4.2.17

SRI RÁMANA E A NÃO-REAÇÃO – Robert Adams


Sri Rámana Maharshi viveu durante algum tempo numa caverna da colina de Arunáchala chamada Skandasramam. Naqueles dias havia muitos sadhus vivendo em outras cavernas acima de Skandasramam.

Antes que Sri Rámana chegasse ali, os sadhus (renunciantes) eram visitados por devotos, discípulos e buscadores, que lhes davam alimentos e dinheiro. Mas quando Ramana Maharshi ocupou a caverna, ele era diferente. Ele não se importava se alguém vinha vê-lo, ou dar-lhe alimentos ou outra coisa qualquer.

Então, com tal atitude ele atraía mais pessoas. As pessoas queriam ver aquele sadhu que de nada precisava, que nada queria, que permanecia calmo o dia todo. Muitos turistas iam vê-lo. Os sadhus que viviam acima da caverna dele ficaram enciumados e então rolavam grandes pedras para baixo a fim de acertar Sri Rámana.

Sri Rámana estava sentado sobre uma rocha do lado de fora da caverna, olhando algum papel, e uma pedra caiu ao seu lado. Ele não olhou para cima, mas continuou a ler o papel. Ele nem se importou. Outra grande pedra caiu ao seu lado, e ele se comportou da mesma forma.

Nenhuma pedra o acertava. Aquilo continuou por uma semana. Então Sri Rámana subiu a colina e ficou face a face com o sadhu que estava jogando as pedras e disse, "O que você está fazendo? Por que está fazendo isso?" Apenas olhou fixamente para ele e foi embora.

Algo aconteceu ao sadhu devido ao olhar que Sri Rámana lhe deu. Ele mudou seu comportamento e não mais perturbou.

Há ainda um outro incidente que Sri Rámana contou-me pessoalmente. Em 1948, ele foi até minha cabana, sentou-se e começou a falar sobre não reagir às coisas. Ele disse, "A única vida espiritual de que você precisa é não reagir." Então sorriu e me contou a seguinte história. Por volta de 1930, alguns pandits (eruditos das escrituras) que moravam em Madras decidiram que Sri Rámana não deveria permanecer em Arunáchala, mas sim ir para Madras, onde muitas pessoas poderiam vê-lo e estar com ele.

Doze deles se aproximaram e disseram, "Ramana, gostaríamos que você fosse para Madras. Vamos levá-lo a Madras onde pode estar com mais pessoas. Você mora aqui nesta selva onde quase ninguém sabe onde você está. Vamos levá-lo a Madras dentro de dois dias."



Sri Rámana não disse uma palavra. Nessas ocasiões ele sempre permanecia calado e nunca respondia. Seus devotos ficaram muito preocupados, porque sabiam que o mestre nunca respondia e os pandits viriam após dois dias e o levariam.

Quando os pandits partiram, os devotos perguntaram a Sri Rámana, "O que você fez? Ao não responder, concordou em ir a Madras com essas pessoas." O mestre apenas sorriu e disse, "Não se preocupem."

Dois dias se passaram. Alguns devotos queriam trancar as portas do ashram com pregos, outros queriam impedir fisicamente que levassem o mestre, pois o grupo de Madras disse que viriam por volta de vinte pessoas para levá-lo a Madras.

O ônibus com os pandits deveria chegar às quatro horas da tarde, mas nada de aparecer. Sri Rámana chamou o cozinheiro e disse, "Prepare uma refeição para vinte pessoas, logos eles chegarão."

E os devotos disseram, "Você vai com eles? Não pode nos deixar!" Sri Rámana disse, "Não se preocupem, preparem a refeição." E prepararam. Por volta das seis horas o grupo de Madras entrou no ashram. Estavam despenteados, sujos, alguns sangrando.

Sentaram-se em frente a Sri Rámana, olharam para ele e não disseram nenhuma palavra. O ônibus em que estavam capotou e virou três vezes num acidente. Ninguém ficou seriamente ferido, mas estavam bem desarrumados.

Então ficaram sentados no chão do ashram, olhando para Sri Rámana. Depois de uma hora, o mestre chamou todos para irem à cozinha e comerem. Após comerem, voltaram para o salão e sentaram-se de novo. Depois de duas horas, levantaram-se e foram para casa. Nunca mais se ouviu falar deles.

Sri Rámana terminou a história dizendo-me que estar calmo é a maior riqueza do mundo. É o maior poder paranormal que se possa ter. Se você aprender a estar calmo, resolverá cada problema. Quando se está perfeitamente calmo, o tempo para, o karma para, tudo se torna nulo e vazio.

Pois quando está calmo, você é uno com toda a energia do universo e tudo irá bem para você. Estar calmo é estar no controle, é não se preocupar com o que vai acontecer, não se preocupar com a situação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário