26.3.17

DEZOITO SINAIS DO DESPERTAR DA KUNDALINÍ – Swami Vishnu Tirth

1. Quando o pulsar de muladhara começa, o corpo todo treme, kumbhaka involuntária começa sem controle, o ar é expelido dos pulmões, sem querer profundas inalação e exalação começam e o corpo se torna incontrolável, saiba então que a Kundaliní despertou. Você deve então relaxar e sentar-se observando o que acontece.
2. Quando seu corpo começa a tremer, o cabelo fica arrepiado, você ri ou começa a chorar sem querer, sua língua começa a exprimir sons deformados, você tem visões amedrontadoras, então a Kundaliní Shakti se tornou ativa.
3. Quando sua postura de meditação se tornou firme, uddiyana, jalandhara e mula bandhas acontecem involuntariamente, sua língua se volta para trás ou sobe em direção ao palato, e o corpo todo se torna tão ativo que você se sente incapaz de sentar-se quieto, suas mãos e pernas se estendem à força, saiba que o poder divino da Deusa Kundaliní entrou em ação.
4. Quando a visão é atraída para o ponto médio das sobrancelhas, os globos oculares começam a revirar-se, você consegue kewala-kumbhaka automaticamente, a respiração cessa sem esforço e a mente fica vazia, entenda que a Deusa Kundaliní entrou em ação.
5. Quando você sente correntes de prana subindo para seu cérebro, a repetição automática de Om começa e a mente experimenta ondas após ondas de abençoada beatitude, pense que a Mãe Universal Kundaliní entrou em ação.
6. Quando diferentes tipos de sons sutis se tornam audíveis, você experimenta vibrações em sua coluna espinhal, o sentimento de existência corpórea se perde, em outras palavras você sente que não tem corpo, tudo parece vazio, suas pálpebras se fecham e não abrem mesmo com esforço seu, correntes elétricas parecem subir e descer por seus nervos e você tem convulsões, saiba que Mahamaya Kundaliní entrou em ação.
7. Quando ao fechar as pálpebras seu corpo cai no chão, ou começa a girar como uma pedra de esmeril e a respiração não sai, o corpo sentado no chão de pernas cruzadas começa a pular de um lugar para outro como uma rã, ou fica deitado no chão como morto, e as mãos não podem ser levantadas mesmo querendo, você sente contrações nervosas, sente como se estivesse morrendo, o corpo tem contrações como um peixe fora dágua, saiba que aquela Yogamaya Kundaliní entrou em ação.
8. Quando sua mente fica influenciada espiritualmente como se um espírito tivesse se apossado de seu corpo e sob aquela influência diferentes posturas de yoga são involuntariamente executadas sem a menor dor ou fadiga e você sente cada vez mais flutuar, e ao mesmo tempo estranhos tipos de pranayamas começam, pense que o divino poder de Kundaliní entrou em ação.
9. Quando assim que você se senta com olhos fechados o corpo começa a esticar seus membros à força, sons deformados são pronunciados em alta voz, você começa a fazer sons como os de animais, pássaros e rãs, ou de um leão, ou como um chacal, um cão, um tigre, sons desagradáveis e amedrontadores, entenda que a Grande Deusa Kundaliní entrou em ação.
10. Quando você sente vibrações de prana em diferentes lugares dentro de seu corpo e sente seu fluir onde quer que dirija sua atenção, e seus nervos começam a ter sacudidas como se eletricidade estivesse passando por eles, saiba que a Deusa Kundaliní entrou em ação.

11. Quando dia e noite você sente dentro de seu corpo alguma atividade de prana e quando concentra a mente, seu corpo começa a tremer ou tossir, e sua mente fica cheia de bem-aventurança e felicidade em todos os momentos, mesmo ao responder aos chamados da natureza, mesmo durante o sono você sente correntes de prana subindo até o sahasrara, e até mesmo em sonhos você experimenta a presença da Deusa, saiba que Kundaliní entrou em ação.
12. Quando ao sentar para fazer orações seu corpo começa a tremer e em êxtase de felicidade você começa a cantar doces melodias, cuja composição e poesia chegaram a você involuntariamente, e você pronuncia línguas que não conhece, mas cujo som leva o êxtase à mente, saiba que a Deusa da linguagem, Saraswati, despertou para a ação.
13. Quando você se sente intoxicado sem tomar qualquer droga, e enquanto caminha seus passos são dados majestosamente, e você gosta de permanecer calado e não gosta de falar com outros ou ouvi-los, e se sente como que bêbado da divindade, saiba que sua Atma Shakti Kundaliní, o poder do Ser, entrou em ação.
14. Quando, ao caminhar, sua mente se enche de um impulso de caminhar mais rápido e seus pés começam a correr, você sente seu corpo leve como ar e não se fadiga mesmo após caminhar muito tempo, você se sente levitar e se sente alegre, e nem em sonhos se sente infeliz, você mantém o equilíbrio de sua mente nos altos e baixos da vida, e adquire uma inesgotável energia para trabalhar, saiba que a Brahma Shakti Kundaliní entrou em ação.
15. Quando em meditação você tem visões divinas, sente fragrâncias divinas, vê figuras divinas, sente gostos divinos, ouve sons divinos e experimenta toques divinos e recebe instruções dos devas, então entenda que o poder divino da Kundaliní entrou em ação.
16. Quando em meditação o futuro revela seus segredos para você ou entende o significado oculto das escrituras, os Vedas e a Vedanta ficam compreensíveis, todas as dúvidas desaparecem, você adquire estranhos poderes de oratória e não sente necessidade de aproximar-se nem mesmo de Brahma, o próprio criador, para obter conhecimento, e você adquire autoconfiança, entenda que a Kundaliní entrou em ação.
17. Quando ao sentar em meditação sua visão se fixa entre as sobrancelhas, sua língua se levanta em khechari, a respiração para totalmente e a mente mergulha no oceano de bliss, shambhavi mudra entra em ação e você experimenta o prazer de savikalpa samadhi, saiba que o poder sutil de Kundaliní está em ação.
18. Quando no amanhecer e anoitecer automaticamente seu corpo fica carregado de influências divinas, e o prana, o corpo e a mente ficam dominados pela Deusa, saiba que a Deusa Kundaliní está corretamente funcionando.






25.3.17

CARIDADE E BOM SENSO – Alex Zarthu


Muita gente julga fazer caridade deixando que o mal ou o desequilíbrio façam estrago no ambiente. Dizem tratar-se de carinho e compreensão para com aqueles que erram. Pensam ser tolerantes com as falhas alheias e, por isso mesmo, comprometem o equilíbrio íntimo ou o da comunidade, com a conivência com os erros alheios.

Ser conivente com o mal sob o pretexto de estar sendo caridoso é prova de fraqueza e falta de bom senso. Essa atitude é por demais acanhada e merece profundas reflexões.

Acostumada a passar a mão sobre a cabeça das pessoas, muita gente deixa que atitudes e posicionamentos desequilibrados venham prejudicar o trabalho e o progresso.

Muitos que erram nem sempre o fazem acreditando acertar. Muitos erram sabendo o que fazem; outras vezes, assistidos por inteligências sombrias, aproveitam a imaturidade das pessoas para espalhar ideias absurdas, gerando situações constrangedoras.

O equilíbrio é necessário ao progresso. Nesses e em outros casos, é imperioso que se estabeleçam limites e que se faça ver o lado equilibrado e sadio. É urgente dar um basta na situação e parar com as atitudes permissivas, que apoiam, em nome da caridade, posturas equivocadas.

Silêncio: quietude ou desassossego?

O homem não precisa de que se lhe passe a mão na cabeça para que desperte para a vida espiritual. Não se ganha a confiança de ninguém sendo conivente com seus erros. Não se constrói um caráter sadio e equilibrado compactuando com o erro.

É preciso disciplinar os sentimentos e emoções, os atos, os pensamentos e cuidar para que, na pretensão de não ser desagradável, acabar aceitando o erro como verdade e o desequilíbrio como harmonia.

Muitas pessoas precisam ser detidas em suas atitudes de desequilíbrio e aprender que o sim e o não podem fazer parte de um sistema de harmonia coletiva. Dizer não na hora certa às vezes é mais proveitoso para o bem geral do que dizer sim indefinidamente.

Há necessidade de estabelecer limites, a fim de que ninguém confunda a verdade com a mentira e o certo com o errado. Deter a ação do mal e esclarecer as pessoas não é falta de caridade. Agir de modo contrário, permitindo a ignorância e o erro, não deve ser visto como forma ideal de comportamento.

Não se deve passar a mão na cabeça quando for necessário impedir que o mal prossiga sua ação destruidora. Tudo é questão de bom senso e de caridade com nós mesmos e com aquele que erra.

Contudo, não podemos esquecer o imperativo da fraternidade e da caridade para com aquele que erra. Deter a ação do mal não significa denegrir a pessoa humana. Impedir que o erro se dissemine não justifica os ataques pessoais ou as atitudes contrárias ao amor que de maneira comum se observam nos relacionamentos humanos competitivos.

Tudo deve ser realizado para o esclarecimento, mas é preciso considerar que aquele que erra nem sempre sabe que está errando, sendo merecedor do nosso carinho, atenção e dedicação. Podemos aborrecer o erro, mas é nosso dever amar aquele que erra.



MEU ENCONTRO COM NISARGADATTA MAHARAJ – Jean Dunn


Pergunta: Você começou sua vida espiritual através de Ramana Maharshi ou houve outras influências antes de Ramana?

Jean Dunn:  Bem, sim. Essa é uma longa história. Eu estava interessada em Joel Goldsmith.  Toda minha vida, parece que eu estava buscando algo. Todos nós buscamos, mas geralmente nos lugares errados, mas isso nos leva em frente.

Pergunta:  Joel mencionou o nome de Ramana Maharshi para você?

Jean:   Não.  Disseram-me que ele se preparava para visitar a Índia quando morreu.

Pergunta:  Quando você ouviu falar de Nisargadatta Maharaj pela primeira vez?

Jean:  Um ano antes de vê-lo. Eu estava em Sri Ramanasramam e alguns amigos iam regularmente ver Maharaj em Mumbai. Eu sentia que não havia necessidade de ver ninguém, porque considerava o Maharshi como meu mestre. Recusei-me a ir duas vezes. Na terceira vez, os amigos vieram e pediram que eu fosse, e concordei. E fui.

Pergunta:  Após ver Maharaj você voltou a Ramanasramam?

Jean:  Sim, continuei hospedada no ashram. Quando Maharaj ficou muito doente, durante os dois últimos anos de sua vida, mudei-me para Mumbai.

Pergunta:  Pode descrever brevemente o que acontecia no apartamento de Maharaj? Ele tinha uma rotina especial?

Jean:  De manhã cedo, às 6 horas, ele fazia o árati (oferenda de luzes) conosco. Após o árati eu saía para tomar café e voltava para ajudar Maharaj pendurar as guirlandas nas figuras de diferentes santos que havia nas paredes. Havia uma meditação de uma hora e depois músicas devocionais. Das 10:00 às 12:00 da tarde Maharaj respondia as perguntas dos visitantes. Quando os visitantes saíam, nós saíamos para comer algo. E Maharaj geralmente comprava algo para sua neta, ele era louco por ela. Quando Maharaj descansava na sala, eu me sentava ao seu lado. Havia outra reunião das 17 às 19 horas quando também se cantavam canções devocionais e depois Maharaj lia trechos de escrituras hindus, explicando seu significado.

Pergunta:  Havia algo em particular que Maharaj gostasse mais de ler?

Jean:  Não que eu saiba, nem nunca perguntei. Para mim não importava o que ele estava lendo.

Pergunta:  Maharaj não usava a terminologia vedântica para descrever o caminho para a Verdade. Você diria que esse era um dos aspectos únicos de seus ensinamentos?

Jean:  Para mim era. Ele era tão natural, e mesmo assim tinha consciência de que não era o corpo. Ele deixava aquele corpo fazer o que quisesse, não sei como explicar.

Pergunta:  Maharaj dava algum tipo de iniciação a aqueles que o aceitavam como mestre?

Jean:  Sim. Ele me deu um mantra.

Pergunta:  Maharaj reconhecia um relacionamento formal Guru-discípulo?

Jean:  Bem, você vê, não estamos separados. Não há separação; somos um. Ele dizia a mim e a outros lá, “Não imagine qualquer separação; somos um.”

Pergunta:  Acredito que as práticas espirituais de Maharaj se completaram em três anos aproximadamente. Ele admitia isso, falava sobre isso?

Jean:  Não.  Mas ao grupo que chegava mais cedo, ele contava histórias. Maharaj deixou tudo depois que seu guru morreu; ele decidiu ir aos Himalayas para ficar lá até conseguir a Auto-realização. No caminho ele seguia descalço numa região onde não havia nenhuma casa. Quando ficou com fome, percebeu fumaça vinda de uma casa à sua esquerda, e então aproximou-se para pedir comida aos moradores. Os moradores o alimentaram e lhe deram de beber. Quando ele voltou para a estrada e virou a cabeça para olhar para trás, para a casa onde tinha ido, não havia casa nenhuma. Mais tarde, nos Himalayas, encontrou um outro discípulo de seu mestre que o convenceu que era vantajoso espiritualmente voltar à vida mundana. Então ele voltou a Mumbai.

Pergunta:  Essa época em que Maharaj voltou a Mumbai, foi o período de suas práticas espirituais?

Jean:  Sim. Foi quando ele construiu o salão onde nós nos encontrávamos. Ele cuidava de seu comércio e suas horas de folga passava em meditação. Levou três anos, depois que seu guru morreu, para realizar sua verdadeira natureza.

Pergunta:  Houve algo que Maharaj disse ou fez especificamente que ajudou a transformar você espiritualmente?

Jean:  Foi simplesmente o que ele era. Estar em sua presença era a chave.

Pergunta:  Maurice Frydman disse que “simplicidade e humildade são as características da vida e ensinamentos de Maharaj.”  Como você resumiria sua mensagem para alguém que esteja lendo seus ensinamentos pela primeira vez?

Jean:  Se você está procurando a Verdade, então está no caminho certo. Mas a verdade não é algo que todos querem. A maioria quer algo para tornar sua vida melhor: dinheiro, uma casa melhor e assim por diante. A mensagem dele não tem nada a ver com o mundo. É por isso que amar um mestre ajuda tanto. Esse amor é seu próprio Ser.

Pergunta:  Não se encontra nos ensinamentos de Maharaj a integração de amor e sabedoria que se manifestavam nele. Você acha que esse entendimento pode estar faltando da parte do leitor?

Jean:  Sim, particularmente nos países ocidentais. Até você encontrar seu guru, ou tornar-se um com o guru interior, a compreensão é apenas intelectual. Maharaj disse que essa geração está pronta para este ensinamento. Houve uma época em que a devoção a uma divindade prevalecia; agora as pessoas querem a Verdade, e a busca se faz com o intelecto.

   Jean Dunn 



16.3.17

O EU INTERNO E O EGO – Paul Brunton


O homem é em si um universo em miniatura. Seu Eu interno constitui o sol e seu eu pessoal desempenha o papel de lua. Assim como a lua empresta sua luz do sol, assim sua personalidade empresta do Eu interno sua vitalidade e seus poderes de pensar e sentir.

Os homens que vivem apenas em função da sabedoria de seu eu pessoal, assemelham-se aos homens que trabalham à noite sob a luz lunar, por não haver sol. Os homens que vivem em função da sabedoria do Eu interno, podem também apreciar a contribuição da personalidade, porém atribuem-lhe um valor secundário.

Uma vez que tenhais vos colocado nas mãos do Eu interno, vossa vida começará a fluir serena e docemente. Internamente ela se assemelhará a uma tranqüila corrente, mesmo que lá fora rujam as tormentas. Vosso zelo pelo exato resultado de vossos assuntos não poderá ser maior do que o Eu interno tem por vós.

Quando empunhais as rédeas, vossa orientação é constantemente ignorante e insensata; mas quando a divindade interna as empunha, sereis serenamente conduzidos acertadamente, pois ela é mais sábia que vós. Ofertai-lhe vossa irrestrita e espontânea submissão.

O Eu divino é infinitamente paciente e estará pronto para dar-vos sua assistência em vossa própria senda, quando estiverdes preparado para invocar sua presença.

Pouco a pouco, imperceptivelmente, vossos esforços diários de meditação abrirão um novo canal ao longo das sinuosas convoluções de vosso cérebro, o que vos facilitará a aproximação da esfera sob a influência do Eu divino.

A prática da auto-investigação (vichara) coloca vossa consciência em contato com o Eu divino, cuja proteção a envolve. Isolar-se instantaneamente nesta busca do eu espiritual, quando subitamente se defronte com um mau acontecimento é neutralizar-lhe o poder de perturbar a mente. Então, qualquer ação seguida será sábia e correta, por estar inspirada pelo Eu divino.

Ao surgir uma contrariedade, o homem deve recusar-se a aceitar as sugestões do desespero ou dúvida que lhe assaltam a mente. Em lugar disso, deve acalmar sua respiração e inquirir: “Quem sou eu que passa por essa dificuldade?”

Cabe ao estudante cultivar o hábito de recorrer imediatamente ao Eu interno, quando em conflito com as circunstâncias que o envolvam. Se o fizer lealmente, dele se apossará uma maravilhosa sensação de paz e segurança, e sua mente passará sem fricções através da ocorrência; as coisas externas começarão a perder seu poder de afetá-lo.

O estudante será capaz de eliminar influências maléficas, que provenham de outras pessoas ou dos ambientes circundantes, que se apresentem sob a forma de moléstias ou circunstâncias incômodas.

Não nos há de surpreender a obtenção de resultados tão admiráveis, se nos lembrarmos que o ser humano é divino em essência. É o nosso reconhecimento mental de nossa própria divindade o que traz a cura em suas asas e interiormente nos liberta do poder maléfico das circunstâncias adversas.

Todos os que se entregam ao Poder Superior recebem sua ajuda protetora. Aprecio a leal declaração do cacique dos índios vermelhos que queriam atacar a igreja dos quackers da cidade de Easton, em Nova York, no ano de 1775, numa radiante manhã de verão.

Índios vem casa homem branco – disse ele apontando para a colônia com o dedo – índios quer matar homem branco, um, dois, três, seis, todos”, e enfiou seu machado de guerra no cinto com ar agressivo. “Índios chega, vê homem branco sentado na casa; nenhuma arma de fogo, nenhuma flecha, nenhuma faca; todos quietos, todos parados, adorando o Grande Espírito. Grande Espírito dentro de índio também – ele apontou para seu peito – então Grande Espírito diz: Índios, não matar eles!”

A força vital do Eu divino flui continuamente em cada elétron dos átomos que formam o corpo. É o Eu divino que realmente dá vida aos nossos corpos e os sustenta. Sem sua presença invisível, nossos corpos cairiam mortos instantaneamente.

O poder do Eu divino está convosco aqui e agora; nada pode privar-vos de sua operação, a não ser vossa voluntária negligência e dúvida. Segui o caminho da auto-indagação e apropriai-vos daquilo que já é vosso.

Todavia o homem não pode ditar à Inteligência Criadora que governa o mundo e impregna sua vida, sobre a exata forma de ajuda que receberá, nem pode pedir sempre satisfação de suas necessidades pessoais, sem outras considerações superiores.

Se a realização espiritual nem sempre pode afastar de seu caminho as sombras da pobreza, doenças ou infortúnios, ela o dotará de coragem para enfrentar a pobreza, paciência para suportar as doenças e sabedoria para arrostar o infortúnio.

O homem que se integre cada vez mais ao Eu divino se sentirá cada vez menos inclinado a importunar os poderes, seja para seu êxito, suas necessidades materiais ou suas inclinações pessoais. Em vez disso, ele sentirá a força protetora deste Eu; se algo lhe pedir, será mais sabedoria, mais amor. Possuindo essas coisas, ele sabe que pode deixar com segurança o resto para a divindade interna, que depois acudirá infalivelmente a suas reais necessidades, na hora precisa.

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A AÇÃO INSPIRADA – Paul Brunton


O homem que escolhe a vida superior da meditação não anula por isso seus talentos humanos. Mesmo que se torne humilde e amoroso como São Francisco de Assis, poderá ainda ser tão intelectual quanto Bernard Shaw, tão corajoso quanto Guilherme Tell e tão talentoso quanto Galileu.

É falso supor que, por ele extrair sua sabedoria de uma fonte mais profunda por meio de sua percepção direta, lhe seja necessário perder a habilidade de pensar logicamente, manobrar com homens e negócios e tomar seu lugar no mundo ativo.

Numa recente mensagem à Associação Britânica, Sir J. A. Thompson mencionou que a solução de alguns de seus mais intrincados problemas científicos lhe vinha quando ele esvaziava sua mente dos problemas e a deixava permanecer tranqüila e parada durante certo tempo.

Poucos sabem que o falecido Lorde Leverhulme, que instalou a maior organização industrial de sua espécie no mundo, poderia relaxar à vontade em qualquer lugar e colocar-se num sereno estado de devaneio. Em meio das mais gigantescas tarefas, ele frequentemente se valia desta faculdade.


Muito se enganam os que supõem que a meditação feita corretamente é apenas uma forma de idealismo sentimental ou pensamento abstrato. Tal meditação libera gradativamente no homem uma energia anímica de que ele antes não se apercebera, e que por fim se torna a maior inspiradora de suas atividades.

Homens como Oliver Cromwell, Abraham Lincoln e o imperador Marco Aurélio, no Ocidente, ou como o príncipe Shivaji, o imperador Akbar e o rei Asoka, no Oriente, creram na meditação e com ela agiram e triunfaram.

Se o estudante pratica regularmente a meditação, se procura concentrar seus pensamentos na busca do Eu divino, ele progressivamente se aperceberá de sua natureza espiritual. Digo progressivamente porque a sabedoria a ninguém chega num dia determinado; ela desponta como o alvorecer.

Uma vez estabelecido o hábito da meditação matinal, torna-se uma coisa muito natural prosseguir nas atividades do dia dentro da corrente espiritual assim acionada. Seu trabalho se desenvolverá cada vez mais dentro desta corrente de espiritualidade; toda sua atitude será mudada com a presença da corrente, mas sem precisar negligenciar seus deveres.

E época chegará em que ele minguará suas meditações, pois toda sua vida terá se tornado uma longa meditação. E todavia ele estará mais ativo do que nunca. Se nos submetemos aos mandatos do Eu interno, principiaremos a trilhar a senda de nosso verdadeiro destino, de nossa verdadeira vida.

Tempo chegará em que o homem passará a ver cada coisa, cada objeto, acontecimento e pessoa, como uma manifestação do Divino; em que descobrirá que não pode haver para ele maior missão do que expressar seu Eu interno em tudo que fizer e com todos os que encontrar.


Este é o único evangelho compatível com o Ocidente prático: o evangelho da ação inspirada. Então atacaremos os problemas do mundo da pobreza, guerra, doenças e ignorância com um novo sabor e melhor sucesso, sem nos esquecermos de prestar nossas homenagens diárias à Divindade dadivosa de paz e enobrecedora da alma que mora nos corações dos homens.


O CAMINHO DA BELEZA DIVINA – Paul Brunton


Para certos temperamentos, é quase impossível tomar a senda da análise introspectiva (vichara). Suas mentes não foram constituídas de uma maneira que lhes permita fixarem seus pensamentos neste tema. O que então lhes cabe fazer?

A maneira do estudante sair desta dificuldade é principiar por se ajustar ao ritmo de inspiradas obras artísticas, ou por cultivar emoções elevadas induzidas ante a beleza da Natureza.

Um quadro pintado por uma mão genial, um poema de alguém sensível ao aspecto natural da vida, o tocar de um violino por um mestre como Kreisler, um passeio através dos bosques de outono, uma contemplação do brilho do sol sobre as plantas, ou a visão de uma antiga igreja à luz do sol no ocaso: tudo isto pode lhe despertar delicados sentimentos, que em regra jamais o poderiam fazer as atividades comuns da vida cotidiana.

Nestes momentos há um poder espiritual de que nos recordamos muito tempo após haverem passado. Inteligentemente utilizados, podem tornar-se como a escada de Jacó, estendendo-se da terra ao céu.

Hoje em dia, o artista inspirado faz as vezes do sacerdote, tornando-se o instrumento daquele aspecto do Poder Superior que se revela no homem como beleza.

O artista, o escritor e o músico se encarnam em sua obra, e se ele for abençoado com inspirações elevadas, se ele se sentar aos pés da divina beleza ou verdadeira sabedoria, então no grau em que puderdes submeter-vos à sua influência, partilhareis com ele destas inspirações.

Salmo 45 – palavras de beleza e louvor ao casamento real ...

Em presença de alguma grande cena da Natureza, o ser humano é inconscientemente levado a recordar-se de seu verdadeiro lar espiritual. Ele se deleita com as brilhantes nuvens do céu, os prados pacíficos e os lagos plácidos, pois lhe recordam sua origem espiritual.

Às vezes, ao ouvir uma música de profunda inspiração, as nobres melodias de Bach ou as árias puras de Mozart, ou detendo seu olhar nalguma cena de montanha, o homem recebe insinuações de uma vida superior. A música, sendo a mais direta de todas as artes, propicia o meio mais autêntico de expressão espiritual.

Aqueles que procuram recolher em suas mentes a colheita mundial de beleza e sabedoria impressas, sentem-se movidos a isso por um instinto que vem de eras remotas. Quando nossos olhos contemplam uma página escrita com gosto literário e cintilante de áureos pensamentos espirituais, percebemos um misterioso sentimento confirmando o que lemos.

O estudante que se sinta empolgado pela grande literatura deveria escolher um livro, ou algumas passagens de determinado livro, que lhe façam um profundo apelo ou pareçam trazer em si um sopro de inspiração; que sobre ele exerçam um efeito exaltador, que lhe chegue com a força de uma mensagem das regiões superiores.

Se preferir a grande poesia e aurir seu poder, poderá sentir esta inspiração em algum poema de Francis Thompson, num soneto de Shelley ou composição lírica de Keats, e em alguns dos cintilantes versos de George Russel.

Bouddhist priest (com imagens) | Monge budista

Se optar pela prosa, há escritores que acendem a centelha divina da arte criadora e inflamam a chama da imaginação humana. O ensaio de Emerson sobre a autoconfiança, por exemplo, apresenta, pelo menos, uma centena de sentenças notáveis. Passai uma hora com Emerson e estareis em companhia dos grandes.

Que o estudante selecione um parágrafo ou fragmento de qualquer livro antigo ou moderno que mais lhe fale no íntimo, e rumine-o mentalmente, procurando reverentemente aurir seu significado e penetrar no ritmo espiritual ou na onda de longitude mental que lhe transmita. Faça-o com a máxima lentidão, com a máxima concentração que lhe for possível, mantendo o coração e a mente integrados no trecho escolhido, enquanto as palavras lhe vibram na alma.

O estudante também pode despertar a intuição por outras vias. Cabe-lhe escolher o meio que sinta ser o mais forte para si. Poderia obter o mesmo resultado ouvindo músicas compostas por verdadeiros gênios. Uns lograrão este estado interno através de um livro, outros através da música, e assim por diante.

14.3.17

PARA DESPERTAR A INTUIÇÃO – Paul Brunton


Após praticar pranayama moderada e suavemente, confortavelmente sentado ou deitado, o estudante deve dirigir um pergunta à misteriosa escuridão que envolve sua mente:
- Quem sou eu?
- Quem é este ser, que habita dentro deste corpo?

Que o estudante dirija essas perguntas a si próprio, lentamente, e com intensa concentração de alma. Depois aguarde uns minutos, meditando silenciosamente e sem esforço nessas perguntas.

A seguir, que faça um silencioso e humilde pedido, uma meia-prece se o prefere, dirigido ao Eu interno no próprio centro de seu ser, para que lhe revele sua existência. As palavras deste pedido podem ser suas próprias, mas têm de ser simples, breves e diretas. “Pedi e vos será dado”, foi a indicação de Jesus a seus ouvintes.

Havendo feito o pedido ou prece, que pare e aguarde confiantemente uma resposta, embora com humildade. Humildade é o primeiro passo na senda secreta – e também será o último. Porque, antes de a Divindade começar a instruí-lo através de sua auto-revelação, o estudante tem de se tornar instruível, isto é, humilde.

A instrução intelectual é uma coisa admirável, mas o orgulho intelectual levanta uma forte barreira entre ele e a vida superior que está sempre chamando por ele, embora silenciosamente. Os intelectuais orgulhosos se sentam em seus débeis pedestais e esperam ser adorados, quando existe a todo tempo uma Divindade habitando nas profundezas de seus corações, e que é a única digna de adorações.

Durante essa pausa, que se segue à sua indagação silenciosa, ele deve suspender seus pensamentos para poder adotar uma atitude de “escutar” uma resposta. Depois de esperar uns dois minutos, ele pode repetir sua indagação e depois parar de novo. Após mais outro período, pode repetir pela terceira e última vez.

Então deve esperar com paciência e expectativa, durante uma período de cerca de cinco minutos, com seu corpo parado, sua respiração lenta e calma, e sua mente serena. Este é o final de sua meditação.

A chave para uma correta compreensão desta etapa está em lembrar que o que mais importa agora é a reação subconsciente ao esforço consciente do estudante. É como tocar a campainha de uma porta; agora o estudante deve aguardar que o subconsciente apareça.

O estudante pode passar um período em que não venha nenhuma resposta, em que apenas o “vazio” reine supremo dentro de sua alma. Mas essa fase passará, é importante a paciência. Devemos aguardar humildemente a revelação do Infinito que está dentro de nós.
Daqui em diante, deve o estudante atentar cuidadosamente para os primeiros sinais e indícios confirmatórios de que ele está no caminho certo. Esses sinais são mostrados pela alma, mas muitas vezes são mal interpretados ou passam desapercebidos.


A voz do Super-Eu sopra num sussurro discreto e temos de escutá-la atentamente se quisermos ouvi-la. A resposta da intuição despertando tanto pode vir no decorrer do primeiro exercício que se faça, como só depois de semanas ou meses de prática diária.

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O ACESSO À ALMA INTERIOR – Paul Brunton


Obter acesso à sua própria alma não é uma façanha tão rara como talvez o pareça. Muitos são os que preparam, sem o saber, as condições apropriadas para isso. O artista o faz quando abstrai sua mente das circunstâncias externas, arrebatado e absorvido por sua arte. Ele experimenta o êxtase num grau menor, e esquece de si mesmo em sua obra ou visão.

É neste estado que os gênios produziram suas mais finas criações. “É quando sou eu mesmo, inteiramente solitário e animoso, é nessas ocasiões que minhas idéias fluem melhor; donde e como vêm não sei, nem posso forçá-las”, confessou Mozart a um amigo.

Um escritor perdido em lucubrações sobre seu tema, tem sua mente tão profundamente mergulhada numa simples sequência de idéias que chega a não reconhecer as coisas, pessoas ou acontecimentos a seu redor.

O pintor se absorve tanto na contemplação do quadro que está produzindo, que se esquece do passar das horas, e assim também o músico no entusiasmo da composição musical.

Quando Leonardo da Vinci se sentia minguado de idéias criadoras, bastava-lhe atentar para um monte de cinzas, que de sua concentração nascia um devaneio, do qual brotavam idéias que estava necessitando.

Lorde Tennyson, laureado poeta inglês, escreveu: “Desde muito criança, quando me encontro a sós, passo frequentemente por uma espécie de transe desperto. Minha intensa consciência de individualidade parece dissolver-se e diluir-se na de um ser ilimitado, e a perda da personalidade parece não uma extinção, mas um ingresso na verdadeira vida.”

Sir Isaac Newton, numa manhã de sol já alto, foi encontrado sentado na cama, semi-vestido, mergulhado em meditação, e numa outra ocasião permaneceu por longo tempo em sua adega, onde uma sequência de idéias se havia apossado dele ao ir apanhar uma garrafa de vinha para seus hóspedes.

Lorde Kitchener tinha atitudes de “ar pensativo”, em que seus olhos se revolviam, como que contemplando a raiz de seu nariz. Então ele parecia como que totalmente alheio ao que se passava ao redor.

À medida que se aprofunda a concentração, o mundo externo vai sendo lentamente esquecido. As câmaras mentais se tornam vazias de todo pensamento, exceto esta dominante expectativa por uma resposta do Eu interno.

Nesse estágio, cessareis qualquer esforço, não procurareis efetuar nada, mas antes permitireis que algo seja efetuado em vós. Daí em diante, o que for feito o será pela ação divina e não pela vossa. Não mais perguntareis, mas vos submetereis, sem questionar, àquilo que apela ao mais íntimo de vosso ser.

Então diante de vosso olho mental pode delinear-se um brilhante quadro simbólico. Podereis ver uma cruz com um círculo se expandindo em cores gloriosas, ou como uma radiante estrela pentagonal. Ou podereis experimentar apenas uma tocante ternura no coração, uma suave sensação de engolfamento num esplêndido repouso.

Os que varam anos solicitando alguma insinuação ou revelação do Eu interior, com o tempo receberão uma rica recompensa. Um simples vislumbre que obtenhamos daquele misterioso ser, nos tirará os aborrecimentos da vida e os submeterá a nossos pés. Uma santa palavra de seus lábios oraculares ministra uma bênção que inunda nosso pequeno eu de alegria cósmica.

O despertamento para a consciência espiritual é algo que não se pode desenvolver apenas por um sistema mecânico e medido. “A arte acontece!” exclamou Ruskin, e o mesmo ocorre com a espiritualidade. O aspirante põe em prática certos exercícios, sejam de meditação ou relaxamento, sejam de auto-observação ou auto-recordação, e um dia a verdadeira consciência parece chegar-se a ele, suave e seguramente.

Esse dia não pode ser determinado. Poderá vir logo no início de seus esforços, ou somente depois de logos anos de luta decepcionante. Pois depende de uma manifestação da Graça de parte do Eu interior, de uma energia mais profunda do que sua vontade pessoal, que agora começa a participar desse jogo celeste.

Uma vez que a graça atue num homem, não há como escapar. Silenciosa, gradativa mas imperceptivelmente, ela o conduz para o interior. Graça é o requisito essencial para a iluminação. Contudo não podeis propiciá-la; só o pode fazer vosso Eu interior ou um verdadeiro Adepto.

Tenho ouvido falar de uns poucos que obtêm a Graça sem trabalhos nem sacrifícios. Esses poucos que a recebem aparentemente como uma súbita dádiva, caída dos céus, não significam nenhuma exceção à regra de pedir. A diferença é que suas aspirações foram expressas e ouvidas em existências anteriores, em outras encarnações.

Quando a Graça desponta de nosso próprio Eu interno, este desperta um certo anseio no coração e começa a conduzir nossos pensamentos por certos canais. Tornamo-nos satisfeitos com a vida tal qual ela é; principiamos a aspirar algo melhor; iniciamos uma busca de uma Verdade superior à crença que até então nos sustentou.


O amadurecimento da alma para esta profunda experiência da união com o Eu interno se opera gradativamente, tal qual o amadurecimento de uma fruta. Mas tão logo esteja completo o crescimento, a união subjuga a alma irresistivelmente, e o homem realmente nasce de novo.

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9.3.17

O KARMA COMO AGENTE DA EVOLUÇÃO – Ramatis

No caminho da evolução espiritual, a Lei Cármica encarrega-se de indicar o caminho certo ao viajante despreocupado e teimoso, corrigindo os desvios que o retardam no caminho da angelitude.

Desde o princípio do mundo o Criador tem enviado aos homens instrutores espirituais, que encarnam em todas as latitudes geográficas e entre os povos mais exóticos do orbe terráqueo, dando-lhes em linguagem pátria e acessível a todo entendimento as rotas exatas do caminho certo e das realizações ascensionais do espírito.

Eles têm aconselhado tudo o que se deve fazer em todos os momentos de angústias e complicações humanas, apontando os labirintos ilusórios e afastando as sombras perturbadoras. Hão deixado sobre a Terra ensinamentos de todos os matizes e em todas as línguas, nos moldes mais científicos ou nas asas da poesia mais pitoresca, tudo de conformidade com a ética divina e a legislação da verdadeira e definitiva pátria espiritual.

Nenhum povo e nenhuma criatura deixou de ser atendida, pois cada homem é o prolongamento de uma extensa cadeia de renascimentos em que, através de várias raças, ambientes e oportunidades diferentes, o seu espírito trava conhecimento com todas as formas de doutrinas e ensinamentos ministrados pela pedagogia sideral, a fim de desenvolver em si mesmo o sentido da universalidade e a definitiva consciência de sua imortalidade.

Hermes foi insigne instrutor dos povos egípcios, ofertando-lhes em linguagem entendível, mesclado de ciência, filosofia e devoção, o conhecimento da imortalidade da alma; Moisés consolidou a idéia do Deus único entre os hebreus; Confúcio, em pitoresca linguagem impregnada da poesia dos povos orientais, completou para os chineses o trabalho já iniciado por Fo-Hi e Lao-Tse, ensinando o culto à família, aos antepassados e o ciclo dos renascimentos; Zoroastro integrou-se na psicologia dos persas e pregou ensinamentos morais de extraordinária beleza espiritual; Buda abrangeu a Ásia, e milhões de budistas aprenderam o que deveriam fazer para a sua ascensão definitiva aos páramos divinos.

Finalmente Jesus, o inconfundível Instrutor Maior, sintetizou todos os princípios de elevada moral que antes de si foram espalhados para a salvação espiritual do homem, iluminando o orbe com as luzes definitivas do Evangelho!

Recentemente, a bondade do Senhor dos Mundos ainda vos enviou Allan Kardec, que simplificou carinhosamente todo o conhecimento oculto provindo dos templos iniciáticos e codificou o Espiritismo, oferecendo então moderno e adequado veículo doutrinário de êxito espiritual, com um programa prático, lógico, sensato e facilmente acessível às massas espiritualmente incultas do Ocidente.

A Lei Cármica não é punitiva para o espírito; este é que causa sofrimentos a si mesmo quando contraria as funções educativas, qual a criança que queima a mão no fogo, não porque este seja vingativo e castigue, mas apenas porque é um comburente.

Na essência de Deus não há cogitação de culpa nem deméritos, com relação às suas criaturas; é a Lei equânime e sábia que, no exercício do próprio Bem, apanha os retardatários ou rebeldes que estacionam à margem dos caminhos da vida ilusória da matéria e então os coloca novamente no curso da mais breve ventura sideral.


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CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DO SUICÍDIO – Ramatis

Todas as forças envenenadas do psiquismo doentio, que se geraram pela rebeldia, cólera, irascibilidade ou fúria suicida, baixam vibratoriamente durante a acomodação do perispírito no órgão etérico da gestante e, à medida que vai se constituindo o novo corpo, também absorve os venenos da veste perispiritual do encarnante.

A carga tóxica transfere-se desta última para o corpo tenro, que depois será, então, um instrumento de sofrimentos e dificuldades para seu próprio dono, vítima de suas tropelias e invigilâncias pretéritas. Então o indivíduo poderá nascer com o corpo coberto de chagas incuráveis, lesado no sistema circulatório, nervoso ou linfático, ou enfermo de outros órgãos vitais do corpo.

Em certos casos, as perturbações nos plexos nervosos ou na zona cerebral são as responsáveis por angustiosas paralisias, quadros mórbidos de alucinações vividas no astral inferior, ou ainda pelos estados confrangedores da epilepsia. Justifica-se, então, a existência dessa tenebrosa caravana de criaturas teratológicas, imbecilizadas ou portadoras das mais aberrativas atrofias, que expõem os seus molambos de carne pelas ruas das cidades ou se arrastam grotescamente como inquilinos torturados de um mundo infernal, e em ânsias frementes de viver!

São infelizes almas que há muito tempo vêm se estertorando no resgate dos mais trágicos desatinos do passado ou, então, inveterados suicidas que fugiram da vida esfrangalhados sob veículos ou por quedas desesperadas, carbonizados pelo fogo, envenenados pelos corrosivos ou aniquilados pelas armas de fogo ou pelos punhais.

A Lei Cármica então os manietou aos resultados dos próprios tóxicos e lesões perispirituais que em momentos de vingança geraram contra os princípios harmônicos da vida humana.

Como essas atrofias variam de conformidade com o conteúdo psíquico deletério e próprio de cada alma delinquente, nem todos os suicidas renitentes se reencarnam como imbecis. Também os encontrareis conscientes de si mesmos, sofrendo provas iguais às que purgam outros espíritos galvanizados no mal, que se movem pelas ruas das cidades como verdadeiros "trapos vivos" e de sistema nervoso completamente perturbado.

Esses infelizes ex-suicidas, em sua situação grotesca e deserdada, plasmam o resultado do próprio destino que geraram outrora através da mente deformada, pois os seus corpos estropiados não passam de materialização viva dos mesmos desejos do pretérito quando, revoltando-se devido às primeiras insatisfações ou caprichos frustrados, destruíram o precioso instrumento da vida humana, que lhes fora concedido como valiosa oportunidade de ventura espiritual.

Alguns suicidas retornam ao mundo com a sua inteligência bastante velada e nascem no meio dos brutos e ignorantes, onde atuam sem a grande capacidade do passado, incapazes de uma compreensão psicológica além do ramerrão da vida cotidiana. Não ficam imbecilizados, sem a consciência de suas ações, mas também não gozam totalmente do poder arguto da análise e dos seus requintes filosóficos habituais; as suas necessidades intelectivas e morais são poucas, pois nessa piedosa readaptação à existência humana, pouco mais exigem do que é necessário para o animal doméstico!

Por que passamos pelo sofrimento?

Existem inúmeros motivos que podem levar as criaturas ao suicídio, quer sejam ricas ou pobres, doentes ou sadias, ignorantes ou sábias, Há os estímulos suicidas como vibrações mórbidas decorrentes do suicídio da vida anterior, assim como outros novos incentivos, que se produzem pelo desespero moral, fracasso econômico, sofrimento atroz, rebeldia ou indiferença para com a vida humana, e tenaz perseguição dos terríveis obsessores das trevas.

A fortuna terrena não significa um cinto de segurança para aqueles que causaram desgraças e infelicidades no pretérito, pois o dinheiro do mundo material não consegue livrar o espírito encarnado da perseguição dos seus desafetos em liberdade no Além-Túmulo. Enquanto o pobre se suicida desesperado com as suas vicissitudes, doenças ou humilhações, o milionário descuidado dos bens espirituais vive sob perigosa companhia de espíritos trevosos, que o acompanham sorrateiramente, excitando-o para todas as satisfações e paixões humanas, a fim de o transformarem no prato predileto do interminável cortejo de gozadores desencarnados.

Para alguns obsessores espertos, muitos homens afortunados não passam de excelentes prolongamentos vivos que atendem à sua sede de alcoólicos, do vício da jogatina e demais sensações da animalidade inferior. Deixando-se situar imprudentemente dentro de hábil plano maquiavélico sob o comando dos magos das sombras, o rico desregrado vai se atrofiando nos delicados sentimentos de sua alma imortal e se impermeabilizando contra todos os estímulos espirituais superiores, pois condiciona-se aos impulsos torpes e aos prazeres fáceis sugeridos pelo astral inferior.

Desorientado pelo excitamento animal, atinge a saturação máxima dos prazeres e facilidades duvidosas da vida humana, para então embotar-se na sua sensibilidade, tornando-se apático para com todas as coisas do mundo, pois está farto, mas não saciado, impossibilitado de reerguer-se pelo afinamento espiritual, de que sempre se descuidou ou que se negou a conhecer, petrifica a emotividade saturada, a melancolia e o tédio tomam-lhe conta da vida e o dinheiro se torna impotente para atear fogo a quaisquer emoções tão excessivamente repetidas e vulgarizadas no trato grosseiro da vida física.

Quando atinge esse limite de embrutecimento, as próprias paixões deletérias e o cenário aprazível do mundo transformam-se num panorama indesejável, já muitíssimo conhecido e explorado em todos os seus ângulos emotivos e prazenteiros. Alguns afogam o seu desencanto em sucessivos garrafões de uísque, desfolhando melancolicamente as folhas do calendário terrícola e evitando que a consciência se equilibre para anotar o tédio detestável.

Esses suicidam-se a prestações, na ingestão do álcool; outros, respingados de cultura transitória erigida sobre a fenomenologia do mundo material e suas tricas artísticas e sociais, com um conhecimento puramente intelectivo, ainda tentam algumas acrobacias filosóficas e parafraseados do senso comum da vida requintada, para justificarem a sua própria frustração.

Mas, faltando-lhes o poderoso alimento da vida espiritual sem os sofismas do intelecto requintado no mundo, atrofiam-se-lhes de uma vez os resquícios da sensibilidade psíquica, que ainda vagavam em torno das acanhadas janelas dos cinco sentidos carnais. Então só lhes resta um recurso estúpido e de pavoroso sofrimento que ainda desconhecem, que é o suicídio.

É evidente que existem situações e motivos que podem levar ao suicídio qualquer tipo de criatura, por mais privilegiada ou culta na esfera intelectual do mundo, tais como as moléstias incuráveis, os tremendos impactos morais, que escandalizam fragorosamente, ou as paixões frustradas. É enorme a lista de conseqüências que podem roubar o gosto de viver àqueles que ainda não se fortaleceram pela resignação e o entendimento ensinados por Jesus.

O sofrimento de Jesus

Acresce que, no caso desses ricos e cultos que se suicidam há sempre falta da sabedoria espiritual, que é a garantia da alma em qualquer situação trágica ou desilusória no mundo físico. A prova de que são cultos na matéria mas incultos em espírito está em que eles se matam! O homem sábio espiritualmente não se mata, pois além de já estar condenado à morte pela própria natureza, sendo estupidez apressar o que é inevitável, também sabe que o suicida se lança num cenário de pavores e sofrimentos dantescos, por sua livre e espontânea vontade.

Quase sempre não existe nesses ilustres candidatos ao suicídio o ardor espiritual que eleva o homem no serviço benfeitor ao próximo, pois relegam propositadamente para plano secundário a solução fraterna dos problemas vividos pelos infelizes deserdados da sorte, que tremem de frio e gemem de dor e fome.

Francisco de Assis, Padre Damião, Vicente de Paula, Bezerra de Menezes, Ghandi, Buda, Allan Kardec, e outros seres dispersos pelas várias regiões do orbe, eram tão devotados ao bem alheio, que não lhes sobejava tempo para pensarem no suicídio ou deixarem o tédio infiltrar-se em suas vidas.

Não nos parece grotesco que os fartos do mundo fujam da vida acovardados ou decepcionados, enquanto os miseráveis continuam heroicamente a viver? E há outros indivíduos que se matam aos poucos, gastando-se junto às mesas do uísque, nas alcovas luxuosas, nos banquetes opíparos e nas estultas competições ostensivas!

Quando os seus corpos baixarem à cova fria, esses suicidas terão que explicar aos seus mentores espirituais, que lhes confiaram os valores da fortuna, por que antes de alimentarem os famintos, socorrerem os doentes e vestirem os nus, alentaram os festivos concursos de cães, cavalos e beldades, esmerando-se em escolher os espécimes mais belos e sadios, enquanto os hospitais, asilos, creches e manicômios vivem abarrotados de enfermos, esfomeados e estropiados!

Terão de dizer por que motivo cultuaram a ridícula profissão de anfitriões, glorificando-se na apresentação de cardápios em que entravam as mais caríssimas iguarias transportadas por via aérea, confeccionadas com retalhos de cadáveres de animais e aves raras, enquanto a poucos passos crianças gemiam esfomeadas!

Terão de explicar por que motivo exauriam fortunas no esponsalício dos seus descendentes, empanturrando os fartos e servindo os felizes, quando em torno a multidão sofria a desforra, a impiedade e a vingança surda da riqueza!

Repete-se modernamente a velha lenda do homem que vendeu a alma ao diabo e depois não pôde cumprir o contrato de gastar no prazo combinado toda a fortuna com que era suprido diariamente. E o diabo então levou-lhe a alma para as profundezas do inferno, pois o infeliz não tivera a ideia de se salvar, para o que lhe bastaria aplicar parte da verba fornecida por Satanás no serviço da caridade! É o que também ocorre com muitos ricos suicidas; cultos, mas de emoções embotadas pelo exagero de uma vida excessivamente egoísta e epicurística; os malfeitores das sombras levam-lhe as almas, depois, para os charcos do astral interior, pois na administração provisória da fortuna concedida por Deus em favor do bem comum, eles se esquecem da mais sublime e inesgotável emoção do espírito, que é socorrer o próximo e mitigar a dor humana.

A riqueza não é patrimônio que pertence especificamente a um só homem, tribo ou povo, pois a reencarnação troca os donos das fortunas e, o que é pior, deserda completamente o mais rico da Terra! Daí, pois, merecer censura o rico que, sendo apenas o mordomo ou administrador provisório de certos valores, usufrui deles avaramente ou só auxilia a parentela ou pessoas de suas afeições interesseiras.

No seu infeliz orgulho e estultice, agindo contra os nobres princípios da vida espiritual e para o culto exclusivo de sua vaidade perecível, eles só atendem ao convite mefistofélico dos espíritos trevosos. Pouco a pouco esses espíritos se infiltram em sua companhia emotiva e sensual, explorando-lhes a gula nos opíparos banquetes, a embriaguez na champanha ou no uísque, desgastando-os tranquilamente para mais breve os levarem à melancolia perigosa e à apatia para com uma vida cada vez mais insossa e farta dos tesouros dourados e enjoados dos cenários ilusórios da matéria.

Quando esses espíritos deixam na cova do mundo o corpo amarfanhado, então a imprensa traça-lhes compungidos necrológios sob as velhas chapas, louvando-lhes o "espírito brilhante" ou o seu "elevado senso artístico" nos faustosos banquetes da fina sociedade.

Infelizmente, a lisonja ainda lhes envolve o cadáver quente, mas a alma precipita-se em apavorada queda, magnetizada pelas mais horrendas paisagens do astral trevoso, onde o sofrimento inenarrável superativa-lhes então as emoções embotadas na fartura e na impiedade egocêntrica do mundo físico.

Satanás, simbolizado na forma de verdugos impiedosos, leva-os de roldão pelos abismos e charcos pestilentos, enquanto os seus gritos e brados lancinantes não encontram eco nesses corações diabólicos empedernidos! Sentimo-nos incapazes de vos descrever o quantum de sofrimento de que são tomados esses infelizes, pois, nascidos em berços de rosas e vivendo em palácios dourados, deixam-se vencer pelo excessivo epicurismo da existência humana, matando-se aos poucos enquanto pretendem matar o tempo para esquecer a vida!

O suicídio, em qualquer condição, sempre trai a vaidade e o amor-próprio das criaturas, aliciando-lhes motivos mórbidos para que destruam o sagrado patrimônio do corpo. Cegam-nas, fazendo-as esquecer os martírios e desesperos de outros milhares de criaturas esfomeadas, enfermas, disformes e escravas de todas as explorações do mundo, mas que não se desesperam e continuam a entoar o cântico amoroso da vida e do sacrifício pelo bem espiritual!

No seio das inumeráveis injustiças que acometem diariamente os infelizes indefesos às explorações do mundo, qualquer homem inteligente, afortunado ou de posição, que se suicida, é verdadeiro escárnio contra aqueles que sobrevivem corajosamente e com menores credenciais de poder ou de inteligência.

Inúmeros seres ainda confundem a assistência espiritual superior com a obrigação incondicional de serem assistidos por certos espíritos em suas teimosias mais ridículas; exigem que os santos ou os espíritos benfeitores abandonem os seus afazeres de importância coletiva, no Espaço, para acorrerem para junto de si a todos os segundos de preguiça mental e rebeldia ao sofrimento purificador!

Durante a juventude, sob a ilusão de que o verdadeiro amor seja a virulência da paixão carnal, muitas donzelas subestimam a advertência amiga dos pais sensatos, para em seguida sofrerem as consequentes desilusões emotivas, deixando-se precipitar para o ato tresloucado do suicídio! Na maturidade do corpo, os deslizes morais, as insatisfações, a perda de entes queridos, a crise financeira da família em conseqüência do excessivo conforto, os sofrimentos decorrentes da imprudência humana ou da retificação cármica, terminam por provocar os suicídios, que abrem as comportas dos mais pavorosos sofrimentos no Além-Túmulo.

Muitas mocinhas tolas e histéricas se suicidam como protesto contra qualquer providencial advertência paterna ou materna que lhes coíba a paixão perigosa e precipitada; na realidade, essa impiedosa vingança contra os próprios afetos humanos ou espirituais quase sempre revela a alma cruel e egocêntrica que, não satisfeita em destruir desonestamente o seu valioso patrimônio carnal, ainda deposita sobre os ombros alheios a culpa de sua crueldade mental.