Antigamente
se fazia da prática da meditação uma parte vital da vida diária. Nas mais
antigas culturas ela era iniciada com o culto matinal do Sol. O Sol era apenas
o símbolo da Grande Luz que o homem esperava encontrar dentro de si mesmo.
Porque
temos nos esquecido de procurar internamente a iluminação, estamos perdidos nas
trevas espirituais. Considerai a sempre crescente pressa e distração da vida
moderna. Deus não é apenas negado, mas principalmente impedido de entrar.
As
poucas vozes que ouvimos no mundo de hoje, as terríveis vozes da paixão cega e
ódios cruéis, da irritabilidade, disputa e incompreensão, são as vozes de
homens que nunca se voltarão para o interior, que perderam o entendimento de
suas relações com a alma divina.
Se os
indivíduos aprenderem a encontrar a paz interna, teremos seguramente a paz
externa e eliminadas as guerras. É a natureza humana degenerada que cria as
guerras. Nenhum pedaço de papel chamado tratado jamais curará o mundo das
guerras.
A
meditação, a ioga, é prática fundamental desta busca interna. Muitas pessoas
têm idéias confusas sobre ioga e meditação. Acham que a meditação os levará a
maravilhosas experiências sobrenaturais. Tanto pode ser como não. Imaginam que
leva a desenvolver poderes ocultos. Pode e não produzir isso.
Não é
necessário gastar o dia todo em quietude mental para encontrar o eu espiritual.
Isso nem mesmo é aconselhável, porque a meditação prolongada implica na mais
árdua façanha que o homem possa realizar. A imensa tensão do esforço para
meditar durante todo o dia é demasiado grande para a maioria dos homens, e
muitos podem descambar para a indolência, egoísmo ou hipocrisia.
É
preferível dedicar um breve período cada dia, e tornar esse período realmente
significativo, e depois parar e levantar-se. Não importa quão breve seja o
tempo que lhe dediqueis, embora talvez um período de vinte minutos fosse
realmente o mínimo mais prático.
Os
melhores períodos são a aurora, o meio-dia e o por do sol. Ou podeis achar
alguns minutos em qualquer hora do dia em que estejais a sós, quietos e sem ser
incomodado, para iniciar vossa tentativa de por vossa mente em sintonia com o
Infinito.
Depois
de escolher determinada hora do dia, é aconselhável manter essa hora. Há
diferentes métodos de meditação, porque somos todos constituídos de maneira
diferente. Temos diferentes temperamentos, diferentes formações mentais,
diferentes formações físicas, e por isso temos de encontrar o método que melhor
nos convenha, aquele que nos ofereça a menor resistência.
Não é
necessário adotar algum método que seja estranho a nosso temperamento; se o
adotarmos não seremos bem sucedidos. Se sentir que pela oração e aspiração
podeis obter melhor progresso que pela análise intelectual (vichara), adotai
esse método.
O
artista absorto na execução de um instrumento musical está meditando, porque
ele se perdeu tanto na música que se esqueceu do mundo externo. Este formoso
estado o conduziu ao mundo interno. Não é o estado final, mas o tirou do mundo
material.
Numerosos
profissionais e homens de negócios já praticaram meditação e ioga, porém sem o
saberem. O problema é que eles meditam apenas em seus assuntos administrativos;
não fogem do puramente pessoal.
Uma
prática que pode ser de auxílio é o controle da respiração. Observai
atentamente, durante alguns minutos, vosso movimento respiratório, diminuindo
aos poucos a velocidade usual do ciclo respiratório completo. Entre a inalação
e a exalação, prendei suavemente a respiração por um ou dois segundos. Nesse
intervalo a mente se deterá e isso produzirá um estado de concentração interna.
Se
conseguirdes alguma concentração mental, entrareis numa nova etapa. Deveis
então perguntar quem está praticando a meditação. A resposta será: “Eu”. E
então perguntar: “Quem sou eu?”, tendo claro em vossa mente que o corpo não é o
“eu”.

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