Como
diz o Mestre Yogue: «O Eu é eterno». Passa por fogo, ar e água,
ileso e sem impedimento. A espada e a lança não o podem matar nem
ferir. O «Eu» não pode morrer. As provações da vida física são
para ele meros sonhos. Permanecendo seguro no conhecimento do «Eu»,
pode o homem rir-se à vista das piores coisas que o mundo lhe pode
oferecer e, estendendo a sua mão, pode ordenar-lhes que desapareçam
nas trevas donde emergiram. Bem-aventurado quem pode dizer «Eu» com
o necessário entendimento.
À
medida que o homem cresce em compreensão e consciência do «Eu»
real, aumenta a sua capacidade de usar a própria vontade, que é o
atributo do «Eu» real. É bom que este grande conhecimento perfeito
do «Eu» real traga consigo o amor e a benevolência a toda a vida,
porque, se assim não fosse, poderia a vontade despertada no homem
que chegou ao conhecimento do seu ser real, ser usada para fazer
grande mal aos homens que se não adiantaram tanto.
O
poder nascente, porém, traz consigo um aumento de amor e
benevolência, e, quanto mais alto a alma sobe, tanto mais é repleta
de ideais mais elevados e tanto mais sacode de si os baixos atributos
animais. É verdade que algumas almas que estão chegando à
consciência da sua natureza real, sem compreender o que significa
tudo isso, podem cometer o erro de usar a vontade despertada para
fins egoístas, como se pode ver nos casos dos magos negros de que se
fala nos escritos ocultistas, como também nos casos de caracteres
bem conhecidos na história e na vida moderna, que manifestam uma
vontade enorme, fazendo dela mau uso.
Todas estas classes de pessoas
de grande vontade chegaram cegamente à consciência (ou parcial
consciência) da sua natureza real, mas falta-lhes a influência
restrita dos ensinos superiores. Porém, o mau uso da vontade traz
sofrimento e inquietação à pessoa que assim abusou da própria
força e que finalmente é compelida ao reto caminho.
É
necessário que compreendais o que sois, antes que possais usar o
poder que em vós dormita. É necessário que saibais que sois o
Senhor, antes que possais usar os poderes do Senhor e esperar que as
vossas ordens sejam obedecidas. O caminho é longo e em muitos
lugares é áspero; os pés podem cansar-se, porém a recompensa é
grande, e há lugares no caminho onde se pode descansar. Não percais
a coragem se o vosso progresso for lento, porque a alma deve
desenvolver-se naturalmente — como a flor — sem precipitação,
sem ser forçada.
E
não vos assusteis nem espanteis se, ocasionalmente, obtiverdes uma
visão momentânea do vosso «Eu» superior. Como é dito na obra
«Luz no Caminho»: «Ter visto a tua alma em sua flor é ter obtido
uma visão momentânea, em ti mesmo, da transfiguração que te
converterá finalmente em mais que um homem; reconhecer é levar a
termo a grande empresa de contemplar a luz resplandecente, sem baixar
os olhos e sem retroceder, tomado de espanto, como ante um fantasma
horrível. Isto acontece a alguns, e assim perdem a vitória no
momento preciso de alcançá-la».

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