25.3.17

CARIDADE E BOM SENSO – Alex Zarthu


Muita gente julga fazer caridade deixando que o mal ou o desequilíbrio façam estrago no ambiente. Dizem tratar-se de carinho e compreensão para com aqueles que erram. Pensam ser tolerantes com as falhas alheias e, por isso mesmo, comprometem o equilíbrio íntimo ou o da comunidade, com a conivência com os erros alheios.

Ser conivente com o mal sob o pretexto de estar sendo caridoso é prova de fraqueza e falta de bom senso. Essa atitude é por demais acanhada e merece profundas reflexões.

Acostumada a passar a mão sobre a cabeça das pessoas, muita gente deixa que atitudes e posicionamentos desequilibrados venham prejudicar o trabalho e o progresso.

Muitos que erram nem sempre o fazem acreditando acertar. Muitos erram sabendo o que fazem; outras vezes, assistidos por inteligências sombrias, aproveitam a imaturidade das pessoas para espalhar ideias absurdas, gerando situações constrangedoras.

O equilíbrio é necessário ao progresso. Nesses e em outros casos, é imperioso que se estabeleçam limites e que se faça ver o lado equilibrado e sadio. É urgente dar um basta na situação e parar com as atitudes permissivas, que apoiam, em nome da caridade, posturas equivocadas.

Silêncio: quietude ou desassossego?

O homem não precisa de que se lhe passe a mão na cabeça para que desperte para a vida espiritual. Não se ganha a confiança de ninguém sendo conivente com seus erros. Não se constrói um caráter sadio e equilibrado compactuando com o erro.

É preciso disciplinar os sentimentos e emoções, os atos, os pensamentos e cuidar para que, na pretensão de não ser desagradável, acabar aceitando o erro como verdade e o desequilíbrio como harmonia.

Muitas pessoas precisam ser detidas em suas atitudes de desequilíbrio e aprender que o sim e o não podem fazer parte de um sistema de harmonia coletiva. Dizer não na hora certa às vezes é mais proveitoso para o bem geral do que dizer sim indefinidamente.

Há necessidade de estabelecer limites, a fim de que ninguém confunda a verdade com a mentira e o certo com o errado. Deter a ação do mal e esclarecer as pessoas não é falta de caridade. Agir de modo contrário, permitindo a ignorância e o erro, não deve ser visto como forma ideal de comportamento.

Não se deve passar a mão na cabeça quando for necessário impedir que o mal prossiga sua ação destruidora. Tudo é questão de bom senso e de caridade com nós mesmos e com aquele que erra.

Contudo, não podemos esquecer o imperativo da fraternidade e da caridade para com aquele que erra. Deter a ação do mal não significa denegrir a pessoa humana. Impedir que o erro se dissemine não justifica os ataques pessoais ou as atitudes contrárias ao amor que de maneira comum se observam nos relacionamentos humanos competitivos.

Tudo deve ser realizado para o esclarecimento, mas é preciso considerar que aquele que erra nem sempre sabe que está errando, sendo merecedor do nosso carinho, atenção e dedicação. Podemos aborrecer o erro, mas é nosso dever amar aquele que erra.



Nenhum comentário:

Postar um comentário