10.9.16

A MULHER E O VÍCIO DE FUMAR – Ramatis




A nicotina possui uma ação venenosa que causa a contração dos vasos sanguíneos, retardando o afluxo de sangue aos centros cerebrais superiores e às camadas sensitivas situadas externamente ao córtex cerebral. Devido a isso, os fumantes sofrem às vezes de certo “esquecimento” nas extremidades dos dedos, provocados pela falta de circulação capilar.

Essa toxicidade é muito mais branda no organismo masculino, devido a sua natureza mais rija e viril, enquanto que se torna profundamente molesta e gravosa no corpo feminino, pois a mulher é portadora de maior quantidade de vasos sanguíneos do que o homem, a fim de poder atender com êxito às trocas do quimismo nas fases críticas e nas épocas da procriação.

Por possuir um organismo muito mais delicado e profundamente sensível, e que, por ser o vaso procriador da vida, situa-se entre as forças astrais da vida oculta e as energias da animalidade do mundo material, a mulher sofre muito mais que o homem os efeitos perigosos da nicotina e outras substâncias do fumo.

A mulher que fuma envelhece mais rapidamente do que aquela que não fuma, pois a constrição sanguínea provocada pela nicotina rouba-lhe pouco a pouco o rosado da pele, devido à diminuição circulatória à superfície das faces. Então as rugas surgem mais cedo pois, reduzindo-se a quantidade de sangue necessária para irrigar a pele e remover as impurezas, os resíduos nocivos e gordurosos se demoram mais tempo e formam-se então as petrificações subcutâneas, que depois se revelam na forma de manchas, rugas, cravos e sardas.


Depois disso, não adianta à mulher defender-se heroicamente por detrás de potes de cremes, tinturas, ou por meio das químicas de salões modernos de beleza, pois o artifício já não evita de se mostrarem velhas precoces.

A mulher fumante, ainda, tende a gerar menor quantidade de filhos, e algumas chegam antes do tempo à esterilidade. As que fumam durante a gravidez são mais sujeitas às náuseas, vômitos, salivação, ataques nervosos, perturbações digestivas e reduzida filtração hepato-renal, pois a nicotina contrai o calibre das células cônicas hepáticas e dos bacinetes renais.

Nunca a mulher deveria se humilhar aos tristes arremedos de vícios detestáveis e próprios da imprudência masculina, como o sejam o fumo, o álcool ou a glutoneria.

A mulher moderna que se desbraga cada vez mais no vício do cigarro e da bebida torna-se grotesca e ridícula, pois imitando os vícios do homem e sem possuir sua força original, apenas se exibe em infeliz masculinização, que pouco a pouco lhe destrói o encanto milenar.

Embora seja mulher, não se esquivará de sofrer no além-túmulo os terríveis efeitos da nicotina astral a circular-lhe pelo perispírito, obedecendo fielmente à lei de que “a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”.

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