Kalpataru
é a árvore da fábula que realiza os desejos. Na fábula, é dito
que se você disser à árvore qual é seu desejo, ou mesmo pensar
nele, aquele desejo é realizado. Então as pessoas vão ao Kalpataru
e, olhando seus galhos serenos, dirigem à árvore todos seus
desejos. A maioria deles é muito imprudente. A maioria termina em
indigestão ou lágrimas.
Mas o
Kalpataru realiza os desejos da mesma forma; a árvore não está
interessada em dar bons conselhos. Temos de entender que toda a
Criação é uma gigantesca Árvore dos Desejos. Um ramo dela se
estende a cada coração. Qualquer desejo que ali surja, uma força
opera para que em algum tempo ou em outro, nesta vida ou na próxima,
o desejo seja realizado.
Sim,
realizado – juntamente com as consequências que o acompanham:
indigestões da vida e lágrimas. Deveremos ter tudo que queremos. Na
verdade, este universo nada é senão nossos desejos concretizados. E
nossa condição neste universo é algo que pedimos para nós mesmos.
O
universo que vemos é relativo. Não é bom nem mau, apenas relativo.
Ele é construído de pares de opostos: prazer e dor, alegria e
sofrimento, realização e frustração. Querer o prazeroso é
ganhar igualmente o doloroso. Agarrar a alegria é, igualmente,
abraçar o sofrimento.
Vamos de
desilusão a desilusão. Ainda assim continuamos buscando,
continuamos desejando. Nem podemos agir diferente, pois algo em nós
não desiste, algo em nós ordena que continuemos persistindo até
encontrar a alegria perfeita.
O que
nos move é o anseio do autoconhecimento, é descobrir nosso próprio
ser. É a fome do autoconhecimento que cria essa inquieta busca
através de muitas vidas. Cada movimento do coração é um desejo
obscuro de autoconhecimento.
A
felicidade que o bêbado busca numa garrafa de bebida é uma busca
pelo autoconhecimento. O
amor humano é a busca pela união mística. A fome de gozar, de
experimentar, a busca da beleza – são a agitação das asas do
pássaro que tenta alcançar as alturas.
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