A vida é
a constante acumulação de conhecimento — o armazenamento do
resultado de experiências. A lei de causa e efeito está em
constante operação, e colhemos o que semeamos, — não como um
castigo, porém como um efeito, segundo
a causa que produziu.
O pecado
é, em grande parte, a questão de ignorância e de erro. Aqueles que
alcançaram um plano elevado de conhecimento espiritual, adquiriram
um conhecimento tão convincente da loucura e imprudência de certos
atos e pensamentos, que chegou a ser, para eles, quase impossível
cometê-los.
Uma
criança desejosa de tocar numa estufa, fá-lo-á tão rapidamente
logo que ache oportunidade, apesar das ordens dos pais e da ameaça
de um castigo. Porém, quando uma criança tenha experimentado uma
vez a dor da queimadura, reconhecerá que há uma íntima relação
entre uma estufa quente e um dedo queimado, e apartar-se-á da
estufa.
Os pais
gostariam de proteger o filho contra o resultado de suas próprias
loucuras, mas a natureza infantil insiste em aprender certas coisas
por experiência, e os pais não podem impedi-lo. Longe disso, a
criança que é muito estritamente vigiada e restringida, geralmente
quebra, mais tarde, todas as travas e aprende certas lições por si
mesma. Tudo quanto o pai pode fazer é rodear a criança de
precauções comuns e dar-lhe o benefício da sua experiência, uma
porção da qual a criança aproveitará — e, depois, confiar à
lei da vida a determinação do resultado.
Deste
modo, a alma humana está constantemente aplicando a prova da
experiência a todas as fases da vida — passando de uma encarnação
à outra, aprendendo constantemente novas lições e adquirindo nova
sabedoria. Mais cedo ou mais tarde, ela nota quão prejudiciais são
certos atos — descobre a loucura de certas ações e modos de vida,
e, como a criança queimada, evita-as no futuro.
Todos
nós conhecemos que certas coisas não nos causam tentação, porque
aprendemos a lição — alguma vez — em alguma vida passada e não
precisamos tornar a aprendê-la — enquanto que outras nos atraem
fortemente e sofremos muita dor devido a elas.
De que
utilidade seria toda essa pena e sofrimento, se a vida atual fosse
tudo?... Mas levamos o benefício de nossa experiência a outra vida
e evitamos a dor ali. Olhamos ao nosso redor e nos estranha observar
que certos conhecidos nossos não podem ver a loucura de certas
formas de ação, quando para nós está clara — mas esquecemo-nos
de que já passamos pelo mesmo estado de experiência que eles passam
agora e que deixamos atrás o desejo e a ignorância — não
pensamos que em futuras existências esta gente estará livre deste
engano e desta dor, porque terá aprendido a lição por experiência,
o mesmo que fizemos nós.
Para
nós, é difícil compreender completamente que somos o que somos,
devido justamente ao resultado de nossas experiências. Tomemos como
exemplo uma só existência. Pensais que vos seria agradável
eliminar de vossa vida alguma dolorosa experiência, algum episódio
desagradável, algumas circunstâncias mortificantes; mas —
refletistes já que, se fosse possível apagar estas coisas, vos
veríeis necessariamente obrigados a desprender-vos da experiência e
do conhecimento que recebestes daqueles sucessos?... Ser-vos-ia
agradável privar-vos do conhecimento da experiência que recebestes
do modo mencionado? Gostaríeis de retroceder ao estado de
inexperiência e ignorância em que estáveis antes do acontecimento?
Porque, se tornásseis ao antigo estado, seria extremamente provável
que cometêsseis os mesmos erros outra
vez.
Quantos
de nós desejaríamos apagar completamente as experiências que temos
recebido? Em realidade, desejamos esquecer o fato, mas sabemos que
temos a experiência dele resultante, formando parte do nosso
caráter, e não nos agradaria desprender-nos dela, porque seria como
se desprezásseis uma porção de nossa estrutura mental.
Se nos
despojássemos das experiências adquiridas pela dor, seria como se
nos separássemos primeiro de uma parte de nós mesmos, de outra, até
que, por fim, não teríamos deixado nada, exceto a dura casca mental
do nosso ser primitivo.
Mas,
podeis dizer: — "De que utilidade são as experiências
obtidas em vidas anteriores, se não as lembramos, se estão perdidas
para nós?... " Mas não as perdestes; elas constituem a vossa
estrutura mental e nada pode apartá-las de vós — são vossas para
sempre. Vosso caráter está formado, não só pelas experiências
desta vida particular, como também pelo resultado de muitas outras
vidas e graus de existência.
Hoje
sois o que sois, devido a essas experiências acumuladas — as
experiências de vidas passadas e as da presente. Relembrareis
algumas das coisas da vida presente que contribuíram para formar o
vosso caráter, mas muitas outras igualmente importantes desta mesma
existência as esquecestes. Entretanto, o resultado permanece em vós,
por haver-se tecido no vosso ser mental.
E ainda
que só possais recordar pouco ou mesmo nada de vossas vidas
passadas, as experiências adquiridas continuam em vós agora e
sempre. São essas experiências passadas as que vos dão
predisposição em certas direções — o que faz com que vos seja
muito difícil fazer certas coisas -- o que vos faz reconhecer,
instintivamente, certas coisas como imprudentes e injustas, e vos faz
voltar-lhes as costas, julgando-as loucuras. Elas vos dão vossos
gostos e inclinações e fazem que alguns caminhos vos pareçam
melhores que outros.
Nada se
perde na vida e todas as experiências do passado contribuem para o
vosso bem-estar no presente -- todos os vossos incômodos e penas do
presente produzirão o seu fruto no futuro. Não é sempre que
aprendemos uma lição na primeira tentativa, e temos que tornar uma
e outra vez à nossa tarefa, até levá-la a termo. Porém, nem o
mais leve esforço se perde; e, se fracassamos na tarefa do passado,
é mais fácil para nós realizá-la hoje.
Um
escritor americano, Sr. Berry Benson, no Century Magazine, de maio de
1894, nos dá uma formosa ilustração de um dos aspectos das
operações da lei de evolução espiritual. Reproduzimo-la aqui:
"Um
menino pequeno foi à escola. Era muito pequeno; tudo quanto sabia, o
havia obtido com o leite que mamara de sua mãe. Seu mestre, que era
Deus, colocou-o na classe mais elementar e lhe deu estas lições
para aprender: "Tu não matarás. Tu não farás dano a nenhum
ser vivente. Tu não roubarás."
O homem
não matou, mas foi cruel e roubou. No fim do dia, quando sua barba
estava grisalha — quando chegou a noite, seu mestre, que era Deus,
lhe disse: "Tu aprendeste a não matar, mas as outras lições
não as aprendeste. Volta amanhã."
No dia
seguinte, voltou o menino pequeno. E seu mestre, que era Deus,
colocou-o numa classe um pouco mais adiantada e lhe deu estas lições
para aprender: "Tu não farás dano algum a nenhum ser vivente.
Tu não roubarás. Tu não enganarás."
O homem
não fez dano a nenhum ser vivente; mas roubou e mentiu. E, no fim do
dia, quando sua barba estava grisalha — quando chegou a noite, seu
mestre, que era Deus, lhe disse: "Tu aprendeste a ser clemente.
Mas as outras lições não as aprendeste. Volta amanhã."
Outra
vez, no dia seguinte, voltou o pequeno menino. E seu mestre, que era
Deus, colocou-o em uma classe um pouco mais elevada ainda, dando-lhe
estas lições para aprender: "Tu não roubarás. Tu não
enganarás. Tu não invejarás." Assim, o homem não roubou; mas
enganou e invejou.
E, no
fim do dia, quando sua barba estava grisalha — quando chegou a
noite, seu mestre, que era Deus, lhe disse: "Tu aprendeste a não
roubar. Mas as outras lições não as aprendeste. Volta amanhã, meu
filho. "
Foi isto
que li nos rostos dos homens e das mulheres, no livro do mundo e no
registro dos céus, que está escrito com estrelas."
Há
maiores escolas, colégios e universidades de conhecimento espiritual
além de nós, mas essas verdades – amar ao próximo e amar a Deus
- são as lições ensinadas nos graus em que estamos presentemente.
E toda essa dor, incômodo, pena e trabalho têm sido só para nos
ensinar essas verdades - mas a verdade, uma vez adquirida, faz ver
que é bem digna do elevado preço pago por ela.
Se
podeis tornar essas verdades uma parte de vós mesmos, tereis feito
grande progresso no caminho — tereis prestado com êxito o Grande
Exame. A doutrina de Causa e Efeito Espirituais está baseada na
grande verdade de que, sob a Lei, cada homem é, praticamente, o
diretor de seu próprio destino — seu próprio juiz — seu próprio
recompensador — seu próprio árbitro de castigos.
A
incitação dos desejos, aspirações e hábitos da vida passada
fazem uma forte pressão sobre a alma, levando-a a encarnar-se nas
condições melhor adaptadas à experimentação da satisfação
desses gostos, atrações e aversões — a alma quer seguir o curso
da sua vida passada, e naturalmente procura as circunstâncias e
meios melhor adaptados à mais livre expressão de sua personalidade.
Mas, ao
mesmo tempo, o espírito, na alma, conhece que o desenvolvimento
desta tem necessidade de certas outras condições para fazer surgir
outros aspectos de sua natureza, que, tendo permanecido reprimidos ou
sem desenvolvimento, exercem uma atração sobre a alma que se
reencarna, desviando-a um pouco do seu curso escolhido e
influenciando esta lição num certo grau.
Um homem
pode ter um desejo predominante pelas riquezas materiais, e a força
de seus desejos lhe fará escolher circunstâncias e condições para
renascer numa família que tenha muita fortuna, ou num corpo muito
bem adaptado para conseguir seus desejos; mas o espírito, conhecendo
que a alma descuidou
para um lado, a fará colocar-se numa corrente de circunstâncias que
farão com que o homem sofra penas, desagrados e prejuízos, ainda
quando obtenha grande fortuna em sua nova vida, a fim de que possa
desenvolver essa parte da sua natureza.
Podemos
ver ilustrações desses fatos acima mencionados em alguns dos homens
muito ricos da América do Norte. Eles nasceram em circunstâncias
nas quais tiveram a mais livre expressão do desejo de riquezas
materiais — tiveram a posse de faculdades melhor adaptadas por esse
fim único, e agiram de modo a rodear-se das circunstâncias melhor
calculadas para dar a mais livre manifestação àquelas faculdades;
obtiveram a realização de seus desejos íntimos e acumularam
riquezas de um modo desconhecido em tempos anteriores. Mas, são
muito infelizes e, geralmente, estão descontentes.
A sua
riqueza é um peso ao redor de seu pescoço e estão atormentados
pelo temor de perdê-la e a ansiedade de atendê-la. Sentem que não
lhes proporcionou uma felicidade real, mas que, pelo contrário, os
apartou de seus semelhantes e da felicidade conhecida por pessoas que
dispõem de meios mais moderados. Estão febris e intranqüilos, e
procurando, constantemente, alguma nova excitação que aparte suas
mentes da contemplação da sua condição real.
Sentem a
sensação do dever para com a raça, e, ainda que não compreendam
inteiramente o sentimento interno disso, esforçam-se por acalmar
essa sensação, contribuindo para a construção de colégios,
hospitais e outras instituições similares. Elas nasceram em
resposta ao acordar consciente da raça à realidade de Fraternidade
do Homem e da Unidade do Todo.
Antes de
chegar ao fim, sentirão, no mais profundo de sua alma, que este
êxito não lhes produziu a felicidade real e no período de descanso
que segue à sua partida do corpo físico, darão "balanço"
de si mesmos e reajustarão seus assuntos mentais e espirituais, de
modo que, quando nascerem outra vez, não terão a ânsia de dedicar
todas as suas energias em amparar riquezas que eles não podem usar,
e sim, viverão uma vida mais equilibrada e acharão a felicidade em
lugares inesperados, desenvolvendo-se mais espiritualmente.
O
espírito conhece o que é realmente melhor para o homem, e quando o
vê arrastado pela sua natureza inferior, procura tirá-lo de seu
caminho ou detê-lo repentinamente, se for necessário. Não é um
castigo, relembrai-o, e sim a maior bondade. O espírito é uma parte
do homem, e não um poder externo — ainda que seja, naturalmente, a
parte divina dele — essa parte dele, que está no mais próximo
contato com a grande e onipotente Inteligência que chamamos Deus.
O
sofrimento não é produzido devido a algum sentimento de justa
indignação, vingança, impaciência ou sentimentos similares do
espírito, mas devido a um sentimento igual ao do mais amoroso pai,
que se vê obrigado a tirar das mãos de seu filhinho alguma coisa
perigosa que possa fazer-lhe mal — é a mão que afasta a criança
da beira do precipício, ainda que o pequeno grite, colérico e
contrariado, por haver-lhe frustrado os desejos.
O homem
ou a mulher que desenvolveu a mente espiritual, vê esta condição
das coisas e, em vez de lutar contra o espírito, entrega-se a ele
sem protestos e obedece à sua mão diretora, evitando, assim, muita
dor. Mas aqueles que não sabem, enraivecem-se e rebelam-se contra a
restrição e guia da mão; desprezam-na e tentam livrar-se dela,
fazendo recair, em conseqüência, sobre si mesmos, amargas
experiências, tornadas necessárias pela sua rebelião.
Somos
tão propensos a nos ressentir das influências exteriores em nossos
assuntos, que esta idéia da restrição não nos é agradável; mas,
se nos lembrássemos somente que é uma parte de nós mesmos — a
parte elevada de nós mesmos — a que exerce esta direção, então
poderíamos ver a coisa com uma luz diferente.
E
devemos relembrar isto: por adversas que nos pareçam as
circunstâncias e condições, elas são, exatamente, aquelas de que
temos necessidade, sob as circunstâncias exatas de nossas vidas, e
que têm por único objetivo o nosso bem final. Podemos ter
necessidade de nos fortalecer, seguindo certas linhas, com o fim de
completar nosso progresso — e podemos adquirir as experiências
adequadas para completar esta parte particular de nós mesmos.
Podemos
ter demasiada tendência para uma direção e surgirem nela
obstáculos e sermos incitados a seguir outra direção. Estas
pequenas coisas — e outras maiores — todas têm a sua
significação E então nossos interesses estão ligados, mais ou
menos, com os de outros, devido às leis de atração; e os nossos
atos podem estar destinados a refletir sobre eles e os deles sobre
nós, para nosso mútuo desenvolvimento e bem final.
E
qualquer que seja a pena, aflição ou o incômodo que nos possa
sobrevir, se nos abrirmos à orientação do espírito,
abrir-se-nos-á um caminho — passo a passo — e se o seguirmos,
obteremos a paz e a força. A Lei não acumula sobre o indivíduo
mais peso do que ele pode suportar, e "não só acalma o vento
para o cordeiro tosquiado, como adapta o cordeiro tosquiado ao
vento".
Falamos
que os nossos interesses estão ligados com os de outros. Este é
também um princípio da Lei Espiritual de Causa e Efeito. Em nossas
vidas passados nos temos ligado a outros pelo amor ou pelo ódio —
quer seja por uma boa ação ou pela crueldade. E essas pessoas,
nesta vida, têm certas relações conosco, tendentes todas à mútua
reparação e mútuo desenvolvimento e progresso.
Não é
uma lei de vingança, mas simplesmente a Lei de Causa e Efeito que
nos faz sofrer um dano (quando é necessário) das mãos de alguns
daqueles aos quais temos feito mal em alguma existência passada. E
não é simplesmente uma lei de recompensa pelo bem, porém, sim,
esta mesma Lei de Causa e Efeito, que faz com que pense as nossas
feridas e nos conforte aquele a quem confortamos na vida passada.
Abstenhamo-nos
de pôr em operação esta Lei de Causa e Efeito pelos Ciúmes, Ódio,
Malícia, Cólera e perversidade das nossas relações com os outros.
Sejamos tão bons quanto possamos e justos para nós mesmos e para os
outros, evitando os sentimentos de ódio e o desejo de vingança.
Vivamos conduzindo a nossa carga com tanta alegria quanto possamos, e
confiemos sempre na guia do espírito e na ajuda da Inteligência
Superior.
Reconheçamos
que tudo está agindo conjuntamente para o bem e que não podemos ser
privados deste bem. Relembremos que esta vida é apenas um grão de
areia no deserto do tempo e que temos longas idades em nossa frente,
nas quais teremos a oportunidade de realizar todas as nossas
aspirações e desejos elevados. Não vos desanimeis, porque Deus
reina e tudo é como deve ser.
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