Este
tipo de mente, pelo menos nas suas formas inferiores, possuímo-lo em
comum com os animais irracionais. É o primeiro plano mental
alcançado na escala da evolução. Os primeiros alvores da mente
instintiva podem ver-se até no reino mineral, mais particularmente
nos cristais, etc.
Depois,
no reino vegetal toma-se mais distinta e mais elevada na escala, e
algumas plantas das famílias superiores manifestam quase que uma
forma rudimentar de consciência. Em seguida, no reino animal vêem-se
manifestações da mente instintiva em aumento, desde a quase
inteligência vegetal das formas inferiores, até que atingem um grau
quase igual ao das formas inferiores da vida humana.
A mente
instintiva é muito útil ao homem neste período especial do seu
desenvolvimento. De fato, sem ela não poderia existir como ser
físico, e pode fazer dela um muito valioso servidor, se a
compreende; mas ai dele, se deixa de fiscalizá-la e lhe permite
usurpar prerrogativas que pertencem ao seu irmão mais elevado!
O homem
é ainda uma criatura em desenvolvimento; não é, de forma alguma,
um produto determinado. Ele adquiriu o seu presente grau de
crescimento depois de uma fatigante jornada; não obstante, agora
está apenas na aurora e o pleno dia está ainda longínquo. O quinto
princípio - o intelecto - cresceu e progrediu até um certo grau,
particularmente nos homens mais adiantados de nossos dias; porém,
para muitos, está simplesmente começando a desenvolver-se e
progredir.
Muitos
homens são apenas pouco mais do que animais e as suas mentes
funcionam quase que completamente sobre o plano instintivo. E todos
os homens de hoje, com exceção de uns poucos, muito altamente
desenvolvidos, têm necessidade de estar em guarda para evitar que a
mente instintiva exerça ilicitamente o seu poder sobre eles, algumas
vezes, quando abandonam a sua vigilância.
A parte
mais inferior da obra da mente instintiva é análoga à mesma obra
que se manifesta no reino vegetal. A obra de nossos corpos é
executada por esta parte da mente. A obra que consta de reparação,
substituição, troca, digestão, assimilação, eliminação, etc.,
é executada por essa parte da mente, tudo por debaixo do plano da
consciência.
O
admirável trabalho do corpo, quer esteja são ou doente, é
fielmente realizado por essa parte de nossa mente, tudo sem o nosso
conhecimento consciente. O trabalho inteligente de cada órgão,
parte e célula do corpo, está sob a superintendência dessa parte
da mente. Vede o maravilhoso processo da circulação do sangue, sua
purificação, etc., e compreendereis, embora fracamente, quão
assombrosa é a obra da mente instintiva, mesmo nessa fase inferior.
À
proporção que o animal progrediu na escala da evolução, certas
coisas se tornaram necessárias para o seu bem-estar e proteção.
Ele não podia raciocinar sobre estas coisas, e é assim que essa
assombrosa inteligência, residindo subconscientemente na mente
instintiva, se desenvolveu e progrediu, até que foi capaz de
assenhorear-se da situação e dominá-la.
Ela
despertou o instinto de luta no bruto, para a sua conservação, e
essa ação da mente instintiva, muito boa para o propósito visado e
essencial para a preservação da vida do animal, está ainda em nós
e de vez em quando se projeta na nossa mentalidade com um
surpreendente grau de energia. Persiste ainda em nós grande parte do
velho espírito de luta do animal, apesar de nos havermos esforçado
em controlá-lo e mantê-lo restrito, graças à luz obtida do
desenvolvimento de nossas faculdades elevadas.
A mente
instintiva ensinou também ao animal como construir seus ninhos;
ensinou-o a emigrar antes da aproximação do inverno, como invernar,
e milhares de outras coisas melhor conhecidas dos estudantes de
História Natural. Ela nos ensina como fazer muitas coisas que
executamos instintivamente, encarregando-se também de tarefas que
aprendemos a realizar por meio do nosso intelecto e que transferimos
à mente instintiva, a qual depois as executa automaticamente ou
quase maquinalmente.
A mente
instintiva é também a origem do hábito mental. O intelecto
transmite idéias à mente instintiva, idéias que esta executa
depois, fielmente, a não ser que essas idéias sejam corrigidas ou
que se lhe dêem instruções melhores ou piores, pelo intelecto de
algum outro.
A mente
instintiva manifesta diferentes graus de consciência, variando desde
a quase absoluta subconsciência até a consciência simples dos mais
elevados animais e formas inferiores do homem. A mente instintiva é
o lugar dos apetites, paixões, desejos, instintos, sensações,
sentimentos e emoções de ordem inferior, manifestados no homem, bem
como nos animais.
Há,
naturalmente, idéias, emoções, aspirações e desejos mais
elevados que o homem adiantado adquiriu, graças ao desenvolvimento
da mente espiritual; mas os desejos animais, os sentimentos
ordinários, emoções, etc., pertencem à mente instintiva. Todos os
sentimentos pertencentes à nossa natureza emocional e passional, são
deste plano. Todos os desejos animais, tais como a fome, a sede, os
desejos sexuais (no plano físico); todas as paixões, tais como o
amor físico, o ódio, a inveja, a malícia, os ciúmes, a vingança
são uma parte dela.
Os
desejos pelo físico, o afã pelo que é material, tudo pertence a
esse plano. A
"concupiscência
da carne, a concupiscência dos olhos, o orgulho da vida" estão
sobre este plano. Este princípio é o mais material dos três
princípios mentais, e aquele que mais intimamente pode ligar-nos à
terra e às coisas terrenas.
Recordai-vos
que não estamos condenando as coisas materiais ou terrenas — todas
são boas no seu lugar adequado; mas o homem, em seu desenvolvimento,
chega a ver estas coisas tão somente como um meio para chegar a um
fim — somente como um passo na evolução espiritual. E com uma
visão mais clara, ele cessa de estar ligado tão intimamente ao lado
material da vida, e, em vez de considerá-la como o objetivo e fim de
todas as coisas, vê que é, no máximo, apenas um meio para um fim
mais elevado.
Muitos
dos instintos do bruto subsistem ainda em nós e estão muito em
evidência na pessoa pouco desenvolvida. Não vos desanimeis,
queridos estudantes, se achais ainda em vós muito do que pertence ao
animal. Não é um sinal de perversidade ou maldade; o fato de
reconhecê-lo, é um indício de que o crescimento e o progresso
começaram; porque antes disso a mesma coisa estava ali no mesmo
lugar, sem ser reconhecida.
Conhecimento
é poder; aprendei a conhecer os vestígios da natureza animal que há
em vós e chegareis a ser como que domadores de feras. Os princípios
mais elevados hão de sempre obter o domínio, mas para realizar tal
tarefa é preciso paciência, fé e perseverança.
Estas
coisas do bruto foram legítimas no seu tempo — o animal teve
necessidade delas — foram boas para o propósito intentado, porém,
agora que o homem está atingindo pontos mais elevados do Caminho, vê
mais claro e aprende a subordinar as partes inferiores de si mesmo às
mais elevadas.
Os
instintos inferiores não foram implantados em vossa natureza pelo
demônio; foram indispensáveis para o vosso crescimento e
progressivo aperfeiçoamento. Vieram, com o processo evolutivo, como
uma coisa própria natural, mas preencheram já o seu objetivo, e
agora podem ser deixados para trás. Conseqüentemente, não temais
essas heranças do passado; podeis abandoná-las ou subordiná-las ao
mais elevado, à proporção que avançardes ao longo da senda.
Não as
desprezeis, ainda mesmo que as tiverdes debaixo dos pés; elas são
os degraus pelos quais alcançastes o vosso elevado estado presente e
mediante as quais alcançareis alturas mais elevadas.
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