11.2.17

KRIYA YOGA NO MUNDO ATUAL – Sri Balaji


Hoje em dia, no mundo da Kriya Yoga ou da espiritualidade em geral, é necessário muito cuidado e sentido comum. As pessoas devem ter cuidado, uma vez que muitos não são o que dizem ser.

Quando se vai a um instrutor, vá com respeito, mas também com cuidado. Hoje em dia muitos são os enganadores. Por isso não preste muita atenção no que afirmam ser, ou sua suposta linhagem, ou sua suposta iniciação.

Muitos afirmam representar esta ou aquela linhagem, ou esta ou aquela instituição de Kriya, mas são fraudes.

Um dia, meu mestre Sri Sailendra Bejoy Dasgupta (que foi discípulo de Sri Yukteswar, guru também de Paramahansa Yogananda) estava falando sobre Kriya Yoga e como atualmente alguns afirmam representar alguma linhagem de Kriya à qual não pertencem.

Ele disse, “Eles não afirmariam isso se Satyananda estivesse vivo (Swami Satyananda foi outro discípulo de Sri Yukteswar). Só quando Satyananda estava à beira da morte (e portanto não poderia desmenti-los) é que estas afirmações começaram a ser feitas.”

E me contou essa história: “Um dia em 1971, recebi uma carta de Swami Satyananda para que fosse imediatamente a sua casa em Midnapore. Quando cheguei lá, Satyananda estava de cama, muito doente.

Quando entrei no quarto, ele me disse: ‘Oh Sailendra, estou contente por você estar aqui. Tenho esperado você para dizer-lhe algo’. Eu respondi, ‘Swamiji, o que é? Do que se trata?’ Ele continuou, ‘É sobre Hariharananda, pessoa que ocupa o ashram de Sri Yukteswar em Puri, após a morte do mestre.’ Perguntei, ‘O que há sobre ele?’ Então Satyananda tomou minha mão entre as suas, olhou em meus olhos e disse, ‘Esse homem está afirmando ser um discípulo direto de nosso mestre Sri Yukteswar.’”

O homem não era um discípulo direto de Sri Yukteswar, mas começou a afirmar isso. Ele tornou-se muito conhecido posteriormente e teve muitos seguidores. Muitos outros fizeram o mesmo e se tornaram “discípulos de Sri Yukteswar” ou “representantes” de outras linhagens que surgiram através de outros discípulos de Lahiri Mahasaya, guru de Sri Yukteswar. Mas na verdade não eram, e então iniciaram estudantes de bom coração, mas ingênuos, e criaram falsas linhagens.

Quando meu guru, Sri Sailendra, me contou essa história, fiquei muito irado e disse: “Senhor, devemos ir até lá imediatamente!” Sri Sailendra sentou-se em silêncio, pegou sua caneta e começou a trabalhar em um de seus manuscritos. Depois olhou para mim com amor e disse: “Por que devemos ir lá?”

Eu lhe disse: “É um lugar que seu mestre Sri Yukteswar tornou santo com sua presença, e esse homem está zombando disso! Devemos ir e contar a todos sobre ele! Ele está enganando as pessoas.”

Sri Sailendra olhou para mim e disse: “Você disse que o lugar é sagrado para Sri Yukteswar. O que existe lá? Poeira e ossos (pois Sri Yukteswar foi enterrado ali). Apenas poeira e ossos. Sri Yukteswar não está ali. Ele está nas técnicas de Kriya Yoga, e estas você tem, e elas serão guardadas com cuidado. Essas pessoas fazem essas afirmações agora, mas não fariam se Satyananda estivesse aqui. Fazem isso porque todos os principais discípulos já se foram. Agora podem fazer isso, pois quem irá desmenti-los?”

Então Sri Sailendra riu e continuou dizendo: “Olhe, tudo está como deve ser. É assim que Kriya Yoga é protegida. O fato dessas pessoas se colocarem como mestres dá aos buscadores de novidades um lugar para ir! Esses ‘grandes mestres’ não têm a Kriya. Apenas algumas coisas que inventaram. Neste mundo há muitos curiosos que ainda não estão prontos para serem treinados no caminho da Kriya Yoga. Assim, por causa desses ‘mestres’, tais buscadores têm um lugar para ir. Desse modo, Kriya Yoga é protegida. É como colocar uma cerca protetora ao redor do verdadeiro ensinamento para que ele esteja seguro.”

Fiquei muito emocionado ao ouvir aquilo e disse: “Senhor, hoje em dia há muitos trapaceiros. Como as pessoas encontrarão os ensinamentos verdadeiros?”

Sri Sailendra respondeu dizendo: “Quando um homem está pronto, ele será levado a seu mestre, mesmo tendo todas as probabilidades contra si.”

Eu disse, “Como assim, senhor?”

Ele respondeu, “Como é que você foi guiado até aqui, vindo da América, do outro lado do mundo, até esta pequena casa nesta pequena cidade da qual ninguém ouviu falar?”

E continuou, “Sempre existirão alguns poucos lugares escondidos do olhar público que preservam Kriya. Você pode contá-los nos dedos das mãos, mas eles sempre existirão. A pessoa tem de trabalhar para encontrar o que é verdadeiro; ‘trabalhar’ significa imergir na busca de Deus. Então a pessoa será guiada e o Senhor lhe dará o que ela necessita.”

No passado houve alguns canais autorizados para disseminar a Kriya Yoga. Paramahansa Yogananda foi escolhido para levar ao grande público um pouco do sabor de Kriya Yoga, de um modo mais aberto, de acordo com a vontade do próprio Mahamúni Babají.

Mas sua missão com o grande público foi única. Os outros que afirmam ter o direito de levar ao público estes ensinamentos o fazem de modo fraudulento, espoliando os anseios espirituais das pessoas.

Paramahansa Yogananda apresentou uma versão de Kriya que ele considerou apropriada para as massas. Sri Sailendra disse, “O grande homem divino (Yogananda) lidou com as massas. Mas outros mestres têm a silenciosa missão de levar a Kriya Yoga tradicional a seus poucos discípulos, de modo secreto e imutável, longe dos holofotes públicos. Tão secretamente que seus nomes são desconhecidos. Mas estes canais existem e sempre existirão para aqueles que desejam submeter-se aos testes e às dificuldades para encontrá-los. E não é fácil encontrá-los, nem se supõe que seja.”

Hoje em dia, quase todos que afirmam ser instrutores de Kriya são fraudes, seja no Ocidente ou na Índia. Existem muitas linhagens e instituições originadas desse ‘mestres’ fraudulentos.

Cada buscador deve portar-se com cuidado para decidir, para separar o verdadeiro do fraudulento. Não preste atenção às afirmações, supostas linhagens ou associações familiares, que podem nada significar.

Um dia, sentado com meu guru, Sri Sailendra, bebendo chá, perguntei-lhe: “Senhor, e sobre Swami Satyananda? Ele teve algum discípulo que continuou sua linhagem?”

Meu guru respondeu enfaticamente: “Não”. Voltei a dizer: “Senhor, deve ter havido alguém. Não houve ninguém que continuasse sua linhagem?”

Então ele pensou profundamente, tentando se lembrar dos vários estudantes de Swami Satyananda. E disse: “Bem... houve certa vez um jovem em quem tínhamos algumas esperanças, como muitas outras pessoas, ele apenas queria ser considerado um ‘grande mestre’. O caminho espiritual tem muitas armadilhas para o ego.”

E continuou: “Quando Swami Satyananda estava à beira da morte e esse jovem era necessário para cuidar dele, em vez disso escolheu apresentar-se como um grande mestre e partiu para Ranikhet, nos Himalayas, com a intenção de dizer às pessoas que era um discípulo de Babají.”

As palavras de meu mestre se confirmaram. O homem posteriormente foi para o Ocidente afirmando ser um discípulo de Babají. Publicou muitas traduções erradas de comentários sobre Kriya Yoga e biografias, adicionando palavras, sentenças e parágrafos que não havia no original, a fim de torcer seu significado e promover a si mesmo.

Ele chegou ao ponto de difamar e atacar os mestres usando informações falsas, e começou a colocar-se no mesmo nível de Lahiri Mahasaya.

Meu guru costumava dizer: “Grandes seres iluminados como Sri Yukteswar, Swami Pranabananda e outros discípulos diretos de Lahiri Mahasaya afirmaram ter encontrado Babají em uma ou duas ocasiões. E agora esperam que acreditemos que almas bem menos adiantadas tenham feito o mesmo; ou até mesmo convivido durante meses ou anos com o Santo dos Santos, o Mahamúni Babají! A credulidade humana não tem limites.”
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