31.12.12

UDDHAVA GITA - A história de Katthanga


HISTÓRIA NARRADA POR SRI KRISHNA A UDDHAVA, SEU DEVOTO


Havia em Avanti um brahmin imensamente rico, mas que levava uma vida miserável, fazendo negócios; era cheio de cobiça, avaro e muito irritável. Jamais saudava seus parentes e hóspedes, nem os tratava com palavras agradáveis; e vivendo naquela casa abandonada por Deus, nem sequer dava certos cuidados a seu próprio corpo.

Como levava uma vida tão ímpia e desprezível, seus filhos e parentes não gostavam dele. Sua esposa, filhos e serventes viviam tristes, e não lhe faziam nenhum bem.

Como seu único prazer era acumular dinheiro, e jamais se ocupava em adquirir virtudes ou satisfazer prazeres legítimos, perdeu esta vida e a próxima, e se desgostaram os cinco sócios de sua fortuna (os devas, sábios, antepassados, homens e animais).

Como não atendeu a estes sócios, seu mérito acumulado ficou vazio; e aquela riqueza que havia juntado com tanto sacrifício também desapareceu.

Ó Uddhava, parte da fortuna daquele infeliz brahmin foi levada por seus parentes e ladrões; outra parte ficou destruída por um acidente e corroída pela ação do tempo; e o resto foi levada pelos homens e pelos reis.

Quando, dessa maneira, se foi toda sua fortuna, ele se encheu de ansiedade pelo futuro, porque tinha descuidado de adquirir virtudes ou a satisfação dos desejos legítimos.

Neste momento era um homem sem um centavo , em condição lastimável; e ao refletir profundamente sobre sua condição, sua palavra ficou sufocada pelo arrependimento e foi atacado por um enorme desgosto para com o mundo.

E disse a si mesmo:

“Ai, desgraçado de mim! Inutilmente torturei este corpo, correndo como louco atrás da riqueza, desdenhando de adquirir as virtudes e da satisfação dos legítimos desejos.

A riqueza jamais traz alegria ao infeliz; somente causa a mortificação do corpo enquanto se está vivo, e prepara o caminho para o inferno depois da morte.

Um pouco de avareza já é suficiente para destruir a pura reputação de um homem. Durante a aquisição da riqueza ou depois de ter sido conseguida, em seu aumento, em sua guarda, em seu desfrute, em sua perda, o homem passa através de esforços, medo, ansiedades e decepção.

Estes são os males que se aderem ao homem, como resultado da riqueza: o roubo, o prejuízo, a mentira, a luxúria, a ira, a vaidade, a soberba, a discórdia, a inimizade, a má fé e as três classes de excessos. Por isso, quem deseje seu bem-estar, deve recusar o mal conhecido como riqueza.

Irmãos, esposas, pais e amigos, que são tão queridos e estão muito perto do coração, de repente se distanciam e se convertem em inimigos, ainda que por uma quantia insignificante de dinheiro.

Ainda a menor quantidade de dinheiro transtorna e inflama sua ira, e se separam imediatamente; e de repente, abandonando toda cordialidade, começam a ser rivais; mais ainda, se matam entre si.

O homem, depois de ter conseguido este corpo, que é a porta da liberação, fica apegado ao dinheiro, que é a origem do mal.

Ai, eu estava enganado pela inútil busca da riqueza; e agora, esta também se foi de mim, juntamente com minha idade e meu vigor. E o que pode conseguir um homem decrépito como eu d'Aquele que ajuda os homens de discernimento a lograr a liberação?

Estou seguro de que o senhor Vishnu, que é a personificação de todos os devas, está muito satisfeito comigo, porque Ele me trouxe esta crise, na qual obtive o cansaço do mundo, que é como um bote para a alma que está lutando.

Assim, durante o resto de minha vida, mortificarei o corpo, ficarei satisfeito apenas com minha alma, e buscarei tudo aquilo que conduz ao verdadeiro bem-estar.

Que os devas que governam os três mundos me bendigam nisso!”

E Khattanga (era este seu nome) atingiu a esfera de Brahma em apenas 24 minutos.

E com esta resolução em mente, o bom brahmin conseguiu desatar o nó de seu coração (o egoísmo) e se tornou um monge calmo e silencioso.

Controlando sua mente, os órgãos e os pranas, vagava solitário pelo mundo. Só ia às aldeias e cidades para pedir sua comida, e ninguém sabia quem ele era. Vendo o velho monge, os malvados o insultavam e o tratavam com desprezo.

Alguém lhe tirou a bengala, outro lhe tirou seu pote de mendigar, a comida e outro o pote de água; outro levou seu assento e outro o rosário de sementes de rudraksha; ainda outro lhe levou os trapos com que se cobria.

Enquanto comia às margens do rio, os velhacos sujaram sua comida e cuspiram sobre sua cabeça. Ele observava tudo em silêncio; mas queriam obrigá-lo a falar, e ao não obter resposta, o encheram de xingamentos.

Diziam: “Este homem é um ladrão”. Outro o amarrou com uma corda, e outros disseram: “Mate-o”. Outros disseram: “É um farsante que usa a máscara de religioso. Como perdeu seus bens e foi expulso por seus parentes, tomou esta profissão.”

“Oh, ele é muito forte e firme como o Himalaia! Tem firmeza em seu propósito, e busca conseguir seu propósito se mantendo em silêncio.” Assim uns o ridicularizavam, outros lhe tratavam vergonhosamente, e alguns o amarraram.

Mas, qualquer que fosse a desgraça que lhe ocorria, ele a tomava como sendo mandada pelo destino, e a suportava em silêncio, praticando a mais pura forma de firmeza. E vagou pela terra como um monge, livre de ansiedades.

 

Um comentário:

  1. Por nós mesmos não devemos lutar a não ser pelo direito da virtude , mas por um ideal , por uma causa legítima , devemos lutar até o nosso último suspiro.

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