Apresentamos
aqui os sete princípios do homem, tais como são conhecidos pela
filosofia yogue:
7 —
Espírito
6 —
Mente Espiritual
5 —
Intelecto
4 —
Mente Instintiva
3 —
Prana ou Força Vital
2 —
Corpo Astral
1 —
Corpo Físico
O sexto
princípio, a mente espiritual, foi chamado por alguns escritores a
mente supraconsciente.
Ainda
que a existência efetiva da mente espiritual se tenha tornado
manifesta somente a um limitado número de pessoas, há muitas que
estão se tornando conscientes de um "algo interno" mais
elevado, que as conduz a mais elevados e mais nobres pensamentos,
desejos, aspirações e feitos. Existe ainda um número maior que
recebe um fraco vislumbre da luz do espírito, e ainda que eles o
ignorem, são mais ou menos influenciados por ele.
Em
realidade, a raça inteira recebe algum de seus raios benéficos,
ainda que, em alguns casos, a luz esteja tão obscurecida pelos
densos obstáculos materiais que rodeiam o homem, que o seu amanhecer
espiritual é quase igual à escuridão da noite. Mas o homem
continua em ininterrupto desenvolvimento progressivo, abandonando
envoltura após envoltura e aproximando-se lentamente de seu lar. A
luz, a seu devido tempo, brilhará plenamente sobre todos.
Tudo
quanto na mente humana julgamos bom, nobre e grande, emana da mente
espiritual, e se desenvolve e cresce gradualmente na consciência
ordinária. Tudo quanto tem chegado ao homem na sua evolução, que
tende para a nobreza, verdadeiro sentimento religioso, bondade,
humanidade, justiça, amor desinteressado, clemência, simpatia,
etc., chegou a ele mediante o lento desenvolvimento de sua mente
espiritual.
À
proporção que o desenvolvimento vai sendo maior, a sua idéia de
justiça se amplia, tem mais compaixão, aumenta o seu sentimento de
fraternidade humana, cresce a sua idéia de amor e faz mais intensas
todas as qualidades que os homens de todos os credos proclamam boas.
À
medida que a consciência espiritual do homem começa a
desenvolver-se, principia a ter uma sensação permanente da
realidade da existência do supremo poder e, crescendo com ela, acha
que a sensação da fraternidade humana — a humana identidade —
se manifesta gradualmente em sua consciência. Essas coisas não se
adquirem de sua mente instintiva, nem tampouco é o intelecto o que
as faz sentir.
A mente
espiritual não vai em direção contrária ao intelecto;
simplesmente, vai além do intelecto. A mente espiritual transmite ao
intelecto certas verdades que encontra em suas regiões próprias, e
o intelecto raciocina sobre elas. Porém, essas verdades não têm
sua origem no intelecto. O intelecto é frio, a consciência
espiritual é cálida e vive de sentimentos elevados.
O
crescimento do homem em direção a uma melhor e mais completa idéia
do poder divino, não o recebe do intelecto, ainda que este raciocine
sobre as impressões recebidas e procure exteriorizá-las em
sistemas; credos, cultos, etc.
Não é
o intelecto o que nos dá a nossa crescente sensação da relação
entre homem e homem — a fraternidade do homem. O homem é agora
mais bondoso que anteriormente para com a sua espécie e formas de
vida inferiores a ele. Não é somente porque o intelecto lhe ensine
o valor da bondade e do amor, pois o homem não se faz bondoso pelo
frio raciocínio. Pelo contrário, o homem se torna bom e amoroso,
porque nele nascem certos impulsos e desejos que procedem de algum
lugar desconhecido que lhe tornam impossível ser de outro modo, sem
sofrer mal-estar e dor. Esses impulsos são tão reais como outros
desejos e impulsos; e, à proporção que o homem se desenvolve,
esses impulsos chegam a ser mais numerosos e muito mais fortes.
Comparai
o mundo de alguns séculos atrás com o de hoje; vereis quanto mais
bondade e mais amor temos do que naqueles dias. Mas não nos
envaideçamos por isso, porque aparecemos como simples selvagens aos
olhos daqueles que virão depois de nós e que se assombrarão pela
nossa falta de humanidade
para com nossos irmãos.
À
proporção que o homem se desenvolve espiritualmente, sente a sua
relação com todo o gênero humano e começa a amar os seus
semelhantes cada vez mais. É-lhe doloroso ver os outros sofrer, e
quando a sua dor é muita, procura fazer alguma coisa para
remediá-la.
À
proporção que o tempo passa e o homem se desenvolve, o terrível
sofrimento de que hoje padecem muitos seres humanos será impossível,
pela razão de que o desenvolvimento da consciência espiritual da
raça fará que a dor seja tão violentamente sentida por todos e
que, não sendo capazes de suportá-la, farão o possível em
procurar o remédio.
Do mais
recôndito da alma eleva-se um protesto contra as práticas da
natureza inferior animal e ainda que possamos fazer-nos de surdos por
algum tempo, esse protesto se fará mais e mais persistente, até que
nos vejamos obrigados a atendê-lo.
A antiga
história de que cada pessoa tem dois conselheiros, um em cada
ouvido: — um aconselhando a seguir os mais elevados ensinamentos e
o outro tentando-a para que prossiga na senda inferior — se vê
praticamente certa, segundo o demonstram os ensinamentos ocultos a
respeito dos três princípios mentais. O intelecto representa a
consciência do Eu do termo médio das pessoas. Este Eu tem de um
lado a mente instintiva, enviando-lhe os velhos desejos do seu antigo
ser, os impulsos da vida menos evoluída do animal ou homem inferior,
cujos desejos foram todos bons no estado inferior do desenvolvimento,
mas são indignos do homem que se adianta.
Por
outro lado, a mente espiritual envia os seus impulsos de progresso ao
intelecto e se esforça em atrair a consciência para si, a fim de
ajudar o desenvolvimento do homem, para que possa dirigir e controlar
a sua natureza inferior.
O Ego
está num estado de transição de consciência, e a luta é muito
dolorosa algumas vezes, mas, ao crescer o homem, ao seu devido tempo,
eleva-se sobre a atração de sua natureza inferior e o despertar da
consciência espiritual torna-o capaz de compreender o verdadeiro
estado de seus assuntos, e o ajuda a exercer o seu domínio sobre o
Eu inferior e a assumir uma atitude positiva para com ele, enquanto
que, ao mesmo tempo, se abre à luz da mente espiritual
mantendo uma atitude receptiva para ela, não se opondo ao seu poder.
A mente
espiritual é também a origem da inspiração que certos poetas,
pintores, escultores, escritores, pregadores, oradores e outros, têm
recebido em todo o tempo e ainda hoje recebem. Essa é a fonte da
qual o vidente obtém a sua visão — o profeta, as suas profecias.
Muitos se têm concentrado sobre elevados ideais e têm recebido
raros conhecimentos dessa origem, atribuindo-os a seres de outro
mundo — a espíritos, anjos e a Deus mesmo; porém tudo isso têm-no
recebido do seu interior — foi a voz do seu Eu superior que lhes
falou.
Não
queremos dizer que não existam comunicações vindas ao homem de
outras inteligências — muito longe disso, sabemos que
inteligências elevadas se comunicam freqüentemente com o homem pelo
canal de sua mente espiritual — porém muito daquilo que o homem
tem atribuído a inteligências exteriores, realmente têm-no
recebido de si mesmos.
Quando o
homem fica inteirado da existência da sua mente espiritual e começa
a reconhecer as suas inspirações e ensinamentos, fortalece o seu
laço de comunicação com ela e conseqüentemente recebe luz mais
intensa. Quando aprendemos a confiar no espírito, este responde
enviando os mais freqüentes resplendores de iluminação e
sabedoria.
À
proporção que o homem adquire maior grau de consciência
espiritual, tem mais confiança nesta voz interna, e é capaz de
distingui-la mais facilmente dos impulsos dos planos inferiores da
mente. Aprende a seguir os impulsos do espírito e aceita com alegria
a mão guiadora que lhe estende.
Muitos
dentre nós têm aprendido a conhecer a realidade de que são
conduzidos pelo espírito. Aqueles que têm experimentado essa
condução não precisam que lhes digamos mais, porque reconhecerão
exatamente o que queremos dizer. Aqueles que não a experimentaram
ainda, deverão esperar até que o tempo chegue para eles, porque não
podemos descrevê-lo, pois não há palavras para expressar aquelas
coisas que estão além das palavras.

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