28.9.16

A MENTE INSTINTIVA – Ramacháraka

 
Este tipo de mente, pelo menos nas suas formas inferiores, possuímo-lo em comum com os animais irracionais. É o primeiro plano mental alcançado na escala da evolução. Os primeiros alvores da mente instintiva podem ver-se até no reino mineral, mais particularmente nos cristais, etc.

Depois, no reino vegetal toma-se mais distinta e mais elevada na escala, e algumas plantas das famílias superiores manifestam quase que uma forma rudimentar de consciência. Em seguida, no reino animal vêem-se manifestações da mente instintiva em aumento, desde a quase inteligência vegetal das formas inferiores, até que atingem um grau quase igual ao das formas inferiores da vida humana.

A mente instintiva é muito útil ao homem neste período especial do seu desenvolvimento. De fato, sem ela não poderia existir como ser físico, e pode fazer dela um muito valioso servidor, se a compreende; mas ai dele, se deixa de fiscalizá-la e lhe permite usurpar prerrogativas que pertencem ao seu irmão mais elevado!

O homem é ainda uma criatura em desenvolvimento; não é, de forma alguma, um produto determinado. Ele adquiriu o seu presente grau de crescimento depois de uma fatigante jornada; não obstante, agora está apenas na aurora e o pleno dia está ainda longínquo. O quinto princípio - o intelecto - cresceu e progrediu até um certo grau, particularmente nos homens mais adiantados de nossos dias; porém, para muitos, está simplesmente começando a desenvolver-se e progredir.

Muitos homens são apenas pouco mais do que animais e as suas mentes funcionam quase que completamente sobre o plano instintivo. E todos os homens de hoje, com exceção de uns poucos, muito altamente desenvolvidos, têm necessidade de estar em guarda para evitar que a mente instintiva exerça ilicitamente o seu poder sobre eles, algumas vezes, quando abandonam a sua vigilância.

A parte mais inferior da obra da mente instintiva é análoga à mesma obra que se manifesta no reino vegetal. A obra de nossos corpos é executada por esta parte da mente. A obra que consta de reparação, substituição, troca, digestão, assimilação, eliminação, etc., é executada por essa parte da mente, tudo por debaixo do plano da consciência.

O admirável trabalho do corpo, quer esteja são ou doente, é fielmente realizado por essa parte de nossa mente, tudo sem o nosso conhecimento consciente. O trabalho inteligente de cada órgão, parte e célula do corpo, está sob a superintendência dessa parte da mente. Vede o maravilhoso processo da circulação do sangue, sua purificação, etc., e compreendereis, embora fracamente, quão assombrosa é a obra da mente instintiva, mesmo nessa fase inferior.

À proporção que o animal progrediu na escala da evolução, certas coisas se tornaram necessárias para o seu bem-estar e proteção. Ele não podia raciocinar sobre estas coisas, e é assim que essa assombrosa inteligência, residindo subconscientemente na mente instintiva, se desenvolveu e progrediu, até que foi capaz de assenhorear-se da situação e dominá-la.

Ela despertou o instinto de luta no bruto, para a sua conservação, e essa ação da mente instintiva, muito boa para o propósito visado e essencial para a preservação da vida do animal, está ainda em nós e de vez em quando se projeta na nossa mentalidade com um surpreendente grau de energia. Persiste ainda em nós grande parte do velho espírito de luta do animal, apesar de nos havermos esforçado em controlá-lo e mantê-lo restrito, graças à luz obtida do desenvolvimento de nossas faculdades elevadas.

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A mente instintiva ensinou também ao animal como construir seus ninhos; ensinou-o a emigrar antes da aproximação do inverno, como invernar, e milhares de outras coisas melhor conhecidas dos estudantes de História Natural. Ela nos ensina como fazer muitas coisas que executamos instintivamente, encarregando-se também de tarefas que aprendemos a realizar por meio do nosso intelecto e que transferimos à mente instintiva, a qual depois as executa automaticamente ou quase maquinalmente.

A mente instintiva é também a origem do hábito mental. O intelecto transmite idéias à mente instintiva, idéias que esta executa depois, fielmente, a não ser que essas idéias sejam corrigidas ou que se lhe dêem instruções melhores ou piores, pelo intelecto de algum outro.

A mente instintiva manifesta diferentes graus de consciência, variando desde a quase absoluta subconsciência até a consciência simples dos mais elevados animais e formas inferiores do homem. A mente instintiva é o lugar dos apetites, paixões, desejos, instintos, sensações, sentimentos e emoções de ordem inferior, manifestados no homem, bem como nos animais.

Há, naturalmente, idéias, emoções, aspirações e desejos mais elevados que o homem adiantado adquiriu, graças ao desenvolvimento da mente espiritual; mas os desejos animais, os sentimentos ordinários, emoções, etc., pertencem à mente instintiva. Todos os sentimentos pertencentes à nossa natureza emocional e passional, são deste plano. Todos os desejos animais, tais como a fome, a sede, os desejos sexuais (no plano físico); todas as paixões, tais como o amor físico, o ódio, a inveja, a malícia, os ciúmes, a vingança são uma parte dela.

Os desejos pelo físico, o afã pelo que é material, tudo pertence a esse plano. A
"concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos, o orgulho da vida" estão sobre este plano. Este princípio é o mais material dos três princípios mentais, e aquele que mais intimamente pode ligar-nos à terra e às coisas terrenas.

Recordai-vos que não estamos condenando as coisas materiais ou terrenas — todas são boas no seu lugar adequado; mas o homem, em seu desenvolvimento, chega a ver estas coisas tão somente como um meio para chegar a um fim — somente como um passo na evolução espiritual. E com uma visão mais clara, ele cessa de estar ligado tão intimamente ao lado material da vida, e, em vez de considerá-la como o objetivo e fim de todas as coisas, vê que é, no máximo, apenas um meio para um fim mais elevado.

Muitos dos instintos do bruto subsistem ainda em nós e estão muito em evidência na pessoa pouco desenvolvida. Não vos desanimeis, queridos estudantes, se achais ainda em vós muito do que pertence ao animal. Não é um sinal de perversidade ou maldade; o fato de reconhecê-lo, é um indício de que o crescimento e o progresso começaram; porque antes disso a mesma coisa estava ali no mesmo lugar, sem ser reconhecida.

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Conhecimento é poder; aprendei a conhecer os vestígios da natureza animal que há em vós e chegareis a ser como que domadores de feras. Os princípios mais elevados hão de sempre obter o domínio, mas para realizar tal tarefa é preciso paciência, fé e perseverança.

Estas coisas do bruto foram legítimas no seu tempo — o animal teve necessidade delas — foram boas para o propósito intentado, porém, agora que o homem está atingindo pontos mais elevados do Caminho, vê mais claro e aprende a subordinar as partes inferiores de si mesmo às mais elevadas.

Os instintos inferiores não foram implantados em vossa natureza pelo demônio; foram indispensáveis para o vosso crescimento e progressivo aperfeiçoamento. Vieram, com o processo evolutivo, como uma coisa própria natural, mas preencheram já o seu objetivo, e agora podem ser deixados para trás. Conseqüentemente, não temais essas heranças do passado; podeis abandoná-las ou subordiná-las ao mais elevado, à proporção que avançardes ao longo da senda.

Não as desprezeis, ainda mesmo que as tiverdes debaixo dos pés; elas são os degraus pelos quais alcançastes o vosso elevado estado presente e mediante as quais alcançareis alturas mais elevadas.


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