21.1.13

O QUE É CIVILIZAÇÃO - Swami Sivananda


  • Na chamada civilização moderna, o homem não deseja mais que dinheiro. Morre por dinheiro. A maioria das pessoas toma seu desjejum às oito da manhã e imediatamente pegam o primeiro trem para chegar a suas oficinas e escritórios antes das nove. Não há descanso. O estômago e os intestinos se agitam violentamente, pelo que acabam padecendo de dispepsia e diversos problemas estomacais.

  • Alguns desenvolvem engenhosos métodos para enganar aos demais. Inventa-se todo tipo de pratos saborosos para satisfazer ao paladar. Os hotéis se converteram em centros de jogos. Neles há todo tipo de conforto, há baile e orquestras tocando durante a comida, e todo tipo de alimento para excitar os sentidos ao máximo e fazer-te esquecer de Deus e da Verdade por completo. Um diz: “Tenho cinco carros”, outro: “Tenho quinze serviçais”, outro exclama: “Viajei dez vezes à Europa”, e ainda outro: “Tenho vinte chalés em diferentes lugares”. Mas ninguém diz: “Realizei vinte e quatro voltas do Gaiatri Japa, estudei o Yoga Vasishtha dez vezes e o Gita cem vezes. Medito doze horas aos domingos. Repito o mantra por duas horas todo dia.” Assim é a civilização moderna.

  • Com a moda é desperdiçada grande quantidade de dinheiro. Se este dinheiro fosse utilizado em ações virtuosas, em fazer caridade e servir a sociedade, o homem se transformaria na Divindade. Desfrutaria de paz e felicidade eternas. Apesar disso, o que se vê nas pessoas elegantes? Inquietação, ansiedade, preocupação, medo, depressão e rugas em seus rostos. Mesmo que estejam vestidos em seda e na última moda, tu descobres em seus rostos sua tristeza e fealdade. As úlceras da preocupação, avareza e ódio os consomem até o mais profundo do coração.

  • Tudo isto é uma decoração artificial, uma beleza decadente e falsa. Se tu possuis virtudes boas, como misericórdia, simpatia, amor, devoção e paciência, serás verdadeiramente respeitado e honrado. Isso proporciona uma beleza imortal, ainda que estejas vestido de farrapos!

  • Todos desejam ter os confortos e aparelhos da vida moderna, e o luxo de hoje se converte na necessidade de amanhã. As pessoas não se importam em enganar e se deixar corromper para conseguir seus fins. A gratificação dos sentidos se converteu na meta da vida. Inventam-se métodos engenhosos para ganhar dinheiro, ainda que sejam desonestos. Há corrupção em toda parte. A honestidade e a amabilidade desapareceram. Esse é o resultado de uma vida luxuosa, consequência dos descobrimentos científicos e da civilização ocidental.

  • Nesta chamada civilização moderna, a avareza, a paixão e o egoísmo aumentam dia a dia. O homem perdeu sua masculinidade. O filho leva o pai ao tribunal para conseguir sua parte da propriedade. A esposa se divorcia do esposo, casando-se com outro mais rico, mais belo e jovem. O irmão envenena o mais velho para ficar com suas propriedades. Há crueldade, desonestidade, injustiça e atrocidade em toda parte. Ninguém cumpre suas promessas. O pai não tem confiança no filho. A esposa não tem confiança em seu esposo, nem o marido a tem em sua esposa.

  • O dever não é mais cumprido. As pessoas atuam segundo suas próprias ilusões e fantasias. Não existem obstáculos. Ao homem não lhe importa a instrução religiosa. A paixão domina o mundo todo. A discriminação, o pensar reto e a Vichara (indagação do Eu) desapareceram. Comer, beber e procriar são as metas da vida.

  • O dinheiro é, sem dúvida, necessário ao homem. Mas não é tudo na vida. Não se deve adorar a riqueza. O dinheiro não proporciona paz e felicidade. Diga-me quem é superior: quem vive num edifício de 120 andares na América, com aviões e carros, cheio de dólares, mas também de inumeráveis inquietações, preocupações e ansiedades, sofrendo pressão alta e outras enfermidades, com um coração mesquinho e uma grande ignorância espiritual, junto com suas consequências como paixão, avareza e cólera, ou aquele que vive numa pequena cabana de palha às margens do Ganges ou nos Himalayas, desfrutando de boa saúde, com um coração amplo e magnânimo, com inúmeras qualidades divinas, com felicidade, alegria e paz perenes, com um grande conhecimento do Ser, ainda que não tenha dinheiro, preocupações e ansiedades?

  • Não há, então, modo de escapar de tantos problemas e dificuldades? Há só um meio: levar uma vida de despaixão, autocontrole, pureza, serviço desinteressado e amor cósmico. Pratica a devoção e meditação.

  • Viajar num carro de luxo não é verdadeira civilização. Ter radares e helicópteros não é verdadeira civilização. Ter riquezas não é civilização. Possuir títulos e honras não é civilização. Ser honesto, humilde e devoto é civilização. Ser santo e compassivo é civilização. Estar provido de devoção e sabedoria é civilização. Possuir um espírito de serviço e sacrifício é civilização.

  • Teremos que retornar à natureza e à vida natural. Teremos que adotar o viver simples e o pensamento elevado de nossos antepassados. Leve uma vida simples e natural. Vista-se com simplicidade. Caminhe diariamente. Abandone a leitura de romances e o cinema. Tome alimentos simples. Leve uma vida dura e trabalhadora. Seja autossuficiente. Não tenha serviçais. Reduza tuas necessidades. Seja honesto em teus relacionamentos. Ganhe o pão com o suor de teu rosto. Controla os sentidos e a mente. Pense em Deus. Cante Seu nome. Sinta Sua presença. Diga sempre a verdade. Aprende a discriminar. Aprende a levar uma vida divina imerso no mundo. Sirva a sociedade com o sentimento de estar servindo a Deus nela. Assim terás reconquistado tua Divindade e teu paraíso perdido.




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