27.9.16

O PODER DO EU – Ramacháraka


Como diz o Mestre Yogue: «O Eu é eterno». Passa por fogo, ar e água, ileso e sem impedimento. A espada e a lança não o podem matar nem ferir. O «Eu» não pode morrer. As provações da vida física são para ele meros sonhos. Permanecendo seguro no conhecimento do «Eu», pode o homem rir-se à vista das piores coisas que o mundo lhe pode oferecer e, estendendo a sua mão, pode ordenar-lhes que desapareçam nas trevas donde emergiram. Bem-aventurado quem pode dizer «Eu» com o necessário entendimento.

À medida que o homem cresce em compreensão e consciência do «Eu» real, aumenta a sua capacidade de usar a própria vontade, que é o atributo do «Eu» real. É bom que este grande conhecimento perfeito do «Eu» real traga consigo o amor e a benevolência a toda a vida, porque, se assim não fosse, poderia a vontade despertada no homem que chegou ao conhecimento do seu ser real, ser usada para fazer grande mal aos homens que se não adiantaram tanto.

O poder nascente, porém, traz consigo um aumento de amor e benevolência, e, quanto mais alto a alma sobe, tanto mais é repleta de ideais mais elevados e tanto mais sacode de si os baixos atributos animais. É verdade que algumas almas que estão chegando à consciência da sua natureza real, sem compreender o que significa tudo isso, podem cometer o erro de usar a vontade despertada para fins egoístas, como se pode ver nos casos dos magos negros de que se fala nos escritos ocultistas, como também nos casos de caracteres bem conhecidos na história e na vida moderna, que manifestam uma vontade enorme, fazendo dela mau uso. 



Todas estas classes de pessoas de grande vontade chegaram cegamente à consciência (ou parcial consciência) da sua natureza real, mas falta-lhes a influência restrita dos ensinos superiores. Porém, o mau uso da vontade traz sofrimento e inquietação à pessoa que assim abusou da própria força e que finalmente é compelida ao reto caminho.

É necessário que compreendais o que sois, antes que possais usar o poder que em vós dormita. É necessário que saibais que sois o Senhor, antes que possais usar os poderes do Senhor e esperar que as vossas ordens sejam obedecidas. O caminho é longo e em muitos lugares é áspero; os pés podem cansar-se, porém a recompensa é grande, e há lugares no caminho onde se pode descansar. Não percais a coragem se o vosso progresso for lento, porque a alma deve desenvolver-se naturalmente — como a flor — sem precipitação, sem ser forçada.

E não vos assusteis nem espanteis se, ocasionalmente, obtiverdes uma visão momentânea do vosso «Eu» superior. Como é dito na obra «Luz no Caminho»: «Ter visto a tua alma em sua flor é ter obtido uma visão momentânea, em ti mesmo, da transfiguração que te converterá finalmente em mais que um homem; reconhecer é levar a termo a grande empresa de contemplar a luz resplandecente, sem baixar os olhos e sem retroceder, tomado de espanto, como ante um fantasma horrível. Isto acontece a alguns, e assim perdem a vitória no momento preciso de alcançá-la». 

 

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