25.3.17

MEU ENCONTRO COM NISARGADATTA MAHARAJ – Jean Dunn


Pergunta: Você começou sua vida espiritual através de Ramana Maharshi ou houve outras influências antes de Ramana?

Jean Dunn:  Bem, sim. Essa é uma longa história. Eu estava interessada em Joel Goldsmith.  Toda minha vida, parece que eu estava buscando algo. Todos nós buscamos, mas geralmente nos lugares errados, mas isso nos leva em frente.

Pergunta:  Joel mencionou o nome de Ramana Maharshi para você?

Jean:   Não.  Disseram-me que ele se preparava para visitar a Índia quando morreu.

Pergunta:  Quando você ouviu falar de Nisargadatta Maharaj pela primeira vez?

Jean:  Um ano antes de vê-lo. Eu estava em Sri Ramanasramam e alguns amigos iam regularmente ver Maharaj em Mumbai. Eu sentia que não havia necessidade de ver ninguém, porque considerava o Maharshi como meu mestre. Recusei-me a ir duas vezes. Na terceira vez, os amigos vieram e pediram que eu fosse, e concordei. E fui.

Pergunta:  Após ver Maharaj você voltou a Ramanasramam?

Jean:  Sim, continuei hospedada no ashram. Quando Maharaj ficou muito doente, durante os dois últimos anos de sua vida, mudei-me para Mumbai.

Pergunta:  Pode descrever brevemente o que acontecia no apartamento de Maharaj? Ele tinha uma rotina especial?

Jean:  De manhã cedo, às 6 horas, ele fazia o árati (oferenda de luzes) conosco. Após o árati eu saía para tomar café e voltava para ajudar Maharaj pendurar as guirlandas nas figuras de diferentes santos que havia nas paredes. Havia uma meditação de uma hora e depois músicas devocionais. Das 10:00 às 12:00 da tarde Maharaj respondia as perguntas dos visitantes. Quando os visitantes saíam, nós saíamos para comer algo. E Maharaj geralmente comprava algo para sua neta, ele era louco por ela. Quando Maharaj descansava na sala, eu me sentava ao seu lado. Havia outra reunião das 17 às 19 horas quando também se cantavam canções devocionais e depois Maharaj lia trechos de escrituras hindus, explicando seu significado.

Pergunta:  Havia algo em particular que Maharaj gostasse mais de ler?

Jean:  Não que eu saiba, nem nunca perguntei. Para mim não importava o que ele estava lendo.

Pergunta:  Maharaj não usava a terminologia vedântica para descrever o caminho para a Verdade. Você diria que esse era um dos aspectos únicos de seus ensinamentos?

Jean:  Para mim era. Ele era tão natural, e mesmo assim tinha consciência de que não era o corpo. Ele deixava aquele corpo fazer o que quisesse, não sei como explicar.

Pergunta:  Maharaj dava algum tipo de iniciação a aqueles que o aceitavam como mestre?

Jean:  Sim. Ele me deu um mantra.

Pergunta:  Maharaj reconhecia um relacionamento formal Guru-discípulo?

Jean:  Bem, você vê, não estamos separados. Não há separação; somos um. Ele dizia a mim e a outros lá, “Não imagine qualquer separação; somos um.”

Pergunta:  Acredito que as práticas espirituais de Maharaj se completaram em três anos aproximadamente. Ele admitia isso, falava sobre isso?

Jean:  Não.  Mas ao grupo que chegava mais cedo, ele contava histórias. Maharaj deixou tudo depois que seu guru morreu; ele decidiu ir aos Himalayas para ficar lá até conseguir a Auto-realização. No caminho ele seguia descalço numa região onde não havia nenhuma casa. Quando ficou com fome, percebeu fumaça vinda de uma casa à sua esquerda, e então aproximou-se para pedir comida aos moradores. Os moradores o alimentaram e lhe deram de beber. Quando ele voltou para a estrada e virou a cabeça para olhar para trás, para a casa onde tinha ido, não havia casa nenhuma. Mais tarde, nos Himalayas, encontrou um outro discípulo de seu mestre que o convenceu que era vantajoso espiritualmente voltar à vida mundana. Então ele voltou a Mumbai.

Pergunta:  Essa época em que Maharaj voltou a Mumbai, foi o período de suas práticas espirituais?

Jean:  Sim. Foi quando ele construiu o salão onde nós nos encontrávamos. Ele cuidava de seu comércio e suas horas de folga passava em meditação. Levou três anos, depois que seu guru morreu, para realizar sua verdadeira natureza.

Pergunta:  Houve algo que Maharaj disse ou fez especificamente que ajudou a transformar você espiritualmente?

Jean:  Foi simplesmente o que ele era. Estar em sua presença era a chave.

Pergunta:  Maurice Frydman disse que “simplicidade e humildade são as características da vida e ensinamentos de Maharaj.”  Como você resumiria sua mensagem para alguém que esteja lendo seus ensinamentos pela primeira vez?

Jean:  Se você está procurando a Verdade, então está no caminho certo. Mas a verdade não é algo que todos querem. A maioria quer algo para tornar sua vida melhor: dinheiro, uma casa melhor e assim por diante. A mensagem dele não tem nada a ver com o mundo. É por isso que amar um mestre ajuda tanto. Esse amor é seu próprio Ser.

Pergunta:  Não se encontra nos ensinamentos de Maharaj a integração de amor e sabedoria que se manifestavam nele. Você acha que esse entendimento pode estar faltando da parte do leitor?

Jean:  Sim, particularmente nos países ocidentais. Até você encontrar seu guru, ou tornar-se um com o guru interior, a compreensão é apenas intelectual. Maharaj disse que essa geração está pronta para este ensinamento. Houve uma época em que a devoção a uma divindade prevalecia; agora as pessoas querem a Verdade, e a busca se faz com o intelecto.

   Jean Dunn 



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