28.9.16

INFLUÊNCIA PSÍQUICA – Ramacháraka


Desde as práticas vodus do selvagem da África, podemos traçar uma linha reta até a epidemia de bruxaria na Nova Inglaterra (EUA); e desde então, até os tempos modernos, em que o mundo ocidental parece estar apaixonado pelo psiquismo e nos jornais abundam narrativas sensacionais de influência hipnótica, magnetismo pessoal, etc.

Os livros de todas as épocas estão cheios de narrações de influência psíquica; a Bíblia contém numerosos exemplos de sua prática para o bem ou para o mal. Em nossos dias, freqüentemente, chama-se a atenção para os assombrosos exemplos do poder da mente, magnetismo pessoal, etc., e é muito comum ouvir a expressão de que uma pessoa tem ou não tem magnetismo pessoal —
se é ou não magnética.

Divulgar ao público em geral, ainda mesmo que só seja uma pequena parte de certos ensinamentos ocultos, seria atualmente perigoso em verdade, e traria sobre a raça um dos maiores castigos conhecidos pelo homem. Isso não é motivado por nenhum defeito dos mesmos ensinamentos, mas devido a que o egoísmo da maior parte dos homens e mulheres é tal que, em breve, começariam a usar esse conhecimento em seu proveito próprio e fins pessoais, em detrimento e prejuízo de seus semelhantes.

O uso impróprio do poder psíquico é, desde há muito tempo, conhecido dos ocultistas como magia negra, que, longe de ser um resto da superstição da Idade Média, é uma coisa muito real e pratica-se na atualidade em grande extensão. Aqueles que a praticam estão semeando as sementes do seu próprio castigo, e cada partícula de força psíquica empregada para fins baixos e egoístas, retornará indefectivelmente e reagirá sobre aqueles que a empregam.

Felizmente, aqueles que de tal modo prostituem os poderes psíquicos conhecem comparativamente pouco acerca do assunto e podem usar unicamente as formas mais simples; mas quando se põem em contato com os que estão inteiramente ignorantes do assunto, podem utilizar mais ou menos as suas artes.

Muitos homens acham, incidentalmente, algumas vezes, que podem influenciar a outros com o seu mandado e, não conhecendo a origem do seu poder, freqüentemente usam-no da mesma forma como usariam qualquer poder físico. Porém, gradualmente, chega ao conhecimento dessas pessoas (em conseqüência de bem estabelecidas leis ocultas) alguma coisa que as conduz a uma compreensão melhor do assunto e começam a ver o seu erro.

Outros deparam com algum pequeno fragmento de ensinamento oculto e empregam-no sobre outros e, vendo o efeito, entram no caminho da magia negra, sem saberem o que estão fazendo. Esses também são advertidos por certas maneiras, dando-lhes toda a oportunidade para retificarem o seu erro. Outros parecem compreender alguma coisa do risco que correm, mas aceitam-no voluntariamente, fascinados e deslumbrados com a sua nova sensação do poder.

A nenhuma dessas pessoas é permitido ir muito longe na sua obra egoísta, pois há certas influências em ação para contrabalançar seus esforços; e um pouco de bem contrabalança sempre uma obra psíquica egoísta, muito maior. Esta é uma antiga verdade oculta.

Mas independente desse fragmento elementar de magia negra, da qual falamos mais no sentido de um conselho e de prevenção, muitas pessoas estão dotadas de faculdades que lhe dão poder sobre seus semelhantes, e a sua influência é sentida na vida diária, justamente como a influência de um homem fisicamente forte é sentida numa reunião de gente fraca.

É apenas preciso olhar por um momento às pessoas de nossas relações, para vermos que algumas delas têm uma influência maior que as outras. Algumas são naturalmente consideradas como diretoras e mestres, e outras ocupam o lugar de satélites. Estes homens fortes e positivos colocam-se à frente na guerra, nos negócios, nos tribunais, no púlpito, na prática da medicina, em todas as esferas da vida e em todos os ramos do esforço humano. Notamos esse fato e dizemos que tal homem é possuidor de muito magnetismo pessoal ou que tal outro carece dele.

Todo verdadeiro ocultista sabe que todas as formas de influência psíquica, incluindo o chamado magnetismo pessoal, hipnotismo, sugestão, etc., são apenas manifestações diferentes da mesma coisa. É o poder da mente do indivíduo.

A mente instintiva é o instrumento empregado pela influência psíquica. Falamos, freqüentemente, como se o intelecto de uma pessoa fosse influenciado deste modo; mas isso é incorreto, porque a pessoa é influenciada apesar do seu intelecto, não por meio dele — a influência é tão fortemente impressa sobre a mente instintiva que esta se esquiva e desatende aos protestos do intelecto, como muitas pessoas reconhecem depois, a seu pesar.

Começaremos com o que é conhecido como sugestão, o que realmente é a base de todas as formas de influência psíquica pessoal ou ausente. A sugestão pessoal é muito comum na vida diária; de fato, estamos constantemente dando e recebendo sugestões consciente e inconscientemente, e uma pessoa apenas pode evitar dá-las ou recebê-las, enquanto estiver associada com outras pessoas, ouça vozes ou leia o que outros escreveram o imprimiram. Mas estas sugestões diárias são relativamente sem importância, e carecem da força de uma constante e deliberada sugestão feita por quem compreende a arte de sugestionar.

Vejamos primeiro como e por que as sugestões são recebidas e como agem. Nas primitivas formas da vida, a mente instintiva agia só, sem a influência do intelecto (porque o intelecto não se havia ainda desenvolvido), totalmente inconsciente como na vida vegetal. À proporção que ascendeu na escala da evolução, começou o animal a ser obscuramente consciente, a perceber coisas e fazer alguma coisa assim como um primitivo raciocínio a respeito das mesmas.

Para proteger-se de seus inimigos, o animal teve que ser guiado pela consciência rudimentar que estava começando a desenvolver-se e que se manifestava por meio da mente instintiva. Alguns animais progrediram mais rapidamente que outros de sua espécie e naturalmente começaram a impor-se e exercer seu poder peculiar — encontraram-se elaborando o pensamento de seus semelhantes.

Chegaram a ser reconhecidos como os únicos capazes de ajudar em caso de perigo ou de escassez de alimento, e a sua direção foi geralmente reconhecida e seguida. Os chefes surgiram nos rebanhos e nas multidões, não só devido à sua força bruta, mas também ao seu poder cerebral superior, que pode ser denominado astúcia.

O animal astuto era rápido para reconhecer o perigo e apropriar-se dos meios de evitá-lo; rápido para descobrir novos meios de obter alimento e para dominar o inimigo comum ou a presa. Qualquer pessoa que tenha estado muito tempo entre os animais domésticos ou que tenha estudado os costumes dos animais selvagens que vivem em rebanhos, compreenderá com exatidão o que dizemos.

Os poucos conduziram e dirigiram; os muitos seguiram cegamente e foram conduzidos. E à proporção que prosseguiu o desenvolvimento até chegar ao homem, manifestou-se a mesma coisa. Surgiram os chefes e foram obedecidos. E através de toda a história da raça até nossos dias, este mesmo estado de coisas existe. Uns poucos conduzem e muitos os seguem.

O homem é um animal obediente e imitador. A maioria das pessoas é como carneiro — dá-se-lhe um "engodo" e segue, contente, o badalar da campainha. Mas nem sempre é o condutor de homens (seja ele homem ou mulher) possuidor da maior soma daquilo que chamamos preparo intelectual, educação ou erudição; pelo contrário, muitas de tais pessoas são freqüentemente as mais decididas seguidoras dos condutores.

O homem ou a mulher que dirige é aquele que sente em si esse algo que pode ser chamado consciência da origem real da força e o poder que há atrás dele e nele. Essa percepção pode não ser reconhecida pelo intelecto, pode não ser compreendida, mas o indivíduo sente, de algum modo, que ele é possuidor de força e poder ou que está em contato com o poder e força que pode usar.

E ele (falando do homem comum), conseqüentemente, se reconhece a si mesmo como capaz de tal, e começa a usar seu poder. Ele sente a realidade da palavra Eu; sente-se como um indivíduo — como uma coisa real — uma entidade; instintivamente começa a agir para impor-se. Essas pessoas, em geral, não compreendem a origem do seu poder; sentem-no simplesmente em si e naturalmente fazem uso dele. Influenciam a outros sem compreender exatamente como, e amiúde admiram-se dos resultados. E como se dá essa influência? Vejamo-lo.

Observemos as pessoas que são influenciadas. Que parte do seu mecanismo mental ou físico é afetada? — A mente instintiva, naturalmente. E por que a sua mente instintiva é tão facilmente afetada, enquanto a de outros o é muito menos?

O homem cuja consciência de sua individualidade, cuja percepção do Eu está muito desenvolvida, invariavelmente influencia a mente instintiva daquele cuja consciência não está tão completamente desenvolvida. A mente instintiva do homem menos consciente recebe e executa as sugestões do Eu mais forte; permite também que as ondas-pensamentos deste o afetem e sejam absorvidas.

Não é o homem de preparo intelectual, cultura ou erudição, exclusivamente, o que tem essa consciência, se bem que, naturalmente, quanto maior for o preparo intelectual do homem, maior é o campo do poder do Eu consciente que ele possui. Tem-se visto que homens incultos possuem esse poder tão bem como os mais altamente educados e, ainda que a deficiente educação e instrução os impeçam de fazer uso desse poder na extensão possível para o seu irmão mais favorecido, contudo exercem influência sobre todos os da sua classe e também sobre muitos que têm maiores poderes intelectuais.

Não é questão de educação ou de raciocínio abstrato, etc.; é questão de consciência. Aqueles que a possuem sentem, de algum modo, o Eu; e ainda que freqüentemente o conduza a um grau absurdo de egoísmo vão, amor-próprio e orgulho, não obstante, um homem que possui essa consciência em alguma extensão, invariavelmente influencia outros e abre caminho através do mundo.

O mundo deu à manifestação dessa consciência o nome de confiança própria, fé em si mesmo, etc. Facilmente descobri-la-eis, se pensardes um momento e olhardes um pouco em vosso derredor. Há, naturalmente, muitos graus dessa consciência e, em igualdade de condições, o homem ou a mulher exercerá influência sobre os outros, exatamente na mesma proporção em que eles possuem tal poder.

O homem cuja consciência do Eu está suficientemente desenvolvida, sugestiona a sua própria mente instintiva, e esta, naturalmente, considera o seu diretor como a única origem dos mandados e indicações. Porém, aquele que não possui essa consciência, não tem dado senão fracas ordens dessa classe, e sua mente instintiva não tem em si inculcada a confiança que deveria possuir; vê assim que o seu diretor com freqüência lhe permite receber ordens e instruções de outros, até que, automaticamente, apropria e executa quase todas as sugestões recebidas do exterior. Tais sugestões externas podem ser
verbais ou transmitidas pelas ondas-pensamentos de outros.

Muitas pessoas não têm a menor confiança no seu próprio Eu — são como carneiros humanos, e naturalmente seguem o seu pastor. De fato, são infelizes se não são conduzidas. Quanto mais enérgicas são as ordens, tanto mais rapidamente estão dispostos a obedecer-lhes. Uma exposição que lhes seja feita positiva e autoritariamente, é aceita e praticada. Essas pessoas vivem apoiadas na autoridade, e constantemente procuram precedentes e exemplos — precisam de alguma coisa em que apoiar-se.

Numa palavra, são mentalmente preguiçosas em tudo no tocante ao exercício da consciência do Eu e ao desenvolvimento da mesma e, conseqüentemente, não têm exercido controle sobre a sua mente instintiva; porém, pelo contrário, permitem-lhe estar aberta às sugestões e influências de outros, os quais, muitas vezes, são menos competentes para dirigi-los do que o são eles mesmos; mas soem ter um pouco mais de confiança própria e segurança — e um pouco mais de consciência do Eu.

Vejamos, agora, como e por quais meios é influenciada a mente instintiva. Há um sem-número de métodos e formas de práticas conscientes e inconscientes pelas quais são produzidos tais efeitos, mas que podem ser aproximadamente agrupados em três classes gerais, a saber: lº) Sugestão pessoal; 2°) Influência mental, presente e a distância; e 3°) Influência mesmérica ou hipnótica.

Consideremos primeiro a sugestão pessoal. Como dissemos, é muito comum e é mais ou menos praticada constantemente por todos nós, e todos somos mais ou menos afetados por ela. Limitar-nos-emos às suas formas mais visíveis. As sugestões pessoais são transmitidas pela voz, pelos ademanes, pela aparência, etc. A mente instintiva aceita com verdade as palavras, o aspecto e a maneira da pessoa positiva, e age de acordo com eles, conforme o grau de sua receptividade.

Este grau varia nas pessoas, de acordo e conforme o grau em que têm desenvolvido a consciência do Eu, como já expusemos. A maior soma dessa consciência do Eu corresponde um grau menor da receptividade, a não ser que a pessoa esteja cansada, distraída ou voluntariamente aberta à influência da mente ou palavras de outros.

Quanto mais positiva ou autoritária é a sugestão, mais facilmente é tomada pela mente instintiva receptiva. A sugestão afeta uma pessoa, não através do seu intelecto, mas por meio da sua mente instintiva — não opera por argumentos, mas por asserções, pedidos e mandatos. As sugestões adquirem força pela repetição, e quando uma pessoa não é influenciada por uma sugestão só, as repetidas sugestões no mesmo sentido terão um poder muito maior. Algumas pessoas possuem tal habilidade na arte da sugestão, que se tem que estar em guarda para não aceitar inconscientemente algumas das sutis sugestões insinuadas na consciência.

Mas aquele que realiza a consciência do Eu, ou, melhor, a consciência do Eu real e sua relação com o Todo, não tem motivo para temer o poder dos sugestionadores, pois as sugestões dificilmente poderão penetrar em sua bem guardada mente instintiva, e, se o fazem, alojar-se-ão na superfície externa da mente, e depressa serão descobertas e esclarecidas com um sorriso.


Porém, uma palavra de aviso: — estai em guarda com aqueles que tentam conduzir-vos, não por argumentos ou razões, mas por afirmações e pretendida autoridade, maneiras plausíveis e um modo geral de "dar por assentado" o que
dizem. Também deveis vigiar aqueles que vos fazem perguntas e as respondem, antecipando-se a vós deste modo: "Agrada-vos este modelo, não é verdade?" ou "Isto é o que precisais, não é assim?”

A sugestão e a asserção caminham uma ao par da outra. Podeis geralmente descobrir uma sugestão pela maneira com que se vos apresentam as coisas.

Em segundo lugar, consideremos a influência do pensamento em presença ou a distância. Cada pensamento produz a projeção de ondas-pensamentos de maior ou menor força, tamanho e poder. Todos nós estamos recebendo ondas-pensamentos a todo tempo, mas, comparativamente, poucas nos afetam por não estarem em harmonia com nossos próprios pensamentos, modos, caráter e gostos. Atraímos à nossa consciência íntima somente os pensamentos que estão em harmonia com os nossos próprios.

Porém, se somos de um caráter negativo e permitimos à nossa mente instintiva andar sem o seu mestre próprio e chegar a ser demasiado receptiva, estamos em perigo de ter que aceitar, assimilar e executar as ondas-pensamentos que passam e nos circundam. A mente instintiva descuidada, não só é afetada por toda espécie de ondas—pensamentos passageiras que flutuam em sua direção, como também está peculiarmente sujeita a ser afetada por uma onda-pensamento forte, positiva e consciente, dirigida a ela por outro que, querendo influenciar a outra pessoa, para o bem ou para o mal, inconscientemente lança ondas-pensamentos dessa classe com maior ou menor efeito.

E alguns que algo têm aprendido das rudimentares verdades ocultas e as prostituíram em magia negra, consciente e deliberadamente, enviam ondas-pensamentos às pessoas que desejam influenciar. E se a mente instintiva está abandonada pelo seu próprio diretor, está mais ou menos propensa a ser afetada por esses esforços de mentes egoístas e malignas.

Todos os conjuros, feitiços, etc., dos vodus, bruxos, conjuradores, etc., são eficazes apenas devido ao pensamento emitido e enviado com eles; e o pensamento se torna mais poderoso porque é concentrado por meio dos ritos, cerimônias, feitiços, imagens, etc., dos perversos devotos da magia negra. Não obstante, seria poderoso da mesma forma se fosse concentrado por um outro meio qualquer.

E por muito concentrado ou enérgico que possa ser, não poderá produzir efeito se a mente instintiva não estiver preparada para recebê-lo, assimilá-lo ou praticá-lo. O homem ou mulher que sabe disso, não tem motivo para temer essas práticas.

De fato, mesmo a leitura desta lição expulsará de muitas mentes a receptividade que poderiam ter ou que tiveram, e que permitiram fossem influenciadas em maior ou menor extensão pelos pensamentos egoístas de outros. Isso simplesmente porque a sua leitura fará com que a mente do estudante acorde ao seu próprio poder e o exerça.

Relembrai-vos: a mente só atrai aqueles pensamentos que estão em harmonia com os seus próprios pensamentos e a mente instintiva é influenciada contra os seus próprios interesses somente quando o seu possuidor admitiu a fraqueza própria e lhe faltou habilidade para dirigi-la e guardá-la.

Deveis cuidar da vossa mente instintiva e exercer vosso domínio e propriedade sobre ela; porque, a não ser assim, essa propriedade pode ser exercida, reclamada e usurpada por outros mais dominantes que vós mesmos. Tendes a força e o poder necessários em vós, com a única condição que o exerçais. É vosso, se o pedis; por que não o reclamais?

Podeis acordar a consciência do Eu e desenvolvê-la pelo poder da afirmação, o qual ajudará o seu desenvolvimento.

O hipnotismo é praticamente o processo de banhar a pessoa num fluxo de pensamentos-formas, mantendo-os estimulados e ativos por uma constante provisão de Prana, o qual, com freqüência tem sido chamado, em tais casos, o
fluido mesmérico. E outra coisa a relembrar é que nenhuma pessoa pode ser mesmerizada ou hipnotizada, a não ser que a sua mente instintiva esteja abandonada ou sem o seu diretor próprio, ou que a pessoa concorde em ser mesmerizada e o consinta realmente.

De modo, enfim, que chegamos ao fato de que nenhuma pessoa pode ser hipnotizada, a não ser que o deseje ou que acredite que possa sê-lo, o que vem a ser o mesmo. Tende cuidado em não permitir serdes hipnotizado por algum ignorante. Exercei o vosso próprio poder e podereis executar por vós mesmo tudo o que qualquer outro possa fazer no mesmo plano.

Mas aqueles que estão no plano mental de desenvolvimento (e somente poucos de nós temos progredido além dele), farão bem em desenvolver, fazer crescer e progredir a sua consciência do Eu — a sensação da individualidade. Sereis ajudados neste trabalho, trazendo na mente e meditando freqüentemente que sois um ser real — que sois um Eu — uma parte da Vida Universal posta em separado com um indivíduo, para que possais realizar a vossa tarefa no plano universal, e progredir até as mais elevadas formas de manifestação. Que vós sois independentes de corpo e que o usais unicamente como um instrumento. Que vós sois indestrutíveis e possuis a vida eterna. Que vós não podeis ser destruídos pelo fogo, a água ou qualquer outra coisa das que o homem físico considera como coisa que o matarão — que, suceda o que suceder ao vosso corpo, vós sobrevivereis. Vós sois uma alma e tendes um corpo (e não um corpo que tem uma alma, como muitas pessoas crêem e como tal agem). Pensai de vós mesmos como sendo independentes, usando o corpo como uma conveniência.

Cultivai o sentimento da imortalidade e da realidade, e, gradualmente, começareis a compreender que existis realmente e existireis sempre; e o temor cairá de sobre vós como um manto abandonado, porque o temor realmente é o
pensamento que debilita a desatendida mente instintiva. Livrai-vos do temor e o restante é coisa fácil.

A afirmação ou mantra que tem dado maior benefício que qualquer outro nestes casos, é a positiva afirmação do Eu Sou, a qual expressa uma verdade e tende para uma atitude mental que é recebida pela mente instintiva e a torna mais positiva para outros, e menos sujeita a ser afetada pelas sugestões, etc.

A atitude mental expressa pelo Eu Sou vos rodeará com uma aura mental que atuará como um escudo protetor até o tempo em que tenhais adquirido completamente a consciência mais elevada, a qual traz consigo uma sensação de confiança própria, segurança e força. Deste ponto em diante vos desenvolvereis gradualmente para essa consciência que vos assegura que, quando dizeis Eu, não falais somente da entidade individual com toda a sua força e poder, porém, que sabeis que o Eu tem atrás de si o poder e a força do espírito, e está unido com um inesgotável depósito de força que pode ser utilizada quando for necessária.

Tal pessoa jamais pode experimentar temor, porque se elevou acima dele. O temor é a manifestação da fraqueza e, por tanto tempo quanto o alimentemos, considerando-o como um amigo íntimo, estaremos abertos e indefesos às influências de outros. Mas, lançando para um lado o temor, ascendemos alguns passos na escala e nos pomos em contato com o forte, protetor, intrépido e valoroso pensamento do mundo, e deixamos atrás de nós a antiga debilidade e aflições da vida.

Quando o homem aprende que nada realmente pode prejudicá-lo, o temor parece-lhe uma estupidez; e quando o homem acorda à compreensão de sua natureza e destino, ele sabe que nada pode prejudicá-lo e, conseqüentemente, o temor é abandonado. Foi bem dito: "Nada há a temer, senão o temor", e neste epigrama está escondida uma verdade que todos os ocultistas adiantados reconhecerão.

A abolição do temor põe nas mãos do homem uma arma de defesa e poder que o torna quase invencível. Por que não aceitais este dom que tão livremente vos é oferecido? Que o vosso lema seja: “Eu Sou. Sou livre e nada temo.”


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