Se
for possível, retirai-vos a um lugar ou quarto quieto, onde não
tenhais de temer interrupção, de maneira que a vossa mente se sinta
segura e calma. É bom que vos senteis numa cadeira cômoda ou cama,
de maneira que possais relaxar ou afrouxar os músculos e evitar a
tensão dos vossos nervos.
Devereis
ser capaz de afastar a vossa atenção de tudo o que se passa ao
redor de vós e deixar todos os músculos caírem em imobilidade, até
que um sentimento de perfeita paz, descanso e calma penetre em todas
as partículas do vosso ser. Descansai o corpo e acalmai a alma.
A
consciência do «Eu», tendo sido desenvolvida por meio de meditação
e consciência, em pouco tempo fica sendo uma fixa propriedade da
consciência e não precisa ser produzida por meditação.
Entre
o aspirante no estado de meditação, acima descrito. Em seguida,
deverá concentrar toda a sua atenção no seu Eu individual,
excluindo todos os pensamentos que se ocupam com o mundo exterior e
com outras pessoas. Deve formar na sua mente a ideia de si mesmo como
sendo uma coisa real, um ser que existe, uma entidade individual, um
Sol ao redor do qual todo o mundo gira. Esta ideia não deve ser
turbada por uma falsa modéstia nem por um sentido de depreciação,
pois não negais a outros o direito de se considerarem igualmente
como centros. Com efeito, vós sois um centro de consciência — o
Absoluto assim vos fez e estais despertando para este fato.
Pensai
no corpo como sendo uma muda de roupa. Reconhecei que podeis deixar o
corpo e, contudo, ser sempre o mesmo «Eu». Imaginai que o estais
fazendo, colocando-vos acima do vosso corpo e olhando para ele, que
está debaixo. Pensai que o corpo é como uma casca de que podeis
sair sem mudança da vossa identidade.
Continuando
a meditar, ignorai o corpo totalmente e fixai o vosso pensamento no
«Eu» real que começais a sentir que sois «vós», e achareis que
a vossa identidade — o vosso «Eu» — é algo totalmente distinto
do corpo.
Enquanto
o Ego não se reconhecer como sendo um centro de pensamento,
influência e poder, não poderá manifestar estas qualidades. Levai
convosco este pensamento de vós mesmo como sendo um «centro de
consciência — influência — poder», pois ele é uma verdade
oculta e, à medida que puderdes realizar (ou reconhecer
intuitivamente) esta verdade, podereis manifestar as qualidades
enumeradas.
O
vosso «Eu» não pode ser destruído: é eterno, e irá passando a
estados cada vez mais elevados — mas será sempre o mesmo; o vosso
«Eu» é o mesmo que era na vossa infância, «Eu» (personalidade),
mesmo reconhecendo que houve certamente algumas mudanças na vossa
pessoa, desde a infância até à vossa idade atual. Igualmente, no
futuro, não obstante atinjais mais conhecimento, experiência, poder
e sabedoria, o vosso «Eu» será o mesmo. O «Eu» é a centelha
divina que não pode ser extinta.
Alguns
homens caíram nesta consciência, pelo menos parcialmente, sem terem
conhecimento do assunto. Eles «sentiram» a sua verdade e
retiraram-se das fileiras da gente vulgar do mundo, tornando-se
centros de poder para o bem ou para o mal.
O aspirante deve meditar sobre o «Eu» e reconhecê-lo, — senti-lo
como sendo um centro. Esta é a sua primeira tarefa. Gravai bem na
vossa mente a palavra «Eu» neste sentido e deixai-a cair
profundamente na vossa consciência, para que se torne uma parte de
vós mesmo. E quando dizeis «Eu», deveis acompanhar esta palavra
com a imagem do vosso Ego como um centro de consciência, pensamento,
poder e influência. Vede-vos rodeado pelo vosso mundo. Aonde quer
que estejais, está o centro do vosso mundo. Vós sois o centro, e
todo o vosso exterior gira ao redor deste centro. Esta é a primeira
lição na vereda da Iniciação. Aprendei-a!
Os
mestres yogues ensinam que os aspirantes poderão acelerar a
realização do «Eu» como um centro, se entrarem no silêncio ou
estado de meditação, repetindo várias vezes o seu nome, lenta,
refletida e solenemente. Este exercício tem o fim de concentrar a
mente na ideia do «Eu», e muitos casos de aparecimento da aurora de
iniciação resultaram desta prática. Alguns pensadores originais
descobriram este método sem que lhes tivesse sido ensinado.
Um
exemplo notável é o do poeta Tennyson, que escreveu que tinha
atingido um grau de iniciação por esta maneira. Ele repetia muitas
vezes o seu próprio nome, meditando ao mesmo tempo sobre a sua
identidade, e relatava que se tornou consciente e podia «perceber»
a sua realidade e imortalidade — em poucas palavras, reconhecia-se
como um centro real de consciência.
Quando
a alma se vê como um centro circundado pela sua circunferência,
então está preparada para receber a Sabedoria e o Poder dos
Mestres.

Nenhum comentário:
Postar um comentário