27.9.16

O DOMÍNIO DA MENTE – Ramacháraka


Antes de podermos esperar que a nossa mente funcione bem, havemos de fazê-la obedecer à vontade do «Eu». Em geral, permite-se à mente fazer o que quer e passar de um objeto a outro como lhe apraz. A mente dá-nos então muito trabalho e inquietações, pouco prazer e consolo, como uma criança má ou um animal doméstico mal ensinado, de maneira que não se vê a sua utilidade.

As mentes de muitos de nós são como pátios de animais selvagens, seguindo cada um as suas inclinações naturais e o seu próprio caminho. Temos em nós mesmos uma coleção de animais: o tigre, o macaco, o pavão, o asno, a ovelha, a hiena e todos os outros. E temo-nos deixado governar por estes animais. Se olhardes em tomo de vós, vereis que aqueles homens e mulheres do mundo que realmente têm feito alguma coisa importante, tinham treinado a sua mente para serem obedecidos. Eles sabiam dominar a própria mente pela força da vontade e assim atingiram o poder.

A mente ordinária enfurece-se sob o freio da vontade e é como um macaco obstinado que não quer «aprender artes». Se, porém, deve funcionar bem, deve ser ensinada e deve aprender. Deveis ensiná-la, se quereis ter dela alguma utilidade, se quereis que ela vos sirva, em vez de a servirdes.

E esta é a primeira coisa que deve aprender o estudante de Raja Yoga: controlar ou dominar a mente. Aqueles que esperavam encontrar um caminho largo e cômodo para os conduzir ao Mestrado, ver-se-ão desenganados; mas existe um só caminho que vos pode conduzir ao alvo: é o domínio e o controle sobre a mente, exercido pela vontade. Sem este, a mente fugir-vos-á quando tiverdes dela maior necessidade. Por isso, vos daremos exercícios destinados a ajudar-vos nesta direção.

O primeiro exercício em Raja Yoga é o chamado Pratyahara, ou arte de tornar a mente introspectiva, isto é, dirigir a sua atenção para o seu próprio interior. Este é o primeiro passo para o domínio sobre a mente. O seu fim é desviar a mente da ocupação com o exterior e dirigi-la, gradualmente, ao interior, fixando sua atenção sobre sua natureza interna. Trata-se de dominar a mente pela vontade.

Os seguintes exercícios serão úteis para isso:
EXERCÍCIO I
a) Colocai-vos numa posição cômoda e o mais longe possível de influências externas que vos possam interromper ou distrair. Não façais esforço violento para dominar a mente, mas antes deixai-a vaguear um pouco, até que os seus esforços se achem exaustos. Ela aproveitará, a princípio, a oportunidade e disparará aqui e acolá, como um macaco solto, até que se cansa, pouco a pouco, e obedecerá às vossas ordens. Na primeira vez custará algum tempo amansá-la, mas todas as vezes que o experimentardes, chegar-vos-á com a menor demora.

b) Quando a mente estiver bem acalmada e em paz, fixai o pensamento no mantra «Eu sou». Imaginai o «Eu» como uma entidade independente do corpo, imortal, invulnerável, real. Meditai sobre isto algum tempo e depois dirigi gradualmente o pensamento ao real conhecimento do «Eu» como independente da mente, superior a ela e dominando-a. Achareis que a vossa mente se torna cada vez mais calma e cheia de paz, enquanto os pensamentos perturbadores do mundo exterior se afastam de vós cada vez mais.

EXERCÍCIO II
O segundo passo em Raja Yoga é conhecido como Dhárana, ou concentração, pela qual se dirige a centralização das forças mentais e se obtêm resultados quase incríveis. É verdade que isto requer trabalho, tempo e paciência; mas o estudo será bem recompensado. A concentração consiste em dirigir toda a mente a um objeto ou coisa, retendo-a ali por algum tempo. No primeiro instante isto parece muito fácil, mas um pouco de prática mostrará como é difícil fixar a atenção firmemente e retê-la no objeto, porque a mente tem a tendência de flutuar e passar a um outro objeto, e é necessária muita prática para poder fixá-la e retê-la no ponto desejado. Mas a prática faz maravilhas, como se pode ver observando as pessoas que adquiriram esta faculdade e a aplicam na sua vida quotidiana.

Podeis também concentrar a atenção sobre alguma parte do corpo; por exemplo, a mão — e, fixando a vossa atenção nela, excluí ou inibi toda a sensação das outras partes do corpo. Um pouco de prática torna-vos hábeis a fazê-lo. Além de servir de treinamento mental, este exercício estimulará a parte do corpo sobre a qual vos concentrais. Depois, escolhei outras partes do corpo, para nelas concentrar, uma por cada vez, a vossa mente, e assim dareis à mente uma variedade de exercícios e ao corpo o efeito de um estimulante geral. 
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