Hoje em dia, no mundo da
Kriya Yoga ou da espiritualidade em geral, é necessário muito
cuidado e sentido comum. As pessoas devem ter cuidado, uma vez que
muitos não são o que dizem ser.
Quando se vai a um
instrutor, vá com respeito, mas também com cuidado. Hoje em dia
muitos são os enganadores. Por isso não preste muita atenção no
que afirmam ser, ou sua suposta linhagem, ou sua suposta iniciação.
Muitos afirmam
representar esta ou aquela linhagem, ou esta ou aquela instituição
de Kriya, mas são fraudes.
Um dia, meu mestre Sri
Sailendra Bejoy Dasgupta (que foi discípulo de Sri Yukteswar, guru
também de Paramahansa Yogananda) estava falando sobre Kriya Yoga e
como atualmente alguns afirmam representar alguma linhagem de Kriya à
qual não pertencem.
Ele disse, “Eles não
afirmariam isso se Satyananda estivesse vivo (Swami Satyananda foi
outro discípulo de Sri Yukteswar). Só quando Satyananda estava à
beira da morte (e portanto não poderia desmenti-los) é que estas
afirmações começaram a ser feitas.”
E me contou essa
história: “Um dia em 1971, recebi uma carta de Swami Satyananda
para que fosse imediatamente a sua casa em Midnapore. Quando cheguei
lá, Satyananda estava de cama, muito doente.
“Quando entrei no
quarto, ele me disse: ‘Oh Sailendra, estou contente por você estar
aqui. Tenho esperado você para dizer-lhe algo’. Eu respondi,
‘Swamiji, o que é? Do que se trata?’ Ele continuou, ‘É sobre
Hariharananda, pessoa que ocupa o ashram de Sri Yukteswar em Puri,
após a morte do mestre.’ Perguntei, ‘O que há sobre ele?’
Então Satyananda tomou minha mão entre as suas, olhou em meus olhos
e disse, ‘Esse homem está afirmando ser um discípulo direto de
nosso mestre Sri Yukteswar.’”
O homem não era um
discípulo direto de Sri Yukteswar, mas começou a afirmar isso. Ele
tornou-se muito conhecido posteriormente e teve muitos seguidores.
Muitos outros fizeram o mesmo e se tornaram “discípulos de Sri
Yukteswar” ou “representantes” de outras linhagens que surgiram
através de outros discípulos de Lahiri Mahasaya, guru de Sri
Yukteswar. Mas na verdade não eram, e então iniciaram estudantes de
bom coração, mas ingênuos, e criaram falsas linhagens.
Quando meu guru, Sri
Sailendra, me contou essa história, fiquei muito irado e disse:
“Senhor, devemos ir até lá imediatamente!” Sri Sailendra
sentou-se em silêncio, pegou sua caneta e começou a trabalhar em um
de seus manuscritos. Depois olhou para mim com amor e disse: “Por
que devemos ir lá?”
Eu lhe disse: “É um
lugar que seu mestre Sri Yukteswar tornou santo com sua presença, e
esse homem está zombando disso! Devemos ir e contar a todos sobre
ele! Ele está enganando as pessoas.”
Sri Sailendra olhou para
mim e disse: “Você disse que o lugar é sagrado para Sri
Yukteswar. O que existe lá? Poeira e ossos (pois Sri Yukteswar foi
enterrado ali). Apenas poeira e ossos. Sri Yukteswar não está ali.
Ele está nas técnicas de Kriya Yoga, e estas você tem, e elas
serão guardadas com cuidado. Essas pessoas fazem essas afirmações
agora, mas não fariam se Satyananda estivesse aqui. Fazem isso
porque todos os principais discípulos já se foram. Agora podem
fazer isso, pois quem irá desmenti-los?”
Então Sri Sailendra riu
e continuou dizendo: “Olhe, tudo está como deve ser. É assim que
Kriya Yoga é protegida. O fato dessas pessoas se colocarem como
mestres dá aos buscadores de novidades um lugar para ir! Esses
‘grandes mestres’ não têm a Kriya. Apenas algumas coisas que
inventaram. Neste mundo há muitos curiosos que ainda não estão
prontos para serem treinados no caminho da Kriya Yoga. Assim, por
causa desses ‘mestres’, tais buscadores têm um lugar para ir.
Desse modo, Kriya Yoga é protegida. É como colocar uma cerca
protetora ao redor do verdadeiro ensinamento para que ele esteja
seguro.”
Fiquei muito emocionado
ao ouvir aquilo e disse: “Senhor, hoje em dia há muitos
trapaceiros. Como as pessoas encontrarão os ensinamentos
verdadeiros?”
Sri Sailendra respondeu
dizendo: “Quando um homem está pronto, ele será levado a seu
mestre, mesmo tendo todas as probabilidades contra si.”
Eu disse, “Como assim,
senhor?”
Ele respondeu, “Como é
que você foi guiado até aqui, vindo da América, do outro lado do
mundo, até esta pequena casa nesta pequena cidade da qual ninguém
ouviu falar?”
E continuou, “Sempre
existirão alguns poucos lugares escondidos do olhar público que
preservam Kriya. Você pode contá-los nos dedos das mãos, mas eles
sempre existirão. A pessoa tem de trabalhar para encontrar o que é
verdadeiro; ‘trabalhar’ significa imergir na busca de Deus. Então
a pessoa será guiada e o Senhor lhe dará o que ela necessita.”
No passado houve alguns
canais autorizados para disseminar a Kriya Yoga. Paramahansa
Yogananda foi escolhido para levar ao grande público um pouco do
sabor de Kriya Yoga, de um modo mais aberto, de acordo com a vontade
do próprio Mahamúni Babají.
Mas sua missão com o
grande público foi única. Os outros que afirmam ter o direito de
levar ao público estes ensinamentos o fazem de modo fraudulento,
espoliando os anseios espirituais das pessoas.
Paramahansa Yogananda
apresentou uma versão de Kriya que ele considerou apropriada para as
massas. Sri Sailendra disse, “O grande homem divino (Yogananda)
lidou com as massas. Mas outros mestres têm a silenciosa missão de
levar a Kriya Yoga tradicional a seus poucos discípulos, de modo
secreto e imutável, longe dos holofotes públicos. Tão secretamente
que seus nomes são desconhecidos. Mas estes canais existem e sempre
existirão para aqueles que desejam submeter-se aos testes e às
dificuldades para encontrá-los. E não é fácil encontrá-los, nem
se supõe que seja.”
Hoje em dia, quase todos
que afirmam ser instrutores de Kriya são fraudes, seja no Ocidente
ou na Índia. Existem muitas linhagens e instituições originadas
desse ‘mestres’ fraudulentos.
Cada buscador deve
portar-se com cuidado para decidir, para separar o verdadeiro do
fraudulento. Não preste atenção às afirmações, supostas
linhagens ou associações familiares, que podem nada significar.
Um dia, sentado com meu
guru, Sri Sailendra, bebendo chá, perguntei-lhe: “Senhor, e sobre
Swami Satyananda? Ele teve algum discípulo que continuou sua
linhagem?”
Meu guru respondeu
enfaticamente: “Não”. Voltei a dizer: “Senhor, deve ter havido
alguém. Não houve ninguém que continuasse sua linhagem?”
Então ele pensou
profundamente, tentando se lembrar dos vários estudantes de Swami
Satyananda. E disse: “Bem... houve certa vez um jovem em quem
tínhamos algumas esperanças, como muitas outras pessoas, ele apenas
queria ser considerado um ‘grande mestre’. O caminho espiritual
tem muitas armadilhas para o ego.”
E continuou: “Quando
Swami Satyananda estava à beira da morte e esse jovem era necessário
para cuidar dele, em vez disso escolheu apresentar-se como um grande
mestre e partiu para Ranikhet, nos Himalayas, com a intenção de
dizer às pessoas que era um discípulo de Babají.”
As palavras de meu mestre
se confirmaram. O homem posteriormente foi para o Ocidente afirmando
ser um discípulo de Babají. Publicou muitas traduções erradas de
comentários sobre Kriya Yoga e biografias, adicionando palavras,
sentenças e parágrafos que não havia no original, a fim de torcer
seu significado e promover a si mesmo.
Ele chegou ao ponto de
difamar e atacar os mestres usando informações falsas, e começou a
colocar-se no mesmo nível de Lahiri Mahasaya.
Meu guru costumava dizer:
“Grandes seres iluminados como Sri Yukteswar, Swami Pranabananda e
outros discípulos diretos de Lahiri Mahasaya afirmaram ter
encontrado Babají em uma ou duas ocasiões. E agora esperam que
acreditemos que almas bem menos adiantadas tenham feito o mesmo; ou
até mesmo convivido durante meses ou anos com o Santo dos Santos, o
Mahamúni Babají! A credulidade humana não tem limites.”
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