O
sábio dr. Abercombie escreveu que não conhecia outra regra mais
importante para elevar-se a um alto grau nalguma profissão ou
ocupação, do que a habilidade de fazer uma só coisa a um tempo,
evitando todas as coisas que produzem distração ou desvio e
mantendo o objeto de que se trata, sempre diante da mente.
O
grau de atenção cultivada por um homem é o grau da sua capacidade
para o trabalho intelectual. Como dissemos, os «grandes» homens de
todos os ramos de vida desenvolveram esta faculdade num grau
admirável e muitos deles parecem obter resultados «intuitivamente»,
quando realmente os obtêm através do seu concentrado poder de
atenção, que os torna capazes de ver diretamente o centro de um
objeto ou proposição, e tudo o que está em redor, detrás e
diante, e todos os lados, no espaço tão pequeno de tempo que parece
incrível ao homem que não cultivou esta poderosa faculdade.
Os
homens que dedicaram muita especial atenção a um trabalho ou
investigação, são capazes de agir como se possuíssem a «segunda
vista», prevendo o que está dentro do seu predileto campo de
atividade. A atenção concentrada torna mais rápidas todas as
faculdades: as de raciocínio, análise e decisão, como também os
sentidos que, por ela, obtêm agudeza, finura e perspicácia.
O
único modo de cultivar qualquer faculdade ou parte, tanto mental,
como física, é exercitá-la. O exercício «gasta» um músculo ou
uma faculdade mental, mas o organismo apressa-se em reparar o gasto
por novo material: novas células, nova força nervosa, etc., e
acumula sempre um pouco mais do que gastou.
E
este «um pouco mais» que vai ser acrescentado aumenta e cresce, e
com ele os músculos e os centros cerebrais. E os centros cerebrais,
aperfeiçoados e reforçados, dão à mente melhores instrumentos
para o seu trabalho.
Uma
das primeiras tarefas que exige o cultivo da atenção é aprender a
pensar numa só coisa e fazer uma só coisa a um tempo. O costume ou
hábito de prestar atenção exclusivamente à coisa de que nos
ocupamos e, depois, passar à mais próxima, para a tratar do mesmo
modo, e assim por diante, é um caminho certo para o êxito, devendo
ser adquirido em primeiro lugar por todos os que querem desenvolver a
faculdade da atenção. E, pelo contrário, nada forma um obstáculo
maior para alcançar êxito e nada destrói mais o poder de prestar
atenção do que o hábito de querer fazer uma coisa, enquanto se
pensa noutra. A parte mental que pensa e a parte que age devem
trabalhar unidas, e não em oposição.
O
Dr. Beatti, falando deste assunto, diz-nos: «É coisa muito
importante adquirirmos o hábito de fazer uma só coisa a um tempo;
com o que quero dizer que os nossos pensamentos não devem passar a
um objeto, enquanto estamos prestando atenção a um outro».
E
Granville acrescenta: «Uma frequente causa de falta de atenção é
o esforço de pensar em mais de uma coisa de cada vez». Kay cita,
aprovando, um escritor que diz: «Ela fazia tudo com facilidade,
porque prestava atenção ao que fazia. Quando fazia pão, pensava no
pão e não na moda do seu novíssimo vestido, ou no homem com quem
tinha dançado no último baile». Lorde Chesterfield disse: «Tereis
tempo suficiente para tudo no decurso do dia, se fizerdes uma só
coisa a um tempo; mas não achareis tempo suficiente em um ano, se
quiserdes fazer duas coisas ao mesmo tempo».
Para
obtermos os melhores resultados, devemos fazer o nosso trabalho,
concentrando-nos nele e excluindo, tanto quanto possível, qualquer
outra ideia ou pensamento. Em tais casos deveríamos até esquecer a
nós mesmos — a personalidade — porque nada é tão nocivo e
destrutivo à boa marcha do pensamento, como a intrusão da mórbida
consciência pessoal.
Faz
melhor obra quem «se esquece a si mesmo», quando se trabalha,
mergulhando sua personalidade no trabalho criativo. O homem ou a
mulher «mais sérios» são aqueles que mergulham a personalidade no
resultado desejado ou no cumprimento de uma tarefa empreendida. O
ator, o pregador, o orador, o escritor deve perder de vista seu «eu»
pessoal, para alcançar os melhores resultados. Conservai a atenção
fixa naquilo que tendes diante de vós e deixai o «eu» cuidar de si
mesmo.
Em
conexão com o que acima dissemos, relatar-vos-emos uma história de
Whaterley, que é um interessante exemplo de como é possível
«perder-se a si mesmo». Pediram-lhe uma receita para combater o
«acanhamento» e ele respondeu que a pessoa era acanhada, porque
pensava em si mesma e na impressão que fazia.
Sua
receita foi que a jovem devia pensar em outros - no prazer que lhes
podia dar — e que, deste modo, devia esquecer tudo a respeito de si
mesma. E a receita efetuou a cura. A mesma autoridade escreveu: «O
orador de improviso, ou quem faz uma preleção das suas próprias
composições, deve evitar o mais possível todo o pensamento em si
mesmo, fixando as ideias na matéria de que está ocupado e
sentir-se-á menos embaraçado pelo pensamento sobre a opinião que
dele formam os ouvintes».

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