e desejos sexuais. Mas não se preocupe. Essas coisas são boas porque nos fazem sentir fartos do mundo.

Durante o sádhana (práticas espirituais), maya, a ilusão, vem à alma sincera primeiro na forma de problemas mundanos. Segundo, na forma de doenças, e terceiro na forma de amigos queridos que mantêm o praticante longe de sua busca. Nossa mente é o maior trapaceiro do mundo, ela criará milhares de razões diferentes para seguir seus velhos caminhos. Se você tratá-la como a um amigo, ela nunca ficará satisfeita. Se tratá-la como a um inimigo e tentar livrar-se dela, só conseguirá com a graça do Divino, uma vez que ela tem duas armas muito poderosas, que são o intelecto discriminador e a faculdade imaginativa. Estas duas coisas podem convencer o próprio Deus de que a cor preta é branca.


12.8.16

BRAHMAN, O ABSOLUTO – Swami Vivekananda

- Devido à presença do desejo de bem-aventurança no coração, o homem, recebendo duros choques, um após o outro, volta sua atenção para dentro – para seu próprio Eu. Seguramente um tempo chegará a todos, sem exceção, em que sua atenção se voltará para o Eu – para um pode ser nesta vida, para outro após milhares de encarnações.

- Todo este universo estava no Absoluto, e foi como que projetado d’Ele, e desde então tem estado a caminho de voltar à fonte da qual foi projetado, como a eletricidade que sai do dínamo, completa o circuito e retorna a ele. O mesmo acontece com a alma. Projetada de Brahman, passou por todo tipo de formas vegetais e animais, e finalmente está no homem, e o homem é quem está mais próximo a Brahman. Voltar a Brahman do qual fomos projetados é a grande luta da vida. 

  Vivekananda

O SENHOR BUDDHA - Swami Vivekananda

- Eu gostaria de ver mais homens morais como Gautama Buddha, que não acreditava num Deus Pessoal ou numa alma pessoal, nunca perguntou sobre eles, e era um perfeito agnóstico, e ainda assim pronto a oferecer sua vida a qualquer um, tendo trabalhado toda sua vida pelo bem de todos, pensando apenas no bem de todos. Bem disse seu biógrafo, descrevendo seu nascimento, que ele nasceu para o bem de muitos, como uma bênção para muitos. Ele não se dirigiu à floresta para meditar a fim de obter sua própria salvação; ele sentiu que o mundo estava queimando, e que ele deveria encontrar uma solução. “Por que existe tanta miséria no mundo?” – era a pergunta que dominou toda sua vida.

- Buddha nunca se curvou a nada, nem Vedas, nem casta, nem sacerdotes, nem costumes. Ele destemidamente raciocinou tão longe quanto a razão poderia levá-lo. Tal busca destemida pela verdade e tal amor por toda criatura viva do mundo nunca foram vistos.

- Ouça a mensagem de Buddha – uma tremenda mensagem. Ela tem um lugar em nosso coração. Diz Buddha: “Arranque a raiz do egoísmo e tudo que o torna egoísta. Não seja do mundo; torne-se perfeitamente inegoísta.” Assim que desejos egoístas aparecem, assim que se inicia uma busca egoísta, imediatamente o homem integral, o homem verdadeiro, se foi: ele se torna um bruto, um escravo, ele esquece seus companheiros. Não mais ele diz: “Você primeiro e eu depois”, mas sim “Eu primeiro e cada um que cuide de si mesmo”.

- Buddha é o único profeta que disse: “Não me preocupo em conhecer vossas várias teorias sobre Deus. De que serve discutir todas as doutrinas sutis sobre a alma? Faça o bem e seja bom. E isto o levará à liberdade e a qualquer verdade que exista.”

- Buddha foi o primeiro que ousou dizer: “Creia não porque alguns velhos manuscritos são produzidos, creia não porque é sua crença nacional, ou porque você foi ensinado a crer desde sua infância; mas use a razão em tudo, e após analisar, se achar que a crença fará bem a todos, então creia, viva de acordo e ajude outros a viver.”

- Houve grandes homens que disseram que eram Avatares, e que aqueles que não acreditassem neles iriam ao inferno. Mas o que disse Buddha com seu último suspiro? “Ninguém pode ajudá-lo; ajude a si mesmo; consiga sua própria salvação.”

- Ele disse sobre si mesmo: “Buddha é o nome do conhecimento infinito, infinito como o céu. Eu, Gautama, alcancei esse estado; vocês também alcançarão se lutarem por isso.”

- Buddha não quis ir para o céu, não quis dinheiro; ele abandonou seu trono e tudo o mais, e saiu mendigando seu pão pelas ruas da Índia, pregando pelo bem dos homens e animais com um coração tão vasto quanto o oceano. Ele foi o único homem que estava sempre pronto para dar sua vida pelos animais, a fim de findar um sacrifício. Certa vez ele disse a um rei: “Se o sacrifício de uma ovelha o ajuda a ir para o céu, sacrificar um homem o ajudará ainda mais, portanto sacrifique a mim.” O rei ficou abismado.

- Para muitas pessoas o caminho se torna mais fácil, se acreditarem num Deus. Mas a vida de Buddha mostra que mesmo que um homem não acredite em Deus, não saiba nenhuma metafísica, não pertença a nenhuma seita, e não vá a nenhuma igreja ou templo, e seja um materialista confesso, mesmo assim ele pode atingir o estado mais elevado. Não temos o direito de julgá-lo. Eu gostaria de ter uma parte infinitesimal do coração de Buddha. Buddha pode ou não ter acreditado em Deus; isso não me importa. Ele alcançou o mesmo estado de perfeição que outros chegaram através da devoção (bhakti), meditação (yoga) ou sabedoria (jnana).

- Quando a tentação veio a Buddha para que abandonasse sua busca pela Verdade, para que voltasse ao mundo e vivesse a velha vida de fraude, dizendo mentiras para si mesmo e a todos, ele, o gigante, conquistou-a e disse: “A morte é preferível a uma vida vegetativa e ignorante; é melhor morrer no campo de batalha que viver uma vida de fracasso.”

- Foi o Grande Buddha, que nunca se importou com os deuses dualistas, que tem sido chamado de ateu e materialista, foi ele que estava pronto a dar sua vida por um pobre carneiro. Aquele Homem colocou em prática as mais altas ideias morais que uma nação possa ter. Onde quer que exista um código moral, é um raio da luz daquele Homem.


O MANVANTARA OU GRANDE PLANO - Ramatis

    Pergunta: - Que significa esse "Grande Plano" ou "Manvantara", no Cosmo?

            Ramatís: - Assegura a vossa ciência que o Universo se encontra em fase de contínua expansão; assemelha-se a gigantesca explosão que se dilata em todos os sentidos. Efetivamente, a imagem está próxima da realidade; entretanto, como o tempo no vosso mundo é relativo ao calendário humano, não podeis avaliar essa explosão na eternidade da Mente Divina! Para Deus, esse acontecimento é tão instantâneo como o explosivo que rebenta no espaço de um segundo terrestre! Mas essa expansão não se verifica apenas na estrutura da matéria cósmica que anotais através de vossos instrumentos científicos, pois o envoltório físico é o vestuário exterior e provisório dos Augustos Espíritos do Senhor, cujas auras conscienciais também se expandem em todos os sentidos, no indescritível processo de criar e evoluir.

            Cada um dos Grandes Planos ou Manvantaras, correspondente ao total de 4.320.000.000 de anos do vosso calendário, no tempo que gasta para se concretizar completamente, significa para Deus a sensação de uma explosão comum que efetuais com fogos de artifício! O Cosmo, eliminada a idéia de tempo e espaço, é apenas uma eterna "Noite Feérica" e infinita festa de Beleza Policrômica, decorrendo sob a visão dos Espíritos Reveladores da Vontade e da Mente Criadora dos Mundos.

            A consciência espiritual do homem, à medida que cresce esfericamente, funde os limites do tempo e do espaço, para atuar noutras dimensões indescritíveis; abrange, então, cada vez mais, a magnificência real do Universo em si mesma, e se transforma em Mago que cria outras consciências menores em sua própria Consciência Sideral.



            Pergunta: - Quais as características principais de um Grande Plano, ou Manvantara?

            Ramatís: - Visto que a Criação, que é o produto do Pensamento de Deus, nunca teve começo, assim como não terá fim, nem se subordinará nunca ao tempo e ao espaço, os Mentores Siderais procuram expressar o seu processo criador tanto quanto seja possível ao entendimento humano, por cujo motivo a situam, idiomaticamente, em duas fases distintas e compatíveis com a compreensão humana. É óbvio que Deus não traçou divisões em si mesmo, porquanto a sua manifestação é eterna, contínua e ilimitada. Mas a filosofia oriental procurou distinguir, no Onipotente, a fase da sua "descida" à forma exterior-matéria e, depois, o "retorno" ou a dissolução da substância, como a libertação do Espírito Cósmico da forma. Em conseqüência, a "expiração" é a descida angélica para fora, ou exterior, e que no Oriente se denomina o "Dia de Brama", isto é, quando Deus cria. A segunda fase é a "aspiração", ou seja, a "Noite de Brama", quando então Deus dissolve o Cosmo exterior.

            O "Grande Plano" - denominação mais apropriada para a mente dos ocidentais - ou o "Manvantara", da escolástica oriental, abrange, então, essas duas fases de expirar e aspirar, ou sejam a Noite de Brama e o Dia de Brama. Perfaz cada fase o tempo de 2.160.000.000 de anos terrestres, somando ambas o total de 4.320.000.000 de anos, em cujo tempo Brama, ou Deus, completa uma "Respiração", ou seja, um Grande Plano ou Manvantara.

            Cada signo zodiacal dura exatamente 2.160 anos, e um Grande Ano Astrológico compreende a passagem completa do Sol pelos 12 signos, perfazendo, então, 25.920 anos. Os antigos atlantes não se referiam ao Grande Plano nem ao Manvantara, mas ao "Supremo Giro de Ra", ou seja, o "Supremo Giro do Sol", que devia compor-se exatamente de 2 milhões de signos zodiacais. Sendo cada signo de 2.160 anos, conforme a tradição astrológica, dois milhões de signos somam 4.320.000 .000 de anos terrestres, ou seja um Grande Plano ou Manvantara.

            Os velhos iniciados dos Vedas e os instrutores da dinastia de Rama costumavam afirmar que a respiração macrocósmica de Brama corresponde à respiração microcósmica do homem.



OS CULPADOS PELAS GUERRAS - Ramatis

Evidentemente, a guerra não é culpa exclusiva dos militares, mas resulta de questões racistas, domínios ideológicos, interesses comerciais e econômicos, competições políticas, ambições de conquistas e espírito de pilhagem animal, os quais ultrapassam os próprios campos de batalha.

Sob a perspectiva de guerra, todas as criaturas alimentam algo de ganho fácil e interesse pessoal em tal acontecimento trágico. Enquanto o soldado sonha com as divisas de sargento, este aspira ao posto de oficial; e o oficial, por sua vez, antevê os seus galões de general!

Os industriais alteram o preço dos produtos alegando o clima belicoso, os negociantes ocultam os gêneros alimentícios, aguardando o ensejo favorável para vendê-los a preços escorchantes! Os jornais alcançam edições vultosas, prenhes de mentiras, boatos, exaltações racistas, incentivos e difamações contra os pacifistas.

Os sacerdotes benzem armas, submarinos e tanques de guerra, em nome do "seu Deus" e contra o Deus do inimigo; mulheres, crianças e velhos, entre vivas e entusiasmos, rejubilam-se com as primeiras vitórias sobre o adversário justo ou injusto, massacrado impiedosamente!

Enquanto isso, os oportunistas lançam a confusão entre ódios e desforras, organizando a pilhagem dos bens do estrangeiro radicado em sua pátria, praticando as mais ignóbeis e inescrupulosas ações de pilhagem criminosa!

O espírito de guerra alimenta a própria vida civil, incentivando as mais indignas ações dos próprios cidadãos pacíficos e inofensivos! Mas os povos inimigos, que estão do outro lado da luta, também pensam assim e hão de agir da mesma forma, porque a guerra é um produto da animalidade e ignorância de toda a humanidade, cuja herança de rancor, ódio, cobiça, inveja, orgulho, egoísmo e rapinagem, é conseqüência funesta desde os tempos dos homens das cavernas!

A guerra monstruosa só deixará de existir, na Terra, quando os homens dominarem os seus sentimentos perversos, buscando a vivência da paz e do amor nos códigos morais deixados por Buda, Krishna, Jesus, Gandhi e outros luminares da vida espiritual.



O KARMA DO CARNIVORISMO - Ramatis

O sacrifício habitual de touros, cabritos, carneiros e aves, entre judeus, mascarava a sede de sangue dos espíritos monstruosos do Além, os quais incentivavam tais práticas tenebrosas a fim de compensarem a redução dos massacres humanos dos antigos ritos pagãos.

Eles vampirizavam as carnes tenras das crianças sacrificadas aos ídolos bárbaros, assim como os civilizados de hoje exigem, epicuristicamente, a carne da vitela para satisfazer o seu carnivorismo insaciável.

Embora os próprios sacerdotes, às vezes, percebessem em sua "visão astralina" a presença dos detestáveis vampiros banqueteando-se no sangue dos sacrifícios, eles também fingiam ignorar o acontecimento, porque viviam nababescamente da "indústria da morte", tal qual hoje ainda se vive do massacre, nos matadouros e frigoríficos!

Os templos pagãos com a degola e a queima de crianças e jovens, os templos judeus com o morticínio de animais e aves, eram verdadeiras filiais de fornecimento de tônus vital cobiçado pelos espíritos subvertidos do Além-túmulo, tal qual ainda se faz hoje nos candomblés africanos e outros ritos primitivos.

Mas o sangue vertido inutilmente volta-se por Lei Cármica contra os seus próprios responsáveis, marcando-os como futuras vítimas do vampirismo, feitiçarias ou obsessões.

Aliás, o homem resgata, quase de imediato, a sua defecção para com os animais, porque herda as doenças que eles não podem denunciar antes do corte, em face de sua impotência verbal. Então proliferam hepatites, tumorações, anemias perniciosas, decomposições sangüíneas, nefrites, hipertrofias, artritismos, úlceras, chagas e principalmente o parasitismo incontrolável de amebas, giárdias, estrongilóides, triconocéfalos, helmintos, oxiúros, tênias, ascárides ou diversos protozoários patogênicos.



Os homens ainda poderiam gozar de alguns conceitos favoráveis junto à Administração Sideral, mesmo alimentando-se de carne, caso o fizessem exclusivamente da caça de aves e animais selvagens, cujo psiquismo primário ainda não os perturba na morte súbita, porque estão vinculados a um Espírito-Grupo.

Mas eles agravam suas culpas, porque além de mistificarem os infelizes irmãos menores através de uma assistência aparentemente fraterna, à base de antibióticos, vacinas, rações especializadas e cuidados quase maternais, depois os devoram impiedosamente sob as mais requintadas formas de cozidos e assados!

Algumas espécies animais, como o cão, camelo, elefante, carneiro, macaco, gato e principalmente o cavalo, já possuem bem desenvolvido o corpo astral, que lhes permite dar vazão a emoções e sentimentos a caminho de humanização. O cavalo, no entanto, já demonstra rudimentos de raciocínio, e começa a revelar essa qualidade no campo da aritmética e no discernimento familiar dos locais que percorre freqüentemente, como no caso dos cavalos de padeiros, que após determinados ensinos podem visitar a freguesia sem qualquer comando humano.

É evidente que, se o cavalo já apresenta comprovações da "razão humana", os comedores de carne de cavalo começam a praticar novamente a "antropofagia", isto é, devoram carne humana!

Enquanto existir sangue à disposição dos vampiros do Além, a obsessão, o feitiço, a tragédia, a desventura e a doença ainda serão patrimônios cármicos da humanidade terrícola! 


6.8.16

O FUNCIONAMENTO DAS LEIS NATURAIS - Paramahansa Yogananda

Devido aos males acumulados de más ações das pessoas em geral, e suas vibrações destrutivas, as leis celestiais que controlam as forças da natureza são impedidas de funcionar adequadamente, resultando em secas, enchentes etc. Mesmo os Mestres da Sabedoria não podem livrar o povo do sofrimento, porque as pessoas exercitaram seu próprio livre-arbítrio mal dirigido para excluir os poderes divinos.

Se um povo passa fome, isso é resultado dos males acumulados das pessoas, sendo que sua punição foi trazida por elas próprias, porque suas ações erradas e suas vibrações romperam as sutis forças astrais que controlam as condições climáticas que governam o planeta.

Portanto, a natureza desgovernada não é um fatalismo, mas sim as consequências do mau uso que o homem faz de seu livre-arbítrio. 

DEVOÇÃO E FILOSOFIA - Swami Vivekananda

O caminho da devoção é natural e agradável. O caminho filosófico é levar montanha acima a correnteza para sua fonte à força. É um método mais rápido, mas muito duro. A filosofia diz: “Examine tudo”. A devoção diz: “Abandone tudo à correnteza, tenha eterna submissão.” É um caminho mais longo, mas mais fácil e mais feliz.

Deixe que tudo venha por si mesmo. Este é o significado de “Seja feita Vossa vontade”, e não seguir lutando e pensando a todo momento que Deus deseja nossas próprias fraquezas e ambições mundanas.

O devoto ao final conclui que o próprio amor é Deus e nada mais. Onde deve ir o homem para provar a existência de Deus? O amor é a mais visível das coisas visíveis. É a força que move o sol, a lua e as estrelas, manifestando-se como homens, mulheres e animais, em todo lugar e em todas as coisas. Ele se expressa em forças materiais como a gravidade e assim por diante. Ele está em todo lugar, em todo átomo, manifestando-se em todo lugar. É esse infinito amor o que move este universo, ele é o próprio Deus.

O CAMINHO DO YOGA - Swami Vivekananda


- Cada alma é potencialmente divina. A meta é manifestar essa divindade interior, controlando a natureza interna e externa. Faça isso através do trabalho, ou pela adoração, ou controle psíquico ou pela filosofia – por um desses caminhos, ou mais, ou por todos eles – e seja livre. Essa é toda a religião. Doutrinas, ou dogmas, ou rituais, ou livros, ou templos, ou formas, são apenas detalhes secundários.

- A meta última de toda a humanidade é apenas uma – realizar a divindade que é a natureza verdadeira de cada homem. Mas enquanto a meta é a mesma, o método de consegui-la pode variar de acordo com os vários temperamentos do homem. Os métodos empregados para isso são chamados de Yoga, e os principais são Karma Yoga, Bhakti Yoga, Raja Yoga e Jnana Yoga.

- Os yogues dizem que de todas as energias que existem no corpo humano, a mais elevada é a que eles chamam de ojas. Esta ojas é depositada no cérebro, e quanto mais ojas existir na cabeça de um homem, mais poderoso ele é, mais intelectual e espiritualmente forte. Um homem pode falar belas palavras e belos pensamentos, mas não impressiona as pessoas; um outro não diz belas palavras nem belos pensamentos, e ainda assim suas palavras encantam. Cada movimento seu é poderoso. Este é o poder de ojas.

- Todas as forças que trabalham no corpo, em seu nível mais elevado, se tornam ojas. Você deve lembrar que é apenas uma questão de transformação. A mesma força que opera como eletricidade ou magnetismo, será transformada em força interior; as mesmas forças que trabalham como energia muscular serão transformadas em ojas. Os yogues dizem que aquela parte da energia humana que se expressa como energia sexual, como pensamento sexual, quando bloqueada e controlada, facilmente se transforma em ojas, e como o Muladhara guia estas energias, o yogue presta uma atenção particular nesse chakra. Ele tenta tirar toda esta energia sexual e transformá-la em ojas. É apenas o homem ou a mulher castos que podem fazer ojas subir e armazená-la no cérebro; é por isso que a castidade sempre foi considerada como a mais alta virtude. Um homem sente que, se ele não é casto, a espiritualidade se vai, ele perde força mental e moral. É por isso que em todas as ordens religiosas que têm produzido gigantes espirituais você sempre encontrará que elas insistem na castidade. É por isso que os monges vieram a existir, abandonando o casamento. Deve haver perfeita castidade em pensamento, palavra e ação; sem isso a prática de Raja Yoga é perigosa, e pode levar à insanidade.


- A utilidade dessa ciência (Yoga) é trazer a perfeição do homem, e não deixá-lo esperar vários ciclos de tempo, sendo apenas um brinquedo nas mãos do mundo físico. Esta ciência quer que você seja forte, que tome a obra (da autoperfeição) em suas próprias mãos, ao invés de deixá-la nas mãos da natureza, e ir para além dessa pequena vida. Esta é a grande ideia.

- Tudo que é secreto e misterioso nestes sistemas de Yoga deve ser rejeitado imediatamente. A melhor guia na vida é a força. Em religião, assim como em outros assuntos, descarte tudo que te enfraquece, não tenha nada a ver com isso. O comércio daquilo que é misterioso enfraquece o cérebro humano.

- Isso (yoga) não é brincadeira de criança, para ser tentado num dia e descartado no dia seguinte. É o trabalho de uma vida; e o fim a ser alcançado vale aquilo que possa nos custar, sendo nada menos que a realização de nossa absoluta unidade com o Divino. 

 

CORPO JOVEM, ALMA VELHA - Papaji

Durante os anos em que vivíamos em Madras, eu sempre levava minha família e colegas de trabalho ao ashram de Sri Ramana Maharshi nos finais de semana. Das pessoas que iam comigo, o Maharshi parecia ter uma afeição especial por minha filha de 7 anos.

Ela tinha aprendido tâmil muito bem, durante esse tempo em que morávamos em Madras, de modo que podia conversar com o Maharshi em sua língua nativa. Eles costumavam rir e brincar juntos, sempre que visitávamos o ashram.

Em uma de minhas visitas, ela se sentou em frente ao Maharshi e entrou numa espécie de êxtase meditativo profundo. Quando o sino para o almoço tocou, fui incapaz de levantá-la. O Maharshi aconselhou-me a deixá-la em paz, e então saímos para comer sem ela.

Quando voltamos ao salão, ela estava no mesmo lugar e no mesmo estado. Ali passou várias horas mais naquela condição, antes de voltar ao estado desperto normal.

O Major Chadwick observava tudo aquilo com grande interesse. Após a experiência dela terminar, ele aproximou-se do Maharshi e disse, “Há dez anos que estou aqui, mas nunca tive uma experiência como essa. Parece que esta garota de sete anos teve um êxtase sem fazer qualquer esforço. Como isso pôde acontecer?”


O Maharshi simplesmente sorriu e disse, “Como você sabe que ela não é mais velha que você?”

Após aquela intensa experiência, minha filha passou a amar o Maharshi e se tornou muito apegada a ele. Antes de partir, ela lhe disse, “Você é meu pai. Não vou voltar para Madras. Ficarei aqui com você”.

O Maharshi sorriu e disse, “Não, você não pode ficar aqui. Deve voltar com seu verdadeiro pai. Vá para a escola, termine sua educação, e então poderá voltar, se quiser.”

Aquela experiência teve um grande impacto sobre ela, e depois daquilo ela só queria estar com Bhagavan. Nenhum dia se passava sem que ela se lembrasse daquelas horas absorvida no êxtase perante Bhagavan. Quando as pessoas lhe perguntavam o que aconteceu naquele dia, ela ficava muda, incapaz de responder, e começava a chorar dizendo, “Oh Bhagavan!”.


JIVANADI, O CANAL SUTIL QUE VAI DO CÉREBRO AO CORAÇÃO - Sri Ramana Maharshi

Devoto: O Jivanadi é uma entidade ou uma invenção da imaginação?

Mestre: Os yogues dizem que existe um nadi (canal sutil) chamado jivanadi, atmanadi ou paranadi. Os Upanishads falam de um centro do qual milhares de nadis se ramificam. Alguns localizam tal centro no cérebro e outros em outros centros. O Garbhopanishad descreve a formação do feto e o crescimento da criança no útero.

O jiva (alma individual) entra na criança através da fontanela no sétimo mês de seu desenvolvimento. Como evidência aponta-se que a fontanela é mole num bebê e também parece pulsar. Ela leva alguns meses para ossificar. Assim o jiva vem de cima, entra através da fontanela e trabalha através de milhares de nadis que estão espalhados por todo o corpo.

Portanto o buscador da Verdade deve concentrar-se no sahasrara, que é o cérebro, para voltar a sua fonte. Dizem que Pranayama é uma ajuda ao yogue para despertar a Kundalini Sakti que repousa enrolada no plexo solar. A sakti desperta através de um nervo chamado Sushumna, que se localiza no centro da espinha dorsal e se estende até o cérebro.

Se a pessoa se concentra no Sahasrara, não há dúvida de que entrará em êxtase. Entretanto, as tendências não são destruídas. O yogue portanto está destinado a voltar do êxtase, porque a libertação da matéria ainda não foi efetuada. Ele ainda deve tentar erradicar as tendências para que o que está latente em si não perturbe a paz de seu êxtase.

Assim, ele desce do sahasrara ao coração através do que é chamado jivanadi, que é apenas uma continuação do Sushumna. O Sushumna é assim uma curva. Começa no plexo solar (ou no Muladhara, segundo o yoga), sobe através da espinha dorsal ao cérebro e dali curva-se para baixo e termina no coração.

Quando o yogue alcançou o coração, o êxtase se torna permanente. Assim vemos que o coração é o centro final. Alguns Upanishads também falam de 101 nadis que saem do coração, um deles sendo o nadi vital. Se o jiva desce vindo de cima e se reflete no cérebro, como dizem os yogues, deve haver uma superfície refletora em ação.

Essa superfície também deve ser capaz de limitar a Consciência Infinita aos limites do corpo.

Em resumo o Ser Universal se torna limitado como um jiva. Tal meio refletor é suprido pelas tendências do indivíduo. Elas agem como a água num pote que reflete a imagem de um objeto. Se o pote ficar seco, não haverá reflexo. O objeto ficará sem ser refletido. O objeto aqui é o Ser-Consciência Universal que a tudo penetra e é portanto imanente em tudo.

Não é necessário reconhecê-lo apenas pela reflexão; esse ser é auto-luminoso. Portanto o objetivo do buscador deve ser secar os desejos do coração e não deixar que um reflexo obstrua a Luz da Eterna Consciência. Isto é obtido pela busca da origem do ego (vichara) e por mergulhar no coração. Este é o método direto para a auto-realização. Aquele que o adota não precisa se preocupar com os nadis, o cérebro, o Sushumna, o Paranadi, a Kundalini, pranayama ou os seis chakras.

O Eu não vem de nenhum outro lugar e entra no corpo através da coroa da cabeça (Sahasrara). Ele é o que é, sempre brilhante, sempre firme, imóvel e imutável. As mudanças percebidas não são inerentes ao Eu que mora no Coração e é auto-luminoso como o Sol.

A relação entre o Eu e o corpo ou a mente pode ser comparada à que existe entre um claro cristal e seu pano de fundo. Se o cristal é colocado na frente de uma flor vermelha, ele brilha vermelho; se é colocado na frente de uma folha verde, ele brilha verde, e assim por diante.

O Coração é o centro. Uma pessoa nunca está distante dele. Embora os Upanishads digam que a alma individual funcione através de outros chakras em diferentes ocasiões, mesmo assim ela não deixa o Coração. Os chakras são apenas lugares de atividade. A alma individual está presa ao Coração assim como uma vaca amarrada a um tronco. Os movimentos são controlados pelo tamanho da corda. Todo seu caminhar se centra ao redor do tronco.





Nota: não se deve confundir Hridaya (o coração espiritual) com Anáhata (o chakra do coração). Hridaya não é um dos sete chakras do yoga.