Todas as forças envenenadas do psiquismo doentio, que se geraram pela rebeldia, cólera, irascibilidade ou fúria suicida, baixam vibratoriamente durante a acomodação do perispírito no órgão etérico da gestante e, à medida que vai se constituindo o novo corpo, também absorve os venenos da veste perispiritual do encarnante.
A carga tóxica transfere-se desta última para o corpo tenro, que depois será, então, um instrumento de sofrimentos e dificuldades para seu próprio dono, vítima de suas tropelias e invigilâncias pretéritas. Então o indivíduo poderá nascer com o corpo coberto de chagas incuráveis, lesado no sistema circulatório, nervoso ou linfático, ou enfermo de outros órgãos vitais do corpo.
Em certos casos, as perturbações nos plexos nervosos ou na zona cerebral são as responsáveis por angustiosas paralisias, quadros mórbidos de alucinações vividas no astral inferior, ou ainda pelos estados confrangedores da epilepsia. Justifica-se, então, a existência dessa tenebrosa caravana de criaturas teratológicas, imbecilizadas ou portadoras das mais aberrativas atrofias, que expõem os seus molambos de carne pelas ruas das cidades ou se arrastam grotescamente como inquilinos torturados de um mundo infernal, e em ânsias frementes de viver!
São infelizes almas que há muito tempo vêm se estertorando no resgate dos mais trágicos desatinos do passado ou, então, inveterados suicidas que fugiram da vida esfrangalhados sob veículos ou por quedas desesperadas, carbonizados pelo fogo, envenenados pelos corrosivos ou aniquilados pelas armas de fogo ou pelos punhais.
A Lei Cármica então os manietou aos resultados dos próprios tóxicos e lesões perispirituais que em momentos de vingança geraram contra os princípios harmônicos da vida humana.
Como essas atrofias variam de conformidade com o conteúdo psíquico deletério e próprio de cada alma delinquente, nem todos os suicidas renitentes se reencarnam como imbecis. Também os encontrareis conscientes de si mesmos, sofrendo provas iguais às que purgam outros espíritos galvanizados no mal, que se movem pelas ruas das cidades como verdadeiros "trapos vivos" e de sistema nervoso completamente perturbado.
Esses infelizes ex-suicidas, em sua situação grotesca e deserdada, plasmam o resultado do próprio destino que geraram outrora através da mente deformada, pois os seus corpos estropiados não passam de materialização viva dos mesmos desejos do pretérito quando, revoltando-se devido às primeiras insatisfações ou caprichos frustrados, destruíram o precioso instrumento da vida humana, que lhes fora concedido como valiosa oportunidade de ventura espiritual.
Alguns suicidas retornam ao mundo com a sua inteligência bastante velada e nascem no meio dos brutos e ignorantes, onde atuam sem a grande capacidade do passado, incapazes de uma compreensão psicológica além do ramerrão da vida cotidiana. Não ficam imbecilizados, sem a consciência de suas ações, mas também não gozam totalmente do poder arguto da análise e dos seus requintes filosóficos habituais; as suas necessidades intelectivas e morais são poucas, pois nessa piedosa readaptação à existência humana, pouco mais exigem do que é necessário para o animal doméstico!

Existem inúmeros motivos que podem levar as criaturas ao suicídio, quer sejam ricas ou pobres, doentes ou sadias, ignorantes ou sábias, Há os estímulos suicidas como vibrações mórbidas decorrentes do suicídio da vida anterior, assim como outros novos incentivos, que se produzem pelo desespero moral, fracasso econômico, sofrimento atroz, rebeldia ou indiferença para com a vida humana, e tenaz perseguição dos terríveis obsessores das trevas.
A fortuna terrena não significa um cinto de segurança para aqueles que causaram desgraças e infelicidades no pretérito, pois o dinheiro do mundo material não consegue livrar o espírito encarnado da perseguição dos seus desafetos em liberdade no Além-Túmulo. Enquanto o pobre se suicida desesperado com as suas vicissitudes, doenças ou humilhações, o milionário descuidado dos bens espirituais vive sob perigosa companhia de espíritos trevosos, que o acompanham sorrateiramente, excitando-o para todas as satisfações e paixões humanas, a fim de o transformarem no prato predileto do interminável cortejo de gozadores desencarnados.
Para alguns obsessores espertos, muitos homens afortunados não passam de excelentes prolongamentos vivos que atendem à sua sede de alcoólicos, do vício da jogatina e demais sensações da animalidade inferior. Deixando-se situar imprudentemente dentro de hábil plano maquiavélico sob o comando dos magos das sombras, o rico desregrado vai se atrofiando nos delicados sentimentos de sua alma imortal e se impermeabilizando contra todos os estímulos espirituais superiores, pois condiciona-se aos impulsos torpes e aos prazeres fáceis sugeridos pelo astral inferior.
Desorientado pelo excitamento animal, atinge a saturação máxima dos prazeres e facilidades duvidosas da vida humana, para então embotar-se na sua sensibilidade, tornando-se apático para com todas as coisas do mundo, pois está farto, mas não saciado, impossibilitado de reerguer-se pelo afinamento espiritual, de que sempre se descuidou ou que se negou a conhecer, petrifica a emotividade saturada, a melancolia e o tédio tomam-lhe conta da vida e o dinheiro se torna impotente para atear fogo a quaisquer emoções tão excessivamente repetidas e vulgarizadas no trato grosseiro da vida física.
Quando atinge esse limite de embrutecimento, as próprias paixões deletérias e o cenário aprazível do mundo transformam-se num panorama indesejável, já muitíssimo conhecido e explorado em todos os seus ângulos emotivos e prazenteiros. Alguns afogam o seu desencanto em sucessivos garrafões de uísque, desfolhando melancolicamente as folhas do calendário terrícola e evitando que a consciência se equilibre para anotar o tédio detestável.
Esses suicidam-se a prestações, na ingestão do álcool; outros, respingados de cultura transitória erigida sobre a fenomenologia do mundo material e suas tricas artísticas e sociais, com um conhecimento puramente intelectivo, ainda tentam algumas acrobacias filosóficas e parafraseados do senso comum da vida requintada, para justificarem a sua própria frustração.
Mas, faltando-lhes o poderoso alimento da vida espiritual sem os sofismas do intelecto requintado no mundo, atrofiam-se-lhes de uma vez os resquícios da sensibilidade psíquica, que ainda vagavam em torno das acanhadas janelas dos cinco sentidos carnais. Então só lhes resta um recurso estúpido e de pavoroso sofrimento que ainda desconhecem, que é o suicídio.
É evidente que existem situações e motivos que podem levar ao suicídio qualquer tipo de criatura, por mais privilegiada ou culta na esfera intelectual do mundo, tais como as moléstias incuráveis, os tremendos impactos morais, que escandalizam fragorosamente, ou as paixões frustradas. É enorme a lista de conseqüências que podem roubar o gosto de viver àqueles que ainda não se fortaleceram pela resignação e o entendimento ensinados por Jesus.

Acresce que, no caso desses ricos e cultos que se suicidam há sempre falta da sabedoria espiritual, que é a garantia da alma em qualquer situação trágica ou desilusória no mundo físico. A prova de que são cultos na matéria mas incultos em espírito está em que eles se matam! O homem sábio espiritualmente não se mata, pois além de já estar condenado à morte pela própria natureza, sendo estupidez apressar o que é inevitável, também sabe que o suicida se lança num cenário de pavores e sofrimentos dantescos, por sua livre e espontânea vontade.
Quase sempre não existe nesses ilustres candidatos ao suicídio o ardor espiritual que eleva o homem no serviço benfeitor ao próximo, pois relegam propositadamente para plano secundário a solução fraterna dos problemas vividos pelos infelizes deserdados da sorte, que tremem de frio e gemem de dor e fome.
Francisco de Assis, Padre Damião, Vicente de Paula, Bezerra de Menezes, Ghandi, Buda, Allan Kardec, e outros seres dispersos pelas várias regiões do orbe, eram tão devotados ao bem alheio, que não lhes sobejava tempo para pensarem no suicídio ou deixarem o tédio infiltrar-se em suas vidas.
Não nos parece grotesco que os fartos do mundo fujam da vida acovardados ou decepcionados, enquanto os miseráveis continuam heroicamente a viver? E há outros indivíduos que se matam aos poucos, gastando-se junto às mesas do uísque, nas alcovas luxuosas, nos banquetes opíparos e nas estultas competições ostensivas!
Quando os seus corpos baixarem à cova fria, esses suicidas terão que explicar aos seus mentores espirituais, que lhes confiaram os valores da fortuna, por que antes de alimentarem os famintos, socorrerem os doentes e vestirem os nus, alentaram os festivos concursos de cães, cavalos e beldades, esmerando-se em escolher os espécimes mais belos e sadios, enquanto os hospitais, asilos, creches e manicômios vivem abarrotados de enfermos, esfomeados e estropiados!
Terão de dizer por que motivo cultuaram a ridícula profissão de anfitriões, glorificando-se na apresentação de cardápios em que entravam as mais caríssimas iguarias transportadas por via aérea, confeccionadas com retalhos de cadáveres de animais e aves raras, enquanto a poucos passos crianças gemiam esfomeadas!
Terão de explicar por que motivo exauriam fortunas no esponsalício dos seus descendentes, empanturrando os fartos e servindo os felizes, quando em torno a multidão sofria a desforra, a impiedade e a vingança surda da riqueza!
Repete-se modernamente a velha lenda do homem que vendeu a alma ao diabo e depois não pôde cumprir o contrato de gastar no prazo combinado toda a fortuna com que era suprido diariamente. E o diabo então levou-lhe a alma para as profundezas do inferno, pois o infeliz não tivera a ideia de se salvar, para o que lhe bastaria aplicar parte da verba fornecida por Satanás no serviço da caridade! É o que também ocorre com muitos ricos suicidas; cultos, mas de emoções embotadas pelo exagero de uma vida excessivamente egoísta e epicurística; os malfeitores das sombras levam-lhe as almas, depois, para os charcos do astral interior, pois na administração provisória da fortuna concedida por Deus em favor do bem comum, eles se esquecem da mais sublime e inesgotável emoção do espírito, que é socorrer o próximo e mitigar a dor humana.
A riqueza não é patrimônio que pertence especificamente a um só homem, tribo ou povo, pois a reencarnação troca os donos das fortunas e, o que é pior, deserda completamente o mais rico da Terra! Daí, pois, merecer censura o rico que, sendo apenas o mordomo ou administrador provisório de certos valores, usufrui deles avaramente ou só auxilia a parentela ou pessoas de suas afeições interesseiras.
No seu infeliz orgulho e estultice, agindo contra os nobres princípios da vida espiritual e para o culto exclusivo de sua vaidade perecível, eles só atendem ao convite mefistofélico dos espíritos trevosos. Pouco a pouco esses espíritos se infiltram em sua companhia emotiva e sensual, explorando-lhes a gula nos opíparos banquetes, a embriaguez na champanha ou no uísque, desgastando-os tranquilamente para mais breve os levarem à melancolia perigosa e à apatia para com uma vida cada vez mais insossa e farta dos tesouros dourados e enjoados dos cenários ilusórios da matéria.
Quando esses espíritos deixam na cova do mundo o corpo amarfanhado, então a imprensa traça-lhes compungidos necrológios sob as velhas chapas, louvando-lhes o "espírito brilhante" ou o seu "elevado senso artístico" nos faustosos banquetes da fina sociedade.
Infelizmente, a lisonja ainda lhes envolve o cadáver quente, mas a alma precipita-se em apavorada queda, magnetizada pelas mais horrendas paisagens do astral trevoso, onde o sofrimento inenarrável superativa-lhes então as emoções embotadas na fartura e na impiedade egocêntrica do mundo físico.
Satanás, simbolizado na forma de verdugos impiedosos, leva-os de roldão pelos abismos e charcos pestilentos, enquanto os seus gritos e brados lancinantes não encontram eco nesses corações diabólicos empedernidos! Sentimo-nos incapazes de vos descrever o quantum de sofrimento de que são tomados esses infelizes, pois, nascidos em berços de rosas e vivendo em palácios dourados, deixam-se vencer pelo excessivo epicurismo da existência humana, matando-se aos poucos enquanto pretendem matar o tempo para esquecer a vida!
O suicídio, em qualquer condição, sempre trai a vaidade e o amor-próprio das criaturas, aliciando-lhes motivos mórbidos para que destruam o sagrado patrimônio do corpo. Cegam-nas, fazendo-as esquecer os martírios e desesperos de outros milhares de criaturas esfomeadas, enfermas, disformes e escravas de todas as explorações do mundo, mas que não se desesperam e continuam a entoar o cântico amoroso da vida e do sacrifício pelo bem espiritual!
No seio das inumeráveis injustiças que acometem diariamente os infelizes indefesos às explorações do mundo, qualquer homem inteligente, afortunado ou de posição, que se suicida, é verdadeiro escárnio contra aqueles que sobrevivem corajosamente e com menores credenciais de poder ou de inteligência.
Inúmeros seres ainda confundem a assistência espiritual superior com a obrigação incondicional de serem assistidos por certos espíritos em suas teimosias mais ridículas; exigem que os santos ou os espíritos benfeitores abandonem os seus afazeres de importância coletiva, no Espaço, para acorrerem para junto de si a todos os segundos de preguiça mental e rebeldia ao sofrimento purificador!
Durante a juventude, sob a ilusão de que o verdadeiro amor seja a virulência da paixão carnal, muitas donzelas subestimam a advertência amiga dos pais sensatos, para em seguida sofrerem as consequentes desilusões emotivas, deixando-se precipitar para o ato tresloucado do suicídio! Na maturidade do corpo, os deslizes morais, as insatisfações, a perda de entes queridos, a crise financeira da família em conseqüência do excessivo conforto, os sofrimentos decorrentes da imprudência humana ou da retificação cármica, terminam por provocar os suicídios, que abrem as comportas dos mais pavorosos sofrimentos no Além-Túmulo.
Muitas mocinhas tolas e histéricas se suicidam como protesto contra qualquer providencial advertência paterna ou materna que lhes coíba a paixão perigosa e precipitada; na realidade, essa impiedosa vingança contra os próprios afetos humanos ou espirituais quase sempre revela a alma cruel e egocêntrica que, não satisfeita em destruir desonestamente o seu valioso patrimônio carnal, ainda deposita sobre os ombros alheios a culpa de sua crueldade mental.
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