9.2.17

KALPATARU, A ÁRVORE DOS DESEJOS - Swami Vidyatmananda

Kalpataru é a árvore da fábula que realiza os desejos. Na fábula, é dito que se você disser à árvore qual é seu desejo, ou mesmo pensar nele, aquele desejo é realizado. Então as pessoas vão ao Kalpataru e, olhando seus galhos serenos, dirigem à árvore todos seus desejos. A maioria deles é muito imprudente. A maioria termina em indigestão ou lágrimas.

Mas o Kalpataru realiza os desejos da mesma forma; a árvore não está interessada em dar bons conselhos. Temos de entender que toda a Criação é uma gigantesca Árvore dos Desejos. Um ramo dela se estende a cada coração. Qualquer desejo que ali surja, uma força opera para que em algum tempo ou em outro, nesta vida ou na próxima, o desejo seja realizado.

Sim, realizado – juntamente com as consequências que o acompanham: indigestões da vida e lágrimas. Deveremos ter tudo que queremos. Na verdade, este universo nada é senão nossos desejos concretizados. E nossa condição neste universo é algo que pedimos para nós mesmos.

O universo que vemos é relativo. Não é bom nem mau, apenas relativo. Ele é construído de pares de opostos: prazer e dor, alegria e sofrimento, realização e frustração. Querer o prazeroso é ganhar igualmente o doloroso. Agarrar a alegria é, igualmente, abraçar o sofrimento.

Vamos de desilusão a desilusão. Ainda assim continuamos buscando, continuamos desejando. Nem podemos agir diferente, pois algo em nós não desiste, algo em nós ordena que continuemos persistindo até encontrar a alegria perfeita.

O que nos move é o anseio do autoconhecimento, é descobrir nosso próprio ser. É a fome do autoconhecimento que cria essa inquieta busca através de muitas vidas. Cada movimento do coração é um desejo obscuro de autoconhecimento.

A felicidade que o bêbado busca numa garrafa de bebida é uma busca pelo autoconhecimento. O amor humano é a busca pela união mística. A fome de gozar, de experimentar, a busca da beleza – são a agitação das asas do pássaro que tenta alcançar as alturas.
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