O homem
é em si um universo em miniatura. Seu Eu interno constitui o sol e
seu eu pessoal desempenha o papel de lua. Assim como a lua empresta
sua luz do sol, assim sua personalidade empresta do Eu interno sua
vitalidade e seus poderes de pensar e sentir.
Os
homens que vivem apenas em função da sabedoria de seu eu pessoal,
assemelham-se aos homens que trabalham à noite sob a luz lunar, por
não haver sol. Os homens que vivem em função da sabedoria do Eu
interno, podem também apreciar a contribuição da personalidade,
porém atribuem-lhe um valor secundário.
Uma vez
que tenhais vos colocado nas mãos do Eu interno, vossa vida começará
a fluir serena e docemente. Internamente ela se assemelhará a uma
tranqüila corrente, mesmo que lá fora rujam as tormentas. Vosso
zelo pelo exato resultado de vossos assuntos não poderá ser maior
do que o Eu interno tem por vós.
Quando
empunhais as rédeas, vossa orientação é constantemente ignorante
e insensata; mas quando a divindade interna as empunha, sereis
serenamente conduzidos acertadamente, pois ela é mais sábia que
vós. Ofertai-lhe vossa irrestrita e espontânea submissão.
O Eu
divino é infinitamente paciente e estará pronto para dar-vos sua
assistência em vossa própria senda, quando estiverdes preparado
para invocar sua presença.
Pouco a
pouco, imperceptivelmente, vossos esforços diários de meditação
abrirão um novo canal ao longo das sinuosas convoluções de vosso
cérebro, o que vos facilitará a aproximação da esfera sob a
influência do Eu divino.
A
prática da auto-investigação (vichara) coloca vossa consciência
em contato com o Eu divino, cuja proteção a envolve. Isolar-se
instantaneamente nesta busca do eu espiritual, quando subitamente se
defronte com um mau acontecimento é neutralizar-lhe o poder de
perturbar a mente. Então, qualquer ação seguida será sábia e
correta, por estar inspirada pelo Eu divino.
Ao
surgir uma contrariedade, o homem deve recusar-se a aceitar as
sugestões do desespero ou dúvida que lhe assaltam a mente. Em lugar
disso, deve acalmar sua respiração e inquirir: “Quem sou eu que
passa por essa dificuldade?”
Cabe ao
estudante cultivar o hábito de recorrer imediatamente ao Eu interno,
quando em conflito com as circunstâncias que o envolvam. Se o fizer
lealmente, dele se apossará uma maravilhosa sensação de paz e
segurança, e sua mente passará sem fricções através da
ocorrência; as coisas externas começarão a perder seu poder de
afetá-lo.
O
estudante será capaz de eliminar influências maléficas, que
provenham de outras pessoas ou dos ambientes circundantes, que se
apresentem sob a forma de moléstias ou circunstâncias incômodas.
Não nos
há de surpreender a obtenção de resultados tão admiráveis, se
nos lembrarmos que o ser humano é divino em essência. É o nosso
reconhecimento mental de nossa própria divindade o que traz a cura
em suas asas e interiormente nos liberta do poder maléfico das
circunstâncias adversas.
Todos os
que se entregam ao Poder Superior recebem sua ajuda protetora.
Aprecio a leal declaração do cacique dos índios vermelhos que
queriam atacar a igreja dos quackers da cidade de Easton, em Nova
York, no ano de 1775, numa radiante manhã de verão.
“Índios
vem casa homem branco – disse ele apontando para a colônia com o
dedo – índios quer matar homem branco, um, dois, três, seis,
todos”, e enfiou seu machado de guerra no cinto com ar agressivo.
“Índios chega, vê homem branco sentado na casa; nenhuma arma de
fogo, nenhuma flecha, nenhuma faca; todos quietos, todos parados,
adorando o Grande Espírito. Grande Espírito dentro de índio também
– ele apontou para seu peito – então Grande Espírito diz:
Índios, não matar eles!”
A força
vital do Eu divino flui continuamente em cada elétron dos átomos
que formam o corpo. É o Eu divino que realmente dá vida aos nossos
corpos e os sustenta. Sem sua presença invisível, nossos corpos
cairiam mortos instantaneamente.
O poder
do Eu divino está convosco aqui e agora; nada pode privar-vos de sua
operação, a não ser vossa voluntária negligência e dúvida.
Segui o caminho da auto-indagação e apropriai-vos daquilo que já é
vosso.
Todavia
o homem não pode ditar à Inteligência Criadora que governa o mundo
e impregna sua vida, sobre a exata forma de ajuda que receberá, nem
pode pedir sempre satisfação de suas necessidades pessoais, sem
outras considerações superiores.
Se a
realização espiritual nem sempre pode afastar de seu caminho as
sombras da pobreza, doenças ou infortúnios, ela o dotará de
coragem para enfrentar a pobreza, paciência para suportar as doenças
e sabedoria para arrostar o infortúnio.
O homem
que se integre cada vez mais ao Eu divino se sentirá cada vez menos
inclinado a importunar os poderes, seja para seu êxito, suas
necessidades materiais ou suas inclinações pessoais. Em vez disso,
ele sentirá a força protetora deste Eu; se algo lhe pedir, será
mais sabedoria, mais amor. Possuindo essas coisas, ele sabe que pode
deixar com segurança o resto para a divindade interna, que depois
acudirá infalivelmente a suas reais necessidades, na hora precisa.

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