10.9.16

O ESTADO DE AUSÊNCIA DE EGO – Paul Brunton




Após uma bem sucedida prática de ioga, vós conseguireis esvaziar a mente de todas as coisas, porque ioga é a criação do vácuo mental. Quando houverdes encontrado o vácuo, então vos atereis a ele, mesmo ao tratardes de assuntos mundanos.

Mesmo que um ator viva no palco o papel de outro personagem, em algum canto de sua mente ele está sempre consciente de quem e o que ele é. Do mesmo modo tendes de representar vosso papel na vida como o eu pessoal, mas no fundo de vossa consciência lembrar-vos de quem e do que sois. Assim alcançais a paz.

No mais íntimo de vosso ser fixai-vos neste estado vazio e deixai o ego pessoal subsistir como algo que é apenas uma parte de vós. Recordai-vos sempre de que ele não é a essência de vosso ser. Recordai-vos sempre disso, no fundo de vossa mente.

Repousai nesse vácuo interno, e o que quer que tiverdes de fazer, será feito do mesmo modo. Mas será feito espontaneamente através de vós, e sem haver a crença de que, como eu pessoal, sois o responsável por fazê-lo. É precisamente a corrente vital que vos está impulsionando.

Se tiverdes de matar um homem impessoalmente, como o faz um soldado defendendo sua pátria, vós o fareis exatamente. Não será criado nenhum mau destino, porque nenhum destino pode penetrar no vácuo. Tereis a paz perpétua, porque no vácuo não há nada que vos perturbe.

Os que encontram o Eu divino no fundo de sua mente saberão o que significa estar internamente calmo e ao mesmo tempo externamente ativo no mundo, porém sem ser do mundo. Não conheço bênção mais importante do que esta: o atingimento da verdadeira felicidade.

O vácuo dentro do divino átomo do coração é literalmente cheio de tranqüilidade, de intensa paz. O limiar oculto do Super-Eu se revela pela extraordinária quietude que a mente sente quando dele se aproxima durante a meditação.

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