16.3.17

A AÇÃO INSPIRADA – Paul Brunton


O homem que escolhe a vida superior da meditação não anula por isso seus talentos humanos. Mesmo que se torne humilde e amoroso como São Francisco de Assis, poderá ainda ser tão intelectual quanto Bernard Shaw, tão corajoso quanto Guilherme Tell e tão talentoso quanto Galileu.

É falso supor que, por ele extrair sua sabedoria de uma fonte mais profunda por meio de sua percepção direta, lhe seja necessário perder a habilidade de pensar logicamente, manobrar com homens e negócios e tomar seu lugar no mundo ativo.

Numa recente mensagem à Associação Britânica, Sir J. A. Thompson mencionou que a solução de alguns de seus mais intrincados problemas científicos lhe vinha quando ele esvaziava sua mente dos problemas e a deixava permanecer tranqüila e parada durante certo tempo.

Poucos sabem que o falecido Lorde Leverhulme, que instalou a maior organização industrial de sua espécie no mundo, poderia relaxar à vontade em qualquer lugar e colocar-se num sereno estado de devaneio. Em meio das mais gigantescas tarefas, ele frequentemente se valia desta faculdade.


Muito se enganam os que supõem que a meditação feita corretamente é apenas uma forma de idealismo sentimental ou pensamento abstrato. Tal meditação libera gradativamente no homem uma energia anímica de que ele antes não se apercebera, e que por fim se torna a maior inspiradora de suas atividades.

Homens como Oliver Cromwell, Abraham Lincoln e o imperador Marco Aurélio, no Ocidente, ou como o príncipe Shivaji, o imperador Akbar e o rei Asoka, no Oriente, creram na meditação e com ela agiram e triunfaram.

Se o estudante pratica regularmente a meditação, se procura concentrar seus pensamentos na busca do Eu divino, ele progressivamente se aperceberá de sua natureza espiritual. Digo progressivamente porque a sabedoria a ninguém chega num dia determinado; ela desponta como o alvorecer.

Uma vez estabelecido o hábito da meditação matinal, torna-se uma coisa muito natural prosseguir nas atividades do dia dentro da corrente espiritual assim acionada. Seu trabalho se desenvolverá cada vez mais dentro desta corrente de espiritualidade; toda sua atitude será mudada com a presença da corrente, mas sem precisar negligenciar seus deveres.

E época chegará em que ele minguará suas meditações, pois toda sua vida terá se tornado uma longa meditação. E todavia ele estará mais ativo do que nunca. Se nos submetemos aos mandatos do Eu interno, principiaremos a trilhar a senda de nosso verdadeiro destino, de nossa verdadeira vida.

Tempo chegará em que o homem passará a ver cada coisa, cada objeto, acontecimento e pessoa, como uma manifestação do Divino; em que descobrirá que não pode haver para ele maior missão do que expressar seu Eu interno em tudo que fizer e com todos os que encontrar.


Este é o único evangelho compatível com o Ocidente prático: o evangelho da ação inspirada. Então atacaremos os problemas do mundo da pobreza, guerra, doenças e ignorância com um novo sabor e melhor sucesso, sem nos esquecermos de prestar nossas homenagens diárias à Divindade dadivosa de paz e enobrecedora da alma que mora nos corações dos homens.


Nenhum comentário:

Postar um comentário