O homem
que escolhe a vida superior da meditação não anula por isso seus
talentos humanos. Mesmo que se torne humilde e amoroso como São
Francisco de Assis, poderá ainda ser tão intelectual quanto Bernard
Shaw, tão corajoso quanto Guilherme Tell e tão talentoso quanto
Galileu.
É falso
supor que, por ele extrair sua sabedoria de uma fonte mais profunda
por meio de sua percepção direta, lhe seja necessário perder a
habilidade de pensar logicamente, manobrar com homens e negócios e
tomar seu lugar no mundo ativo.
Numa
recente mensagem à Associação Britânica, Sir J. A. Thompson
mencionou que a solução de alguns de seus mais intrincados
problemas científicos lhe vinha quando ele esvaziava sua mente dos
problemas e a deixava permanecer tranqüila e parada durante certo
tempo.
Poucos
sabem que o falecido Lorde Leverhulme, que instalou a maior
organização industrial de sua espécie no mundo, poderia relaxar à
vontade em qualquer lugar e colocar-se num sereno estado de devaneio.
Em meio das mais gigantescas tarefas, ele frequentemente se valia
desta faculdade.
Muito se
enganam os que supõem que a meditação feita corretamente é apenas
uma forma de idealismo sentimental ou pensamento abstrato. Tal
meditação libera gradativamente no homem uma energia anímica de
que ele antes não se apercebera, e que por fim se torna a maior
inspiradora de suas atividades.
Homens
como Oliver Cromwell, Abraham Lincoln e o imperador Marco Aurélio,
no Ocidente, ou como o príncipe Shivaji, o imperador Akbar e o rei
Asoka, no Oriente, creram na meditação e com ela agiram e
triunfaram.
Se o
estudante pratica regularmente a meditação, se procura concentrar
seus pensamentos na busca do Eu divino, ele progressivamente se
aperceberá de sua natureza espiritual. Digo progressivamente porque
a sabedoria a ninguém chega num dia determinado; ela desponta como o
alvorecer.
Uma vez
estabelecido o hábito da meditação matinal, torna-se uma coisa
muito natural prosseguir nas atividades do dia dentro da corrente
espiritual assim acionada. Seu trabalho se desenvolverá cada vez
mais dentro desta corrente de espiritualidade; toda sua atitude será
mudada com a presença da corrente, mas sem precisar negligenciar
seus deveres.
E época
chegará em que ele minguará suas meditações, pois toda sua vida
terá se tornado uma longa meditação. E todavia ele estará mais
ativo do que nunca. Se nos submetemos aos mandatos do Eu interno,
principiaremos a trilhar a senda de nosso verdadeiro destino, de
nossa verdadeira vida.
Tempo
chegará em que o homem passará a ver cada coisa, cada objeto,
acontecimento e pessoa, como uma manifestação do Divino; em que
descobrirá que não pode haver para ele maior missão do que
expressar seu Eu interno em tudo que fizer e com todos os que
encontrar.
Este é
o único evangelho compatível com o Ocidente prático: o evangelho
da ação inspirada. Então atacaremos os problemas do mundo da
pobreza, guerra, doenças e ignorância com um novo sabor e melhor
sucesso, sem nos esquecermos de prestar nossas homenagens diárias à
Divindade dadivosa de paz e enobrecedora da alma que mora nos
corações dos homens.

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