Antes
de podermos esperar que a nossa mente funcione bem, havemos de
fazê-la obedecer à vontade do «Eu». Em geral, permite-se à mente
fazer o que quer e passar de um objeto a outro como lhe apraz. A
mente dá-nos então muito trabalho e inquietações, pouco prazer e
consolo, como uma criança má ou um animal doméstico mal ensinado,
de maneira que não se vê a sua utilidade.
As
mentes de muitos de nós são como pátios de animais selvagens,
seguindo cada um as suas inclinações naturais e o seu próprio
caminho. Temos em nós mesmos uma coleção de animais: o tigre, o
macaco, o pavão, o asno, a ovelha, a hiena e todos os outros. E
temo-nos deixado governar por estes animais. Se olhardes em tomo de
vós, vereis que aqueles homens e mulheres do mundo que realmente têm
feito alguma coisa importante, tinham treinado a sua mente para serem
obedecidos. Eles sabiam dominar a própria mente pela força da
vontade e assim atingiram o poder.
A
mente ordinária enfurece-se sob o freio da vontade e é como um
macaco obstinado que não quer «aprender artes». Se, porém, deve
funcionar bem, deve ser ensinada e deve aprender. Deveis ensiná-la,
se quereis ter dela alguma utilidade, se quereis que ela vos sirva,
em vez de a servirdes.
E
esta é a primeira coisa que deve aprender o estudante de Raja Yoga:
controlar ou dominar a mente. Aqueles que esperavam encontrar um
caminho largo e cômodo para os conduzir ao Mestrado, ver-se-ão
desenganados; mas existe um só caminho que vos pode conduzir ao
alvo: é o domínio e o controle sobre a mente, exercido pela
vontade. Sem este, a mente fugir-vos-á quando tiverdes dela maior
necessidade. Por isso, vos daremos exercícios destinados a
ajudar-vos nesta direção.
O
primeiro exercício em Raja Yoga é o chamado Pratyahara, ou arte de
tornar a mente introspectiva, isto é, dirigir a sua atenção para o
seu próprio interior. Este é o primeiro passo para o domínio sobre
a mente. O seu fim é desviar a mente da ocupação com o exterior e
dirigi-la, gradualmente, ao interior, fixando sua atenção sobre sua
natureza interna. Trata-se de dominar a mente pela vontade.
Os
seguintes exercícios serão úteis para isso:
EXERCÍCIO
I
a)
Colocai-vos numa posição cômoda e o mais longe possível de
influências externas que vos possam interromper ou distrair. Não
façais esforço violento para dominar a mente, mas antes deixai-a
vaguear um pouco, até que os seus esforços se achem exaustos. Ela
aproveitará, a princípio, a oportunidade e disparará aqui e acolá,
como um macaco solto, até que se cansa, pouco a pouco, e obedecerá
às vossas ordens. Na primeira vez custará algum tempo amansá-la,
mas todas as vezes que o experimentardes, chegar-vos-á com a menor
demora.
b)
Quando a mente estiver bem acalmada e em paz, fixai o pensamento no
mantra «Eu sou». Imaginai o «Eu» como uma entidade independente
do corpo, imortal, invulnerável, real. Meditai sobre isto algum
tempo e depois dirigi gradualmente o pensamento ao real conhecimento
do «Eu» como independente da mente, superior a ela e dominando-a.
Achareis que a vossa mente se torna cada vez mais calma e cheia de
paz, enquanto os pensamentos perturbadores do mundo exterior se
afastam de vós cada vez mais.
EXERCÍCIO
II
O
segundo passo em Raja Yoga é conhecido como Dhárana, ou
concentração, pela qual se dirige a centralização das forças
mentais e se obtêm resultados quase incríveis. É verdade que isto
requer trabalho, tempo e paciência; mas o estudo será bem
recompensado. A concentração consiste em dirigir toda a mente a um
objeto ou coisa, retendo-a ali por algum tempo. No primeiro instante
isto parece muito fácil, mas um pouco de prática mostrará como é
difícil fixar a atenção firmemente e retê-la no objeto, porque a
mente tem a tendência de flutuar e passar a um outro objeto, e é
necessária muita prática para poder fixá-la e retê-la no ponto
desejado. Mas a prática faz maravilhas, como se pode ver observando
as pessoas que adquiriram esta faculdade e a aplicam na sua vida
quotidiana.
Podeis
também concentrar a atenção sobre alguma parte do corpo; por
exemplo, a mão — e, fixando a vossa atenção nela, excluí ou
inibi toda a sensação das outras partes do corpo. Um pouco de
prática torna-vos hábeis a fazê-lo. Além de servir de treinamento
mental, este exercício estimulará a parte do corpo sobre a qual vos
concentrais. Depois, escolhei outras partes do corpo, para nelas
concentrar, uma por cada vez, a vossa mente, e assim dareis à mente
uma variedade de exercícios e ao corpo o efeito de um estimulante
geral.
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