Primeiramente devemos corrigir
o pensamento; segundo, corrigir a atividade prática; terceiro,
corrigir o sentimento. Obtém-se o primeiro, com reflexões
metafísicas de caráter mentalista. Realiza-se o segundo,
renunciando à vontade pessoal. O terceiro se alcança por uma
educação da atenção, graças a exercícios regulares de meditação
ou yoga.
Quem já não se perdeu em
algum devaneio agradável, ou não se absorveu completamente em algum
trabalho intelectual? Quem não perdeu o sentido do tempo, esqueceu
seu ambiente ou então abandonou suas preocupações e, às vezes,
cessou de perceber uma dor física?
É muito grande o número de
pessoas que já fizeram estas experiências, o que indica que já
praticavam a meditação sem o saber. Isso é verdadeiramente o
começo de uma experiência do yoga. A chave do sucesso no yoga se
constitui, em parte, pela capacidade natural de concentração que
nela se emprega, e em parte, pela energia com a qual nos entregamos
ao exercício regular.
Quando se fazem os exercícios
do yoga corretamente, mesmo que seja durante seis meses somente,
obtêm-se resultados excelentes e cada vez mais numerosos. Mas para
meditar é preciso que se tenha lugar e tempo disponíveis. É
preciso traçar um programa quotidiano e executá-lo. O hábito
governa a vida do homem.
A maioria das pessoas está
presa a uma rede de prazeres e atividades, da qual lhes é muito
difícil desembaraçar-se. Alguns prazeres e atividades são
essenciais, mas não todos.
No começo, os exercícios
devem ser feitos num mesmo lugar e à mesma hora, mas a regra pode
ser mais livre, quando progressos sensíveis forem alcançados; então
os exercícios poderão ser realizados em qualquer lugar e a qualquer
hora. Um quarto onde possamos ficar a sós, durante meia hora, pela
manhã ou à tarde, convém perfeitamente.
Certos obstáculos físicos
devem ser eliminados, porque perturbam a atenção. O barulho, por
exemplo, não pode ser permitido; todo ruído é amplificado durante
a calma interior da meditação. É preciso, pois, escolher um lugar
suficientemente silencioso.
Outro obstáculo é o
movimento e as intrusões repentinas de outras pessoas. É preciso
que ninguém nos incomode e o melhor é fechar-nos à chave durante a
meditação.
O terceiro obstáculo é
apresentado pelos movimentos nervosos ou irregulares do corpo. É
preferível conservar a espinha dorsal ereta. O aluno pode apoiar as
costas na parede, se estiver no chão, ou no espaldar da cadeira, se
ficar assentado. A espinha ereta favorece uma respiração ampla e
intensa, para que a força vital latente nos órgãos genitais suba
ao longo da coluna vertebral até a extremidade da cabeça para
sublimá-la e espiritualizá-la.
Uma saúde má é o quarto
obstáculo. As dores, as perturbações físicas, o mau funcionamento
do corpo podem distrair a atenção e tornar a meditação
impossível. É necessário tratar-se com a medicina disponível, sem
esquecer que é uma região em que o karma pessoal é particularmente
ativo. Ao mesmo tempo, há casos em que o excesso de tempo criado por
uma enfermidade favoreceram a meditação, bem como casos em que o
desgosto do corpo provocado pela enfermidade tornou a mente
meditativa pela primeira vez.
Há ainda os obstáculos
emotivos. As depressões morais, as perturbações emotivas, as
paixões, as amarguras, imaginações descontroladas, podem
interferir. Assim, o aluno deve no começo esforçar-se por afastar
todo pensamento relativo a negócios pessoais, excluir todas as
lembranças dolorosas ou agradáveis, desprender sua atenção dos
trabalhos ou interesses do dia.
Um obstáculo freqüente é a
fadiga mental que provém da agitação e do barulho do dia. Mas a
meditação mesma traz o repouso e o relaxamento necessários. Um bom
meio de se restabelecer consiste em estender-se, estirar-se durante
alguns minutos sobre um tapete e manter os membros distendidos,
respirando regularmente. Não se empregue nenhum suporte para a
cabeça.
A impaciência é outro
obstáculo psíquico. Cada estudante deve impregnar seu espírito da
esperança de que, se os exercícios forem feitos assiduamente e com
atenção profunda, haverá certamente bons resultados. Com o tempo,
os exercícios se tornam agradáveis e interessantes.
A perfeita concentração da
atenção é uma das chaves para o sucesso. Se o pensamento e o
sentimento não são dirigidos para os canais definidos, são
comparáveis ao vapor que se escapa inutilmente no ar em lugar de
mover uma locomotiva de cem toneladas. O exercício de concentração
será um fracasso enquanto o interesse não for despertado. É vão
escolher um exercício, somente porque agradou a outra pessoa ou lhe
ofereceu resultados particulares. O aluno deverá escolher aqueles
que solicitam mais seu interesse e sua imaginação; e assim se
sentirá espontaneamente absorvido pelo assunto.
Pode começar por concentrar
sua atenção sobre um objeto, uma ideia ou simplesmente voltá-la
para o interior de si mesmo. Será necessário reconduzir o
pensamento sem trégua quando se afasta, e para isso são necessárias
a destreza e a perseverança.
A meditação deve
constantemente tender a orientar-se mais alto para qualquer coisa de
mais divino, para um ato final de comunhão sagrada com seu Eu
Superior. É preciso dirigir toda a potência da atenção para o
interior de seu ser. É somente persistindo nessa direção,
resistindo à atração contrária da vida ambiente, que o estudante
conseguirá penetrar o reduto místico da consciência do Eu.
Uma concentração levada a
bom resultado toma dois minutos e meio, durante os quais a mente fica
absolutamente fixa sobre uma só idéia. Uma contemplação bem feita
toma mais ou menos vinte e seis minutos. Quanto à meditação não é
possível determinar uma duração particular.
A paz e o desapego que um
homem pode colher dos momentos que consagra ao exercício lhe são
preciosos. O mundo ocidental moderno é vítima da concepção
desequilibrada, segundo a qual a vida não é senão ação.
Uma sociedade produzida em
série, enervada, que perdeu o senso das proporções, achando que é
suficiente o ribombar das máquinas ou o clamor das cidades
superpovoadas, recusando-se com impaciência a escutar a voz
tranquila de seu Eu interior ou a música mais profunda da vida,
orquestrada por artistas inspirados, ou ainda a rica harmonia das
clareiras nas florestas majestosas, uma tal sociedade constitui um
deplorável caso patológico.
A salvação da sociedade
ocidental pode provir unicamente do restabelecimento da integridade
perdida. É preciso que se recorra à técnica da meditação para
restaurar o equilíbrio.

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