Enquanto
as pessoas desejem com veemência as coisas materiais, as coisas da
carne e da vida material, sem serem capazes de divorciar-se delas à
vontade — serão atraídas para o renascimento, a fim de que esses
desejos possam ser satisfeitos.
Mas,
quando uma pessoa, pela experiência de muitas vidas, aprendeu a ver
essas coisas como são e a reconhecer que não são uma parte de sua
natureza real, então os ardentes desejos decrescem e, finalmente,
morrem. Essas pessoas escapam da operação da Lei de Atração e da
necessidade de sofrer o renascimento, até que algum desejo ou
aspiração mais elevada acorde nelas, visto que a evolução da raça
traz novas eras e novas raças.
Consentimos
ser arrastados pela corrente dos desejos e ser levados para o
renascimento em condições que nos permitem manifestar e expressar
esses desejos e anelos. Algumas vezes, a voz do espírito
influencia-nos até certo grau e nascemos em condições que
representam um compromisso entre os ensinamentos do espírito e os
mais grosseiros desejos, resultando freqüentemente uma vida cheia de
desejos em conflito e aspirações agitadas — mas tudo isso é uma
promessa de melhores condições para o futuro.
Quando
uma pessoa se tem desenvolvido ao ponto de estar aberta às
influências da mente espiritual na sua vida física, pode-se estar
certo de que a sua próxima eleição para renascer será feita com a
aprovação e sabedoria da parte superior da sua mente; e os velhos
erros serão esquecidos.
A
filosofia yogue ensina: — Que o Homem viveu e viverá sempre. Que
aquilo que chamamos Morte é apenas o sono da noite para acordar na
manhã seguinte. Que a Morte é apenas uma perda temporal da
consciência. Que a Vida é contínua e o seu fim é o progresso, o
crescimento e o desenvolvimento. Que estamos na Eternidade agora,
tanto como podemos estar sempre. Que a Alma é o Homem Real e não um
simples apêndice ou qualquer coisa adaptada ao seu corpo físico,
como muitos parecem considerá-la. Que a Alma pode existir
igualmente, tanto fora do corpo como nele, embora certas experiências
e conhecimentos só possam ser obtidos em virtude da existência
física — daí esta existência. Que temos corpos, agora,
justamente porque os necessitamos — quando tivermos progredido até
um pouco além de certo ponto, não teremos necessidade já da classe
de corpos que temos agora e seremos relevados deles. Que sobre os
planos mais grosseiros da vida foram ocupados, pela Alma, corpos
muito mais materiais do que os nossos — que sobre os planos mais
elevados a Alma ocupará corpos mais delicados. Que vividas as
experiências de uma vida terrestre deixamos o corpo e passamos a um
estado de descanso, e depois renascemos em corpos e condições em
harmonia com as nossas necessidades e desejos. Que a vida real é
realmente uma sucessão de vidas, de renascimentos e que a nossa
presente vida é simplesmente uma do incontável número de
existências prévias, sendo o nosso Eu atual o resultado das
experiências adquiridas em nossas existências anteriores.
A
filosofia yogue ensina que a alma existiu durante idades, abrindo-se
caminho através de inumeráveis formas, desde as mais inferiores até
as mais elevadas, progredindo sempre, sempre desenvolvendo-se. Que a
alma continuará evoluindo através de inumeráveis idades, em muitas
formas e fases, mas sempre elevando-se mais e cada vez mais. O
universo é muito grande, e há inumeráveis mundos e esferas para os
seus habitantes, e não estaremos ligados à terra nem um momento,
depois de estarmos preparados para passar a uma esfera ou plano mais
elevado.
Os
yogues ensinam que, ainda que a maioria da raça esteja no estado
inconsciente de evolução espiritual, há muitos que estão
acordando à verdade e desenvolvem uma consciência espiritual da
verdadeira natureza e do futuro do homem; e que essas pessoas que têm
acordado espiritualmente jamais terão que tornar a passar através
da cadeia de continuados renascimentos inconscientes, mas sim que o
futuro desenvolvimento será sobre um plano consciente, e gozarão
plenamente de constante progresso e aperfeiçoamento, em vez de serem
meras fichas sobre o tabuleiro do xadrez da vida.
Os
yogues ensinam que há muitas formas de vida muito mais inferiores
que a do homem — tão inferiores que são inconcebíveis para nós
— e que há graus de vida tão acima do nosso plano atual de
desenvolvimento, que nossas mentes não podem alcançar a idéia.
Aquelas almas que percorreram a senda, na qual nós estamos agora —
nossos Irmãos Maiores — estão constantemente dando-nos sua ajuda
e infundem-nos ânimo, estendendo-nos com freqüência sua mão
protetora — ainda que não o reconheçamos.
Existem
planos além do nosso, inteligências que uma vez foram homens como
nós, porém que agora progrediram tanto na escala que, comparados
conosco, são anjos e arcanjos — e nós seremos como eles algum
dia.
A
filosofia yogue ensina que vós que estais lendo estas linhas, haveis
vivido muitas vidas. Tendes vivido nas formas mais inferiores,
elevando-vos gradualmente na escala. Depois, haveis passado à fase
humana de existência, vivestes como homem das cavernas, como
habitante das penhas abruptas, como selvagem bárbaro, guerreiro,
cavalheiro, sacerdote, escolar da idade Média: — ora na Europa,
ora na Índia, ora na Pérsia, ora no Oriente, ora no Ocidente.
Em todas
as idades — em todos os climas — entre todos os povos de todas as
raças — vivestes e tivestes a vossa existência, executastes a
vossa parte e morrestes. Em cada vida tendes adquirido experiência,
aprendido novas lições, aproveitando os vossos erros, crescido,
desenvolvido e progredido. E, quando abandonastes o corpo e entrastes
no período de descanso, entre duas encarnações, vossa lembrança
da vida passada desvaneceu-se gradualmente, mas deixando, em seu
lugar o resultado das experiências obtidas nela.
Da mesma
forma que, agora, não podeis relembrar muito acerca de certo dia ou
semana de vinte anos atrás, porém as experiências desse dia ou
semana deixaram rasgos indeléveis sobre o vosso caráter e têm
influenciado todas as vossas ações desde então. Assim, também,
ainda que tenhais esquecido os detalhes de vossas existências
anteriores, elas deixaram, apesar disso, a sua impressão sobre vossa
alma; a vossa vida diária, hoje, é justamente o que é, graças a
essas experiências passadas.
Depois
de cada vida, há uma espécie de sintetização das experiências, e
o resultado — o resultado real das experiências — vai formar uma
parte do vosso Eu esquecido — o qual, depois de certo tempo,
procura um novo corpo em que se reencarnar. Mas, para muitos de nós,
não há uma perda total de memória das existências passadas — à
proporção que progredimos, trazemos conosco um pouco mais de
consciência cada vez — e muitos de nós têm, atualmente,
vislumbres ocasionais de lembranças de alguma existência passada.
Vemos
uma cena pela primeira vez e nos parece muito familiar; porém, não
nos recordamos de tê-la visto antes. Há uma espécie de lembrança
obsessiva que nos perturba. Vemos um quadro — alguma antiga
obra-prima — e sentimos, instintivamente, como se a tivéssemos
contemplado no passado obscuro, sendo que nunca nos havíamos
aproximado dela antes. Lemos algum livro antigo e nos parece como um
velho amigo; porém, não relembramos de havê-lo visto antes, em
nossa vida presente. Ouvimos alguma teoria filosófica e
imediatamente
a "aceitamos" como se fosse alguma coisa conhecida e amada
em nossa infância. Um ou outro dentre nós aprende certas coisas
como se as recordasse — e, em verdade, o caso é esse.
Têm
nascido crianças que se têm desenvolvido como grandes músicos,
artistas, escritores e artífices, desde a mais tenra idade, ainda
quando seus pais não possuíssem talentos dessa classe.
Shakespeare
brotou de uma família cujos membros não possuíam talento, e
assombrou o mundo. Abraão Lincoln veio à vida de um modo similar e,
quando a responsabilidade pesou sobre ele, mostrou o mais poderoso
gênio. Esses e muitos casos semelhantes só se podem explicar pela
teoria das experiências prévias. Encontramos pessoas pela primeira
vez e nasce em nós a convicção irresistível, a despeito de nossos
protestos, de que as conhecêramos antes — que elas foram alguma
coisa para nós, no passado; mas... quando? Oh! Quando?
Certos
estudos são muito fáceis para nós, enquanto outros têm que ser
dominados à força de um trabalho rude. Certas ocupações nos
parecem as mais agradáveis e, quaisquer que sejam os obstáculos
postos no caminho, saberemos vencê-los e chegar ao alvo.
A terra
é um elo de uma cadeia de planetas pertencentes ao nossos sistema
solar, os quais estão todos em íntima conexão uns com os outros,
nesta grande lei da evolução espiritual. Grandes ondas de vida
passam por sobre a cadeia, levando ao longo dela, de um a outro
planeta, uma raça após outra. Cada raça permanece em cada planeta
um certo período, e quando se desenvolveu, transfere-se ao próximo
planeta mais elevado na escala da evolução, onde encontra as
condições melhor adaptadas para o seu desenvolvimento.
Mas esse
progresso, de planeta a planeta, não é circular — parece-se a uma
espiral girando ao redor e elevando-se mais e mais em cada curva.
Suponhamos uma alma residindo sobre um dos planetas de nossa cadeia
planetária, num estado comparativamente de pouco progresso e
crescimento espiritual — num lugar inferior na escala da evolução.
Essa alma adquire a experiência, e depois é levada para o próximo
planeta mais elevado na cadeia, junto com o resto de sua raça, e
reencarnar-se ali. Nessa nova residência, ocupa um plano de
progresso evidentemente mais adiantado do que aquele que ocupava no
último — formando a sua raça inteira o núcleo de uma nova raça
ali, desempenhando alguns o papel de pioneiros e os restantes
acompanhando-os.
Porém,
esse adiantado estado, comparado com o do planeta recém-deixado
atrás, pode ser muito mais inferior na escala do progresso que o das
outras raças que residem no mesmo planeta. Algumas das raças mais
inferiores, no ponto da evolução, atualmente na terra, podem ter
estado muito mais próximas ao mais elevado estado de desenvolvimento
no último planeta habitado por elas e progrediram pela troca — o
mais elevado de um planeta inferior é, talvez, menos desenvolvido
que o mais inferior de um planeta mais elevado na cadeia.
Muitas
raças que antigamente habitaram a terra, das quais encontramos
vestígios ocasionalmente, ascenderam a um estado mais elevado de
desenvolvimento. A História nos mostra que raças após raças têm
estado à frente do desenvolvimento da terra — têm desempenhado a
sua parte nesse estado de ação — e depois se foram, para onde?
A
filosofia oculta nos dá o elo perdido da explicação. A nossa raça
cresceu do estado da idade da pedra — e de mais remota idade ainda
— continuará progredindo e, depois, ir-se-á, dando lugar a outras
raças mais novas, que podem já estar, agora, enviando pioneiros de
algum outro planeta.
Isto não
significa, necessariamente, que cada raça de que nos fala a História
tenha deixado a terra. Pelo contrário, os ocultistas sabem que
algumas e, com efeito, o maior número das raças conhecidas pela
História, encarnou em alguma das raças de hoje. A confusão se
explica pelo fato de que cada raça tem várias sub-raças, as quais
pertencem realmente à raça principal.
Por
exemplo, os ocultistas sabem que os antigos egípcios, os romanos, os
gregos, os atlantes, os antigos persas, etc., etc., estão na
atualidade, vivendo nesta terra — isto é, as almas que antigamente
estavam encarnadas nessas raças estão agora encarnadas em algumas
das raças modernas. Mas há outras raças pré-históricas — que
passaram além de toda atração terrestre e foram para outros planos
de ação mais elevada, em planetas superiores!
Há um
número de planetas mais inferiores, na escala do progresso, do que a
nossa terra; há vários mais elevados, em direção aos quais vamos
seguindo. Há, naturalmente, outros sistemas solares — outras
cadeias de sóis — outros subuniversos, se nos perdoam o uso do
termo, e tudo isso está destinado a todas as almas, por inferiores e
humildes que sejam.
A nossa
raça, a presente, passa através de um período muito importante de
evolução. Está passando do estado inconsciente ao estado
consciente do desenvolvimento espiritual. Muitos alcançaram já o
seu estado consciente e muitos outros estão acordando para ele. Toda
raça o obterá, por fim, devendo este proceder a sua translação
progressiva.
Esse
acordar gradual à consciência espiritual é o que causa toda esta
agitação no mundo do pensamento — esse rompimento com as idéias
e formas velhas — esta fome de verdade, este correr daqui para ali,
atrás de novas verdades ou a reexposição de antigas verdades. É
um período crítico na história da raça e muitos sustentam que ele
implica uma possível divisão na raça em duas sub-raças, uma das
quais possuirá a consciência espiritual e caminhará à frente e à
cabeça
de outra sub-raça de mais vagarosos irmãos que devem progredir por
graus.
Mas a
raça unir-se-á outra vez, antes de se mudar finalmente da terra,
porque está ligada pela lei de causa e efeito espiritual. Todos
estamos interessados no progresso de cada um dos outros, não só
porque somos irmãos, mas também
porque a
nossa alma deve esperar até que a raça inteira se desenvolva.
Naturalmente,
a alma que se desenvolve mais rapidamente não tem que se reencarnar
simplesmente porque seus irmãos mais vagarosos tenham que fazê-lo
assim. Pelo contrário, a alma altamente desenvolvida emprega um
longo período de espera nos planos mais elevados do mundo astral,
enquanto o seu irmão mais vagaroso efetua a sua evolução em
repetidos nascimentos, desfrutando a alma desenvolvida, nessa estada
nos planos mais elevados, de grande felicidade e benefício.
Muitas
dessas almas em espera elegem o sacrifício do seu bem ganho
descanso, voltando à terra para ajudar e elevar os seus irmãos,
seja em forma de protetores astrais ou por um nascimento deliberado e
consciente, do qual não têm necessidade para o seu crescimento e
progressivo desenvolvimento; tomam deliberadamente um corpo de carne,
com todas as suas cargas, para assistir seus irmãos mais fracos e
ajudá-los a alcançar a meta.
Os
grandes mestres das raças têm sido, em grande parte, destas almas
que se sacrificam e voluntariamente renunciam ao céu pelo amor de
seus semelhantes. É muito difícil imaginar quão grande é esse
sacrifício — esse progresso de um plano elevado de desenvolvimento
espiritual a uma civilização comparativamente pouco desenvolvida. É
como se um Emerson fizesse o papel de missionário, no seio dos
boximanes.
Para que
fim tende toda esta evolução? Qual é o significado de tudo isto? A
começar das mais baixas até às mais elevadas formas da vida —
todas estão no Caminho. A que lugar ou estado conduz o Caminho?
Tentaremos responder, pedindo que imagineis uma série de milhões de
círculos, uns dentro dos outros. Cada círculo significa um estado
de vida.
Os
círculos exteriores estão ocupados pela vida em seus estados mais
inferiores e materiais — os círculos mais próximos ao centro
contêm mais e cada vez mais elevadas formas — até que os homens,
ou os que foram homens, chegam a ser como deuses. E ainda a forma da
vida se eleva mais e mais alto, e cresce mais e mais elevada, até
que a mente humana não pode alcançar a idéia. E — que há no
centro? — O cérebro do Corpo Espiritual inteiro — o absoluto —
Deus! E nós estamos nos dirigindo para esse Centro!
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