26.1.13

OS CHAKRAS, SEGUNDO O TANTRA YOGA


  • Características dos chakras:
    1º chakra - muladhara – segurança e posses materiais
    2º chakra – svadishthana – sexualidade e família
    3º chakra – manipura – autoridade, nome e fama
    4º chakra – anahata – amor, fé e devoção
    5º chakra – vishuddha – conhecimento, arte, dom da palavra
    6º chakra – ajna – clarividência, intuição, poder espiritual
    7º chakra – sahasrara – união com a divindade

  • Zonas da consciência:
    1º e 2º chakras – subconsciente (id)
    3º, 4º e 5º chakras – consciente (ego)
    6º e 7º chakras – superconsciente (alter ego)

  • Elementos, sentidos e planos:
    1º chakra – terra – olfato – plano físico
    2º chakra – água – paladar – plano astral
    3º chakra – fogo – visão – plano mental inferior
    4ª chakra – ar – tato - anthakarana
    5º chakra – akasha – audição – plano mental superior
    6º chakra – mente individual – plano búdico
    7º chakra – mente universal – plano do Atman

  • Os principais nadis são três: ida, pingala e sushumna, que partem do muladhara, passam por todos os chakras e terminam no cérebro.
    IDA se origina no testículo esquerdo e termina na narina esquerda. Sua natureza é feminina, magnética, visual e emocional. Quando a respiração se realiza predominantemente através de IDA, ela acalma o corpo, favorece os estudos e a meditação, dá suavidade e descanso à mente.
    PINGALA se origina no testículo direito e termina na narina direita. Sua natureza é masculina, elétrica, verbal e racional. Este nadi torna o corpo físico mais dinâmico e eficiente, incita à ação, fornece vitalidade e poder masculino.
    SUSHUMNA é o nadi central da espinha dorsal, por onde ascende a Kundalini. Está inativo na grande maioria dos seres humanos.


chakra
forma
aspectos
cor
planeta
mantra
deidade
animal
muladhara
quadrado
alimento e abrigo
amarela
Marte
lang
Brahma
elefante
svadishthana
círculo
procriação
azul claro
Mercúrio
vang
Vishnu
crocodilo
manipura
triângulo
longevidade
dourada
Sol
rang
Rudra
carneiro
anahata
hexagrama
participação
verde
Vênus
yang
Ishana
gamo
vishuddha
crescente
conhecimento
púrpura
Júpiter
hang
Shiva
elefante
ajna
círculo
auto-realização
branco
Saturno
Om
Ardhanarishvara
-
sahasrara
círculo
união
dourada
Ketu
-
Guru
-



    • Comportamento do indivíduo influenciado por muladhara: tem os maxilares e os punhos enrijecidos, recusa-se a viver de acordo com as leis naturais que governam seu corpo, criando um karma ou obstáculo no mundo. A terra é vista como uma nova experiência; o indivíduo é autocentrado e altamente ligado em sua própria sobrevivência física. Tem comportamento violento baseado na insegurança, teme perder sua segurança básica. Dorme de dez a doze horas por dia; é dominado pela ilusão, ira, avidez, avareza e sensualidade.

    • Comportamento do indivíduo influenciado por svadishthana: dorme entre oito e dez horas por noite. Em vez de permanecer sozinho e na defensiva, como a pessoa do primeiro chakra, começa a se chegar para a família e amigos. Satisfeita a necessidade de alimento e proteção, começa a visualizar o ambiente ou circunstância que deseja. O desejo de sensações físicas e fantasias mentais pode se tornar um problema para a pessoa neste nível. Corpo e mente possuem limitações naturais, que devem ser respeitadas e compreendidas para haver equilíbrio e saúde.

    • Comportamento do indivíduo influenciado por manipura: sua energia motivadora o impele a desenvolver o ego, sua identidade no mundo. Lutará pelo poder pessoal e pelo reconhecimento, mesmo em detrimento da família e dos amigos. Dorme de seis a oito horas por noite. Encontra o equilíbrio no serviço abnegado, isto é, servir sem esperar recompensa.

    • Comportamento do indivíduo influenciado por anahata: está consciente de seu karma, de suas ações de vida. A fé é sua força motivadora, luta para conseguir o equilíbrio em todos os níveis. Dorme de quatro a seis horas por noite. Tem olhos sonhadores e às vezes anda sem rumo. Experimenta-se nesse nível a expiação de karmas negativos de vidas anteriores.

    • Comportamento do indivíduo influenciado por vishuddha: aprende a ser mestre de seu ser interior. Dorme de quatro a seis horas por noite. A natureza atraente do mundo e dos sentidos não é mais um problema. Buscará somente o conhecimento verdadeiro, além das limitações do tempo, das condições culturais e da hereditariedade. Deve precaver-se do intelecto negativo, que pode fazer uso insensato do conhecimento adquirido.

    • Comportamento do indivíduo influencido por ajna: é um yogue e mantém a respiração e a mente sob controle; tudo que deseja se realiza pela capacidade de induzir as visões do passado, presente e futuro. Possui o sentido da unidade com o cosmos e compreende que é um espírito imortal.

    • Comportamento do indivíduo influenciado por sahasrara: é um rishi, e vive além da compreensão humana. 


       



25.1.13

PRANAYAMA E CONCENTRAÇÃO - Swami Sivananda


  • A prática da concentração e do pranayama estão muito relacionadas. Se praticas pranayama desenvolverás a concentração. Ao mesmo tempo, o controle natural da respiração se produz simultaneamente junto com a prática da concentração. O hatha yogue pratica pranayama e concentra sua mente, partindo assim do mais inferior. O raja yogue, pelo contrário, pratica a concentração e controla assim seu prana, ou energia. Ele começa, pois, a partir do mais elevado. Mas ambos se encontram ao final num ponto comum. Há diversas práticas, de acordo com as diferentes capacidades, gostos e temperamentos. A alguns é mais fácil começar pela prática do pranayama. A outros, a prática da concentração é mais fácil. Estes últimos já praticaram pranayama em seus nascimentos anteriores. Por isso tendem neste nascimento aos níveis superiores do yoga, como a concentração.

  • Os Vedantins concentram sua mente no Atman, os Hatha Yogues e os Raja Yogues concentram sua mente nos seis chakras. Os Bhaktas concentram sua mente em seu Ishta Devata (deidade preferida).


  • O celibato, o pranayama, a redução de desejos e atividades, a renúncia aos objetos, a solidão, o silêncio, a disciplina dos sentidos, a aniquilação da paixão e da avareza, o controle da ira, não se relacionar com pessoas indesejáveis, abandonar o hábito de ler notícias e ver filmes, todas estas coisas pavimentam um grande trecho no sentido do aumento do poder de concentração.

  • A prática da amizade com teus iguais, a compaixão com teus inferiores e pessoas aflitas, a complacência com teus superiores e pessoas virtuosas, e a indiferença com as pessoas malvadas, te produzirão alegria e serenidade.

  • Primeiro purifica tua mente através da prática de uma conduta reta, e depois dedica-te à prática da concentração. Alguns estudantes impacientes optam pela concentração, sem submeter-se a um treinamento ético preliminar. Este é um sério erro. Alguns ocultistas têm concentração, mas não bom caráter. Essa é a razão pela qual não podem conseguir nenhum progresso no caminho espiritual.

  • A concentração ajuda também uma pessoa em seu progresso material, já que será capaz de realizar qualquer trabalho com grande eficiência. O que outros fazem em seis horas, quem tem concentração pode fazer em meia hora. Quem pratica a concentração, tem uma visão mental muito clara. O que antes era difícil, se torna agora fácil.

  • A concentração desenvolve a força da vontade e a memória. Proporciona serenidade e calma mental, fortaleza interna, paciência, grande capacidade de trabalho, vivacidade, penetração mental, agilidade, capacidade de compreensão, olhos brilhantes, poder para influenciar e atrair as pessoas. Faz-te intrépido e desapegado.



22.1.13

ISLAMISMO: INTENSIDADE E BELEZA - Paul Brunton


  • Este é um relato que Paul Brunton fez de sua passagem pelo Cairo na década de 1930:

  • Caí de joelhos atrás de uma coluna da mesquita e deixei as asas de meu coração alçarem voo em reverente devoção ao Poder Supremo, que os homens em volta de mim chamaram Allah. Não sei quanto tempo assim fiquei antes que alguém começasse a ler, salmodiando em voz apenas audível uma antiga página do Corão. Enquanto prosseguia o agradável murmúrio árabe, levantei a cabeça e observei os que, obedecendo às ordens do Profeta, reuniam-se ao cair da tarde para recordar a Fonte Divina à qual devemos a vida.
    Ao meu lado estava ajoelhado um velho, com uma túnica branca listrada de azul. Enquanto sussurrava as orações, inclinava sua testa até tocar a alfombra vermelha, e voltava a endireitar-se, repetindo constantemente o mesmo movimento. Mais adiante, um outro velho invocava a misericórdia de Allah, acompanhada de súplicas com os habituais movimentos de vaivém. Parecia extremamente pobre e trajava uma túnica quase em farrapos. O rosto coberto de rugas aparentava cansaço pela luta que a vida e Allah lhe haviam imposto. No entanto, neste venerável recinto dedicado à tranquila devoção, sua mente concentrada na prece fizera alguma ruga desaparecer de seu rosto, envolvendo-o lentamente em serenidade apaziguadora. Era um homem que tinha coragem de entregar sua vida nas mãos todo-poderosas de Allah e, evidentemente, não se arrependia. Aceitava tudo que vinha de bom ou de ruim, com a venerável exclamação: Inshallah! (se Allah quiser).
    Voltei minha face para outro lado e avistei um piedoso muçulmano que parecia ser um vendedor vindo de sua tenda. Colocou-se na atitude prescrita, voltando seu rosto para o leste, as pernas ligeiramente afastadas e os braços para o alto tocando as orelhas, e levantou em voz sonora uma saudação: Allah é o Máximo! Ficou ajoelhado uns instantes e depois se levantou e saiu da mesquita. Descarregou sua alma em amor a Allah; agora podia voltar em paz aos negócios.

  • Havia outros homens que, abismados nas suas preces, estavam tão absortos que pareciam não tomar conhecimento de nada que se passava em volta deles. “Olhos e pensamentos devem estar fixos em Allah” – disse o Profeta, e seu preceito era obedecido ao pé da letra. Allah era o único objetivo daqueles que ali se encontravam, e a Ele se entregavam, com um fervor inegável, jamais esquecido pelo estrangeiro que os olhava com simpatia.

  • Os pobres rendiam homenagem a Allah junto aos ricos; os eruditos não desprezavam a companhia dos analfabetos. O profundo respeito, a total absorção, não podiam senão impressionar o espectador. Assim era a democracia que o Profeta Maomé estabelecera dentro daquelas velhas paredes vermelhas, brancas e douradas.

  • As mesquitas do Cairo encerram a emocionante beleza que me afetava cada vez que penetrava no interior de uma delas. Quem pode contemplar as centenas de colunas de mármore branco das arcadas, as nobres cúpulas revestidas de ouro, sem sentir admiração nem reservas? Quem pode fixar os arabescos geométricos que adornam as fachadas, como rendas de pedras, sem experimentar verdadeiro prazer? Todos os objetos dali estampavam o cunho dessa arte, com que os árabes enriqueceram o mundo. Em volta das paredes, as sancas repletas de reluzentes letras árabes, cópia fiel das sentenças do Corão, constituíam um elemento decorativo digno de ser apreciado.

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  • Após desfrutar da paz daquele recinto abençoado, saí às ruas. O calor da tarde vibrava no ar, o sol seguia sua marcha gloriosa na abóboda azul. No sagrado recinto da mesquita reinava paz centenária; fora dela estava a agitação, o bulício mercantil. Assim eram os dois aspectos da vida; ambos se beneficiavam da proteção e benevolência de Allah. Cruzando a praça, observei um cocheiro parar sua carruagem de aluguel e saltar a grade de ferro baixa de um pequeno jardim municipal, e estando do outro lado da cerca, prosternar-se frente a Meca e orar durante seis ou sete minutos, esquecendo o mundo e seus afazeres. Não olhava para os lados, sumido em suas preces visivelmente preso por seus sentimentos de devoção. Aquela cena comoveu-me profundamente, tanto pelo seu efeito artístico como pela lealdade espiritual que revelava.

  • Uma outra noite, cerca de 22 horas, andando às margens do Nilo, percebi um jovem limpador de ruas, encostado a um poste de luz, com a vassoura na mão descansando do seu fatigante labor. A noite estava resplandecente, e sob o céu azul-violeta o jovem cantava alto e alegremente alguma coisa que lia num pequeno livro gasto pelo uso. Cantava com tanto fervor e estava tão extasiado nas palavras, que nem percebeu minha chegada. Seus olhos brilhavam e reluziam em sua devoção a Allah. Tomei a liberdade de dar uma espiada no livro: era um exemplar do Corão. O rapaz estava com roupa suja, porque sujo era seu trabalho e muito mal retribuído, mas seu rosto refletia felicidade. Não era necessário saudá-lo. Estava com a habitual “a paz seja contigo” - porque ele já tinha encontrado.
  • Na terceira noite, fui jantar num restaurante afastado no coração da cidade velha. O garçom que me atendeu, apenas tinha colocado os pratos na mesa, logo se retirou a um canto e apanhou algo que estava apoiado na parede. Tratava-o com tanta ternura como se fosse seu melhor tesouro; nada mais era que uma esteira desbotada, que ele desenrolou e estendeu em direção a Meca. Feito isto, prosternou-se na dura superfície e durante dez minutos recitou suas preces em voz baixa. Havia outros fregueses esperando o garçom, mas o velho dono do restaurante aprovou a conduta de seu empregado com um gesto de cabeça.

  • Lembro-me de uma viagem que fiz ao Porto de Suez. Ao chegar à estação de trem, vi um operário humildemente trajado afastar-se do grupo de trabalhadores e prosternar-se, salmodiando um trecho do Corão. Seu trabalho lhe dava o que comer, mas não era tão importante a ponto de fazê-lo esquecer seus deveres para com Allah (o muçulmano tem o dever de orar cinco vezes ao dia voltado em direção a Meca). Observei seu rosto; era o rosto de um homem que vive iluminado pela luz da consciência e que conquistou certa paz interior.

  • Não posso senão admirar o fervor dessa religião, e respeitar a sabedoria do Profeta pela habilidade com que ensinou seus seguidores a conciliar a devoção com as ocupações da vida. E comparei o valor prático do Islã com o exclusivismo das crenças orientais, que tendem a separar a vida temporal da vida espiritual, levantando uma barreira quase intransponível.

  • Se nós, ocidentais, fôssemos realmente crentes, devíamos imitar esses exemplos dos seguidores dessa grande religião, o Islamismo. Podemos levar nossa fé tão longe? Duvido.

  • A força da religião islâmica não deve ser medida pelo número de seus adeptos, mas sim pela ardente devoção à qual cada um deles se entrega. Nós, os ocidentais, damos frequentemente à palavra 'muçulmano' o sentido de 'fanático', o que é completamente errôneo. Aqui há um povo que se aferra aos princípios de sua religião com um fervor que nós já perdemos.


21.1.13

O QUE É CIVILIZAÇÃO - Swami Sivananda


  • Na chamada civilização moderna, o homem não deseja mais que dinheiro. Morre por dinheiro. A maioria das pessoas toma seu desjejum às oito da manhã e imediatamente pegam o primeiro trem para chegar a suas oficinas e escritórios antes das nove. Não há descanso. O estômago e os intestinos se agitam violentamente, pelo que acabam padecendo de dispepsia e diversos problemas estomacais.

  • Alguns desenvolvem engenhosos métodos para enganar aos demais. Inventa-se todo tipo de pratos saborosos para satisfazer ao paladar. Os hotéis se converteram em centros de jogos. Neles há todo tipo de conforto, há baile e orquestras tocando durante a comida, e todo tipo de alimento para excitar os sentidos ao máximo e fazer-te esquecer de Deus e da Verdade por completo. Um diz: “Tenho cinco carros”, outro: “Tenho quinze serviçais”, outro exclama: “Viajei dez vezes à Europa”, e ainda outro: “Tenho vinte chalés em diferentes lugares”. Mas ninguém diz: “Realizei vinte e quatro voltas do Gaiatri Japa, estudei o Yoga Vasishtha dez vezes e o Gita cem vezes. Medito doze horas aos domingos. Repito o mantra por duas horas todo dia.” Assim é a civilização moderna.

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  • Com a moda é desperdiçada grande quantidade de dinheiro. Se este dinheiro fosse utilizado em ações virtuosas, em fazer caridade e servir a sociedade, o homem se transformaria na Divindade. Desfrutaria de paz e felicidade eternas. Apesar disso, o que se vê nas pessoas elegantes? Inquietação, ansiedade, preocupação, medo, depressão e rugas em seus rostos. Mesmo que estejam vestidos em seda e na última moda, tu descobres em seus rostos sua tristeza e fealdade. As úlceras da preocupação, avareza e ódio os consomem até o mais profundo do coração.

  • Tudo isto é uma decoração artificial, uma beleza decadente e falsa. Se tu possuis virtudes boas, como misericórdia, simpatia, amor, devoção e paciência, serás verdadeiramente respeitado e honrado. Isso proporciona uma beleza imortal, ainda que estejas vestido de farrapos!

  • Todos desejam ter os confortos e aparelhos da vida moderna, e o luxo de hoje se converte na necessidade de amanhã. As pessoas não se importam em enganar e se deixar corromper para conseguir seus fins. A gratificação dos sentidos se converteu na meta da vida. Inventam-se métodos engenhosos para ganhar dinheiro, ainda que sejam desonestos. Há corrupção em toda parte. A honestidade e a amabilidade desapareceram. Esse é o resultado de uma vida luxuosa, consequência dos descobrimentos científicos e da civilização ocidental.

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  • Nesta chamada civilização moderna, a avareza, a paixão e o egoísmo aumentam dia a dia. O homem perdeu sua masculinidade. O filho leva o pai ao tribunal para conseguir sua parte da propriedade. A esposa se divorcia do esposo, casando-se com outro mais rico, mais belo e jovem. O irmão envenena o mais velho para ficar com suas propriedades. Há crueldade, desonestidade, injustiça e atrocidade em toda parte. Ninguém cumpre suas promessas. O pai não tem confiança no filho. A esposa não tem confiança em seu esposo, nem o marido a tem em sua esposa.

  • O dever não é mais cumprido. As pessoas atuam segundo suas próprias ilusões e fantasias. Não existem obstáculos. Ao homem não lhe importa a instrução religiosa. A paixão domina o mundo todo. A discriminação, o pensar reto e a Vichara (indagação do Eu) desapareceram. Comer, beber e procriar são as metas da vida.

  • O dinheiro é, sem dúvida, necessário ao homem. Mas não é tudo na vida. Não se deve adorar a riqueza. O dinheiro não proporciona paz e felicidade. Diga-me quem é superior: quem vive num edifício de 120 andares na América, com aviões e carros, cheio de dólares, mas também de inumeráveis inquietações, preocupações e ansiedades, sofrendo pressão alta e outras enfermidades, com um coração mesquinho e uma grande ignorância espiritual, junto com suas consequências como paixão, avareza e cólera, ou aquele que vive numa pequena cabana de palha às margens do Ganges ou nos Himalayas, desfrutando de boa saúde, com um coração amplo e magnânimo, com inúmeras qualidades divinas, com felicidade, alegria e paz perenes, com um grande conhecimento do Ser, ainda que não tenha dinheiro, preocupações e ansiedades?

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  • Não há, então, modo de escapar de tantos problemas e dificuldades? Há só um meio: levar uma vida de despaixão, autocontrole, pureza, serviço desinteressado e amor cósmico. Pratica a devoção e meditação.

  • Viajar num carro de luxo não é verdadeira civilização. Ter radares e helicópteros não é verdadeira civilização. Ter riquezas não é civilização. Possuir títulos e honras não é civilização. Ser honesto, humilde e devoto é civilização. Ser santo e compassivo é civilização. Estar provido de devoção e sabedoria é civilização. Possuir um espírito de serviço e sacrifício é civilização.

  • Teremos que retornar à natureza e à vida natural. Teremos que adotar o viver simples e o pensamento elevado de nossos antepassados. Leve uma vida simples e natural. Vista-se com simplicidade. Caminhe diariamente. Abandone a leitura de romances e o cinema. Tome alimentos simples. Leve uma vida dura e trabalhadora. Seja autossuficiente. Não tenha serviçais. Reduza tuas necessidades. Seja honesto em teus relacionamentos. Ganhe o pão com o suor de teu rosto. Controla os sentidos e a mente. Pense em Deus. Cante Seu nome. Sinta Sua presença. Diga sempre a verdade. Aprende a discriminar. Aprende a levar uma vida divina imerso no mundo. Sirva a sociedade com o sentimento de estar servindo a Deus nela. Assim terás reconquistado tua Divindade e teu paraíso perdido.





A CARIDADE - Swami Sivananda


  • Caridade é pensar favoravelmente dos demais e fazer-lhes o bem. A caridade é o amor universal. É generosidade para com o pobre. A verdadeira caridade consiste em desejar ser útil aos demais sem pensar em obter nenhuma recompensa. A caridade é o amor em ação.

  • A caridade começa no próprio lar e deve ampliar-se fora dele. O mundo inteiro é teu lar. És um cidadão do mundo.

  • A água do Ganges não diminuirá se as pessoas sedentas a beberem. De igual modo, tua riqueza não diminuirá se fizeres caridade. Dê uma décima parte de teus ganhos à caridade. Não adies tuas obras de caridade até a morte. Faz caridade diariamente.

  • Todo ato bom é caridade. Dar água ao sedento, dizer palavras de alento a uma pessoa triste, dar remédios ao pobre, tirar uma pedra do caminho: tudo é caridade. Ser amável é caridade, esquecer e perdoar uma ofensa é caridade. Pensa em quem sofre e ora por seu bem-estar: isto produzirá um bem maior do que se possa fazer por meio do dinheiro.

  • A melhor forma de caridade é compartilhar o conhecimento. Se alimentas um pobre, ele logo sentirá fome novamente. Mas a sabedoria destroi a ignorância, e elimina para sempre o sofrimento. A segunda melhor forma de caridade é dar remédio ao doente. A terceira é dar alimento ao faminto.

  • Algumas pessoas fazem caridade desejando ver seus nomes publicados nos jornais. Esta é uma forma impura de caridade. Isso é só orgulho e ostentação. Não deves fazer publicidade de tua caridade. Deves sentir uma grande alegria ao dar. Não deves nem mesmo pensar na lei de causa e efeito que te retribuirá aquele bem que foi feito.

  • Na ação de compartilhar há paz e alegria. A caridade gera o amor cósmico e destroi a avareza. Purifica o coração e desenvolve o sentimento de unidade. Compartilhe com os demais o quanto possuas, já seja físico, mental ou espiritual. Isto expandirá teu coração e experimentarás a unidade da vida. Isto te conduzirá à realização do Atman.

  • Não há yoga maior que a caridade desinteressada. Os pecados são destruídos através da caridade. Desenvolva tua natureza generosa e poderás converter-te num rei dos reis. Se dás, toda riqueza do mundo será tua. O dinheiro fluirá para ti. Essa é a lei imutável e implacável da natureza. Portanto dá, dá. Dá sempre. Este é o segredo da abundância e da vida divina.

  • Se desejas riqueza e filhos, faz caridade em abundância. Se desejas ser sábio, serve aos velhos e aos santos. Destrua a miséria que existe em ti. Terás uma visão nova e ampla da vida. Poderás sentir a ajuda que te proporcionará Aquele que habita em teu coração. Poderás experimentar uma emoção indescritível, uma alegria espiritual. Isto te dará uma tremenda fortaleza interna. 

     

FRASES PODEROSAS PARA MEDITAÇÃO (em sânscrito)


Sânscrito:
Português:


Nota 1: Brahman  (ou Brahma) é a Mente Universal. Atman é a Alma individual.

Nota 2: a palavra 'irreal' tem o sentido de 'não permanente', 'não eterno'.

Nota 3: prajnanam é pronunciado 'pranhánam'

Nota 4: o H tem o som de RR, como na palavra "arroz"


Após a prática moderada do pranayama, isto é, estando a mente concentrada sem 

estar cansada pelo excesso de pranayama, o praticante pode concentrar-se no

significado de uma destas frases, repetindo mentalmente a frase em português ou em

 sânscrito.





19.1.13

AS ÂSANAS FAVORITAS DE SIVANANDA


Sirshásana é sem dúvida a ásana favorita de Sivananda. Ele a considera o rei das ásanas. É um tônico para o cérebro, a cura para muitas doenças dos olhos e ouvidos, uma bênção para os Brahmacharins e pessoas que têm trabalho mental, e uma amiga indispensável para aspirantes espirituais. Para aqueles que se consideram inaptos a ela, ele prescreve deixar a cabeça pendurada para fora da cama por uns instantes.

Sarvangásana é a segunda ásana em importância de que Sivananda gosta muito e prescreve a todos que desejam manter boa saúde e gozar de uma vida longa. Se você não puder fazer Sirshásana, pratique Sarvangásana durante alguns minutos por dia.

Paschimottanásana completa o trio. Ela exercita o abdômen e a espinha, prevenindo assim muitas doenças e preservando perfeita saúde.

Sarvangásana exercita a glândula tireóide e concede saúde duradoura. Sirshásana te faz brilhar com Ojas Shakti. Sivananda prescreve Vajrásana para ajudar a digestão; sente-se nela por quinze minutos após as refeições e você nunca sofrerá de indigestão. Sivananda enfatiza que mesmo que você selecionar apenas duas âsanas e dedicar três minutos à prática, sendo regular, você receberá imensos benefícios.


O PRANAYAMA DE SIVANANDA




Técnica: Sente-se confortavelmente numa cadeira ou sofá. Inspire o ar por ambas as narinas, longa e confortavelmente. Segure a respiração enquanto for confortável. Repita OM enquanto retém a respiração. Então exale longa e confortavelmente. Não é necessário observar nenhuma medida de tempo na inalação, exalação e retenção; apenas faça com que a inalação e exalação sejam profundas e plenas.



Benefícios: Os benefícios deste Pranayama são incalculáveis. Todos os músculos se relaxam. Todos os nervos são fortalecidos. Ritmo e harmonia se estabelecem em todo o ser. A mente se acalma. Promove-se a circulação. Uma paz e bem-estar inexprimível vem a reinar dentro de você. Você pode fazê-lo de manhã enquanto está na cama. Pode fazê-lo quando a mente está prestes a perder seu equilíbrio por conta do desejo, ira ou outro mau pensamento; a mente se encherá de grande poder que impedirá os maus pensamentos de perturbá-la. Você pode fazê-lo antes de começar a estudar; a mente se concentrará facilmente e o que você estudar ficará impresso em sua mente. Você pode fazê-lo durante seu trabalho no escritório, e terá nova força e nunca ficará cansado. Quando retornar do trabalho, você pode praticar este Pranayama e ficará recarregado com energia nova.



O melhor é que, quando começar a fazer este pranayama, você vai querer fazê-lo frequentemente. Este pranayama é muito fácil e confortável e tem todas as vantagens do pranayama, sem suas regras e regulações.




Aviso de Swami Shivapadananda


Algumas pessoas ficam agitadas quando seu sistema esquenta por fazer muito pranayama. Então elas começam a fazer ainda mais pranayama para remover o calor. Elas pensam que é como homeopatia – toda a doença está saindo do corpo. Então elas fazem mais pranayama e ficam ainda mais quentes. E em pouco tempo se queimam.
Elas podem pensar que isto não é importante ou não é perigoso. É muito perigoso. É como mexer com eletricidade sem compreensão correta, você pode levar um tremendo choque. Se você destruir seus nervos, isso pode arruinar toda sua vida. Você pode destruí-los com pranayama, se não tiver cuidado. Meu guru certa vez avisou as pessoas para que não usassem drogas para se divertirem pela mesma razão. É como colocar uma alta voltagem (1.000 volts) através de fios sem capacidade para carregar esta força (110 volts): eles vão ser queimados.
É por isso que muitos sádhakas (espirantes espirituais) danificam ou queimam seu sistema nervoso e sua saúde. Eles pensam: “Oh espiritualidade e sádhana são coisas maravilhosas!”, e ficam mentalmente doentes. Por que? Porque juntamente com suas práticas, você deve observar como o corpo está reagindo a elas. Quando o corpo reage excessivamente, então vá mais devagar. Depois que o corpo e os nervos se fortalecerem, então continue (isto é, deve-se dar descanso de um ou mais dias aos nervos, e só continuar quando recuperarem seu equilíbrio e frescor).

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SOBRE O AMOR - Krishnamurti


Sabe, de fato não temos amor – essa é uma coisa terrível de se perceber. De fato não temos amor; temos sentimento; temos emocionalismo, sensualidade, sexualidade, temos lembranças de alguma coisa que pensamos que era amor. Mas de fato, brutalmente, não temos amor. Porque ter amor significa não ter violência, nem medo, nem competição, nem ambição. Se você teve amor, nunca dirá, "Esta é minha família." Você pode ter uma família e lhe dar o melhor que pode; mas ela não será "sua família" que está em oposição ao mundo. Se você ama, se existe amor, existe paz. Se você amasse, educaria seu filho não para ser nacionalista, não para ter apenas uma profissão técnica e tratar apenas de seus pequenos assuntos; você não teria nacionalidade. Não haveria divisões de religião, se você amasse.
Mas como essas coisas de fato existem – não teoricamente, mas brutalmente – este mundo hediondo, mostra que você não tem amor. Mesmo o amor da mãe por seu filho não é amor. Se a mãe realmente amasse seu filho, você acha que o mundo seria assim? Ela cuidaria que ele tivesse o alimento correto, a educação correta, que fosse sensível, que apreciasse a beleza, que não fosse ambicioso, ganancioso, invejoso. Então a mãe, conquanto ela possa pensar que ama seu filho, não ama. Então não temos esse amor.
Certamente, desde que você consumiu-se na política, seu problema não é apenas escapar da sociedade, mas voltar totalmente à vida, amar e ser simples. Sem amor, faça o que puder, você nunca conhecerá a ação total que é a única coisa que pode salvar o homem.
Isso é verdade, senhor: nós não amamos, não somos realmente simples.”
Por que? Porque você está preocupado com reformas, com deveres, com respeitabilidade, com vir a ser algo, em passar para o outro lado. Em nome de outro, está preocupado com você mesmo; está preso em sua própria concha. Você pensa que é o centro desta bela terra. Nunca se detém para olhar uma árvore, uma flor, o rio correndo; e se por acaso olhar, seus olhos estão cheios com as coisas da mente, e não com beleza e amor.
Novamente, isso é verdade; mas o que a pessoa pode fazer?”
Olhe e seja simples.
Quando as coisas da mente não enchem seu coração, então existe amor; e só o amor pode transformar a loucura e a insanidade atuais no mundo – nunca sistemas, nunca teorias, nem da esquerda nem da direita. Você só ama realmente quando não possui, quando não é invejoso, não é ávido, quando é respeitoso, quando tem misericórdia e compaixão, quando tem consideração por sua mulher, seus filhos, seu vizinho, seus infelizes empregados.
Não se pode pensar sobre o amor, o amor não pode ser cultivado, o amor não pode ser praticado. A prática do amor, a prática da fraternidade, ainda está dentro do campo da mente, portanto, não é amor. Quando tudo isso tiver cessado, então o amor surgirá, e você saberá o que é amar.
Obviamente, amor não é sentimento. Ser sentimental, ser emocional, não é amar, porque sentimentalismo e emoção são meras sensações. Uma pessoa religiosa que chore por Jesus ou Krishna, por seu guru ou alguma outra pessoa, é apenas sentimental, emotiva. Ela está se entregando à sensação, que é um processo de pensamento, e o pensamento não é amor. O pensamento resulta da sensação; por isso uma pessoa sentimental, emotiva, não é capaz de conhecer o amor. Não somos emotivos e sentimentais? Sentimentalismo, emocionalismo é somente uma forma de auto-expansão.
Ser cheio de emoção não é amor, obviamente, porque a pessoa sentimental pode ser cruel quando seus sentimentos não são correspondidos, quando seus sentimentos não podem escoar. A pessoa emotiva pode ser motivada para odiar, para guerrear, para praticar genocídio. O homem sentimental, que verte lágrimas por sua religião, certamente não tem amor.
O perdão é amor? Quais as implicações do perdão? Você me insulta e eu fico ressentido, guardo na memória; então, por obrigação ou por arrependimento, eu digo: “Eu te perdoo.” Primeiro eu retenho, e depois eu rejeito. O que significa isso? Continuo sendo a figura central; sou eu que estou perdoando alguém. Enquanto houver a atitude de perdoar, eu sou a parte importante, e não o homem que supostamente me insultou. Assim, quando acumulo ressentimento e depois nego esse ressentimento, coisa que vocês chamam de perdão, isso não é amor. O homem que ama, obviamente não tem inimigos e é indiferente a todas essas coisas. Solidariedade, perdão, relação de possessividade, ciúme e medo – nada disso é amor. Essas coisas são coisas da mente, não é verdade?

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Neste mundo árido e despedaçado, não existe amor porque o prazer e o desejo desempenham os papeis preponderantes, no entanto, sem amor a vida diária não tem sentido. E você não pode ter amor se não houver beleza. A beleza não é algo que você veja – não é uma árvore bonita, um quadro bonito, um belo edifício ou uma bela mulher. Só há beleza quando seu coração e sua mente sabem o que é amor.
Sem amor e sem esse senso de beleza, não há virtude, e você sabe muito bem que, faça o que fizer – melhore a sociedade, alimente os pobres – você só estará criando mais maldade, pois, sem amor, só há feiura e pobreza em seu coração e em sua mente. Mas, havendo amor e beleza, faça o que fizer, será certo, será apropriado. Se você sabe amar, então pode fazer o que quiser, pois isso resolverá todos os outros problemas.
O que é o amor? Não estamos discutindo teorias sobre o que o amor deveria ser. Estamos observando o que chamamos de amor: “Amo a minha mulher.” Não sei o que é que você ama; e duvido que você ame algo. Sabe o que significa amar? Será que o amor é prazer? O amor é ciúme? Um homem ambicioso é capaz de amar? – ele pode dormir com a mulher, gerar alguns filhos. E um homem que esteja lutando para se tornar importante na política, ou no mundo dos negócios, ou no mundo da religião (onde deseja se tornar um santo, deseja ser sem desejo), tudo isso faz parte da ambição, da agressão, do desejo.
O homem competitivo é capaz de amar? E vocês todos são competitivos, não é verdade? – melhor emprego, melhor posição, melhor casa, ideias mais nobres, imagens mais perfeitas de si mesmos; vocês conhecem bem as situações por que passam. Isso é amor? Você é capaz de amar ao passar por toda essa tirania, quando pode dominar sua mulher ou seu marido, ou os seus filhos? Quando você está buscando o poder, há possibilidade de amar?
Portanto, na negação do que não é amor, existe amor. Entendem, senhores? Precisam negar tudo que não seja amor, o que significa não ter ambição, não ser competitivo, não ser agressivo, não ser violento nem na fala, nem em ato, nem em pensamento. Quando você nega o que não é amor, então sabe o que é amor.
Na realidade, você não tem amor. Você tem prazer, tem sensação, tem apegos sexuais, tais como a família, a esposa, o marido, o apego a uma nação. Mas prazer não é amor. E o amor não é algo divino ou profano: não há divisão. O amor significa algo a cuidar: cuidar de uma árvore, do seu vizinho, do seu filho; providenciar educação correta para o seu filho, e não só colocá-lo numa escola e sumir - a educação correta, e não apenas educação tecnológica - e providenciar para que as crianças tenham os professores certos, o alimento certo, que elas entendam a vida, entendam o sexo.
Restringir-se a ensinar geografia, matemática ou alguma coisa técnica que lhes dê um emprego – isso não é amor. E, sem amor, você não pode ser ético – você pode ser respeitável, isto é, você pode se conformar à sociedade: você não rouba, não vai atrás da mulher do próximo, não faz isso nem aquilo. Mas isso não é moralidade, isso não é virtude; é somente a conformidade da respeitabilidade.
Respeitabilidade é a coisa mais terrível e repugnante do mundo, porque ela abrange tantas coisas feias. Por outro lado, quando existe amor, existe moralidade: faça você o que fizer, será ético se houver amor.



AOS PÉS DO MESTRE (Mestre Kuthumi)


AOS PÉS DO MESTRE (instruções do Mestre Kuthumi ao discípulo Krishnamurti)

Quatro são as qualidades necessárias para a Senda:

I – Discernimento.

II – Ausência de desejos (Desapego, abnegação).

III – Boa conduta.

IV – Amor.

I – DISCERNIMENTO

A primeira dessas qualidades é o Discernimento, vulgarmente tomado no sentido daquela distinção entre o real e o irreal, que conduz o homem para a Senda. É isto; mas é muito mais ainda, e deve ser praticado, não somente no começo da Senda, porém a cada passo que nela diariamente se dá, até o fim. Entras para a Senda porque aprendeste que somente nela se podem encontrar as coisas dignas de aquisição.

Os homens que não sabem, trabalham para adquirir a riqueza e o poder, porém estes bens são, quando muito, para uma vida somente e, portanto, irreais. Há coisas maiores do que essas – coisas reais e duradouras; quando as tiveres visto uma vez, não mais desejarás as outras. Em todo o mundo há somente duas espécies de pessoas – as que sabem e as que não sabem – e o conhecimento é o que importa possuir. A religião de um homem, a raça a que pertence – não são coisas de importância; o que é realmente importante é o conhecimento – o conhecimento do Plano de Deus em relação aos homens. Pois Deus tem um plano e esse plano é a Evolução; quando o homem o tiver visto e, realmente, conhecer, não poderá deixar de cooperar nele, unificando-se com ele, tal a sua glória e beleza. Assim, pelo fato de possuir o conhecimento, ele está ao lado de Deus, firme no bem e resistente ao mal, trabalhando pela evolução e não com fins pessoais.

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Se está ao lado de Deus, é um dos nossos, não tendo a mínima importância que ele se diga hinduista, budista, cristão ou maometano, ou que seja hindu, inglês, chinês ou russo. Aqueles que estão ao lado de Deus sabem por que aí se acham, sabem o que têm a fazer e tentam cumpri-lo; todos os demais não sabem ainda o que têm a fazer e, por isso, freqüentemente agem de modo insensato, imaginando caminhos para si próprios, os quais lhes parecem agradáveis, não compreendendo que todos são um e que, portanto, só aquilo que o Uno quer pode realmente ser agradável a todos. Seguem o irreal ao invés do
Real. E, enquanto não aprendem a distinguir entre ambos, não se colocam ao lado de
Deus – e eis porque o Discernimento é o primeiro passo a dar.

Todavia, mesmo depois de feita a escolha, deves lembrar-te de que no Real e no irreal há muitas variantes e o discernimento deve ainda ser exercido entre o bem e o mal, o importante e o não importante, o útil e o inútil, o verdadeiro e o falso, o egoísta e o
desinteressado.

Entre o bem e o mal não deveria ser difícil escolher, pois aqueles que desejam seguir o Mestre já se decidiram a seguir o bem a todo custo. Porém, o homem e o seu corpo são dois, e a vontade do homem nem sempre está de acordo com a do corpo. Quando o teu corpo desejar alguma coisas, pára e considera se tu és Deus e só queres o que Deus quer; necessitas, porém, penetrar fundo em ti mesmo, para em teu interior encontrares Deus e ouvir a Sua voz, que é a tua.

Não confundas os teus corpos contigo mesmo, nem o teu corpo físico, nem o astral, nem o mental. Cada um deles pretende ser o Ego, a fim de obter o que deseja. Precisas, porém, conhecê-los todos e conhecer-te a ti mesmo como seu possuidor. Quando há um trabalho para fazer, é quando o corpo físico quer descansar, passear, comer e beber; o homem que não sabe, diz a si mesmo: eu quero fazer estas coisas e preciso fazê-las. Porém, o homem que sabe diz: Quem quer não sou eu; portanto espere um pouco.
Freqüentemente, quando há oportunidade de auxiliar alguém, o corpo insinua: Que aborrecimento isto me trará; deixemos que outro qualquer tome o meu lugar. Porém, o homem que sabe lhe replica: Tu não me impedirás de praticar uma boa ação.

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O corpo é teu animal, o cavalo que montas. Deves, portanto, tratá-lo bem, cuidar bem dele, não o estafar, alimentá-lo convenientemente só com alimentos e bebidas puros, e mantê-lo perfeitamente limpo, sempre, sem o menor vestígio de impureza. Pois que, sem um corpo perfeitamente limpo e saudável, não podes efetuar a árdua tarefa da preparação, nem suportar-lhe os incessantes esforços. Deves, porém, ser sempre tu quem o domine, e não ele o que domine a ti.

O corpo astral tem seus desejos – e os tem às dúzias; há de querer ver-te encolerizado, ouvir-te dizer palavras ásperas, que sintas ciúmes, que sejas ávido por dinheiro, que invejes os bens alheios e cedas ao desânimo. Quererá todas essas coisas e muitas outras mais, não porque deseje prejudicar-te, mas por que lhe aprazem as vibrações violentas e gosta de mudá-las continuamente. Tu, porém, não desejas nenhuma destas coisas e, portanto, deves distinguir os teus desejos dos de teu corpo astral.

O teu corpo mental deseja manter-se orgulhosamente separado; quererá que  penses muito em ti mesmo e pouco nos outros. Mesmo quando o tiveres desviado das coisas mundanas, tentará ainda especular acerca de ti próprio, fazer-te pensar no teu próprio progresso, em lugar de o fazeres na obra do Mestre e em auxiliar os outros.
Quando meditares, tentará fazer-te pensar nas diferentes coisas que ele quer, em vez da
única de que necessitas. Não és esse corpo mental, mas dele dispões para o teu uso;
assim, mesmo aqui, o discernimento é necessário. Deves vigiar incessantemente, sob
pena de vires a falir.

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Entre o bem e o mal, o Ocultismo não admite compromissos. Custe o que custar, deves fazer o bem e nunca o mal. Diga ou pense o ignorante o que quiser. Estuda profundamente as leis ocultas da Natureza e organiza a tua vida de acordo com elas,
utilizando sempre a razão e o bom senso.

Deves discernir entre o que é importante e o que não é. Firme como uma rocha em tudo que concerne ao bem e ao mal, cede invariavelmente aos outros nas coisas de somenos importância. Pois deves ser sempre amável, bondoso, razoável e condescendente, deixando aos outros a mesma plena liberdade que para ti necessitas. Procura verificar o que vale a pena ser feito e lembra-te que as coisas não devem ser julgadas pela sua grandeza aparente. Uma pequena coisa de utilidade imediata à obra do Mestre merece muito mais ser feita, do que uma grande coisa que o mundo considera boa.
Precisas distinguir não somente o útil do inútil, mas ainda o mais útil do menos útil. Alimentar os pobres é uma boa obra, nobre e útil; porém, alimentar-lhes as almas é ainda mais nobre e mais útil. Por muito sábio que já sejas, muito terás ainda que aprender na Senda; tanto que nela mesma precisas discernir e meditar cuidadosamente o que deve ser aprendido.

Todo o conhecimento é útil, e um dia o possuirás integralmente; enquanto, porém, se
possuíres parte dele, cuida em que essa seja a mais útil. Deus tanto é Sabedoria como
Amor; e quanto mais sábio fores, mais Ele se manifestará por teu intermédio. Estuda, pois, mas estuda em primeiro lugar o que mais te habilite a auxiliar aos outros. Trabalha
pacientemente em teus estudos, não para que os homens te julguem sábio, nem mesmo
para gozares a felicidade de ser sábio – mas por que o sábio pode ser sabiamente útil. Por
muito que desejes prestar auxílio, enquanto fores ignorante, poderás fazer mais mal do que bem.

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Precisas distinguir entre a verdade e a mentira; deves aprender a ser verdadeiro em tudo: no pensamento, na palavra e na ação. Primeiro no pensamento, e isto não é fácil, porque há no mundo muitos pensamentos falsos, muitas superstições insensatas e ninguém que a eles se escravize poderá progredir. Por conseguinte, não deves acolher um pensamento simplesmente porque muitas pessoas o acolhem, nem por ter merecido crédito durante séculos, nem por constar de algum livro que os homens julguem sagrado; deves pensar por ti mesmo sobre a questão, e por ti mesmo ajuizar se ela é razoável. Lembra-te que, embora um milhar de homens concorde sobre um assunto, se nada conhecerem a respeito, a sua opinião não tem valor. Aquele que quiser caminhar na Senda tem que aprender a pensar por si mesmo, pois a superstição é um dos maiores males do mundo e um dos empecilhos de que, por ti próprio, te deves libertar inteiramente.

O teu pensamento acerca dos outros deve ser verdadeiro; não penses a seu respeito aquilo que não saibas. Não suponhas que os outros estejam sempre pensando em ti. Se um homem faz alguma coisa que julgas poder prejudicar-te, ou diz algo que parece ser-te dirigido, não suponhas imediatamente: “ele pretende ofender-me”. O mais provável é que nunca pensasse em ti pois cada alma tem as suas próprias preocupações e os seus pensamentos não giram, as mais das vezes, em torno senão de si própria. Se um homem te falar colericamente, não penses: “Ele me odeia e quer ferir-me.” Provavelmente, alguém ou alguma coisa o encolerizou e, acontecendo encontrar-te, voltou a sua cólera sobre ti. Procede insensatamente, pois toda a cólera é insensata, mas nem por isso deves pensar falsamente a seu respeito.

Quando te tornares discípulo do Mestre, poderás sempre averiguar a veracidade do teu pensamento cotejando-o com o Seu. Pois o discípulo é um com seu Mestre e basta-lhe fazer retroceder o seu pensamento até ao do Mestre, para verificar se ambos estão de acordo. Se não estiver, o pensamento do discípulo é errôneo e ele deve modificá-lo instantaneamente, pois o pensamento do Mestre é perfeito, visto que Ele tudo sabe.
Aqueles que por Ele ainda não foram aceitos, não podem fazer isto perfeitamente; porém serão grandemente ajudados se freqüentemente se detiverem a perguntar: “Que pensaria o Mestre a este respeito? Que faria ou diria Ele em tais circunstâncias?” Pois nunca deves fazer, dizer ou pensar o que não possas imaginar que o Mestre faça, diga ou pense.

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Deves também ser verdadeiro no falar, exato e sem exageros. Nunca atribuas más intenções a outrem; somente o seu Mestre lhe conhece os pensamentos e bem pode estar agindo por motivos que nunca penetrassem em tua mente. Se ouvires uma narrativa contra alguém, não a repitas; pode não ser verdadeira; e, ainda que o seja, é mais bondoso nada dizer. Pensa bem antes de falar, a fim de não caíres em inexatidões.
Sê verdadeiro na ação; nunca pretendas parecer senão aquilo que és, pois todo fingimento constitui um obstáculo à pura luz da verdade, que deve brilhar através de ti como a luz do Sol através de um vidro transparente. Precisas discernir entre o egoísmo e o altruísmo, pois o egoísmo reveste muitas formas e, quando pensas tê-lo morto, finalmente, numa delas, surge noutra tão forte como sempre. Porém, gradualmente, o pensamento de auxiliar aos outros te encherá de tal modo, que não haverá lugar nem tempo para pensares em ti mesmo.

De outra maneira, ainda deves utilizar o discernimento: aprende a distinguir a Deus que está em todos e em tudo, por pior que seja a sua aparência exterior. Podes ajudar teu irmão pelo que tens de comum com ele – a Vida Divina. Aprende a despertar nele essa Vida, aprende a invocá-la nele; assim o salvarás do mal.

II – AUSÊNCIA DE DESEJOS

Há muitas pessoas para quem a qualidade da Ausência de Desejos (abnegação, desapego) é difícil, por pensarem que os seus desejos são elas próprias – e que, se esses desejos peculiares, simpatias e antipatias lhes forem tirados, nada mais lhes restará. Essas, porém, são somente as que ainda não viram o Mestre; à luz de Sua Santa Presença, todo desejo sucumbe, exceto o de se assemelhar a Ele. No entanto, antes mesmo de teres a ventura de encontrá-Lo face a face, podes conquistar a ausência de desejo, se o quiseres.

O discernimento já te demonstrou que as coisas que os homens mais desejam, tais como a riqueza e o poder, não merecem o trabalho de ser possuídas; quando isto realmente é sentido, e não apenas enunciado, cessa todo o desejo por elas. Tudo isto é simples; necessitas apenas compreender. Há, porém, algumas pessoas que recusam-se a prosseguir em objetivos terrenos, somente no intuito de alcançar o céu, ou para atingir a libertação pessoal dos renascimentos. Não deves cair neste erro. Se te esqueceste completamente de ti mesmo, não te podes preocupar com a época da libertação do teu Ego ou com a espécie de céu que lhe caberá. Lembra-te que todo desejo egoísta é um liame e, por muito elevado que seja o seu objetivo, enquanto dele te não desembaraçares, não estarás completamente livre para te devotares à obra do Mestre.

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Quando tiverem desaparecido todos os desejos pessoais, poderá ainda restar o de apreciares o resultado do teu trabalho. Se auxiliares alguém, quererás ver até que ponto o tens ajudado; talvez mesmo queiras que ele o reconheça também e se te mostre grato. Isto, porém, é ainda o desejo e também uma falta de confiança. Quando aplicares a tua energia em auxiliar alguém, há de advir daí um resultado, quer possas vê-lo quer não; se conheces a Lei, sabes que deve ser assim. Precisas, pois, fazer o bem por amor ao bem, e não com a esperança da recompensa. Trabalha por amor ao trabalho e não para ver o resultado; deves entregar-te ao serviço do mundo porque o amas e não podes deixar de fazê-lo.

Não desejes os poderes psíquicos; eles virão quando o Mestre achar que melhor te será possuí-los. Forçá-los muito cedo traz consigo muitas perturbações; freqüentemente o seu possuidor é desencaminhado por falazes espíritos da natureza, ou então se torna vaidoso e se julga isento de cair em erro; em todo o caso, o tempo e a força necessários para adquiri-los poderiam ser gastos em trabalhar para os outros. Eles virão no decurso do teu desenvolvimento – porque devem vir; e se o Mestre entender que te será útil possuí-los mais cedo, te ensinará como desenvolvê-los com segurança. Até então, melhor será que os não possuas.

Deves precaver-te, também, contra certos pequenos desejos comuns na vida diária. Nunca desejes sobressair nem parecer instruído; não desejes falar. É bom falar pouco; melhor ainda é nada dizer, a não ser que estejas seguro de que o que pretendes dizer é verdadeiro, amável e útil. Antes de falar, pensa cuidadosamente se o que pretendes dizer preenche essas três qualidades; se assim não for, não o digas.

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É bom que te habitues desde agora a refletir cuidadosamente antes de falar pois, quando alcançares a Iniciação, terás de vigiar cada palavra a fim de não dizeres o que não deve ser dito. Muitas das conversações ordinárias são desnecessárias e insensatas; e, quando chegam à maledicência, tornam-se perversas. Assim, acostuma-te antes a ouvir do que a falar; não emitas opinião senão quando diretamente solicitada. Um enunciado das qualidades requeridas é assim formado: saber, ousar, querer, calar, e a última das quatro é a mais difícil de todas.

Um desejo vulgar que deves severamente reprimir é o de te imiscuíres nos negócios de outrem. O que um homem faz, diz ou crê, não é de tua conta e precisas aprender a deixá-lo absolutamente entregue a si próprio. Ele tem pleno direito à liberdade de pensamento, palavra e ação, até ao ponto em que não interfira no que concerne a outrem. Tu próprio reclamas a liberdade de fazer o que julgas bom; deves outorgar a mesma liberdade aos outros e, quando a usarem, não tens o direito de te pronunciares a respeito.

Se julgas estar alguém fazendo o mal e encontras uma oportunidade de lho dizer em particular – e muito delicadamente – porque assim pensas, talvez consigas convencê-lo; porém, em muitos casos, isto mesmo não passaria de uma interferência indébita. De modo algum deverás murmurar com uma terceira peso sobre o assunto, pois isso seria uma ação extremamente má.

Se observares um caso de crueldade para com uma criança ou um animal, é teu dever intervir. Se vires alguém violando as leis do país, deves informar as autoridades.
(Naturalmente em casos manifestamente graves, como o da prática da crueldade, o
quando intimado a fazê-lo.) Se estiveres incumbido de instruir uma outra pessoa, pode tornar-se teu dever adverti-la suavemente de suas falhas. Exceto em tais casos, ocupa-te de teus próprios negócios e aprende a virtude do silêncio.

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III – BOA CONDUTA

Os seis pontos sobre a conduta, especialmente exigidos pelo Mestre, são:

1. Domínio da Mente.

2. Domínio da Ação.

3. Tolerância.

4. Contentamento

5. Perseverança (unidade de direção para o fim visado).

6. Confiança.

1. Domínio da Mente

A qualidade da ausência do desejo mostra que o corpo astral precisa ser dominado; o mesmo acontece em relação ao corpo mental. Isto significa domínio do temperamento, de modo a não poderes sentir cólera ou impaciência; domínio da própria mente, a fim de que o pensamento seja sempre calmo e sereno e, através da mente, o domínio dos nervos, a fim de que sejam o menos irritáveis possível.

Este último objetivo é difícil de atingir, porque, quando tentas preparar-te para a Senda, não podes deixar de tornar o teu corpo mais sensitivo; de sorte que os seus nervos podem ser facilmente abalados por um som ou um choque, e sentir de modo agudo qualquer pressão. Faz, porém, o melhor que te for possível.

A mente calma implica, também, coragem , a fim de afrontares sem medo as provas e dificuldades da Senda; implica, outrossim, firmeza, para suportares as pequenas perturbações inerentes à vida diária e evitar os aborrecimentos incessantes, oriundos de pequenas coisas em que muita gente consome a maior parte do seu tempo.

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O Mestre ensina que não tem a menor importância o que ao homem acontece exteriormente; tristezas, perturbações, doenças, perdas – tudo isso deve ser nada para ele e não deve permitir que lhe afetem a calma mental. São o resultado das ações passadas e, quando chegam, devem ser suportadas alegremente, com a lembrança de que todo mal é transitório e que é teu dever permanecer sempre contente e sereno. Pertencem às tuas vidas anteriores e não a esta; não podes alterá-las, portanto é inútil que com elas te preocupes. Pensa antes no que estás, agora, fazendo e que determinará os acontecimentos de tua próxima vida, pois essa podes modificar.

Não cedas nunca à tristeza e ao desalento. O desalento é mau, porque contamina os outros e torna as suas vidas mais difíceis, o que não tens o direito de fazer. Portanto, sempre que venha a ti, deves repeli-lo imediatamente.

Deves ainda dominar o teu pensamento de outro modo; não o deixes vaguear. Fixa o teu pensamento naquilo que estiveres fazendo, a fim de que seja feito com perfeição; não deixes a tua mente ociosa, porém mantém sempre bons pensamentos em reserva, prontos a avançar quando ela estiver livre. Emprega, diariamente, o poder do teu pensamento em bons propósitos; sê uma força orientada para a evolução. Pensa cada dia em alguém que saibas estar imerso na tristeza e no sofrimento, ou necessitando de auxílio e derrama sobre ele teus pensamentos de amor.

Preserva a tua mente do orgulho, porque o orgulho provém somente da ignorância.
O homem que não sabe, pensa ser grande por ter feito alguma grande coisa; mas o homem sábio compreende que só Deus é grande e que toda boa obra é feita só por Ele.

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2. Domínio da Ação

Se o teu pensamento for o que deve ser, encontrarás pouca dificuldade na ação. Lembra-te que para ser útil à humanidade, o pensamento deve traduzir-se em ação. Nada de indolência, mas uma constante atividade no trabalho útil. Deves, porém, cumprir o teu próprio dever e não o de outrem, a não ser com a sua devida permissão e no intuito sempre de ajudá-lo. Deixa que cada homem execute o seu trabalho a seu modo; mantém-te sempre pronto a oferecer auxílio onde ele for necessário, porém nunca te intrometas.

 Para muita gente a coisa mais difícil deste mundo é aprender a ocupar-se de seus próprios negócios; é, porém, isto exatamente o que deves fazer. Pelo fato de empreenderes um trabalho de ordem superior, não deves esquecer os teus deveres comuns, pois enquanto os não cumprires, não estarás livre para outro serviço. Não tomes sobre ti novos deveres para com o mundo; porém, daqueles que já te encarregaste, desempenha-te perfeitamente – os deveres definidos e razoáveis, que tu próprio reconheces, e não os deveres imaginários que porventura alguém pretenda impor-te. Se queres pertencer ao Mestre, deves executar o teu trabalho comum melhor e não pior do que os outros, porque deves fazer também isto por amor a Ele.

3. Tolerância.

Deves sentir perfeita tolerância por todos e um sincero interesse pelas crenças dos de outra religião, tanto quanto pelas tuas próprias. Pois a religião dos outros é um Caminho para o Supremo, da mesma forma que a tua. E, para auxiliar a todos, é preciso tudo compreender. Mas a fim de alcançares esta perfeita tolerância, deves tu próprio, em primeiro lugar, libertar-te da superstição e da beatice. Precisas aprender que não há cerimônias indispensáveis; de outro modo te suporias um pouco melhor do que aqueles que as não cumprem. Não condenes, porém, os que ainda se apegam às cerimônias. Deixa-os fazer o que lhes aprouver, contanto que se não intrometam no que concerne a ti que conheces a verdade – pois não devem tentar forçar-te àquilo que já ultrapassaste. Sê indulgente com todos; sê benévolo em tudo.

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Agora que os teus olhos foram abertos, algumas das tuas antigas crenças e cerimônias podem parecer-te absurdas; talvez, na realidade, o sejam. Apesar, porém, de não poderes mais tomar parte nelas, respeita-as por amor às boas almas para quem elas são ainda importantes. Têm o seu lugar e a sua utilidade; assemelham-se às duplas linhas que, quando criança, te guiavam para escrever em linha reta e na mesma altura, até que aprendeste a escrever muito melhor e mais livremente sem elas. Houve tempo em que delas necessitaste; esse tempo, porém, já passou.

Um grande Instrutor escreveu certa vez: “Quando eu era criança, falava como criança, entendia como criança; porém, quando me tornei homem, abandonei os modos infantis”. No entanto, aquele que esqueceu a sua infância e perdeu a simpatia pelas crianças não é o homem que as possa instruir e ajudar. Assim, olha a todos bondosamente, gentilmente, tolerantemente; porém, a todos da mesma forma, quer sejam budistas, jainos, judeus, cristãos ou maometanos.

4. Contentamento

Deves suportar o teu karma alegremente, qualquer que ele seja, tendo o sofrimento como uma honra, pois demonstra que os Senhores do Karma te acham digno de auxílio. Por muito duro que ele seja, mostra-te agradecido por não ser ainda pior.
Lembra-te que de muito pouca utilidade serás para o Mestre, enquanto o teu mau karma não for esgotado e não estiveres livre. Oferecendo-te a Ele, pediste que o teu karma fosse apressado e assim, em uma ou duas vidas esgotas aquilo que, de outro modo, exigiria uma centena delas. Para maior proveito, porém, deves suportá-lo alegremente.

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Há outro ponto de importância. Abandona todo sentimento de posse. O karma pode arrebatar-te aquilo de que mais gostas, mesmo as pessoas que mais amas. Ainda assim deves ficar contente – pronto a separar-te de tudo e de todos.

Freqüentemente, o Mestre necessita transmitir Sua força a outros através do Seu servo; Ele não o poderá fazer se o servo ceder ao desânimo. Assim, o contentamento é indispensável.

5. Perseverança

A coisa única que deves manter sempre presente, em tua mente, é o trabalho do Mestre. Qualquer outra coisa que surja em teu caminho, não te deve fazê-lo esquecer. Na verdade, nenhuma outra coisa poderá surgir diante de ti, pois todo trabalho útil e desinteressado é trabalho do Mestre e tu deves executá-lo por amor a Ele. E precisas dedicar-lhe toda a tua atenção, a fim de ser o que de melhor possas fazer. O mesmo Instrutor escreveu também: “O que quer que faças, faze-o de boa vontade, como sendo para o Senhor e não para os homens”. Pensa como executarias um trabalho se soubesses que o Mestre viria vê-lo imediatamente; é justamente nestas condições que deves executar tudo. Aqueles que sabem, melhor compreenderão o significado desde versículo.

Há um outro, semelhante porém muito mais antigo: “Em tudo o que a tua mão fizer, aplica toda a tua força.”

A perseverança significa, também, que nada deverá afastar-te por um momento sequer da Senda em que entraste. Nem tentações, nem os prazeres do mundo, nem as afeições mundanas, devem jamais desviar-te. Pois tu mesmo deves unificar-te com a Senda; ela deve tornar-se de tal modo parte da tua própria natureza que a percorras sem nisso teres que pensar e sem te desviares. Tu, a Mônada, assim o decidiste; separares-te da Senda equivaleria a te separares de ti mesmo.

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6. Confiança

Deves confiar em teu Mestre; deves confiar em ti mesmo. Se já viste o Mestre, nele
confiarás plenamente através de muitas vidas e mortes. Se ainda não O viste, deves tentar averiguar a Sua existência e confiar Nele – porque se o não fizeres, nem mesmo Ele te poderá ajudar. Sem que haja perfeita confiança não poderá haver perfeita efusão de amor e poder.

Necessitas confiar em ti mesmo. Dizes que te conheces muito bem? Se assim pensas, não te conheces; conheces apenas o débil envoltório externo que freqüentemente tem caído na lama. Porém tu – o Eu Real – és uma centelha do fogo Divino e Deus, que é Todo Poderoso, está em ti e, por este motivo, nada existe que não possas fazer, se o quiseres. Dize a ti mesmo: “O que o homem fez, o homem pode fazer. Eu sou um homem, porém sou também o Deus que está no homem; eu posso fazer isto e quero fazê-lo”. Pois se quiseres trilhar a Senda, a tua vontade deve ser como aço de boa têmpera.

IV – AMOR

De todas as qualidades, o Amor é a mais importante, pois sendo bastante forte num homem, obriga-lhe a aquisição de todas as outras que, sem ele, não seriam suficientes. Freqüentemente é expresso como um intenso desejo de se libertar da roda dos nascimentos e mortes e de se unir com Deus. Entendê-lo, porém, deste modo, denota egoísmo e alcança apenas uma parte de sua significação. Não é tanto o desejo, como a
vontade , a resolução, a determinação. Para produzir seus resultados, essa resolução
deve encher de tal modo a tua natureza inteira, que não deixe lugar para qualquer outro
sentimento. É, na verdade, a vontade de seres uno com Deus, não para escapares à
fadiga e ao sofrimento, mas para que, pelo teu profundo amor por Ele possas agir com Ele.

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E porque Ele é Amor, tu, se te quiseres unificar com Ele, deves encher-te de profundo desinteresse e amor. Na vida diária isto implica duas coisas: em primeiro lugar, ter o cuidado de não fazer mal a nenhum ser vivo; em segundo, vigiar as oportunidades de prestar auxílio.

Primeiro, não fazer mal. Três pecados há que operam maior dano do que todos os outros no mundo – a maledicência, a crueldade e a superstição – por serem pecados contra o amor. Contra esses três pecados, o homem que quiser encher o seu coração do amor de Deus deve estar vigilante, incessantemente.

A maledicência - Observa os efeitos da maledicência. Começa com um mau pensamento e este, em si mesmo, já é um crime, pois que, em tudo e em todos, existe o bem; em tudo e em todos o mal existe. Podemos reforçar qualquer deles pelo pensamento e, deste modo, ajudar ou embaraçar a evolução; podemos fazer a vontade do Logos ou resistir-lhe.

Se pensares no mal que existe em outrem, cometes ao mesmo tempo três ações más:

1. Enches teu ambiente de maus em vez de bons pensamentos, aumentando assim a
tristeza do mundo.
2. Se nesse homem existir o mal que supões, o fortificas e o alimentas e, assim, tornas
pior o teu irmão, em vez de o melhorar. Porém, geralmente o mal nele não existe,
sendo apenas um produto da tua fantasia; e então o teu pensamento tentará o teu
irmão à prática do mal, pois que, se ele não for ainda perfeito, poderás torná-lo tal qual
o imaginaste.

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3. Saturas a tua mente de maus em vez de bons pensamentos; embaraças, assim, o teu
próprio crescimento, tornando-te aos olhos dos que podem ver um objeto feio e penoso
em vez de belo e atraente.

Não contente de ter feito todo este mal a si próprio e à sua vítima, o maledicente
tenta, com todas as suas forças, fazer com que os outros participem do seu crime.
Prontamente conta a perversa história, na esperança de que o acreditem; e, então, juntam-se todos a enviar maus pensamentos ao pobre paciente. E isto repete-se dia a dia e é feito, não por um homem, mas por milhares. Começas a ver quão terrível é este pecado?

Deves, por completo, evitá-lo. Nunca fales de ninguém; recusa ouvir o mal que te disserem dos outros e suavemente observa: Talvez isso não seja verdade e, se o for, é mais caritativo não falarmos nisso.

A crueldade – Quanto à crueldade, ela pode ser de duas espécies: intencional e não intencional. A crueldade intencional consiste em causar dano a um ser vivo, de ânimo deliberado; este é o maior de todos os pecados – próprios antes de um demônio do que de um homem. Dirás que nenhum homem cometeria tal crime; porém, os homens o cometeram muitas vezes e o cometem, ainda, diariamente. Praticaram-no os inquisidores; muita gente religiosa o praticou em nome da sua religião. Os que dissecam seres vivos o praticam; muitos professores o praticam habitualmente. Toda essa gente procura desculpar a sua brutalidade dizendo que é o costume; um crime, porém, não deixa de o ser porque muita gente o comete. O karma não leva em conta o costume e o karma da crueldade é, de todos, o mais terrível. Na Índia, pelo menos, não há desculpa para tais hábitos, pois o dever de não fazer mal é de todos bem conhecido. A sorte reservada ao cruel incide também sobre todos aqueles que intencionalmente matam criaturas de Deus sob pretexto de desportos.

Sei que não farias estas coisas; e, por amor de Deus, quando a oportunidade se oferecer, falarás abertamente contra elas. Porém, existe a crueldade na palavra, da mesma forma que nos atos, e um homem que diz algo com a intenção de ferir a outrem é passível desse crime. Isto também não farás; porém, às vezes, uma palavra impensada faz tanto mal como se fosse malévola.

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Deves, pois, estar de sobreaviso contra a crueldade irrefletida. Ela se origina comumente da irreflexão. Um homem cheio de avareza e cobiça não pensa jamais nos sofrimentos que causa aos outros, pagando-lhes pouco e deixando meio famintos sua mulher e seus filhos. Um outro pensa apenas nos seus desejos luxuriosos, pouco se importando com os corpos e as almas que arruina para sua satisfação. Um outro, somente para poupar-se uns poucos minutos de incômodo, não paga aos seus operários no dia designado, sem pensar nas dificuldades que lhes origina. Por essa forma muito sofrimento pode ser causado pela irreflexão – pelo olvido de pensar sobre o modo pelo qual uma ação afeta os outros.

Porém, o Karma não esquece nunca e não leva em conta que os homens esquecem. Se desejas entrar na Senda, deves pensar nas conseqüências das tuas ações, a fim de não incidires em crueldade irrefletida.

A superstição – A superstição é outro grande mal, que tem causado muitas e terríveis crueldades. O homem que é seu escravo desdenha aqueles que são mais sábios e tenta fazê-los agir do mesmo modo. Pensa nos horrendos massacres produzidos pela superstição que aconselha o sacrifício de animais e pelo ainda mais cruel preconceito de que o homem necessita de carne para alimentar-se. Pensa nos maus tratos que a superstição tem criado para as classes oprimidas da nossa Índia bem amada e verifica por aí quanto esta má qualidade pode originar de covarde crueldade, mesmo entre aqueles que conhecem o dever de serem fraternais. Muitos crimes os homens cometeram em nome do Deus de Amor, movidos pelo pesadelo da superstição; cuida, pois, muito para que
dela não reste em ti o menor vestígio.

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Esses três grandes crimes deves evitar, pois são fatais a todo o progresso, por serem pecados contra o amor. Não basta, porém, refrear o mal; é preciso ser ativo no bem. Deves encher-te tanto do intenso desejo do serviço, que estejas sempre vigilante para prestá-lo em torno de ti – não somente aos homens, como também às plantas e aos
animais. Deves prestá-lo nas pequenas coisas, cada dia, a fim de que o hábito se forme e
não percas as raras oportunidades em que grandes coisas se apresentam para ser feitas.

Pois que, se anseias unificar-te com Deus, não é por amor de ti próprio, mas a fim de que
possas ser um canal através do qual o Seu amor flua sobre os homens, teus irmãos.
Aquele que está na Senda não existe para si mesmo, mas para os outros; esquece a si próprio para poder servi-los. Ele é como uma pena na mão de Deus, através da qual o Seu pensamento flui e pode encontrar neste mundo uma expressão que, sem ela (a pena) não poderia Ter. É, ao mesmo tempo, um feixe de fogo vivo radiando sobre o mundo o Amor Divino que lhe enche o coração.

A sabedoria que torna capaz de ajudar, a vontade que dirige a sabedoria, o amor que inspira a vontade – tais são as qualidades requeridas. Vontade Sabedoria e Amor são os três aspectos do Logos; e tu, que desejas alistar-te ao Seu serviço, deves expressar esses três aspectos no mundo.

http://www.alienshift.com/sitebuildercontent/sitebuilderpictures/Kuthumi.jpg  Mestre Kuthumi