28.9.16

EVOLUÇÃO ESPIRITUAL – Ramacháraka


Enquanto as pessoas desejem com veemência as coisas materiais, as coisas da carne e da vida material, sem serem capazes de divorciar-se delas à vontade — serão atraídas para o renascimento, a fim de que esses desejos possam ser satisfeitos.

Mas, quando uma pessoa, pela experiência de muitas vidas, aprendeu a ver essas coisas como são e a reconhecer que não são uma parte de sua natureza real, então os ardentes desejos decrescem e, finalmente, morrem. Essas pessoas escapam da operação da Lei de Atração e da necessidade de sofrer o renascimento, até que algum desejo ou aspiração mais elevada acorde nelas, visto que a evolução da raça traz novas eras e novas raças.

Consentimos ser arrastados pela corrente dos desejos e ser levados para o renascimento em condições que nos permitem manifestar e expressar esses desejos e anelos. Algumas vezes, a voz do espírito influencia-nos até certo grau e nascemos em condições que representam um compromisso entre os ensinamentos do espírito e os mais grosseiros desejos, resultando freqüentemente uma vida cheia de desejos em conflito e aspirações agitadas — mas tudo isso é uma promessa de melhores condições para o futuro.

Quando uma pessoa se tem desenvolvido ao ponto de estar aberta às influências da mente espiritual na sua vida física, pode-se estar certo de que a sua próxima eleição para renascer será feita com a aprovação e sabedoria da parte superior da sua mente; e os velhos erros serão esquecidos.

A filosofia yogue ensina: — Que o Homem viveu e viverá sempre. Que aquilo que chamamos Morte é apenas o sono da noite para acordar na manhã seguinte. Que a Morte é apenas uma perda temporal da consciência. Que a Vida é contínua e o seu fim é o progresso, o crescimento e o desenvolvimento. Que estamos na Eternidade agora, tanto como podemos estar sempre. Que a Alma é o Homem Real e não um simples apêndice ou qualquer coisa adaptada ao seu corpo físico, como muitos parecem considerá-la. Que a Alma pode existir igualmente, tanto fora do corpo como nele, embora certas experiências e conhecimentos só possam ser obtidos em virtude da existência física — daí esta existência. Que temos corpos, agora, justamente porque os necessitamos — quando tivermos progredido até um pouco além de certo ponto, não teremos necessidade já da classe de corpos que temos agora e seremos relevados deles. Que sobre os planos mais grosseiros da vida foram ocupados, pela Alma, corpos muito mais materiais do que os nossos — que sobre os planos mais elevados a Alma ocupará corpos mais delicados. Que vividas as experiências de uma vida terrestre deixamos o corpo e passamos a um estado de descanso, e depois renascemos em corpos e condições em harmonia com as nossas necessidades e desejos. Que a vida real é realmente uma sucessão de vidas, de renascimentos e que a nossa presente vida é simplesmente uma do incontável número de existências prévias, sendo o nosso Eu atual o resultado das experiências adquiridas em nossas existências anteriores.

A filosofia yogue ensina que a alma existiu durante idades, abrindo-se caminho através de inumeráveis formas, desde as mais inferiores até as mais elevadas, progredindo sempre, sempre desenvolvendo-se. Que a alma continuará evoluindo através de inumeráveis idades, em muitas formas e fases, mas sempre elevando-se mais e cada vez mais. O universo é muito grande, e há inumeráveis mundos e esferas para os seus habitantes, e não estaremos ligados à terra nem um momento, depois de estarmos preparados para passar a uma esfera ou plano mais elevado.

Os yogues ensinam que, ainda que a maioria da raça esteja no estado inconsciente de evolução espiritual, há muitos que estão acordando à verdade e desenvolvem uma consciência espiritual da verdadeira natureza e do futuro do homem; e que essas pessoas que têm acordado espiritualmente jamais terão que tornar a passar através da cadeia de continuados renascimentos inconscientes, mas sim que o futuro desenvolvimento será sobre um plano consciente, e gozarão plenamente de constante progresso e aperfeiçoamento, em vez de serem meras fichas sobre o tabuleiro do xadrez da vida.

Os yogues ensinam que há muitas formas de vida muito mais inferiores que a do homem — tão inferiores que são inconcebíveis para nós — e que há graus de vida tão acima do nosso plano atual de desenvolvimento, que nossas mentes não podem alcançar a idéia. Aquelas almas que percorreram a senda, na qual nós estamos agora — nossos Irmãos Maiores — estão constantemente dando-nos sua ajuda e infundem-nos ânimo, estendendo-nos com freqüência sua mão protetora — ainda que não o reconheçamos.

Existem planos além do nosso, inteligências que uma vez foram homens como nós, porém que agora progrediram tanto na escala que, comparados conosco, são anjos e arcanjos — e nós seremos como eles algum dia.

A filosofia yogue ensina que vós que estais lendo estas linhas, haveis vivido muitas vidas. Tendes vivido nas formas mais inferiores, elevando-vos gradualmente na escala. Depois, haveis passado à fase humana de existência, vivestes como homem das cavernas, como habitante das penhas abruptas, como selvagem bárbaro, guerreiro, cavalheiro, sacerdote, escolar da idade Média: — ora na Europa, ora na Índia, ora na Pérsia, ora no Oriente, ora no Ocidente.

Em todas as idades — em todos os climas — entre todos os povos de todas as raças — vivestes e tivestes a vossa existência, executastes a vossa parte e morrestes. Em cada vida tendes adquirido experiência, aprendido novas lições, aproveitando os vossos erros, crescido, desenvolvido e progredido. E, quando abandonastes o corpo e entrastes no período de descanso, entre duas encarnações, vossa lembrança da vida passada desvaneceu-se gradualmente, mas deixando, em seu lugar o resultado das experiências obtidas nela.

Da mesma forma que, agora, não podeis relembrar muito acerca de certo dia ou semana de vinte anos atrás, porém as experiências desse dia ou semana deixaram rasgos indeléveis sobre o vosso caráter e têm influenciado todas as vossas ações desde então. Assim, também, ainda que tenhais esquecido os detalhes de vossas existências anteriores, elas deixaram, apesar disso, a sua impressão sobre vossa alma; a vossa vida diária, hoje, é justamente o que é, graças a essas experiências passadas.

Depois de cada vida, há uma espécie de sintetização das experiências, e o resultado — o resultado real das experiências — vai formar uma parte do vosso Eu esquecido — o qual, depois de certo tempo, procura um novo corpo em que se reencarnar. Mas, para muitos de nós, não há uma perda total de memória das existências passadas — à proporção que progredimos, trazemos conosco um pouco mais de consciência cada vez — e muitos de nós têm, atualmente, vislumbres ocasionais de lembranças de alguma existência passada.

Vemos uma cena pela primeira vez e nos parece muito familiar; porém, não nos recordamos de tê-la visto antes. Há uma espécie de lembrança obsessiva que nos perturba. Vemos um quadro — alguma antiga obra-prima — e sentimos, instintivamente, como se a tivéssemos contemplado no passado obscuro, sendo que nunca nos havíamos aproximado dela antes. Lemos algum livro antigo e nos parece como um velho amigo; porém, não relembramos de havê-lo visto antes, em nossa vida presente. Ouvimos alguma teoria filosófica e
imediatamente a "aceitamos" como se fosse alguma coisa conhecida e amada em nossa infância. Um ou outro dentre nós aprende certas coisas como se as recordasse — e, em verdade, o caso é esse.

Têm nascido crianças que se têm desenvolvido como grandes músicos, artistas, escritores e artífices, desde a mais tenra idade, ainda quando seus pais não possuíssem talentos dessa classe.

Shakespeare brotou de uma família cujos membros não possuíam talento, e assombrou o mundo. Abraão Lincoln veio à vida de um modo similar e, quando a responsabilidade pesou sobre ele, mostrou o mais poderoso gênio. Esses e muitos casos semelhantes só se podem explicar pela teoria das experiências prévias. Encontramos pessoas pela primeira vez e nasce em nós a convicção irresistível, a despeito de nossos protestos, de que as conhecêramos antes — que elas foram alguma coisa para nós, no passado; mas... quando? Oh! Quando?

Certos estudos são muito fáceis para nós, enquanto outros têm que ser dominados à força de um trabalho rude. Certas ocupações nos parecem as mais agradáveis e, quaisquer que sejam os obstáculos postos no caminho, saberemos vencê-los e chegar ao alvo.

A terra é um elo de uma cadeia de planetas pertencentes ao nossos sistema solar, os quais estão todos em íntima conexão uns com os outros, nesta grande lei da evolução espiritual. Grandes ondas de vida passam por sobre a cadeia, levando ao longo dela, de um a outro planeta, uma raça após outra. Cada raça permanece em cada planeta um certo período, e quando se desenvolveu, transfere-se ao próximo planeta mais elevado na escala da evolução, onde encontra as condições melhor adaptadas para o seu desenvolvimento.

Mas esse progresso, de planeta a planeta, não é circular — parece-se a uma espiral girando ao redor e elevando-se mais e mais em cada curva. Suponhamos uma alma residindo sobre um dos planetas de nossa cadeia planetária, num estado comparativamente de pouco progresso e crescimento espiritual — num lugar inferior na escala da evolução. Essa alma adquire a experiência, e depois é levada para o próximo planeta mais elevado na cadeia, junto com o resto de sua raça, e reencarnar-se ali. Nessa nova residência, ocupa um plano de progresso evidentemente mais adiantado do que aquele que ocupava no último — formando a sua raça inteira o núcleo de uma nova raça ali, desempenhando alguns o papel de pioneiros e os restantes acompanhando-os.

Porém, esse adiantado estado, comparado com o do planeta recém-deixado atrás, pode ser muito mais inferior na escala do progresso que o das outras raças que residem no mesmo planeta. Algumas das raças mais inferiores, no ponto da evolução, atualmente na terra, podem ter estado muito mais próximas ao mais elevado estado de desenvolvimento no último planeta habitado por elas e progrediram pela troca — o mais elevado de um planeta inferior é, talvez, menos desenvolvido que o mais inferior de um planeta mais elevado na cadeia.

Muitas raças que antigamente habitaram a terra, das quais encontramos vestígios ocasionalmente, ascenderam a um estado mais elevado de desenvolvimento. A História nos mostra que raças após raças têm estado à frente do desenvolvimento da terra — têm desempenhado a sua parte nesse estado de ação — e depois se foram, para onde?

A filosofia oculta nos dá o elo perdido da explicação. A nossa raça cresceu do estado da idade da pedra — e de mais remota idade ainda — continuará progredindo e, depois, ir-se-á, dando lugar a outras raças mais novas, que podem já estar, agora, enviando pioneiros de algum outro planeta.

Isto não significa, necessariamente, que cada raça de que nos fala a História tenha deixado a terra. Pelo contrário, os ocultistas sabem que algumas e, com efeito, o maior número das raças conhecidas pela História, encarnou em alguma das raças de hoje. A confusão se explica pelo fato de que cada raça tem várias sub-raças, as quais pertencem realmente à raça principal.

Por exemplo, os ocultistas sabem que os antigos egípcios, os romanos, os gregos, os atlantes, os antigos persas, etc., etc., estão na atualidade, vivendo nesta terra — isto é, as almas que antigamente estavam encarnadas nessas raças estão agora encarnadas em algumas das raças modernas. Mas há outras raças pré-históricas — que passaram além de toda atração terrestre e foram para outros planos de ação mais elevada, em planetas superiores!

Há um número de planetas mais inferiores, na escala do progresso, do que a nossa terra; há vários mais elevados, em direção aos quais vamos seguindo. Há, naturalmente, outros sistemas solares — outras cadeias de sóis — outros subuniversos, se nos perdoam o uso do termo, e tudo isso está destinado a todas as almas, por inferiores e humildes que sejam.

A nossa raça, a presente, passa através de um período muito importante de evolução. Está passando do estado inconsciente ao estado consciente do desenvolvimento espiritual. Muitos alcançaram já o seu estado consciente e muitos outros estão acordando para ele. Toda raça o obterá, por fim, devendo este proceder a sua translação progressiva.

Esse acordar gradual à consciência espiritual é o que causa toda esta agitação no mundo do pensamento — esse rompimento com as idéias e formas velhas — esta fome de verdade, este correr daqui para ali, atrás de novas verdades ou a reexposição de antigas verdades. É um período crítico na história da raça e muitos sustentam que ele implica uma possível divisão na raça em duas sub-raças, uma das quais possuirá a consciência espiritual e caminhará à frente e à
cabeça de outra sub-raça de mais vagarosos irmãos que devem progredir por graus.

Mas a raça unir-se-á outra vez, antes de se mudar finalmente da terra, porque está ligada pela lei de causa e efeito espiritual. Todos estamos interessados no progresso de cada um dos outros, não só porque somos irmãos, mas também
porque a nossa alma deve esperar até que a raça inteira se desenvolva.

Naturalmente, a alma que se desenvolve mais rapidamente não tem que se reencarnar simplesmente porque seus irmãos mais vagarosos tenham que fazê-lo assim. Pelo contrário, a alma altamente desenvolvida emprega um longo período de espera nos planos mais elevados do mundo astral, enquanto o seu irmão mais vagaroso efetua a sua evolução em repetidos nascimentos, desfrutando a alma desenvolvida, nessa estada nos planos mais elevados, de grande felicidade e benefício.

Muitas dessas almas em espera elegem o sacrifício do seu bem ganho descanso, voltando à terra para ajudar e elevar os seus irmãos, seja em forma de protetores astrais ou por um nascimento deliberado e consciente, do qual não têm necessidade para o seu crescimento e progressivo desenvolvimento; tomam deliberadamente um corpo de carne, com todas as suas cargas, para assistir seus irmãos mais fracos e ajudá-los a alcançar a meta.

Os grandes mestres das raças têm sido, em grande parte, destas almas que se sacrificam e voluntariamente renunciam ao céu pelo amor de seus semelhantes. É muito difícil imaginar quão grande é esse sacrifício — esse progresso de um plano elevado de desenvolvimento espiritual a uma civilização comparativamente pouco desenvolvida. É como se um Emerson fizesse o papel de missionário, no seio dos boximanes.

Para que fim tende toda esta evolução? Qual é o significado de tudo isto? A começar das mais baixas até às mais elevadas formas da vida — todas estão no Caminho. A que lugar ou estado conduz o Caminho? Tentaremos responder, pedindo que imagineis uma série de milhões de círculos, uns dentro dos outros. Cada círculo significa um estado de vida.

Os círculos exteriores estão ocupados pela vida em seus estados mais inferiores e materiais — os círculos mais próximos ao centro contêm mais e cada vez mais elevadas formas — até que os homens, ou os que foram homens, chegam a ser como deuses. E ainda a forma da vida se eleva mais e mais alto, e cresce mais e mais elevada, até que a mente humana não pode alcançar a idéia. E — que há no centro? — O cérebro do Corpo Espiritual inteiro — o absoluto — Deus! E nós estamos nos dirigindo para esse Centro!

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