A
vida da humanidade está a entrar num novo e desconhecido grau de
desenvolvimento e evolução e, nos anos vindouros, a MENTE será
reconhecida cada vez com mais clareza, como o grande princípio que
forma a base do mundo de coisas e acontecimentos materiais. Os
principais pensadores no mundo reconhecem que a frase «Tudo é
mente» é alguma coisa mais do que simples expressão metafísica ou
palavras de sonhador.
Como
dissemos, grandes mudanças estão para vir ao mundo e à humanidade,
e cada ano mais nos aproxima do seu principio. Com efeito, já o
começo está aqui. Entramos num novo grande ciclo da raça, que traz
mudanças assombrosas. A humanidade desenvolveu-se de tal maneira que
não lhe servem mais as roupas velhas: velhas convenções, velhos
ideais e costumes, velhas leis éticas e metafísicas — tudo há de
sofrer mudanças. O grande caldeirão do pensamento humano ferve
fogosamente e muitas coisas vêm vindo à sua superfície. Como todas
as grandes mudanças, o que é bom virá somente com muita dor —
todo o parto é acompanhado de dor.
A
humanidade sente dor e perpétuo desassossego, mas não conhece a
enfermidade nem o remédio. Pode-se agora observar muitos casos de
falsa diagnose e prescrição e o seu número aumentará ainda com o
decorrer do tempo.
Muitos
salvadores da humanidade, intitulados assim por si mesmos — muitos
receitadores de remédios para as dores da alma e da mente — se
levantarão e cairão. Com tudo isso, porém, virá aquilo cuja vinda
a humanidade agora espera.
A
mudança virá do desenvolvimento da mente da raça, e este processo
já está em operação. Não se notam, acaso, sempre mais sinais de
inquietação e desassossego mental? A dor aumenta e a nossa raça
começa a gemer, estremecer e excitar-se. Não sabe o que lhe falta,
mas sabe que sente dor e que precisa de alguma coisa que a alivie. As
coisas velhas começam a vacilar e a cair, e muitas ideias
consideradas como sagradas no passado são tratadas com desprezo e
irreverência. Sob a superfície da nossa civilização podemos ouvir
o zumbido de expansão das ideias e dos princípios que se esforçam
por se apresentar no plano de manifestação.
Os
homens estão correndo para aqui e para ali, chamando por um guia e
salvador. Tentam e experimentam ora isto, ora aquilo, mas não acham
o que procuram. Querem encontrar satisfação, porém, são iludidos.
Não obstante, estes esforços e estas ilusões são parte da Grande
Mudança e preparam a nossa raça para o que há de vir. A salvação,
porém, não virá de uma coisa qualquer. Ela virá de dentro.
Os
homens começam a sentir as dores uns dos outros; não se acham
satisfeitos com a velha regra: «Cada um por si mesmo e o diabo leve
o resto»; esta regra foi boa para os que tiveram bom sucesso, mas
agora parece não satisfazer. O homem de alta posição começa a
sentir-se só e descontente; o seu sucesso parece assustá-lo de
maneira misteriosa. E o homem de baixa posição sente em si um
movimento de estranhos desejos, anelos e descontentamento. E surgem
novas ideias, estranhas e espantosas, que levam a novas fricções,
avançam, acham apoio e oposição.
E
as relações entre o povo parecem não ser satisfatórias. As velhas
regras, leis e os laços sociais já não satisfazem. Novos
pensamentos se introduzem nas mentes dos homens e mulheres,
pensamentos tão estranhos e ousados que eles não se atrevem a
exprimi-los aos seus amigos — e estes mesmos amigos encontram
ideias semelhantes no seu próprio interior.
E,
debaixo de tudo isto, encontra-se certa honestidade — sim, aqui
está o que produz a inquietação: o mundo está cansado de ver
hipocrisia e desonestidade em todas as relações humanas, e clama
alto que é necessário mudar de rumo e andar no caminho da verdade e
da honestidade em pensamento e ação.
Mas
não enxerga o novo caminho! E não o encontrará antes que a mente
da raça se desenvolva ainda mais. E a dor do novo desenvolvimento
penetra profundamente a nossa raça. Das partes profundas e secretas
da mente da raça surgem à superfície velhas paixões, relíquias
dos dias dos moradores de cavernas e todas as espécies de relíquias
mentais hediondas do passado. E elas continuarão a surgir e
mostrar-se até que, por fim, o pote que ferve comece a acalmar-se e
então virá uma nova paz, e o melhor subirá à superfície: a
essência de todas as experiências da raça.
Aos
nossos estudantes dizemos: Durante o combate da raça, desempenhai
bem a vossa parte, fazendo o melhor que puderdes, vivendo cada dia
para o vosso dever e conservando a confiança e a coragem em qualquer
nova fase da vida. Não vos deixeis iludir por aparências, nem
sigais profetas estranhos. Deixai trabalhar os processos
evolucionários e entrai na onda sem os combater e sem fazerdes
esforços demasiados. A lei está a operar bem — ficai certos.
Aqueles
que têm desenvolvido pelo menos uma parcial compreensão e
reconhecem a Vida Una como base e fundamento de tudo, acharão que
são como o povo escolhido no meio das mudanças que sobrevêm à
humanidade. Já atingiram o que a raça procura atingir em dor e
trabalho.
A
força que emana da lei os conduzirá avante, porque eles serão a
levedura para a grande massa da humanidade na era da nova
dispensação. Levedarão a massa, não por meio de atos ou ações,
mas pelo pensamento.
O
pensamento está a trabalhar agora mesmo e todos os que lêem estas
palavras estão a desempenhar uma parte na obra, ainda que o não
saibam. Se a humanidade pudesse reconhecer hoje a verdade de que há
uma só Vida, que é a base e o sustentáculo de tudo o que existe, a
Mudança far-se-ia num momento; ela, porém não virá desta maneira.
Quando esta compreensão gradualmente iluminar a raça humana —
dando-lhe uma nova consciência — então as coisas tomarão os seus
próprios lugares e o lobo deitar-se-á em paz ao lado do cordeiro.
Nós
vos dizemos as palavras da obra Luz no Caminho: «Velai e aguardai o
silêncio que se segue à tormenta».

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