30.9.16

COMPORTAMENTO E KARMA – Ramatis


Não deveis desinteressar-vos do sofrimento do mundo, porém também não deveis contribuir mais para sua maior recrudescência na Terra, como ainda o fazeis atualmente.

Que adiantam, por exemplo, os esforços heróicos empreendidos para recuperação dos alcoólatras se, entretanto, ainda vos assodais e contribuís para as indústrias, empresas e casas que vendem bebidas alcoólicas? E se também as levais para tomar parte em festas nos vossos lares, mantendo a reserva corrosiva em artísticos “barzinhos” modernos, que muito cedo servem de estímulo para os vossos filhos se acostumarem à embriaguez?

Muito pouco resulta dos esforços heróicos que despendem os médicos terrenos tentando salvar os seus pacientes das hepatites, nefrites, úlceras, colites, amebíases, uremias, diabete ou cirrose, pois que a maioria da humanidade ainda despreza a alimentação vegetariana e se sustenta com a carne cheia de venenos do animal sacrificado, que lhe fornecem os frigoríficos e as charqueadas macabras!

Enquanto a Medicina se entrega a uma luta titânica contra o flagelo do câncer pulmonar e o considera mais proveniente dos venenos do fumo, porventura certos médicos não fumam desbragadamente?

Não resta dúvida de que são louváveis os vossos sentimentos humanos quando construís hospitais, sanatórios, clínicas, leprosários, nosocômios e os dispensários que atendem às moléstias venéreas, alcoólicas, sifilíticas ou contagiosas, nos quais abnegados cientistas se devotam heroicamente a amenizar os padecimentos terríveis do homem.

Mas qual é a verdadeira origem desses sofrimentos, senão a prostituição dos bens sagrados do espírito, com a qual se verifica o desgaste do corpo humano no sensualismo mórbido da carne, na glutonaria das mesas pantagruélicas ou pelos corrosivos modernos habilmente disfarçados pelas etiquetas aristocráticas!

Thetahealing: como a técnica proporciona bem-estar mental ...

Sem dúvida, também é preciso aumentar o número de instituições cirúrgicas a fim de socorrerem a mulher “elegante” do século atual, que devido à prática absurda e tão comum do aborto, necessita extrair com segurança os seus órgãos preciosos da maternidade, a fim de não perder a sua linha venusiana e não deformar o ventre!

Conseqüentemente, a droga, o álcool, a perversão sexual, o fumo, o aborto, a jogatina, a glutonaria, a intemperança, a alimentação carnívora, tudo isso somado ainda ao veneno psíquico do desregramento mental e emotivo, que é produzido pela cobiça, crueldade, ambição, avareza, ódio, raiva, vingança ou luxúria, está a exigir maior quantidade de hospitais, clínicas, penitenciárias, asilos e manicômios, para se alojar o contingente progressivo de criaturas vitimadas pela dor e pelo sofrimento.

Apesar do sentimento de piedade da classe médica do mundo e sua preciosa colaboração clínica e cirúrgica moderna, ela não consegue sustar a proliferação incessante das moléstias humanas, com o seu conseqüente efeito de retificação cármica dolorosa.

Muitos cientistas e médicos criteriosos sentem-se quase desanimados em suas tarefas heróicas, ante a impossibilidade de contornar o vasto problema da dor humana pois, mal conseguem debelar certa enfermidade, eis que outra a substitui, tenaz e implacável, desafiando novas pesquisas e experimentações fatigantes.

Eles já não conseguem esconder o seu pessimismo e cansaço no combate às moléstias humanas pois, enquanto a ciência médica progride aritmeticamente, a doença insidiosa grassa geometricamente!


A SOJA NA ALIMENTAÇÃO VEGETARIANA – Ramatis


O feijão soja é um dos mais completos alimentos, cuja fartura de proteínas vegetais compensa admiravelmente o abandono da alimentação carnívora. Conforme estudos e conclusões da vossa ciência, um quilo de feijão soja equivale, mais ou menos, a dois quilos de carne, ou então a sessenta ovos, ou ainda a doze litros de leite.

Contém ainda boa quantidade de gorduras, apesar de ser uma planta leguminosa; e devido à sua reduzida quantidade de hidratos de carbono, pode servir de alimento para os diabéticos.

Embora com menor dose de vitaminas, sendo insuficiente para a necessidade diária do homem, é uma das melhores fontes de calorias, e só perde em quantidade para o amendoim e o queijo gordo, levando grande vantagem sobre a carne pois, enquanto um quilo de carne de vaca apresenta de 1.800 a 1.900 calorias, o feijão soja alcança até 3.500 calorias!

Devido à pouca quantidade de hidrato de carbono, a farinha de soja não se presta para uso isolado, tal como acontece com o trigo, mas pode ser usada em combinação com o leite, azeite, queijo ou mistura com outros produtos ou alimentos, e os grãos selecionados também proporcionam ótimas saladas.

O azeite de soja é, realmente, uma boa fonte de compensação para aqueles que se devotam à alimentação vegetariana.

Não aconselhamos a ninguém, no Ocidente, que repudie o leite, ovos, manteiga, queijo ou quaisquer produtos derivados do animal e que não dependem do seu sacrifício, morte ou dor; pois só quando isso acontece é que estareis em conflito com as leis da sobrevivência do irmão menor.

Almas de escol hão preferido o vegetal sobre a carne; assim o fizeram Gandhi,
Cícero, Sêneca, Platão, Pitágoras, Apolônio de Thyana, Bernard Shaw, Epicuro, Helena Blavatsky, Anne Besant, Bernardin de Saint-Pierre, santos como Santo Agostinho, São Basilio, o Grande, São Francisco Xavier, São Bento, São Domingos, Sta. Teresa de Jesus, São Afonso de Liguori, Inácio de Loyola, São Francisco de Assis, Buddha, Krishna, Jesus, assim como os membros das ordens religiosas dos trapistas, os teosofistas, iogues e inúmeros adeptos das seitas japonesas, que se alimentam de arroz, mel e soja.

Seria extensa a lista daqueles que já compreenderam que o homem continuará em desarmonia com as leis avançadas do psiquismo enquanto fizer do seu estômago um cemitério de vísceras conseguidas com a morte do infeliz animal!
Resultado de imagem para soja

MENTE E SAÚDE – Ramatis


A saúde e a enfermidade são o produto da harmonização ou desarmonização do indivíduo para com as leis espirituais que do mundo oculto atuam sobre o plano físico; as moléstias, portanto, em sua manifestação orgânica, identificam que no mundo psíquico e invisível aos sentidos da carne, a alma está enferma!

O volume de cólera, inveja, luxúria, cobiça, ciúme, ódio ou hipocrisia que porventura o espírito tenha imprudentemente acumulado no presente ou nas existências físicas anteriores forma um patrimônio “morbo-psíquico”, uma carga insidiosa e tóxica que, em obediência à lei da Harmonia Espiritual, deve ser expurgada da delicada intimidade do perispírito.

O mecanismo ajustador da vida atua drasticamente sobre o espírito faltoso, ao mesmo tempo que o fardo dos seus fluidos nocivos e doentios vai-se difundindo depois pelo seu corpo físico.

Durante o período gestativo da nova encarnação, esses resíduos psíquicos venenosos, provenientes de energias gastas morbidamente, vão-se condensando gradativamente no corpo físico à medida que este cresce e, por fim, lesam as regiões orgânicas que por hereditariedade sejam mais vulneráveis.

Esse processo de o espírito drenar o seu psiquismo doentio através da carne humana, a Medicina estuda e classifica sob grave terminologia técnica, preocupando-se mais com as “doenças”, em lugar de se preocupar mais com os “doentes”.

Embora a ciência médica classifique essa drenação, em sua nomenclatura, sob a designação de lepra, pênfigo, sífilis, tuberculose, nefrite, cirrose ou câncer, trata-se sempre de um espírito doentio a despejar na carne a sua carga residual psíquica e deletéria, que acumulou no passado, assim como pode tê-la acumulado no presente.

A causa da moléstia, na realidade, além de dinâmica, é oculta aos olhos, ou aos sentidos físicos; o enfermo sente o estado mórbido em si, mas o médico não o vê nem pode apalpá-lo, como se fora uma coisa objetiva. Quando ocorre a sua materialização física, enfermando a carne, alterando os tecidos, deformando órgãos ou perturbando os sistemas vitais, é porque o morbo-psíquico atingiu seu final, depois, quase sempre, de longa caminhada oculta pelo organismo do doente, para atingir a periferia da matéria e nesta se acomodar ou acumular.

O espírito, através de vigoroso esforço, termina focalizando os resíduos num local orgânico vulnerável, na tentativa de sua eliminação tóxica. Por isso, não é no momento exato que o indivíduo acusa os sintomas materiais da doença que realmente ele fica doente; de há muito tempo ele já vivia mental e psiquicamente enfermo, embora o seu mundo exterior ainda não houvesse tomado conhecimento do fato.

Thetahealing: como a técnica proporciona bem-estar mental ...

As inflamações, úlceras, tumores, fibromas, tuberculoses, sarcomas, quistos, hipertrofias, cirrose, adenomas, amebíases, etc., são apenas os sinais visíveis identificando a manifestação mórbida que “desceu” do psiquismo enfermiço para a exterioridade da matéria.

Samuel Hahnemann, criador da homeopatia, considerou que tanto a enfermidade quanto a saúde têm a sua origem primacial na mente, nas emoções, nos sentimentos e em todas as sensações da criatura, como um todo vivo, corpo e alma. A seu ver, as manifestações físicas são a parte mais grosseira ou mais densa do corpo humano.

Daí, pois, haver consagrado a lei de que tanto a saúde como a doença vem de dentro para fora e de cima para baixo, ou seja da alma para o corpo, ou com a
sua germinação no alto, que é a mente, e no centro que é o sentimento da criatura humana.

Através da mente, circulam “de cima para baixo” os pensamentos de ódio, de inveja, sarcasmo, ciúme, vaidade, orgulho ou crueldade, incorporando-se, em sua passagem, com as emoções de choro, medo, alegria ou tristeza, que tanto podem modificar a ética dos sentimentos, como agir sobre o temperamento, perturbando a solidariedade celular do organismo físico.

O cérebro é o principal campo de operações do espírito; é o produtor de ondas de forças, que descem pelo corpo e graduam-se conforme o seu campo energético. A onda de raiva, cólera ou irascibilidade é força que faz crispar até as extremidades dos dedos, enquanto que a onda emitida pela doçura, bondade ou perdão afrouxa os dedos num gesto de paz.

Sabe-se que o medo ataca a região umbilical, na altura do nervo vagossimpático e pode alterar o funcionamento do intestino delgado; a alegria afrouxa o fígado e o desopila da bílis, enquanto o sentimento de piedade reflui instantaneamente para a região do coração. A oração coletiva e sincera, da família, ante a mesa de refeições, é bastante para acalmar muitos espasmos duodenais e contrações opressivas da vesícula hepática, assim como predispõe a criatura para a harmonia química dos sucos gástricos.

Pacote com 4 Sessões de ThetaHealing™ - Online • Guia da Alma

O corpo físico é o prolongamento vivo do psiquismo; é a sua forma condensada na matéria, e por isso motivo sofre com os mais graves prejuízos os diversos estados mórbidos da mente. A inveja, por exemplo, comprime o fígado, e o extravasamento da bílis chega a causar surtos de icterícia, confirmando o velho refrão de que “a criatura quando fica amarela é de inveja”.

O medo produz suores frios e a adrenalina defensiva pode fazer eriçar os cabelos, enquanto que a timidez faz afluir o sangue às faces, causando o rubor. Diante do inimigo perigoso, o homem é tomado de terrível palidez mortal; a cólera congestiona de sangue o rosto, mas paralisa o afluxo de bílis e enfraquece o colérico; a repugnância esvazia o conteúdo da vesícula hepática que, penetrando na circulação, produz as náuseas e as tonturas.

A Medicina reconhece que há o eczema produto da cólera ou da injúria, pois ocorre a intoxicação hepática, e as toxinas e resíduos mentais penetram na circulação sangüínea; a urticária é muito comum naqueles que vivem debaixo de tensão nervosa e das preocupações mentais. Também não são raras as mortes súbitas, quer devido a emoções de alegria, quer devido a catástrofes morais inesperadas!

Assim, todas as partes do ser humano são afetadas pela influência da mente, a qual atua fortemente através dos vários sistemas orgânicos, como o nervoso, o linfático, o endocrínico ou circulatório.

Devido à sua penetração infinitesimal, é a homeopatia a terapêutica mais acertada e capaz de operar e influir na raiz das emoções e dos pensamentos perturbadores, modificando os efeitos enfermos que depois se manifestam na organização carnal.

Principalmente os estados enfermos provindos das alterações do sistema glandular é que são mais particularmente sensíveis ao tratamento homeopático, pois eles têm sua principal base de perturbação nas condições mentais do espírito.

DNA Básico Thetahealing

As doses infinitesimais e potencializadas pelo processo homeopático desafogam do psiquismo o potencial perigoso, gerado pela mente desgovernada, e que sobrecarrega o perispírito com a carga mórbida de resíduos tóxicos provindos das suas contradições.

No caso de um fígado exausto e combalido pela excessiva carga mórbida, que aflora “de dentro para fora”, ou seja “do espírito para a matéria”, esse órgão precioso, filtro heróico e responsável pela produção de hormônios da nutrição, necessita de alívio imediato e socorro energético, em vez de ser chicoteado violentamente pela medicação tóxica que, vindo de fora, ainda o obriga a um trabalho excepcional.

Nesse caso, é a homeopatia que melhor pode atuar através do seu cientificismo ordeiro e exato, sem obrigar os órgãos combalidos a uma drenação intempestiva, mas reativando-lhes as energias para uma função terapêutica endógena e sensata.

28.9.16

O MANTRA EU SOU – Ramacháraka


Quando dizeis Eu Sou, afirmais a realidade da vossa existência — não só para a realidade da existência física, que é temporária e relativa — mas vossa Real existência no espírito, que não é temporária ou relativa, mas é eterna e absoluta.

Estais afirmando a realidade do Eu — o Eu Real não é o corpo, mas é o princípio espiritual que se manifesta no corpo e na mente. O Eu Real é independente do corpo, que é apenas um veículo para a sua expressão: — é indestrutível e eterno. Não pode morrer nem ser aniquilado.

Pode mudar a forma de sua expressão ou veículo da manifestação — mas é sempre o mesmo Eu — uma porção do grande oceano de espírito — um átomo espiritual manifestando-se em vossa presente consciência, por meio do desenvolvimento espiritual.

Não penseis em vossa alma como em uma coisa à parte de vós, porque vós sois alma, e todo o resto é transitório e sujeito a mudanças. Representai-vos, em vossa imaginação, a vós mesmo como uma entidade à parte do corpo e independente dele, que é apenas vossa casca — reconhecei que é possível deixardes o corpo e, contudo, continuardes a ser vós.

Durante uma parte da meditação, ignorai mentalmente por completo o corpo e vereis como, pouco a pouco, em vós despertará o sentimento da existência independente da vossa alma — Vós mesmo — e adquirireis a consciência da vossa natureza real.

O estudante deve praticar a meditação em silêncio, por alguns instantes, todos os dias, escolhendo para isso um lugar quieto; enquanto medita, deve estar deitado ou sentado em posição cômoda, afrouxando todos os músculos do corpo e conservando a mente calma. Observando estas condições, sentirá uma quietude e tranqüilidade particular, que lhe indicarão que está "entrando no silêncio".

Então deve repetir o Mantra, a fim de imprimir o seu significado à mente. Em semelhantes ocasiões, receberá mais ou menos inspiração da sua mente espiritual e se sentirá, dia a dia, mais forte, mais livre.

Este Mantra, sendo claramente compreendido e gravado na consciência, dará ao estudante os característicos de tranqüila dignidade e calma manifestação do poder que terá efeito sobre as pessoas com quem vier em contato. Circundá-lo-á com uma aura mental de força e poder. Torná-lo-á capaz de afugentar todo o medo e olhar tranqüilamente nos olhos das pessoas, sabendo que ele é uma alma eterna e que não pode fazer-lhe, na realidade, mal algum.

Um pleno conhecimento do Eu Sou excluirá para sempre a possibilidade de um temor, porque qual seria a causa que pudesse fazer o espírito temer alguma coisa? — Nada pode fazer-lhe dano. Recomendamos muito aos nossos estudantes que cultivem este estado de consciência, que os elevará acima dos desgostos, ódios, medo e ciúmes dos estados mentais inferiores e fará deles, na realidade, homens e mulheres "cheios de espírito".

Achareis que este resultado será sentido pelas pessoas com quem entrardes em contato. Uma aura indefinível circunda os que possuem a consciência do Eu Sou, e esta aura faz com que sejam respeitados pelo mundo que os rodeia.
Resultado de imagem para eu sou o que sou

CAUSA E EFEITO ESPIRITUAIS – Ramacháraka


A vida é a constante acumulação de conhecimento — o armazenamento do resultado de experiências. A lei de causa e efeito está em constante operação, e colhemos o que semeamos, — não como um castigo, porém como um efeito, segundo a causa que produziu.

O pecado é, em grande parte, a questão de ignorância e de erro. Aqueles que alcançaram um plano elevado de conhecimento espiritual, adquiriram um conhecimento tão convincente da loucura e imprudência de certos atos e pensamentos, que chegou a ser, para eles, quase impossível cometê-los.

Uma criança desejosa de tocar numa estufa, fá-lo-á tão rapidamente logo que ache oportunidade, apesar das ordens dos pais e da ameaça de um castigo. Porém, quando uma criança tenha experimentado uma vez a dor da queimadura, reconhecerá que há uma íntima relação entre uma estufa quente e um dedo queimado, e apartar-se-á da estufa.

Os pais gostariam de proteger o filho contra o resultado de suas próprias loucuras, mas a natureza infantil insiste em aprender certas coisas por experiência, e os pais não podem impedi-lo. Longe disso, a criança que é muito estritamente vigiada e restringida, geralmente quebra, mais tarde, todas as travas e aprende certas lições por si mesma. Tudo quanto o pai pode fazer é rodear a criança de precauções comuns e dar-lhe o benefício da sua experiência, uma porção da qual a criança aproveitará — e, depois, confiar à lei da vida a determinação do resultado.

Deste modo, a alma humana está constantemente aplicando a prova da experiência a todas as fases da vida — passando de uma encarnação à outra, aprendendo constantemente novas lições e adquirindo nova sabedoria. Mais cedo ou mais tarde, ela nota quão prejudiciais são certos atos — descobre a loucura de certas ações e modos de vida, e, como a criança queimada, evita-as no futuro.

Todos nós conhecemos que certas coisas não nos causam tentação, porque aprendemos a lição — alguma vez — em alguma vida passada e não precisamos tornar a aprendê-la — enquanto que outras nos atraem fortemente e sofremos muita dor devido a elas.

De que utilidade seria toda essa pena e sofrimento, se a vida atual fosse tudo?... Mas levamos o benefício de nossa experiência a outra vida e evitamos a dor ali. Olhamos ao nosso redor e nos estranha observar que certos conhecidos nossos não podem ver a loucura de certas formas de ação, quando para nós está clara — mas esquecemo-nos de que já passamos pelo mesmo estado de experiência que eles passam agora e que deixamos atrás o desejo e a ignorância — não pensamos que em futuras existências esta gente estará livre deste engano e desta dor, porque terá aprendido a lição por experiência, o mesmo que fizemos nós.

Para nós, é difícil compreender completamente que somos o que somos, devido justamente ao resultado de nossas experiências. Tomemos como exemplo uma só existência. Pensais que vos seria agradável eliminar de vossa vida alguma dolorosa experiência, algum episódio desagradável, algumas circunstâncias mortificantes; mas — refletistes já que, se fosse possível apagar estas coisas, vos veríeis necessariamente obrigados a desprender-vos da experiência e do conhecimento que recebestes daqueles sucessos?... Ser-vos-ia agradável privar-vos do conhecimento da experiência que recebestes do modo mencionado? Gostaríeis de retroceder ao estado de inexperiência e ignorância em que estáveis antes do acontecimento? Porque, se tornásseis ao antigo estado, seria extremamente provável que cometêsseis os mesmos erros outra vez.

Quantos de nós desejaríamos apagar completamente as experiências que temos recebido? Em realidade, desejamos esquecer o fato, mas sabemos que temos a experiência dele resultante, formando parte do nosso caráter, e não nos agradaria desprender-nos dela, porque seria como se desprezásseis uma porção de nossa estrutura mental.

Se nos despojássemos das experiências adquiridas pela dor, seria como se nos separássemos primeiro de uma parte de nós mesmos, de outra, até que, por fim, não teríamos deixado nada, exceto a dura casca mental do nosso ser primitivo.

Mas, podeis dizer: — "De que utilidade são as experiências obtidas em vidas anteriores, se não as lembramos, se estão perdidas para nós?... " Mas não as perdestes; elas constituem a vossa estrutura mental e nada pode apartá-las de vós — são vossas para sempre. Vosso caráter está formado, não só pelas experiências desta vida particular, como também pelo resultado de muitas outras vidas e graus de existência.

Hoje sois o que sois, devido a essas experiências acumuladas — as experiências de vidas passadas e as da presente. Relembrareis algumas das coisas da vida presente que contribuíram para formar o vosso caráter, mas muitas outras igualmente importantes desta mesma existência as esquecestes. Entretanto, o resultado permanece em vós, por haver-se tecido no vosso ser mental.

E ainda que só possais recordar pouco ou mesmo nada de vossas vidas passadas, as experiências adquiridas continuam em vós agora e sempre. São essas experiências passadas as que vos dão predisposição em certas direções — o que faz com que vos seja muito difícil fazer certas coisas -- o que vos faz reconhecer, instintivamente, certas coisas como imprudentes e injustas, e vos faz voltar-lhes as costas, julgando-as loucuras. Elas vos dão vossos gostos e inclinações e fazem que alguns caminhos vos pareçam melhores que outros.

Nada se perde na vida e todas as experiências do passado contribuem para o vosso bem-estar no presente -- todos os vossos incômodos e penas do presente produzirão o seu fruto no futuro. Não é sempre que aprendemos uma lição na primeira tentativa, e temos que tornar uma e outra vez à nossa tarefa, até levá-la a termo. Porém, nem o mais leve esforço se perde; e, se fracassamos na tarefa do passado, é mais fácil para nós realizá-la hoje.

Um escritor americano, Sr. Berry Benson, no Century Magazine, de maio de 1894, nos dá uma formosa ilustração de um dos aspectos das operações da lei de evolução espiritual. Reproduzimo-la aqui:
"Um menino pequeno foi à escola. Era muito pequeno; tudo quanto sabia, o havia obtido com o leite que mamara de sua mãe. Seu mestre, que era Deus, colocou-o na classe mais elementar e lhe deu estas lições para aprender: "Tu não matarás. Tu não farás dano a nenhum ser vivente. Tu não roubarás."

O homem não matou, mas foi cruel e roubou. No fim do dia, quando sua barba estava grisalha — quando chegou a noite, seu mestre, que era Deus, lhe disse: "Tu aprendeste a não matar, mas as outras lições não as aprendeste. Volta amanhã."

No dia seguinte, voltou o menino pequeno. E seu mestre, que era Deus, colocou-o numa classe um pouco mais adiantada e lhe deu estas lições para aprender: "Tu não farás dano algum a nenhum ser vivente. Tu não roubarás. Tu não enganarás."

O homem não fez dano a nenhum ser vivente; mas roubou e mentiu. E, no fim do dia, quando sua barba estava grisalha — quando chegou a noite, seu mestre, que era Deus, lhe disse: "Tu aprendeste a ser clemente. Mas as outras lições não as aprendeste. Volta amanhã."

Outra vez, no dia seguinte, voltou o pequeno menino. E seu mestre, que era Deus, colocou-o em uma classe um pouco mais elevada ainda, dando-lhe estas lições para aprender: "Tu não roubarás. Tu não enganarás. Tu não invejarás." Assim, o homem não roubou; mas enganou e invejou.

E, no fim do dia, quando sua barba estava grisalha — quando chegou a noite, seu mestre, que era Deus, lhe disse: "Tu aprendeste a não roubar. Mas as outras lições não as aprendeste. Volta amanhã, meu filho. "

Foi isto que li nos rostos dos homens e das mulheres, no livro do mundo e no registro dos céus, que está escrito com estrelas."

Há maiores escolas, colégios e universidades de conhecimento espiritual além de nós, mas essas verdades – amar ao próximo e amar a Deus - são as lições ensinadas nos graus em que estamos presentemente. E toda essa dor, incômodo, pena e trabalho têm sido só para nos ensinar essas verdades - mas a verdade, uma vez adquirida, faz ver que é bem digna do elevado preço pago por ela.

Se podeis tornar essas verdades uma parte de vós mesmos, tereis feito grande progresso no caminho — tereis prestado com êxito o Grande Exame. A doutrina de Causa e Efeito Espirituais está baseada na grande verdade de que, sob a Lei, cada homem é, praticamente, o diretor de seu próprio destino — seu próprio juiz — seu próprio recompensador — seu próprio árbitro de castigos.

A incitação dos desejos, aspirações e hábitos da vida passada fazem uma forte pressão sobre a alma, levando-a a encarnar-se nas condições melhor adaptadas à experimentação da satisfação desses gostos, atrações e aversões — a alma quer seguir o curso da sua vida passada, e naturalmente procura as circunstâncias e meios melhor adaptados à mais livre expressão de sua personalidade.

Mas, ao mesmo tempo, o espírito, na alma, conhece que o desenvolvimento desta tem necessidade de certas outras condições para fazer surgir outros aspectos de sua natureza, que, tendo permanecido reprimidos ou sem desenvolvimento, exercem uma atração sobre a alma que se reencarna, desviando-a um pouco do seu curso escolhido e influenciando esta lição num certo grau.

Um homem pode ter um desejo predominante pelas riquezas materiais, e a força de seus desejos lhe fará escolher circunstâncias e condições para renascer numa família que tenha muita fortuna, ou num corpo muito bem adaptado para conseguir seus desejos; mas o espírito, conhecendo que a alma descuidou para um lado, a fará colocar-se numa corrente de circunstâncias que farão com que o homem sofra penas, desagrados e prejuízos, ainda quando obtenha grande fortuna em sua nova vida, a fim de que possa desenvolver essa parte da sua natureza.

Podemos ver ilustrações desses fatos acima mencionados em alguns dos homens muito ricos da América do Norte. Eles nasceram em circunstâncias nas quais tiveram a mais livre expressão do desejo de riquezas materiais — tiveram a posse de faculdades melhor adaptadas por esse fim único, e agiram de modo a rodear-se das circunstâncias melhor calculadas para dar a mais livre manifestação àquelas faculdades; obtiveram a realização de seus desejos íntimos e acumularam riquezas de um modo desconhecido em tempos anteriores. Mas, são muito infelizes e, geralmente, estão descontentes.

A sua riqueza é um peso ao redor de seu pescoço e estão atormentados pelo temor de perdê-la e a ansiedade de atendê-la. Sentem que não lhes proporcionou uma felicidade real, mas que, pelo contrário, os apartou de seus semelhantes e da felicidade conhecida por pessoas que dispõem de meios mais moderados. Estão febris e intranqüilos, e procurando, constantemente, alguma nova excitação que aparte suas mentes da contemplação da sua condição real.

Sentem a sensação do dever para com a raça, e, ainda que não compreendam inteiramente o sentimento interno disso, esforçam-se por acalmar essa sensação, contribuindo para a construção de colégios, hospitais e outras instituições similares. Elas nasceram em resposta ao acordar consciente da raça à realidade de Fraternidade do Homem e da Unidade do Todo.

Antes de chegar ao fim, sentirão, no mais profundo de sua alma, que este êxito não lhes produziu a felicidade real e no período de descanso que segue à sua partida do corpo físico, darão "balanço" de si mesmos e reajustarão seus assuntos mentais e espirituais, de modo que, quando nascerem outra vez, não terão a ânsia de dedicar todas as suas energias em amparar riquezas que eles não podem usar, e sim, viverão uma vida mais equilibrada e acharão a felicidade em lugares inesperados, desenvolvendo-se mais espiritualmente.

O espírito conhece o que é realmente melhor para o homem, e quando o vê arrastado pela sua natureza inferior, procura tirá-lo de seu caminho ou detê-lo repentinamente, se for necessário. Não é um castigo, relembrai-o, e sim a maior bondade. O espírito é uma parte do homem, e não um poder externo — ainda que seja, naturalmente, a parte divina dele — essa parte dele, que está no mais próximo contato com a grande e onipotente Inteligência que chamamos Deus.

O sofrimento não é produzido devido a algum sentimento de justa indignação, vingança, impaciência ou sentimentos similares do espírito, mas devido a um sentimento igual ao do mais amoroso pai, que se vê obrigado a tirar das mãos de seu filhinho alguma coisa perigosa que possa fazer-lhe mal — é a mão que afasta a criança da beira do precipício, ainda que o pequeno grite, colérico e contrariado, por haver-lhe frustrado os desejos.

O homem ou a mulher que desenvolveu a mente espiritual, vê esta condição das coisas e, em vez de lutar contra o espírito, entrega-se a ele sem protestos e obedece à sua mão diretora, evitando, assim, muita dor. Mas aqueles que não sabem, enraivecem-se e rebelam-se contra a restrição e guia da mão; desprezam-na e tentam livrar-se dela, fazendo recair, em conseqüência, sobre si mesmos, amargas experiências, tornadas necessárias pela sua rebelião.

Somos tão propensos a nos ressentir das influências exteriores em nossos assuntos, que esta idéia da restrição não nos é agradável; mas, se nos lembrássemos somente que é uma parte de nós mesmos — a parte elevada de nós mesmos — a que exerce esta direção, então poderíamos ver a coisa com uma luz diferente.

E devemos relembrar isto: por adversas que nos pareçam as circunstâncias e condições, elas são, exatamente, aquelas de que temos necessidade, sob as circunstâncias exatas de nossas vidas, e que têm por único objetivo o nosso bem final. Podemos ter necessidade de nos fortalecer, seguindo certas linhas, com o fim de completar nosso progresso — e podemos adquirir as experiências adequadas para completar esta parte particular de nós mesmos.

Podemos ter demasiada tendência para uma direção e surgirem nela obstáculos e sermos incitados a seguir outra direção. Estas pequenas coisas — e outras maiores — todas têm a sua significação E então nossos interesses estão ligados, mais ou menos, com os de outros, devido às leis de atração; e os nossos atos podem estar destinados a refletir sobre eles e os deles sobre nós, para nosso mútuo desenvolvimento e bem final.

E qualquer que seja a pena, aflição ou o incômodo que nos possa sobrevir, se nos abrirmos à orientação do espírito, abrir-se-nos-á um caminho — passo a passo — e se o seguirmos, obteremos a paz e a força. A Lei não acumula sobre o indivíduo mais peso do que ele pode suportar, e "não só acalma o vento para o cordeiro tosquiado, como adapta o cordeiro tosquiado ao vento".

Falamos que os nossos interesses estão ligados com os de outros. Este é também um princípio da Lei Espiritual de Causa e Efeito. Em nossas vidas passados nos temos ligado a outros pelo amor ou pelo ódio — quer seja por uma boa ação ou pela crueldade. E essas pessoas, nesta vida, têm certas relações conosco, tendentes todas à mútua reparação e mútuo desenvolvimento e progresso.

Não é uma lei de vingança, mas simplesmente a Lei de Causa e Efeito que nos faz sofrer um dano (quando é necessário) das mãos de alguns daqueles aos quais temos feito mal em alguma existência passada. E não é simplesmente uma lei de recompensa pelo bem, porém, sim, esta mesma Lei de Causa e Efeito, que faz com que pense as nossas feridas e nos conforte aquele a quem confortamos na vida passada.

Abstenhamo-nos de pôr em operação esta Lei de Causa e Efeito pelos Ciúmes, Ódio, Malícia, Cólera e perversidade das nossas relações com os outros. Sejamos tão bons quanto possamos e justos para nós mesmos e para os outros, evitando os sentimentos de ódio e o desejo de vingança. Vivamos conduzindo a nossa carga com tanta alegria quanto possamos, e confiemos sempre na guia do espírito e na ajuda da Inteligência Superior.

Reconheçamos que tudo está agindo conjuntamente para o bem e que não podemos ser privados deste bem. Relembremos que esta vida é apenas um grão de areia no deserto do tempo e que temos longas idades em nossa frente, nas quais teremos a oportunidade de realizar todas as nossas aspirações e desejos elevados. Não vos desanimeis, porque Deus reina e tudo é como deve ser.
Resultado de imagem para evolução espiritual


EVOLUÇÃO ESPIRITUAL – Ramacháraka


Enquanto as pessoas desejem com veemência as coisas materiais, as coisas da carne e da vida material, sem serem capazes de divorciar-se delas à vontade — serão atraídas para o renascimento, a fim de que esses desejos possam ser satisfeitos.

Mas, quando uma pessoa, pela experiência de muitas vidas, aprendeu a ver essas coisas como são e a reconhecer que não são uma parte de sua natureza real, então os ardentes desejos decrescem e, finalmente, morrem. Essas pessoas escapam da operação da Lei de Atração e da necessidade de sofrer o renascimento, até que algum desejo ou aspiração mais elevada acorde nelas, visto que a evolução da raça traz novas eras e novas raças.

Consentimos ser arrastados pela corrente dos desejos e ser levados para o renascimento em condições que nos permitem manifestar e expressar esses desejos e anelos. Algumas vezes, a voz do espírito influencia-nos até certo grau e nascemos em condições que representam um compromisso entre os ensinamentos do espírito e os mais grosseiros desejos, resultando freqüentemente uma vida cheia de desejos em conflito e aspirações agitadas — mas tudo isso é uma promessa de melhores condições para o futuro.

Quando uma pessoa se tem desenvolvido ao ponto de estar aberta às influências da mente espiritual na sua vida física, pode-se estar certo de que a sua próxima eleição para renascer será feita com a aprovação e sabedoria da parte superior da sua mente; e os velhos erros serão esquecidos.

A filosofia yogue ensina: — Que o Homem viveu e viverá sempre. Que aquilo que chamamos Morte é apenas o sono da noite para acordar na manhã seguinte. Que a Morte é apenas uma perda temporal da consciência. Que a Vida é contínua e o seu fim é o progresso, o crescimento e o desenvolvimento. Que estamos na Eternidade agora, tanto como podemos estar sempre. Que a Alma é o Homem Real e não um simples apêndice ou qualquer coisa adaptada ao seu corpo físico, como muitos parecem considerá-la. Que a Alma pode existir igualmente, tanto fora do corpo como nele, embora certas experiências e conhecimentos só possam ser obtidos em virtude da existência física — daí esta existência. Que temos corpos, agora, justamente porque os necessitamos — quando tivermos progredido até um pouco além de certo ponto, não teremos necessidade já da classe de corpos que temos agora e seremos relevados deles. Que sobre os planos mais grosseiros da vida foram ocupados, pela Alma, corpos muito mais materiais do que os nossos — que sobre os planos mais elevados a Alma ocupará corpos mais delicados. Que vividas as experiências de uma vida terrestre deixamos o corpo e passamos a um estado de descanso, e depois renascemos em corpos e condições em harmonia com as nossas necessidades e desejos. Que a vida real é realmente uma sucessão de vidas, de renascimentos e que a nossa presente vida é simplesmente uma do incontável número de existências prévias, sendo o nosso Eu atual o resultado das experiências adquiridas em nossas existências anteriores.

A filosofia yogue ensina que a alma existiu durante idades, abrindo-se caminho através de inumeráveis formas, desde as mais inferiores até as mais elevadas, progredindo sempre, sempre desenvolvendo-se. Que a alma continuará evoluindo através de inumeráveis idades, em muitas formas e fases, mas sempre elevando-se mais e cada vez mais. O universo é muito grande, e há inumeráveis mundos e esferas para os seus habitantes, e não estaremos ligados à terra nem um momento, depois de estarmos preparados para passar a uma esfera ou plano mais elevado.

Os yogues ensinam que, ainda que a maioria da raça esteja no estado inconsciente de evolução espiritual, há muitos que estão acordando à verdade e desenvolvem uma consciência espiritual da verdadeira natureza e do futuro do homem; e que essas pessoas que têm acordado espiritualmente jamais terão que tornar a passar através da cadeia de continuados renascimentos inconscientes, mas sim que o futuro desenvolvimento será sobre um plano consciente, e gozarão plenamente de constante progresso e aperfeiçoamento, em vez de serem meras fichas sobre o tabuleiro do xadrez da vida.

Os yogues ensinam que há muitas formas de vida muito mais inferiores que a do homem — tão inferiores que são inconcebíveis para nós — e que há graus de vida tão acima do nosso plano atual de desenvolvimento, que nossas mentes não podem alcançar a idéia. Aquelas almas que percorreram a senda, na qual nós estamos agora — nossos Irmãos Maiores — estão constantemente dando-nos sua ajuda e infundem-nos ânimo, estendendo-nos com freqüência sua mão protetora — ainda que não o reconheçamos.

Existem planos além do nosso, inteligências que uma vez foram homens como nós, porém que agora progrediram tanto na escala que, comparados conosco, são anjos e arcanjos — e nós seremos como eles algum dia.

A filosofia yogue ensina que vós que estais lendo estas linhas, haveis vivido muitas vidas. Tendes vivido nas formas mais inferiores, elevando-vos gradualmente na escala. Depois, haveis passado à fase humana de existência, vivestes como homem das cavernas, como habitante das penhas abruptas, como selvagem bárbaro, guerreiro, cavalheiro, sacerdote, escolar da idade Média: — ora na Europa, ora na Índia, ora na Pérsia, ora no Oriente, ora no Ocidente.

Em todas as idades — em todos os climas — entre todos os povos de todas as raças — vivestes e tivestes a vossa existência, executastes a vossa parte e morrestes. Em cada vida tendes adquirido experiência, aprendido novas lições, aproveitando os vossos erros, crescido, desenvolvido e progredido. E, quando abandonastes o corpo e entrastes no período de descanso, entre duas encarnações, vossa lembrança da vida passada desvaneceu-se gradualmente, mas deixando, em seu lugar o resultado das experiências obtidas nela.

Da mesma forma que, agora, não podeis relembrar muito acerca de certo dia ou semana de vinte anos atrás, porém as experiências desse dia ou semana deixaram rasgos indeléveis sobre o vosso caráter e têm influenciado todas as vossas ações desde então. Assim, também, ainda que tenhais esquecido os detalhes de vossas existências anteriores, elas deixaram, apesar disso, a sua impressão sobre vossa alma; a vossa vida diária, hoje, é justamente o que é, graças a essas experiências passadas.

Depois de cada vida, há uma espécie de sintetização das experiências, e o resultado — o resultado real das experiências — vai formar uma parte do vosso Eu esquecido — o qual, depois de certo tempo, procura um novo corpo em que se reencarnar. Mas, para muitos de nós, não há uma perda total de memória das existências passadas — à proporção que progredimos, trazemos conosco um pouco mais de consciência cada vez — e muitos de nós têm, atualmente, vislumbres ocasionais de lembranças de alguma existência passada.

Vemos uma cena pela primeira vez e nos parece muito familiar; porém, não nos recordamos de tê-la visto antes. Há uma espécie de lembrança obsessiva que nos perturba. Vemos um quadro — alguma antiga obra-prima — e sentimos, instintivamente, como se a tivéssemos contemplado no passado obscuro, sendo que nunca nos havíamos aproximado dela antes. Lemos algum livro antigo e nos parece como um velho amigo; porém, não relembramos de havê-lo visto antes, em nossa vida presente. Ouvimos alguma teoria filosófica e
imediatamente a "aceitamos" como se fosse alguma coisa conhecida e amada em nossa infância. Um ou outro dentre nós aprende certas coisas como se as recordasse — e, em verdade, o caso é esse.

Têm nascido crianças que se têm desenvolvido como grandes músicos, artistas, escritores e artífices, desde a mais tenra idade, ainda quando seus pais não possuíssem talentos dessa classe.

Shakespeare brotou de uma família cujos membros não possuíam talento, e assombrou o mundo. Abraão Lincoln veio à vida de um modo similar e, quando a responsabilidade pesou sobre ele, mostrou o mais poderoso gênio. Esses e muitos casos semelhantes só se podem explicar pela teoria das experiências prévias. Encontramos pessoas pela primeira vez e nasce em nós a convicção irresistível, a despeito de nossos protestos, de que as conhecêramos antes — que elas foram alguma coisa para nós, no passado; mas... quando? Oh! Quando?

Certos estudos são muito fáceis para nós, enquanto outros têm que ser dominados à força de um trabalho rude. Certas ocupações nos parecem as mais agradáveis e, quaisquer que sejam os obstáculos postos no caminho, saberemos vencê-los e chegar ao alvo.

A terra é um elo de uma cadeia de planetas pertencentes ao nossos sistema solar, os quais estão todos em íntima conexão uns com os outros, nesta grande lei da evolução espiritual. Grandes ondas de vida passam por sobre a cadeia, levando ao longo dela, de um a outro planeta, uma raça após outra. Cada raça permanece em cada planeta um certo período, e quando se desenvolveu, transfere-se ao próximo planeta mais elevado na escala da evolução, onde encontra as condições melhor adaptadas para o seu desenvolvimento.

Mas esse progresso, de planeta a planeta, não é circular — parece-se a uma espiral girando ao redor e elevando-se mais e mais em cada curva. Suponhamos uma alma residindo sobre um dos planetas de nossa cadeia planetária, num estado comparativamente de pouco progresso e crescimento espiritual — num lugar inferior na escala da evolução. Essa alma adquire a experiência, e depois é levada para o próximo planeta mais elevado na cadeia, junto com o resto de sua raça, e reencarnar-se ali. Nessa nova residência, ocupa um plano de progresso evidentemente mais adiantado do que aquele que ocupava no último — formando a sua raça inteira o núcleo de uma nova raça ali, desempenhando alguns o papel de pioneiros e os restantes acompanhando-os.

Porém, esse adiantado estado, comparado com o do planeta recém-deixado atrás, pode ser muito mais inferior na escala do progresso que o das outras raças que residem no mesmo planeta. Algumas das raças mais inferiores, no ponto da evolução, atualmente na terra, podem ter estado muito mais próximas ao mais elevado estado de desenvolvimento no último planeta habitado por elas e progrediram pela troca — o mais elevado de um planeta inferior é, talvez, menos desenvolvido que o mais inferior de um planeta mais elevado na cadeia.

Muitas raças que antigamente habitaram a terra, das quais encontramos vestígios ocasionalmente, ascenderam a um estado mais elevado de desenvolvimento. A História nos mostra que raças após raças têm estado à frente do desenvolvimento da terra — têm desempenhado a sua parte nesse estado de ação — e depois se foram, para onde?

A filosofia oculta nos dá o elo perdido da explicação. A nossa raça cresceu do estado da idade da pedra — e de mais remota idade ainda — continuará progredindo e, depois, ir-se-á, dando lugar a outras raças mais novas, que podem já estar, agora, enviando pioneiros de algum outro planeta.

Isto não significa, necessariamente, que cada raça de que nos fala a História tenha deixado a terra. Pelo contrário, os ocultistas sabem que algumas e, com efeito, o maior número das raças conhecidas pela História, encarnou em alguma das raças de hoje. A confusão se explica pelo fato de que cada raça tem várias sub-raças, as quais pertencem realmente à raça principal.

Por exemplo, os ocultistas sabem que os antigos egípcios, os romanos, os gregos, os atlantes, os antigos persas, etc., etc., estão na atualidade, vivendo nesta terra — isto é, as almas que antigamente estavam encarnadas nessas raças estão agora encarnadas em algumas das raças modernas. Mas há outras raças pré-históricas — que passaram além de toda atração terrestre e foram para outros planos de ação mais elevada, em planetas superiores!

Há um número de planetas mais inferiores, na escala do progresso, do que a nossa terra; há vários mais elevados, em direção aos quais vamos seguindo. Há, naturalmente, outros sistemas solares — outras cadeias de sóis — outros subuniversos, se nos perdoam o uso do termo, e tudo isso está destinado a todas as almas, por inferiores e humildes que sejam.

A nossa raça, a presente, passa através de um período muito importante de evolução. Está passando do estado inconsciente ao estado consciente do desenvolvimento espiritual. Muitos alcançaram já o seu estado consciente e muitos outros estão acordando para ele. Toda raça o obterá, por fim, devendo este proceder a sua translação progressiva.

Esse acordar gradual à consciência espiritual é o que causa toda esta agitação no mundo do pensamento — esse rompimento com as idéias e formas velhas — esta fome de verdade, este correr daqui para ali, atrás de novas verdades ou a reexposição de antigas verdades. É um período crítico na história da raça e muitos sustentam que ele implica uma possível divisão na raça em duas sub-raças, uma das quais possuirá a consciência espiritual e caminhará à frente e à
cabeça de outra sub-raça de mais vagarosos irmãos que devem progredir por graus.

Mas a raça unir-se-á outra vez, antes de se mudar finalmente da terra, porque está ligada pela lei de causa e efeito espiritual. Todos estamos interessados no progresso de cada um dos outros, não só porque somos irmãos, mas também
porque a nossa alma deve esperar até que a raça inteira se desenvolva.

Naturalmente, a alma que se desenvolve mais rapidamente não tem que se reencarnar simplesmente porque seus irmãos mais vagarosos tenham que fazê-lo assim. Pelo contrário, a alma altamente desenvolvida emprega um longo período de espera nos planos mais elevados do mundo astral, enquanto o seu irmão mais vagaroso efetua a sua evolução em repetidos nascimentos, desfrutando a alma desenvolvida, nessa estada nos planos mais elevados, de grande felicidade e benefício.

Muitas dessas almas em espera elegem o sacrifício do seu bem ganho descanso, voltando à terra para ajudar e elevar os seus irmãos, seja em forma de protetores astrais ou por um nascimento deliberado e consciente, do qual não têm necessidade para o seu crescimento e progressivo desenvolvimento; tomam deliberadamente um corpo de carne, com todas as suas cargas, para assistir seus irmãos mais fracos e ajudá-los a alcançar a meta.

Os grandes mestres das raças têm sido, em grande parte, destas almas que se sacrificam e voluntariamente renunciam ao céu pelo amor de seus semelhantes. É muito difícil imaginar quão grande é esse sacrifício — esse progresso de um plano elevado de desenvolvimento espiritual a uma civilização comparativamente pouco desenvolvida. É como se um Emerson fizesse o papel de missionário, no seio dos boximanes.

Para que fim tende toda esta evolução? Qual é o significado de tudo isto? A começar das mais baixas até às mais elevadas formas da vida — todas estão no Caminho. A que lugar ou estado conduz o Caminho? Tentaremos responder, pedindo que imagineis uma série de milhões de círculos, uns dentro dos outros. Cada círculo significa um estado de vida.

Os círculos exteriores estão ocupados pela vida em seus estados mais inferiores e materiais — os círculos mais próximos ao centro contêm mais e cada vez mais elevadas formas — até que os homens, ou os que foram homens, chegam a ser como deuses. E ainda a forma da vida se eleva mais e mais alto, e cresce mais e mais elevada, até que a mente humana não pode alcançar a idéia. E — que há no centro? — O cérebro do Corpo Espiritual inteiro — o absoluto — Deus! E nós estamos nos dirigindo para esse Centro!

Resultado de imagem para evolução espiritual

INFLUÊNCIA PSÍQUICA – Ramacháraka


Desde as práticas vodus do selvagem da África, podemos traçar uma linha reta até a epidemia de bruxaria na Nova Inglaterra (EUA); e desde então, até os tempos modernos, em que o mundo ocidental parece estar apaixonado pelo psiquismo e nos jornais abundam narrativas sensacionais de influência hipnótica, magnetismo pessoal, etc.

Os livros de todas as épocas estão cheios de narrações de influência psíquica; a Bíblia contém numerosos exemplos de sua prática para o bem ou para o mal. Em nossos dias, freqüentemente, chama-se a atenção para os assombrosos exemplos do poder da mente, magnetismo pessoal, etc., e é muito comum ouvir a expressão de que uma pessoa tem ou não tem magnetismo pessoal —
se é ou não magnética.

Divulgar ao público em geral, ainda mesmo que só seja uma pequena parte de certos ensinamentos ocultos, seria atualmente perigoso em verdade, e traria sobre a raça um dos maiores castigos conhecidos pelo homem. Isso não é motivado por nenhum defeito dos mesmos ensinamentos, mas devido a que o egoísmo da maior parte dos homens e mulheres é tal que, em breve, começariam a usar esse conhecimento em seu proveito próprio e fins pessoais, em detrimento e prejuízo de seus semelhantes.

O uso impróprio do poder psíquico é, desde há muito tempo, conhecido dos ocultistas como magia negra, que, longe de ser um resto da superstição da Idade Média, é uma coisa muito real e pratica-se na atualidade em grande extensão. Aqueles que a praticam estão semeando as sementes do seu próprio castigo, e cada partícula de força psíquica empregada para fins baixos e egoístas, retornará indefectivelmente e reagirá sobre aqueles que a empregam.

Felizmente, aqueles que de tal modo prostituem os poderes psíquicos conhecem comparativamente pouco acerca do assunto e podem usar unicamente as formas mais simples; mas quando se põem em contato com os que estão inteiramente ignorantes do assunto, podem utilizar mais ou menos as suas artes.

Muitos homens acham, incidentalmente, algumas vezes, que podem influenciar a outros com o seu mandado e, não conhecendo a origem do seu poder, freqüentemente usam-no da mesma forma como usariam qualquer poder físico. Porém, gradualmente, chega ao conhecimento dessas pessoas (em conseqüência de bem estabelecidas leis ocultas) alguma coisa que as conduz a uma compreensão melhor do assunto e começam a ver o seu erro.

Outros deparam com algum pequeno fragmento de ensinamento oculto e empregam-no sobre outros e, vendo o efeito, entram no caminho da magia negra, sem saberem o que estão fazendo. Esses também são advertidos por certas maneiras, dando-lhes toda a oportunidade para retificarem o seu erro. Outros parecem compreender alguma coisa do risco que correm, mas aceitam-no voluntariamente, fascinados e deslumbrados com a sua nova sensação do poder.

A nenhuma dessas pessoas é permitido ir muito longe na sua obra egoísta, pois há certas influências em ação para contrabalançar seus esforços; e um pouco de bem contrabalança sempre uma obra psíquica egoísta, muito maior. Esta é uma antiga verdade oculta.

Mas independente desse fragmento elementar de magia negra, da qual falamos mais no sentido de um conselho e de prevenção, muitas pessoas estão dotadas de faculdades que lhe dão poder sobre seus semelhantes, e a sua influência é sentida na vida diária, justamente como a influência de um homem fisicamente forte é sentida numa reunião de gente fraca.

É apenas preciso olhar por um momento às pessoas de nossas relações, para vermos que algumas delas têm uma influência maior que as outras. Algumas são naturalmente consideradas como diretoras e mestres, e outras ocupam o lugar de satélites. Estes homens fortes e positivos colocam-se à frente na guerra, nos negócios, nos tribunais, no púlpito, na prática da medicina, em todas as esferas da vida e em todos os ramos do esforço humano. Notamos esse fato e dizemos que tal homem é possuidor de muito magnetismo pessoal ou que tal outro carece dele.

Todo verdadeiro ocultista sabe que todas as formas de influência psíquica, incluindo o chamado magnetismo pessoal, hipnotismo, sugestão, etc., são apenas manifestações diferentes da mesma coisa. É o poder da mente do indivíduo.

A mente instintiva é o instrumento empregado pela influência psíquica. Falamos, freqüentemente, como se o intelecto de uma pessoa fosse influenciado deste modo; mas isso é incorreto, porque a pessoa é influenciada apesar do seu intelecto, não por meio dele — a influência é tão fortemente impressa sobre a mente instintiva que esta se esquiva e desatende aos protestos do intelecto, como muitas pessoas reconhecem depois, a seu pesar.

Começaremos com o que é conhecido como sugestão, o que realmente é a base de todas as formas de influência psíquica pessoal ou ausente. A sugestão pessoal é muito comum na vida diária; de fato, estamos constantemente dando e recebendo sugestões consciente e inconscientemente, e uma pessoa apenas pode evitar dá-las ou recebê-las, enquanto estiver associada com outras pessoas, ouça vozes ou leia o que outros escreveram o imprimiram. Mas estas sugestões diárias são relativamente sem importância, e carecem da força de uma constante e deliberada sugestão feita por quem compreende a arte de sugestionar.

Vejamos primeiro como e por que as sugestões são recebidas e como agem. Nas primitivas formas da vida, a mente instintiva agia só, sem a influência do intelecto (porque o intelecto não se havia ainda desenvolvido), totalmente inconsciente como na vida vegetal. À proporção que ascendeu na escala da evolução, começou o animal a ser obscuramente consciente, a perceber coisas e fazer alguma coisa assim como um primitivo raciocínio a respeito das mesmas.

Para proteger-se de seus inimigos, o animal teve que ser guiado pela consciência rudimentar que estava começando a desenvolver-se e que se manifestava por meio da mente instintiva. Alguns animais progrediram mais rapidamente que outros de sua espécie e naturalmente começaram a impor-se e exercer seu poder peculiar — encontraram-se elaborando o pensamento de seus semelhantes.

Chegaram a ser reconhecidos como os únicos capazes de ajudar em caso de perigo ou de escassez de alimento, e a sua direção foi geralmente reconhecida e seguida. Os chefes surgiram nos rebanhos e nas multidões, não só devido à sua força bruta, mas também ao seu poder cerebral superior, que pode ser denominado astúcia.

O animal astuto era rápido para reconhecer o perigo e apropriar-se dos meios de evitá-lo; rápido para descobrir novos meios de obter alimento e para dominar o inimigo comum ou a presa. Qualquer pessoa que tenha estado muito tempo entre os animais domésticos ou que tenha estudado os costumes dos animais selvagens que vivem em rebanhos, compreenderá com exatidão o que dizemos.

Os poucos conduziram e dirigiram; os muitos seguiram cegamente e foram conduzidos. E à proporção que prosseguiu o desenvolvimento até chegar ao homem, manifestou-se a mesma coisa. Surgiram os chefes e foram obedecidos. E através de toda a história da raça até nossos dias, este mesmo estado de coisas existe. Uns poucos conduzem e muitos os seguem.

O homem é um animal obediente e imitador. A maioria das pessoas é como carneiro — dá-se-lhe um "engodo" e segue, contente, o badalar da campainha. Mas nem sempre é o condutor de homens (seja ele homem ou mulher) possuidor da maior soma daquilo que chamamos preparo intelectual, educação ou erudição; pelo contrário, muitas de tais pessoas são freqüentemente as mais decididas seguidoras dos condutores.

O homem ou a mulher que dirige é aquele que sente em si esse algo que pode ser chamado consciência da origem real da força e o poder que há atrás dele e nele. Essa percepção pode não ser reconhecida pelo intelecto, pode não ser compreendida, mas o indivíduo sente, de algum modo, que ele é possuidor de força e poder ou que está em contato com o poder e força que pode usar.

E ele (falando do homem comum), conseqüentemente, se reconhece a si mesmo como capaz de tal, e começa a usar seu poder. Ele sente a realidade da palavra Eu; sente-se como um indivíduo — como uma coisa real — uma entidade; instintivamente começa a agir para impor-se. Essas pessoas, em geral, não compreendem a origem do seu poder; sentem-no simplesmente em si e naturalmente fazem uso dele. Influenciam a outros sem compreender exatamente como, e amiúde admiram-se dos resultados. E como se dá essa influência? Vejamo-lo.

Observemos as pessoas que são influenciadas. Que parte do seu mecanismo mental ou físico é afetada? — A mente instintiva, naturalmente. E por que a sua mente instintiva é tão facilmente afetada, enquanto a de outros o é muito menos?

O homem cuja consciência de sua individualidade, cuja percepção do Eu está muito desenvolvida, invariavelmente influencia a mente instintiva daquele cuja consciência não está tão completamente desenvolvida. A mente instintiva do homem menos consciente recebe e executa as sugestões do Eu mais forte; permite também que as ondas-pensamentos deste o afetem e sejam absorvidas.

Não é o homem de preparo intelectual, cultura ou erudição, exclusivamente, o que tem essa consciência, se bem que, naturalmente, quanto maior for o preparo intelectual do homem, maior é o campo do poder do Eu consciente que ele possui. Tem-se visto que homens incultos possuem esse poder tão bem como os mais altamente educados e, ainda que a deficiente educação e instrução os impeçam de fazer uso desse poder na extensão possível para o seu irmão mais favorecido, contudo exercem influência sobre todos os da sua classe e também sobre muitos que têm maiores poderes intelectuais.

Não é questão de educação ou de raciocínio abstrato, etc.; é questão de consciência. Aqueles que a possuem sentem, de algum modo, o Eu; e ainda que freqüentemente o conduza a um grau absurdo de egoísmo vão, amor-próprio e orgulho, não obstante, um homem que possui essa consciência em alguma extensão, invariavelmente influencia outros e abre caminho através do mundo.

O mundo deu à manifestação dessa consciência o nome de confiança própria, fé em si mesmo, etc. Facilmente descobri-la-eis, se pensardes um momento e olhardes um pouco em vosso derredor. Há, naturalmente, muitos graus dessa consciência e, em igualdade de condições, o homem ou a mulher exercerá influência sobre os outros, exatamente na mesma proporção em que eles possuem tal poder.

O homem cuja consciência do Eu está suficientemente desenvolvida, sugestiona a sua própria mente instintiva, e esta, naturalmente, considera o seu diretor como a única origem dos mandados e indicações. Porém, aquele que não possui essa consciência, não tem dado senão fracas ordens dessa classe, e sua mente instintiva não tem em si inculcada a confiança que deveria possuir; vê assim que o seu diretor com freqüência lhe permite receber ordens e instruções de outros, até que, automaticamente, apropria e executa quase todas as sugestões recebidas do exterior. Tais sugestões externas podem ser
verbais ou transmitidas pelas ondas-pensamentos de outros.

Muitas pessoas não têm a menor confiança no seu próprio Eu — são como carneiros humanos, e naturalmente seguem o seu pastor. De fato, são infelizes se não são conduzidas. Quanto mais enérgicas são as ordens, tanto mais rapidamente estão dispostos a obedecer-lhes. Uma exposição que lhes seja feita positiva e autoritariamente, é aceita e praticada. Essas pessoas vivem apoiadas na autoridade, e constantemente procuram precedentes e exemplos — precisam de alguma coisa em que apoiar-se.

Numa palavra, são mentalmente preguiçosas em tudo no tocante ao exercício da consciência do Eu e ao desenvolvimento da mesma e, conseqüentemente, não têm exercido controle sobre a sua mente instintiva; porém, pelo contrário, permitem-lhe estar aberta às sugestões e influências de outros, os quais, muitas vezes, são menos competentes para dirigi-los do que o são eles mesmos; mas soem ter um pouco mais de confiança própria e segurança — e um pouco mais de consciência do Eu.

Vejamos, agora, como e por quais meios é influenciada a mente instintiva. Há um sem-número de métodos e formas de práticas conscientes e inconscientes pelas quais são produzidos tais efeitos, mas que podem ser aproximadamente agrupados em três classes gerais, a saber: lº) Sugestão pessoal; 2°) Influência mental, presente e a distância; e 3°) Influência mesmérica ou hipnótica.

Consideremos primeiro a sugestão pessoal. Como dissemos, é muito comum e é mais ou menos praticada constantemente por todos nós, e todos somos mais ou menos afetados por ela. Limitar-nos-emos às suas formas mais visíveis. As sugestões pessoais são transmitidas pela voz, pelos ademanes, pela aparência, etc. A mente instintiva aceita com verdade as palavras, o aspecto e a maneira da pessoa positiva, e age de acordo com eles, conforme o grau de sua receptividade.

Este grau varia nas pessoas, de acordo e conforme o grau em que têm desenvolvido a consciência do Eu, como já expusemos. A maior soma dessa consciência do Eu corresponde um grau menor da receptividade, a não ser que a pessoa esteja cansada, distraída ou voluntariamente aberta à influência da mente ou palavras de outros.

Quanto mais positiva ou autoritária é a sugestão, mais facilmente é tomada pela mente instintiva receptiva. A sugestão afeta uma pessoa, não através do seu intelecto, mas por meio da sua mente instintiva — não opera por argumentos, mas por asserções, pedidos e mandatos. As sugestões adquirem força pela repetição, e quando uma pessoa não é influenciada por uma sugestão só, as repetidas sugestões no mesmo sentido terão um poder muito maior. Algumas pessoas possuem tal habilidade na arte da sugestão, que se tem que estar em guarda para não aceitar inconscientemente algumas das sutis sugestões insinuadas na consciência.

Mas aquele que realiza a consciência do Eu, ou, melhor, a consciência do Eu real e sua relação com o Todo, não tem motivo para temer o poder dos sugestionadores, pois as sugestões dificilmente poderão penetrar em sua bem guardada mente instintiva, e, se o fazem, alojar-se-ão na superfície externa da mente, e depressa serão descobertas e esclarecidas com um sorriso.


Porém, uma palavra de aviso: — estai em guarda com aqueles que tentam conduzir-vos, não por argumentos ou razões, mas por afirmações e pretendida autoridade, maneiras plausíveis e um modo geral de "dar por assentado" o que
dizem. Também deveis vigiar aqueles que vos fazem perguntas e as respondem, antecipando-se a vós deste modo: "Agrada-vos este modelo, não é verdade?" ou "Isto é o que precisais, não é assim?”

A sugestão e a asserção caminham uma ao par da outra. Podeis geralmente descobrir uma sugestão pela maneira com que se vos apresentam as coisas.

Em segundo lugar, consideremos a influência do pensamento em presença ou a distância. Cada pensamento produz a projeção de ondas-pensamentos de maior ou menor força, tamanho e poder. Todos nós estamos recebendo ondas-pensamentos a todo tempo, mas, comparativamente, poucas nos afetam por não estarem em harmonia com nossos próprios pensamentos, modos, caráter e gostos. Atraímos à nossa consciência íntima somente os pensamentos que estão em harmonia com os nossos próprios.

Porém, se somos de um caráter negativo e permitimos à nossa mente instintiva andar sem o seu mestre próprio e chegar a ser demasiado receptiva, estamos em perigo de ter que aceitar, assimilar e executar as ondas-pensamentos que passam e nos circundam. A mente instintiva descuidada, não só é afetada por toda espécie de ondas—pensamentos passageiras que flutuam em sua direção, como também está peculiarmente sujeita a ser afetada por uma onda-pensamento forte, positiva e consciente, dirigida a ela por outro que, querendo influenciar a outra pessoa, para o bem ou para o mal, inconscientemente lança ondas-pensamentos dessa classe com maior ou menor efeito.

E alguns que algo têm aprendido das rudimentares verdades ocultas e as prostituíram em magia negra, consciente e deliberadamente, enviam ondas-pensamentos às pessoas que desejam influenciar. E se a mente instintiva está abandonada pelo seu próprio diretor, está mais ou menos propensa a ser afetada por esses esforços de mentes egoístas e malignas.

Todos os conjuros, feitiços, etc., dos vodus, bruxos, conjuradores, etc., são eficazes apenas devido ao pensamento emitido e enviado com eles; e o pensamento se torna mais poderoso porque é concentrado por meio dos ritos, cerimônias, feitiços, imagens, etc., dos perversos devotos da magia negra. Não obstante, seria poderoso da mesma forma se fosse concentrado por um outro meio qualquer.

E por muito concentrado ou enérgico que possa ser, não poderá produzir efeito se a mente instintiva não estiver preparada para recebê-lo, assimilá-lo ou praticá-lo. O homem ou mulher que sabe disso, não tem motivo para temer essas práticas.

De fato, mesmo a leitura desta lição expulsará de muitas mentes a receptividade que poderiam ter ou que tiveram, e que permitiram fossem influenciadas em maior ou menor extensão pelos pensamentos egoístas de outros. Isso simplesmente porque a sua leitura fará com que a mente do estudante acorde ao seu próprio poder e o exerça.

Relembrai-vos: a mente só atrai aqueles pensamentos que estão em harmonia com os seus próprios pensamentos e a mente instintiva é influenciada contra os seus próprios interesses somente quando o seu possuidor admitiu a fraqueza própria e lhe faltou habilidade para dirigi-la e guardá-la.

Deveis cuidar da vossa mente instintiva e exercer vosso domínio e propriedade sobre ela; porque, a não ser assim, essa propriedade pode ser exercida, reclamada e usurpada por outros mais dominantes que vós mesmos. Tendes a força e o poder necessários em vós, com a única condição que o exerçais. É vosso, se o pedis; por que não o reclamais?

Podeis acordar a consciência do Eu e desenvolvê-la pelo poder da afirmação, o qual ajudará o seu desenvolvimento.

O hipnotismo é praticamente o processo de banhar a pessoa num fluxo de pensamentos-formas, mantendo-os estimulados e ativos por uma constante provisão de Prana, o qual, com freqüência tem sido chamado, em tais casos, o
fluido mesmérico. E outra coisa a relembrar é que nenhuma pessoa pode ser mesmerizada ou hipnotizada, a não ser que a sua mente instintiva esteja abandonada ou sem o seu diretor próprio, ou que a pessoa concorde em ser mesmerizada e o consinta realmente.

De modo, enfim, que chegamos ao fato de que nenhuma pessoa pode ser hipnotizada, a não ser que o deseje ou que acredite que possa sê-lo, o que vem a ser o mesmo. Tende cuidado em não permitir serdes hipnotizado por algum ignorante. Exercei o vosso próprio poder e podereis executar por vós mesmo tudo o que qualquer outro possa fazer no mesmo plano.

Mas aqueles que estão no plano mental de desenvolvimento (e somente poucos de nós temos progredido além dele), farão bem em desenvolver, fazer crescer e progredir a sua consciência do Eu — a sensação da individualidade. Sereis ajudados neste trabalho, trazendo na mente e meditando freqüentemente que sois um ser real — que sois um Eu — uma parte da Vida Universal posta em separado com um indivíduo, para que possais realizar a vossa tarefa no plano universal, e progredir até as mais elevadas formas de manifestação. Que vós sois independentes de corpo e que o usais unicamente como um instrumento. Que vós sois indestrutíveis e possuis a vida eterna. Que vós não podeis ser destruídos pelo fogo, a água ou qualquer outra coisa das que o homem físico considera como coisa que o matarão — que, suceda o que suceder ao vosso corpo, vós sobrevivereis. Vós sois uma alma e tendes um corpo (e não um corpo que tem uma alma, como muitas pessoas crêem e como tal agem). Pensai de vós mesmos como sendo independentes, usando o corpo como uma conveniência.

Cultivai o sentimento da imortalidade e da realidade, e, gradualmente, começareis a compreender que existis realmente e existireis sempre; e o temor cairá de sobre vós como um manto abandonado, porque o temor realmente é o
pensamento que debilita a desatendida mente instintiva. Livrai-vos do temor e o restante é coisa fácil.

A afirmação ou mantra que tem dado maior benefício que qualquer outro nestes casos, é a positiva afirmação do Eu Sou, a qual expressa uma verdade e tende para uma atitude mental que é recebida pela mente instintiva e a torna mais positiva para outros, e menos sujeita a ser afetada pelas sugestões, etc.

A atitude mental expressa pelo Eu Sou vos rodeará com uma aura mental que atuará como um escudo protetor até o tempo em que tenhais adquirido completamente a consciência mais elevada, a qual traz consigo uma sensação de confiança própria, segurança e força. Deste ponto em diante vos desenvolvereis gradualmente para essa consciência que vos assegura que, quando dizeis Eu, não falais somente da entidade individual com toda a sua força e poder, porém, que sabeis que o Eu tem atrás de si o poder e a força do espírito, e está unido com um inesgotável depósito de força que pode ser utilizada quando for necessária.

Tal pessoa jamais pode experimentar temor, porque se elevou acima dele. O temor é a manifestação da fraqueza e, por tanto tempo quanto o alimentemos, considerando-o como um amigo íntimo, estaremos abertos e indefesos às influências de outros. Mas, lançando para um lado o temor, ascendemos alguns passos na escala e nos pomos em contato com o forte, protetor, intrépido e valoroso pensamento do mundo, e deixamos atrás de nós a antiga debilidade e aflições da vida.

Quando o homem aprende que nada realmente pode prejudicá-lo, o temor parece-lhe uma estupidez; e quando o homem acorda à compreensão de sua natureza e destino, ele sabe que nada pode prejudicá-lo e, conseqüentemente, o temor é abandonado. Foi bem dito: "Nada há a temer, senão o temor", e neste epigrama está escondida uma verdade que todos os ocultistas adiantados reconhecerão.

A abolição do temor põe nas mãos do homem uma arma de defesa e poder que o torna quase invencível. Por que não aceitais este dom que tão livremente vos é oferecido? Que o vosso lema seja: “Eu Sou. Sou livre e nada temo.”