Os
materialistas pintam o universo como uma vasta prisão onde a sorte,
os pensamentos e os atos do homem são completamente determinados por
seu meio físico. Os fanáticos se consideram prisioneiros de uma
predestinação divina.
Mas
o karma refuta ambas as concepções e atribui ao homem bastante
liberdade para moldar-se, como também a seu meio. Pelo seu próprio
desenvolvimento, ele diminui ou enriquece este, ajuda ou entrava a
Natureza, e o inverso é igualmente verdadeiro.
O
karma não ensina que devemos esperar como mendigos à porta do
destino. Nosso livre arbítrio do passado é a fonte de nossa sorte
atual, como o do presente será a fonte de nossa sorte futura. O mais
poderoso dos dois fatores é, pois, nossa vontade.
Não
há lugar para o fatalismo brumoso, nem para uma confiança exagerada
em si mesmo. Ninguém pode escapar a suas responsabilidades no que
concerne à maneira pela qual forma sua perspectiva interior e tudo
que o cerca.

Cada
homem deve estudar as faltas cometidas na ação e procurar nele
mesmo as fontes culpadas. Que admita francamente ao menos uma
responsabilidade parcial e faça o que puder para corrigir-se. Sei
que isso é penoso, mas valerá mais do que nutrir ilusões capazes
de abatê-lo posteriormente.
Um
pensamento que não alcança um certo grau de força e
desenvolvimento não produz conseqüências kármicas. Vê-se assim a
importância que há em afogar as idéias más logo no começo. A
única maneira de dominar uma tendência má é fazê-la parar no
estágio inicial antes de haver tomado força viva.
O
estudante deve compreender que, se ele deve ferozmente resistir às
vezes aos decretos do karma, é igualmente justo que se incline com
resignação diante deles em outros momentos. Não deve revoltar-se
cegamente contra esses decretos; cabe-lhe apenas agir com energia
calma e tomar decisões.
Nenhum
livro pode ensinar o que deve fazer; deve entregar-se à sua
intuição, corrigida ou examinada pela razão, ou à sua razão
iluminada por sua intuição. É preciso compreender a diferença com
a pseudo intuição, que é um simples eco de seus complexos
emotivos, dos seus preconceitos ou desejos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário