Quando
passei um tempo em Ramanasramam, fiquei hospedado perto da casa de
Arthur Osborne. Numa certa tarde, por volta das 16 horas, Sri Rámana
entrou em minha cabana e me trouxe uma manga. E sentou-se num
banquinho no canto da cabana. Eu
me sentei sobre a cama.
Olhamos
um para o outro e sorrimos. Ele
me deu um de seus belos sorrisos. E
entendi que deveria ficar em silêncio, nada deveríamos dizer porque
nada havia a dizer. Mas
de repente ele me fez uma pergunta. E
eu lhe perguntei, "O que é mais importante: estar na presença
de um Sábio ou praticar auto-investigação sozinho?"
Ele
esperou alguns segundos e então disse, "O Sábio é
auto-investigação. O Sábio é o Eu, seu Eu." Portanto, quando
se está na presença do Sábio, é como se as práticas espirituais
estivessem sendo feitas num ritmo acelerado. Tudo que tem de ser
feito está sendo feito, quando se está na presença de um
verdadeiro sábio.
Então
novamente lhe perguntei, "Por que muitas pessoas vêm a você e
apenas algumas podem sentir, enquanto que outras nada sentem? Algumas
vão embora desapontadas, enquanto outras têm seus sonhos
realizados."
Então
ele esperou aproximadamente um minuto e disse, "Isso depende da
maturidade do buscador. Depende
da sinceridade do buscador. Muitas
pessoas vêm aqui visitar-me, para fazer um julgamento, e depois vão
a outro instrutor. Elas viajam por toda a Índia, e depois voltam
para a Inglaterra, para a Holanda ou para os Estados Unidos, e então
contam a seus amigos que visitaram dez sábios e que nada lhes
aconteceu. Mas se a pessoa é sincera e se entrega totalmente ao
sábio, então o sábio, a graça do sábio será sentida pela pessoa
e esta fará tremendo progresso. Mas a pessoa tem de ser sincera, tem
de ser um devoto, esquecer de si mesmo completamente e imergir no
sábio."
Então
lhe fiz outra pergunta, "Qual é o caminho mais fácil e efetivo
de fazer atma-vichara (auto-investigação)?" Novamente ele
sorriu, esperou alguns segundos e disse, "Estar sempre
consciente, em todas as situações, do Eu-Sou em seu coração. Esta
é a prática mais efetiva."
Sua
cabeça estava tremendo, e também perguntei sobre aquilo, "Por
que você tem essa fraqueza?" Descobri mais tarde que sua cabeça
estivera tremendo nos últimos quarenta anos. Ele novamente explicou
que a experiência que teve aos dezesseis anos (a experiência da
morte aparente) foi como colocar um elefante numa pequena cabana.
O que
acontece quando se coloca um elefante numa cabana de palha? A
cabana é destruída. Quando
ele teve aquela experiência, seu corpo foi feito em pedaços e o
deixou com tremores da cabeça.
Então
lhe perguntei, "Por que isto não aconteceu comigo?" E ele
me explicou que tive uma experiência de vida, não de morte, que é
um pouco diferente. Eu lhe perguntei, "O que determina essas
experiências?" Ele disse, "Karma."
Então
parei de falar. Ele caminhava com uma bengala. Era
o ano de 1949 e ele já estava bem doente. Seu atendente veio e o
levou para o ashram.
Não
importa por quais situações você está passando em sua vida. Se
passa situações boas ou ruins, por riqueza ou pobreza, doença ou
saúde. Essas coisas são totalmente irrelevantes. É necessário
desviar o pensamento de si mesmo, de seu pequeno eu, e imergir sua
mente na consciência do Eu-Sou.
Esqueça
sua mesquinhez, esqueça sua vida pessoal. Você está sempre
preocupado com seus negócios. Não há experiência neste mundo que
possa lhe trazer paz e felicidade. Paz e felicidade são seu estado
natural. É apenas quando você permite à mente pensar que o
problema aparece. Por isso o primeiro passo na vida espiritual é
aprender a controlar a mente.
O
segundo passo no progresso espiritual é desenvolver humildade. E
humildade significa não julgar as pessoas. A pessoa humilde não se
sente insultada quando alguém fala mal dela ou lhe diz algo rude.
Não
fica irada ou aborrecida.
Isso soa
como se fosse covardia, mas o covarde na verdade é a pessoa que
acredita que deve lutar por seus direitos. Ela está sempre se
defendendo. Mas quem desenvolve humildade desenvolve amor e compaixão
por tudo e por todos. Não possui o menor desejo de retaliação ou
vingança.
Aprenda
a deixar tudo em paz. Especialmente você mesmo. Entenda que quando
uma porta se fecha, uma outra se abre. O
universo está ao seu lado. A vida está ao seu lado. Tente
sempre estar animado. Não diga aos outros seus problemas, pois cada
um tem os seus. Pare de sentir pena de si mesmo.
Se ao
menos você se tornasse consciente do poder dentro de você… a
essência universal. Todos esses anos você tem adorado Buddha, ou
Cristo, ou Shiva ou Krishna. Todos esses deuses são na verdade você.
Não há nada que você precise, não há nada que você tenha de se
tornar.
Você
pensa que precisa de algo, mas é o ego que precisa, é o ego que tem
medos. O profundo poder que existe dentro de você sempre tomará
conta de você, sempre olhará por você e o protegerá. Aprenda
a sentir isso em seu coração.
É isso
o que Sri Rámana queria dizer quando falava, "Seja sempre
consciente do Eu-Sou." A
consciência do Eu-Sou é toda-poderosa. Eu-Sou é Deus. Eu-Sou é a
absoluta realidade.
Tudo que
você tem a fazer é lembrar-se disso e sentir isso em seu coração.
O que quer que faça durante o dia, trabalhando ou dirigindo, sempre
diga “Eu Sou” para si mesmo. Quando você pronuncia essas
palavras Eu-Sou, todo o universo se torna você. Você desperta para
a realidade da vida, para sua verdadeira natureza.
Entregue-se
ao Eu. Seja totalmente livre. Não
tema mais esse mundo. Não seja enganado pelas coisas que assiste na
TV, quando ouve sobre guerras, crimes, mortes. Quanto mais você
mergulhar em si mesmo, mais será capaz de ver a verdade sobre esse
mundo, e então rirá.
Se quer
resolver seus problemas, não pense neles em absoluto. Pense
no Eu-Sou. Eu-Sou é onisciência, onipotência, onipresença. Eu-Sou
é Deus. Realidade absoluta, paz. Portanto, quando você realmente
põe sua fé no Eu-Sou, o mundo todo lhe parecerá perfeito.
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