Muita
gente julga fazer caridade deixando que o mal ou o desequilíbrio
façam estrago no ambiente. Dizem tratar-se de carinho e compreensão
para com aqueles que erram. Pensam ser tolerantes com as falhas
alheias e, por isso mesmo, comprometem o equilíbrio íntimo ou o da
comunidade, com a conivência com os erros alheios.
Ser
conivente com o mal sob o pretexto de estar sendo caridoso é prova
de fraqueza e falta de bom senso. Essa atitude é por demais acanhada
e merece profundas reflexões.
Acostumada
a passar a mão sobre a cabeça das pessoas, muita gente deixa que
atitudes e posicionamentos desequilibrados venham prejudicar o
trabalho e o progresso.
Muitos
que erram nem sempre o fazem acreditando acertar. Muitos erram
sabendo o que fazem; outras vezes, assistidos por inteligências
sombrias, aproveitam a imaturidade das pessoas para espalhar ideias
absurdas, gerando situações constrangedoras.
O
equilíbrio é necessário ao progresso. Nesses e em outros casos, é
imperioso que se estabeleçam limites e que se faça ver o lado
equilibrado e sadio. É urgente dar um basta na situação e parar
com as atitudes permissivas, que apoiam, em nome da caridade,
posturas equivocadas.

O homem
não precisa de que se lhe passe a mão na cabeça para que desperte
para a vida espiritual. Não se ganha a confiança de ninguém sendo
conivente com seus erros. Não se constrói um caráter sadio e
equilibrado compactuando com o erro.
É
preciso disciplinar os sentimentos e emoções, os atos, os
pensamentos e cuidar para que, na pretensão de não ser
desagradável, acabar aceitando o erro como verdade e o desequilíbrio
como harmonia.
Muitas
pessoas precisam ser detidas em suas atitudes de desequilíbrio e
aprender que o sim e o não podem fazer parte de um sistema de
harmonia coletiva. Dizer não
na
hora certa às vezes é mais proveitoso para o bem geral do que dizer
sim indefinidamente.
Há
necessidade de estabelecer limites, a fim de que ninguém confunda a
verdade com a mentira e o certo com o errado. Deter a ação do mal e
esclarecer as pessoas não é falta de caridade. Agir de modo
contrário, permitindo a ignorância e o erro, não deve ser visto
como forma ideal de comportamento.
Não se
deve passar a mão na cabeça quando for necessário impedir que o
mal prossiga sua ação destruidora. Tudo é questão de bom senso e
de caridade com nós mesmos e com aquele que erra.
Contudo,
não podemos esquecer o imperativo da fraternidade e da caridade para
com aquele que erra. Deter a ação do mal não significa denegrir a
pessoa humana. Impedir que o erro se dissemine não justifica os
ataques pessoais ou as atitudes contrárias ao amor que de maneira
comum se observam nos relacionamentos humanos competitivos.
Tudo
deve ser realizado para o esclarecimento, mas é preciso considerar
que aquele que erra nem sempre sabe que está errando, sendo
merecedor do nosso carinho, atenção e dedicação. Podemos
aborrecer o erro, mas é nosso dever amar aquele que erra.
Nenhum comentário:
Postar um comentário